Concelhos

Mogadouro

NOTAS MONOGRÁFICAS

Nota Prévia Estimado leitor, antes de começar a ler estas breves notas monográficas, queria dar lhe uma justificação. Primeiro: O tempo que efectivamente pude dispor para a elaboração desta monografia, foi escasso, apenas quatro ou cinco semanas, o que não permite fazer grande pesquisa em arquivos (os de Mogadouro arderam por duas vezes), nomeadamente na Torre do Tombo. Segundo: é tremendo o esforço de “meter” em pouco mais de trinta páginas, um concelho enorme, e tão rico historicamente, como é o de Mogadouro. Por tudo isto, apelo para a compreensão e benevolência do amigo leitor.

O CONCELHO

O concelho de Mogadouro, situa se na Província de Trás os Montes, Nordeste de Portugal, distrito de Bragança. Fica encaixado, entre os concelhos nordestinos de Vimioso, Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta. Fica separado de Castilla y León, pelo profundo vale do rio Douro, cujas margens, aqui, formam as belíssimas arribas. O território do concelho de Mogadouro está delimitado pela Natureza, entre o rio Douro e o rio Sabor (apesar do concelho de Mogadouro ter para além deste rio, margem direita, a freguesia de Castro Vicente e as povoações de Porrais e Vilar Seco). Grande parte do território do concelho de Mogadouro pertence ao Planalto Mirandês (prolongamento da Meseta Ibérica), terras ricas em cereal em sequeiro extensivo, trigo, aveia e centeio, em gado bovino e ovino (de realçar as raças autóctones mirandesa, e a ovelha churra da Terra Quente), embora seja de salientar a existência de dois vales abrigados, que lhe dão climas e culturas diferentes das do planalto, como é o caso do vale do Douro e do vale do Sabor, terras ricas em vinho, olival, laranja e amêndoa, entre outros produtos mediterrânicos. O concelho de Mogadouro é essencialmente rural, vivendo da agricultura e da pecuária. Para além do sector primário, Mogadouro possui diversos serviços e uma zona industrial, com armazéns, oficinas e alguma indústria ligada à agricultura. Noutros tempos, o gado cavalar teve muita importância em Mogadouro, não só para os trabalhos agrícolas e como meio de transporte, mas também porque existiu na Quinta de Nogueira uma caudelaria que chegou a ser considerada como a segunda caudelaria do país, depois da de Alter do Chão. Também no tempo da família dos Távoras, Senhores de Mogadouro (séculos XV a XVIII), na referida Quinta de Nogueira e na chamada Quinta Nova (contíguas), e ambas suas, esta nobre família tinha criação cavalar e aí tinha uma grande coutada de caça. Localizado na parte sul do Planalto Mirandês, no concelho de Mogadouro, confluem três influências distintas: a atlântica, a continental e a mediterrânica. Por isso a sua agricultura é extremamente rica e variada e a sua paisagem cheia de contrastes. No Inverno, tem um clima rigoroso, continental, um frio que gela. Nesta estação do ano, o sinceno emoldura as árvores de branco, são frequentes as geadas e não raros os nevões. No Verão, um calor tórrido, típico dos climas continentais, que seca a vegetação, deixando tudo amarelo. São, como diz o povo «nove meses de Inverno e três de inferno». Mogadouro é, também terra de amendoeiras. Nas suas aldeias de Valverde, Meirinhos, S. Pedro, Souto, Roca, Santo André e S. Martinho do Peso, principalmente (pois em muitas outras aldeias também se encontram), podemos disfrutar de uma paisagem belíssima, sem igual, com as amendoeiras em flor. O turista, deve vir a Mogadouro e percorrer as rotas das amendoeiras que este concelho lhe oferece. Nos meses de Abril e Maio é, muito possivelmente, a época do ano em que este concelho se encontra mais bonito, com os montes floridos de mil cores. São as flores do monte (os rosmaninhos, as giestas, as urzes, etc), que tornam os nossos montes únicos, verdadeiros jardins, com uma variedade de cores que só a paleta da Natureza consegue dar. O turista, não pode perder este cartaz único. As espécies vegetais mais comuns, neste concelho, são o carvalho negral e nas encostas dos vales do Douro e Sabor, a azinheira, o sobreiro e o zimbro. No planalto, uma agricultura extensiva de pão (sobretudo trigo) e forragens para animais permite uma enorme abundância de gado mirandês, mas sobretudo leiteiro, tornando o concelho de Mogadouro um dos mais produtivos em leite da nossa província e mesmo um dos mais importantes a nível da região Norte. Junto às linhas de água, surgem as “olgas” e as hortas que são regadas por agueiras, desvios de águas das ribeiras ou por “furos” e poços dos quais se extrai a água pelas “cegonhas” ou picotas, herança de romanos ou árabes. Nas zonas mais baixas e frescas, surgem nos os “lameiros” (prados naturais), a que andam associados os olmos e os freixos. Nas arribas do Douro e nas encostas do Sabor, a vinha, o azeite, as amendoeiras… Por todo o concelho, muitos rebanhos de gado ovino e caprino. ” Na extremidade sul do planalto mirandês, contida pelos vales mediterrânicos do Sabor e Douro, onde a paisagem se vai enrugando de norte para sul e o clima se vai tornando mais ameno, surgem as oliveiras, amendoeiras, sobreiros, tão característicos dos climas do sul. Entretanto, a agricultura extensiva do planalto torna se aqui intensiva nas hortas cultivadas nos vales encaixados das ribeiras. Pontuando a paisagem, sobretudo nos terrenos de suave declive que ligam o planalto às arribas do Douro, nascem as vinhas que levam ao mundo o tão conhecido vinho rosé””). Os típicos pombais, redondos ou em forma de ferradura, salpicando encostas e campos, dão uma nota pitoresca à paisagem… A caça, é outra das riquezas deste concelho. Onde a floresta é abundante: o javali; onde há searas, a lebre e a perdiz; nas zonas de hortas, lameiros e de policultura, o coelho. É uma riqueza importante, constituindo uma fonte de rendimento considerável e um dos melhores cartazes turísticos do concelho. Na época da caça os restaurantes e residenciais enchem se de caçadores que vêm do litoral. É como uma autêntica festa. Há largas dezenas de “associativas” cinegéticas neste concelho. Aqui (na vila de Mogadouro), se situa a sede do Parque Natural do Douro Internacional. De facto, esta paisagem, sobretudo as arribas do Douro, são zonas a proteger. Este Parque Natural do Douro Internacional, é o “santuário” de muitas espécies de aves ameaçadas, como a águia real, a águia de bonelli, o abutre do Egipto, o grifo, e algumas mesmo em vias de extinção, como a cegonha preta. Na área do Parque Natural do Douro Internacional, há muitas outras aves que aqui nidificam, como: a gralha de bico vermelho, o andorinhão real e o chasco preto. Dentro da zona do referido Parque: “Quanto à vegetação, merecem referência os bosques endémicos de zimbro, além de importantes manchas de azinheiras (localmente designadas por carrascos), carvalhos, sobreiros e lódãos”. A paisagem é deslumbrante. Existem miradouros, um pouco por todo o concelho, em que se pode disfrutar de uma paisagem deslumbrante e, ao mesmo tempo tão variada, nas diferentes épocas do ano. “Em toda a zona mais próxima do rio Douro alternam se os grauvaques e os granitos, apresentando se estes, ora em grandes blocos, ora sob a forma de areão proveniente da sua desagregação. O relevo, é constituído por uma sucessão de colinas onde predominam os xistos grauváquicos interrompidos por alguns afloramentos quartzíticos, que se elevam na paisagem formando as serras. Já a Sul abundam os xistos pardos, que também são dominantes na bacia do Sabor. Estes solos, e as características do clima, proporcionam um coberto vegetal abundante e diversificado, que atribui à paisagem um manto de belíssimas colorações que se alteram com as estações do ano””) Situa se a uma altitude média de 700 m, sobre o nível do mar, destacando se apenas alguns relevos, conhecidos por «cimos de Mogadouro», que se elevam a cerca de 900 m. O Concelho de Mogadouro, tem sofrido ao longo das últimas décadas uma enorme sangria das suas gentes. É sabido que Portugal é um país com enormes assimetrias e todo o interior tem sofrido com a saída das suas populações, sobretudo das mais activas, quer para o estrangeiro, quer para o litoral. Apesar de ter pouca população (cerca de 11.282 residentes, segundo o censos de 2001, dados preliminares), é enorme a área do concelho de Mogadouro (cerca de 756 Km quadrados), que se reparte por 28 freguesias e cerca de 56 aglomerados populacionais. O povoamento do concelho, é como todos os concelhos desta região, um povoamento concentrado. As suas típicas aldeias, com as casas tradicionais transmontanas perfeitamente adaptadas ao clima e ao ambiente da região, feitas com material local (granito ou xisto), com varandas de “balcão” onde se põem a roupa a secar, dependuram as cebolas, se pousam abóboras ou se secam outros produtos agrícolas, é um património que urge conservar. A melhoria do nível de vida, as “modas” vindas da vila ou da cidade, ou ainda os emigrantes têm, gradualmente, destruído este património. Urge que os autarcas e quem de direito, salvem o que ainda é possível preservar. Dentro da arquitectura tradicional da nossa região, deve salientar se a tradicional e majestosa “porta do carro” ou “porta carral”, assim chamada por ser enorme. para assim permitir a entrada do carro carregado no curral ou palheiro. A ruralidade e os seus valores devem ser salvaguardados. A gastronomia de Mogadouro é muito rica e variada. Nesta terra do Nordeste Transmontano, o fumeiro e os enchidos, ocupam, como não podia deixar de ser, lugar de destaque. Na economia doméstica El Rei, o porco, ocupava (e ocupa ainda) um lugar indispensável. Os recos ou laregos, são criados com todo o carinho, com as melhores viandas, para a ocasião, quase ritual, da matança. Assim, os presuntos, as alheiras, os bulhos (chouriços de ossos), os chouriços de sangue, as linguiças, as bochas, os chabianos, os vilões, as tabafeias, e por fim, sua majestade, o salpicão, são, em Mogadouro, os reis da gastronomia. Dentro dos pratos, não podíamos deixar de começar pela posta (naco de carne de vitela da raça mirandêsa, criada em pastos naturais, assada na brasa), a marrã (carne de porco assada na brasa, sobretudo a barriga de porco), a sopa de xis, as cascas com bulho (vagens de feijão, secas, cozidas com bulhos, bochas, carne de porco gorda e outros enchidos), as sopas das segadas, o nosso cabritinho serrano, o cordeiro churro assado na brasa, as incomparáveis nabiças etc. E que dizer dos nossos queijos (de cabra e de ovelha churra), o mel, os “económicos”, os “roscos”, os “matrafões”, o folar da Páscoa, “as rosinhas” (doce tradicional de Bruçó, aldeia de Mogadouro), os “formigos” e tantas, tantas outras iguarias? Também em artesanato Mogadouro é rico. O artesanato da lã é já ancestral, como muito antigo é também o trabalho do linho. A Associação Cultural e Recreativa de Soutelo (aldeia do concelho) têm desenvolvido, desde há alguns anos a esta parte, actividades de preservação do ciclo do linho, da produção de colchas de lã e linho bem como de outros artigos tradicionais. Mas para além da lã e do linho, em Mogadouro, produz se artesanato de colchas e toalhas de renda, bordados, artesanato de seda (antigamente muito importante), metalurgia (peças para trabalhos agrícolas e para uso doméstico), cestos de vime, alfaias agrícolas (em miniatura), etc e a D. Lúcia Costa tem desenvolvido uma produção de artefactos de barro em que se reproduz de uma maneira fiel, as casas tradicionais, os pombais e outros motivos de Mogadouro e do Nordeste Transmontano. “Concelho iminentemente rural, de uma beleza agreste e doce, povoado por gente sã, afável e laboriosa, herdeira de um carácter nobre e de uma história rica e antiga, assim poderíamos caracterizar este pedaço do território nacional”. Também por Mogadouro passavam os Caminhos de Santiago. Temos um Caminho principal (ao nível de Trás os Montes, pois sabemos que estes caminhos eram, a nível nacional, secundários), e vários outros menos importantes, constituindo uma autêntica rede “capilar” de inúmeros caminhos jacobeos. Este caminho principal chegava a Mogadouro vindo de Castelo Rodrigo, por duas vias possíveis: uma por Freixo de Espada à Cinta, (Castelo Rodrigo, Figueira de Castelo Rodrigo, Escalhão, atravessava se o Douro na barca de Barca de Alva, Quinta de Santiago, Freixo de Espada à Cinta, pelo concelho medieval de Mós, Fornos, Lagoaça, Bruçó, Mogadouro); outra por Moncorvo, (Castelo Rodrigo, Figueira de Castelo Rodrigo, Almendra, Castelo Melhor, Vila Nova de Foz Côa, atravessava se o Douro na barca do Pocinho, Moncorvo, Vilariça, Adeganha, Parada (atravessava se aqui o Sabor na barca de Santo Antão da Barca, Mogadouro). Em Mogadouro o caminho de Santiago bifurcava se: Um por Mogadouro, capela de Nossa Senhora do Caminho (caminho de Santiago…), Azinhoso (a atestar que por aqui passavam os caminhos de Santiago, temos: um enorme alpendre que existia na Igreja de Azinhoso, a grandiosidade do próprio templo e na cachorrada da igreja, cachorros com motivos dos caminhos de Santiago, como por exemplo cabaças (bilhas) e vieiras.), depois por uma ponte medieval que ligava a Penas Roias, Algoso, Vimioso, Bragança); outro de Mogadouro, Nossa Senhora do Caminho (do caminho de Santiago…), Santiago (o nome diz tudo…), Algosinho (igreja onde existem cachorros representando cabaças, símbolo dos peregrinos), Ventoselo (nesta freguesia de Mogadouro existem vários vestígios dos caminhos de Santiago: uma pintura no tecto da capela do Senhor da Boa Morte que representa Santiago peregrino, a fonte da vila ficaria na rota dos caminhos (onde os peregrinos matariam a sede), bem como a fonte do carril, e uma antiga capela de Santiago, hoje completamente destruída), Urrós, Sendim (de Senda, caminho…), Miranda do Douro,…). Depois, havia inúmeros “capilares”, atalhos ou desvios secundários, vamos dar apenas alguns exemplos: ao Azinhoso podia chegar se de Santiago (neste caminho ficava o monóptero de S. Gonçalo, santo associado aos caminhos); por Variz, Castanheira, Valcerto, Algoso, Campo de Víboras, Vimioso; a Santiago (Vila de Ala), importante cruzamento de caminhos, podia chegar se de Peredo de Bemposta (por Algosinho, Ventoselo, Vila de Ala) e de Bemposta (por Lamoso, Tó e Vila de Ala). Quem vem do sul do distrito, antes de chegar a Mogadouro, em Zava, fica a capela de S. Cristóvão, santo protector dos caminhantes. O nome de Zava (o povo também pronuncia Zaba), virá, segundo a minha opinião, de Zabah (que quer dizer, depressão), e de facto, a povoação de Zava, está numa depressão (zona baixa entre montanhas, nas faldas da serra, onde confluem muitas águas). Seria importante que a Câmara Municipal de Mogadouro e a Comissão de Turismo do Nordeste Transmontano, incrementassem e promovessem estes Caminhos de Santiago, dando lhes foros de rotas turísticas e culturais. Quanto à origem do nome Mogadouro, pondo de parte algumas teorias fantasiosas ou menos credíveis (como por exemplo, a origem muçulmana do seu nome), concordamos plenamente com o Sr. Professor Adriano Vasco Rodrigues, que escreveu o seguinte: “A Reconquista prossegue atingindo a máxima expansão territorial daquele reino das Astúrias com Afonso 111, o Magno. Reinou 43 anos, tendo, desde 870, desencadeado uma série de campanhas. Chegou com as suas tropas a Coimbra e a Mérida, a antiga capital da Lusitânia. A ele se deve a fortificação e organização militar da linha do Douro à base de castelos, tornando este rio fronteira estratégica e não fronteira política. Para oriente, a difusão dos castelos deu origem a Castela, a terra dos castelos…Este é o melhor testemunho do já unificado reino astur leonês. Ao mesmo tempo que D. Afonso III efectuava incursões nas terras dos Mouros, repovoava o território e organizava a sua defesa. Restaurou Orense e outros povoados vizinhos de León. Repovoou parte do Minho, no actual bispado de Braga (Galiza Bracarense), e restabeleceu as sedes de bispados como as de Chaves, Braga e Porto. Porém, a grande obra político militar e estratégica de Afonso III foi a fortificação ao norte do Douro, aproveitando as defesas naturais, de modo a quebrar as incursões para Norte. Fortificou Zamora de raiz, levantando outros castelos nos chamados campos góticos, cujo repovoamento iniciou em 893. Toro e Simancas surgiram então. Deve datar desta altura o aproveitamento de Mogadouro como ponto estratégico e construção da primeira fortaleza, reedificada mais tarde. A toponímia é esclarecedora. Mógo significa marco implantado, ou considerado simbolicamente como separação ou divisão de um território. Tem o mesmo significado que moiom, ou linde, que é uma baliza para demarcar uma área. O termo foi importado da linguagem popular. O marco do Douro, o Mogadouro, terá nascido assim. Como judiciosamente esclarece Rosa de Viterbo, no Elucidário, no seu tempo, isto é, no século XVIII, ainda nesta região de Trás os Montes a palavra mógo se ligava a marco de separação dos terrenos, sendo frequente o uso deste vocábulo em Ansiães.”15) Mogadouro significará, portanto, o marco ou limite do Douro. É muito difícil trabalhar sobre a história do concelho de Mogadouro, uma vez que o seu arquivo ardeu por duas vezes. O arquivo municipal, que estava instalado no edifício do Convento de S. Francisco (Câmara Municipal de Mogadouro), ardeu por duas vezes, uma em 1881 e outra em 1927. Após a extinção das ordens monásticas pelos governos liberais, este convento passou a albergar várias repartições públicas, entre elas, a Câmara Municipal. O concelho de Mogadouro é terra muito antiga, em que se encontram numerosos vestígios do passado. Para conhecer os achados arqueológicos do concelho de Mogadouro, é indispensável o turista visitar a Sala Museu de Arqueologia de Mogadouro, que se encontra na rua D. Afonso III (monarca que lhe deu o seu primeiro foral, em 1272), no edifício do convento de S. Francisco, actual Câmara Municipal de Mogadouro. Ali, o visitante encontra um pequeno museu, muito bem organizado, com interessantes peças expostas, que resultaram de escavações ou então que foram encontradas pela população ou pelos arqueólogos acidentalmente. Os testemunhos mais antigos, que a arqueologia descobriu, datam do século IV antes de Cristo (Neolítico). Do Paleolítico, nada se encontrou, por enquanto. Estes vestígios do Neolítico, foram encontrados numa mamoa em Pena Mosqueira, aldeia de Sanhoane, e outra no Barreiro, aldeia de Vilar do Rei. Como não somos especialista em arqueologia, vamos, neste aspecto, seguir o que nos diz o Dr. Domingos Marcos e o texto de Rui Cunha e Maria João Cunha, na sua já citada obra: “Do período Calcolítico, transição do Neolítico para a Idade dos Metais, ou do Bronze Final, parecem ser as pinturas rupestres da Fraga da Letra, junto ao castelo de Penas Róias. Da Idade do Ferro, época conturbada, conforme se constata pela edificação de vários castros em locais estratégicos de difícil acesso, por vezes em escarpas sobre o Douro, o Sabor ou o Angueira (castros de Algosinho, Vilarinho dos Galegos e Bruçó), pouco se conhece sobre a região, devido à falta de trabalhos de investigação profundos e sistematizados levados a cabo neste concelho, penalizado pela sua interioridade e pela distância dos centros universitários. A partir do I milénio a.c. começaram a chegar à Península Ibérica diversos povos provenientes do centro da Europa, pertencendo, provavelmente parte deles, ao grande ramo dos Celtas. Um povo mencionado por Estrabão e também referido em aras votivas encontradas em Castro de Avelãs (Bragança), os Zoelas ou Zoelae que, segundo vários autores, se estenderiam desde as serras da Nogueira, Sanábria e Culebra até, pelo menos, aos montes de Mogadouro, era portador de elementos de cultura singular que trouxe até nós estelas funerárias frequentemente decoradas com suásticas circulares, simbolizando o sol, mas também com motivos zoomórficos como o porco e o veado. Não se sabe se os Zoelas fariam parte destes povos invasores, de origem centro europeia, eventualmente céltica, ou se fariam parte de povos autóctones peninsulares como os Ástures Augustanos, considerados por alguns autores “um dos mais antigos substratos étnicos da Península”. Entre o espólio deste período encontramos um curiosíssimo conjunto de peças, gravadas e esculpidas num tipo de pedra inexistente na região, semelhante a “pedra de sabão”, das quais duas esculturas representam cavalos. Terão estas últimas alguma relação com os Equaesi (Equu, do latim, com o sentido de cavalo)? Seria o cavalo o seu elemento totémico? Também não deixa de ser curioso que Boch Gimpera localize os Equaesi entre a serra de Bornes e os cimos de Mogadouro, se pensarmos que estas peças foram encontradas em Castro Vicente, na margem direita do Sabor, supostamente em pleno território dos Equaesi. Estas e outras interrogações aguardam respostas que venham trazer luz àevidente importância do passado arqueológico do concelho de Mogadouro. Posteriormente, a ocupação romana traz modificações significativas ao fácies da paisagem e àorganização social e administrativa. Senhores de uma técnica agrícola mais evoluída, e com um sistema produtivo desenvolvido a uma escala de mercado, promoveram o arroteamento dos campos para permitir a cerealicultura extensiva, fixaram se em estruturas construtivas organizadas vilae , teriam, provavelmente, fortificado infraestruturas já existentes, como terá sido o caso do castelo de Penas Roias, conforme achados encontrados pelo arqueólogo Domingos dos Santos Marcos, romperam estradas que ligaram a região de Mogadouro à Capital do Conventus, Asturica Augusta (actual Astorga), capital da província da Hispania Citerior, à qual pertencia o território do actual concelho de Mogadouro. Salientamos, de entre o espólio desta época, a estela funerária de Sanhoane e o curiosíssimo altar votivo de Saldanha. Posteriores à queda do Império Romano do Ocidente (século V d.C.), contituem testemunhos dos novos invasores, provavelmente Suevos ou Visigodos, as necrópoles medievais de Algosinho e Urrós, com os seu túmulos antropomórficos”. Da Proto História, registam se os inúmeros povoados fortificados alcantilados sobre as arribas dos rios Douro e Sabor. O Dr. Hermínio Augusto Bernardo, no seu estudo, “Povoados Castrejos Portugueses e Espanhóis da Bacia do Douro Internacional”, enumera alguns castros, no concelho de Mogadouro, dos quais destacamos: Castelo dos Mouros (Bruçó); Castelo dos Mouros (Vilarinho dos Galegos); em Peredo de Bemposta; Castelo, presumivelmente um castro (Bemposta); Castelo de Oleiros (Urrós); Cerca e Casarelhos, Picão da Bouça d’Aires (Urrós). No castro romanizado de Picão da Bouça d’Aires (Urrós), existe um santuário rupestre chamado “Altarico”. Estes não são todos os castros que existem no concelho de Mogadouro, existem muitos mais espalhados pelo concelho, como por exemplo, o castelo da vila de Mogadouro está assente sobre um castro. Grande parte deles foram romanizados. “Durante a época romana, o Planalto Mirandês, incluindo a área de Mogadouro, esteve integrado na província da Hispânia Citerior, no chamado Conventus Asturicensis, um dos três «distritos» em que foi dividido o Noroeste Peninsular. A capital do Conventus, Asturica Augusta (actual Astorga) ligava se a este território por uma via secundária que cruzava o planalto, de Norte a Sul, onde é conhecida por Estrada Mourisca, ou Carril. A esta via estariam ligados por caminhos vicinais os numerosos sítios romanos, dispersos ao longo dos melhores terrenos para cultivo de cereais e para pastagens. A par destes novos polos de povoamento, mantiveram se em actividade parte dos antigos povoados fortificados. No entanto, mau grado as alterações do povoamento, manteve se a originalidade cultural deste espaço, revelada pelo estilo próprio das estelas funerárias, com elementos decorativos muito característicos, e pela ocorrência frequente dos chamados berrões”. É de registar, desta época, o berrão de Vila dos Sinos (perto da aldeia de Vilarinho dos Galegos). Na Idade Média, temos de destacar o papel dos castelos de Mogadouro e Penas Róias (ambos do século XII), na linha de defesa da nossa fronteira, contra Castilla y León. Estrategicamente bem colocados, controlando a Estrada Mourisca, esta linha de defesa foi muito importante no período de formação e consolidação da nossa nacionalidade. Esta linha de castelos, que protegia as velhas estradas romanas e medievais, era constituída, na nossa zona, pelos castelos de Mogadouro, Penas Roias, Miranda do Douro, Algoso, Vimioso, Outeiro e Bragança. Da Idade Média são as necrópoles de Urros e Algosinho. Também merece destaque, neste concelho, a rota do românico, que está presente um pouco por todo o concelho, e onde se destacam as belíssimas igrejas de Algosinho e Santa Maria de Azinhoso (Templárias). A esta rota do românico, embora tardio, não serão estranhos os caminhos de Santiago. Fazendo parte do actual concelho de Mogadouro, algumas povoações foram, noutros tempos, vilas e sedes de concelho, como é o caso de Penas Roias, Azinhoso, Castro Vicente e Bemposta. No concelho de Mogadouro, Mogadouro, Castro Vicente, Bemposta e Azinhoso possuem bonitos pelourinhos. Do pelourinho de Penas Róias, existem apenas alguns fragmentos. Mogadouro, recebeu o seu primeiro foral (como já foi referido), no reinado de D. Afonso III, mais precisamente em 1272. A vila foi concedida aos Templários, as suas muralhas foram reconstruídas e aumentadas e a paróquia passou à categoria de priorado desta ordem de cavalaria. «O prior seria um freire com votos», ou seja, um frade guerreiro. O seu foral seria renovado por D. Dinis, em 1297 e D. Manuel I concedeu lhe novo foral, em 1512. Extintos os Templários, em 1311, e criada por D. Dinis a Ordem de Cristo, a vila foi doada a esta Ordem de Cristo, criando se assim, a Comenda de S. Mamede de Mogadouro. Na Idade Moderna, a história de Mogadouro anda associada à nobre família dos Távoras, seus senhores, desde o século XV ao XVIII. Os Távoras habitaram a alcáçova do seu castelo de Mogadouro e deixaram obra notável neste concelho. Aos Távoras se deve (neste concelho) as seguintes pontes: A ponte de Remondes (1678); a ponte de Meirinhos (1677); o pontão da Quinta das Quebradas (finais do século XVIII); a ligação Mogadouro Castelo Branco (Século XVII); o pontão de Zava (finais do século XVII); a ponte de Vilarinho dos Galegos (século XVII) e a ponte Gamona em S. Martinho do Peso (século XVII). “Pelo que fica exposto acima, podemos concluir que os Távoras executaram, no final do século XVIII, um plano de renovação e construção de vias e pontes principalmente no concelho de Mogadouro do qual eram senhores, o qual levou a uma eficaz ligação com os outros concelhos limítrofes. Este plano de vias só seria alterado completamente no final do século XIX e depois já bem adiantado o século XX e quase todas as pontes construídas naquele tempo do século XVII ainda hoje servem o tráfego automóvel e continuam com perfeita e plena segurança a servir as populações, aguentando o ruído e o peso dos motores dos veículos que sobre elas passam todos os dias e a toda a hora”. Não foi só no campo das ligações rodoviárias que esta poderosa família do Antigo Regime deixou obra neste seu concelho.Também muitas obras religiosas têm o seu patrocínio. Assim, deve se a esta nobre família, entre muitas outras: A Igreja da Misericórdia de Mogadouro, (2 ª metade do século XVI); os nichos dos Passos, que rodeiam grande parte da zona histórica, (finais do séc. XVII ou princípios do séc. XVIII); a Igreja Paroquial de Mogadouro recebeu grandes obras patrocinadas pelos Távoras (como o atesta o seu brasão que se encontra esculpido na chave da abóbada da capela mor desta Igreja); o monóptero de S. Gonçalo, (séc. XVII XVIII), na Quinta Nova, termo de Penas Roias; o baldaquino de S. Sebastião, (séc. XVII), que se encontra entre os Largos Trindade Coelho e Duarte Pacheco, no centro desta vila de Mogadouro; e o próprio convento de S. Francisco (séc. XVII). Ainda hoje é possível encontrar vários brasões dos Távoras no concelho, apesar da sanha do Marquês de Pombal, que se abateu contra esta família. No concelho de Mogadouro, temos os seguintes brasões dos Távoras: Na igreja do convento de S. Francisco, sob o arco triunfal, na chave do mesmo; na igreja paroquial de Mogadouro, na chave da abóbada da capela-mor; na Quinta do Marmoniz (arredores da vila), no tanque junto da casa, está gravado o brasão no granito do depósito; “Na sacristia da Igreja Paroquial de S. Martinho do Peso, concelho de Mogadouro, existe ainda uma caixa de madeira de castanho que servia para guardar corporais e sanguinhos a qual tem pintado o brasão dos Távoras. A caixa deve datar dos séculos XVI ou XVII. Na mesma Igreja Paroquial e na retaguarda do altar mor, do lado esquerdo, está um brasão pintado com as insígnias dos Távoras. Este brasão está pintado a fresco, data do século XVI. Do lado direito está o brasão da Ordem de Cristo também pintado a fresco. No retábulo do altar mor da mesma igreja paroquial de S. Martinho do Peso gravados na talha dos dois lados do sacrário, estão dois brasões dos Távoras em forma estilizada. O retábulo, como já o dissemos na obra sobre o assunto, é de 1744: “9′ Hoje, Mogadouro é um concelho bastante progressivo. A sua sede de concelho apresenta um enorme progresso, sobretudo depois de 25 de Abril de 1974. O seu perímetro foi alargado muito substancialmente e é bem visível, um pouco por todo o lado, o seu desenvolvimento. No campo da hotelaria e restauração, Mogadouro pede meças a qualquer outra terra da região, existindo hotéis, residenciais, mas sobretudo restaurantes em grande quantidade e de grande qualidade. No campo da restauração, merece relevo o restaurante “A Lareira” que é objecto de grandes louvores por parte de vários roteiros gastronómicos e do próprio “Guia Michelin” (O Guia Vermelho) que lhe dá uma boa classificação em termos de preço/qualidade, tornando o assim, uma referência na gastronomia transmontana. De lamentar, apenas, o acesso a esta vila. A estrada que a liga a Macedo de Cavaleiros, encontra se num péssimo estado de conservação (sobretudo até Peredo de Chacim), bem como a que a liga a Moncorvo (sobretudo até Castelo Branco), presentemente em arranjo. É de registar a construção (em curso) da ponte Meirinhos Sardão que vai ligar este concelho a Alfândega da Fé. Mogadouro merece melhores acessos pois estes, são indispensáveis para o seu desenvolvimento. Recentemente, Mogadouro inaugurou a sua zona industrial, uma das maiores e melhores do distrito. Também há pouco tempo Mogadouro recebeu um enorme parque desportivo (piscinas aquecidas e ao ar livre, campos de ténis e parque de campismo, presentemente em construção). Este parque vai receber em breve, o estádio de futebol, restaurante e um mini golfe. O actual Presidente da Câmara Municipal de Mogadouro é o Dr. António Guilherme de Morais Machado (filho do grande investigador, Dr. Casimiro Henriques de Moraes Machado). Em Mogadouro realizam se duas feiras por mês, nos dias 2 e 16, respectivamente. O concelho de Mogadouro tem a sua festa anual, Nossa Senhora do Caminho, tradicionalmente no último domingo de Agosto. É uma grande festa, uma das maiores do distrito de Bragança. Mas o grande acontecimento de toda a região de Mogadouro é, sem dúvida, a Feira dos Gorazes, que tem lugar nos dias 15 e 16 de Outubro. A Feira dos Gorazes é um acontecimento ímpar no seu género e que adquiriu uma enorme fama em toda a região. Ela é, muito provavelmente, o maior evento económico, social, gastronómico, cultural e turístico de Mogadouro (as festas de Nossa Senhora do Caminho são de uma natureza completamente diferente, de cariz religioso, são as típicas festas de Agosto, mais atraentes para os emigrantes, para os turistas nacionais e estrangeiros, e, sobretudo, para os mogadourenses na diáspora. A Feira dos Gorazes é a verdadeira festa/feira dos lavradores do concelho (senão mesmo do Planalto Mirandês), éuma feira de fim de colheitas, mais genuína, mais telúrica, mais “transmontana”, ou seja, com o sabor de outros tempos). A sua fama e prestígio é tal que extravasa as fronteiras do concelho, tornando se um acontecimento da maior importância para uma vastíssima região do Nordeste Transmontano e mesmo da vizinha Castilla y León. A “nossa” feira não se resume unicamente às trocas comerciais, é muito mais do que isso. A Feira dos Gorazes éuma feira do fim das colheitas, onde os lavradores, para além de venderem os seus produtos e de adquirirem as suas provisões para o Inverno que se aproxima, têm aqui um espaço de convívio entre amigos e vizinhos. É um convívio fraternal para as gentes do concelho que, entre um copo de vinho, um cibo de queijo e umas azeitonas, trocam impressões, falam das colheitas, sabem as “novidades”. É um encontro de gentes que vivem apartadas na sua aldeia, no seu “povo”. Num são convívio, após o trabalho árduo do campo e passada já a canícula do Verão, partilham uma suculenta «posta» sobre um naco de pão e saboreiam a marrã ( a marrã é a barriga de porco cortada às tiras, assada na brasa e comida num carolo de pão), cortada pela indispensável navalha « palaçoula». É um tempo de convívio alegre, franco, de gente que comunga, num copo de vinho, as suas alegrias, os seus receios, as suas preocupações…Aí estão as barracas de «comes e bebes», os carroceis para a criançada e as tendas dos feirantes para os adultos. Aí se come e se bebe, se faz troca e comércio, aí se conhecem as moças e se começam (ou desfazem) namoricos. “Muito se tem escrito e especulado sobre o nome desta feira. Por que razão se chamará feira dos «Gorazes»? Não acreditamos que o seu nome venha do peixe «Goraz». Parece ser a explicação mais fácil, mas não acreditamos nela, não só por não ser usual a salga ou secagem deste peixe (somos da beira mar e nunca ouvimos falar de tal, e eu sempre convivi com os pescadores…), como também era impossível comê lo fresco, aqui em Mogadouro, em tempos antigos. Falei, ao longo destes vinte anos que aqui vivo, com muitos mogadourenses idosos que me garantiram nunca ter sido tradição comer este peixe na feira dos Gorazes, e isto já o ouviam aos seus avós. Não acreditamos que o seu nome venha de «voraz», ou seja, que o povo mudou «voraz» para «goraz», e que se relacione com o facto de se comer muito nesses dias. Não, a explicação terá de ser outra, porque se fosse essa a explicação, o povo saberia, pela transmissão oral dessa tradição, a origem e significado da palavra «goraz». Também não acreditamos que o seu nome venha, como alguns querem, de «gradura». A tradição fala por si e a tradição dos «Gorazes» não é comer «gradura», mas a marrã, ou seja, carne de porco fresca (o que está nos hábitos alimentares transmontanos). Com a melhoria do nível de vida, as pessoas começaram a consumir carne de vitela, hábito que conduziu ao aparecimento da «posta» que veio, de certa forma, destronar a marrã. O Dr. António Rodrigues Mourinho (Júnior), na sua citada obra, refere o que Frei de Santa Rosa de Viterbo escreveu no seu Elucidário sobre o tema «Goraz». Viterbo comenta o termo «goraz» e esclarece nos que Gorazil, Corazil e Goarazel têm a sua raíz na palavra grega Koipás (que se lê Goiráz ou Koirás), a qual significa precisamente carne de porco. (Viterbo, na citada obra escreveu: “Em muitos prazos, se acha o foro de marrã”, aliás aparece nos em vários documentos, Salzedas, Sabugosa, o pagamento de um imposto de carne de porco). Continua ainda o Dr. Mourinho: “Ainda no concelho de Bragança, se chama couracha ou coiracha à «barbada» do porco e chamamos coiro à pele sedosa daquele animal. Atendendo ao termo « Goarazel» e «Goraz» não será difícil fazer a análise de evolução semântica entre as duas palavras. Se atendermos ao termo grego Koirás, mais fácil e evidente se nos mostra a evolução entre este termo e « Goráz» “. Mais à frente, escreve ainda o Dr. António Rodrigues Mourinho: “Se vamos aos factos concretos teremos de constatar, sem erro algum, que a alimentação típica da nossa gente na feira dos «Gorazes» era e é feita à base de carne e carne de porco: Era a marrã que se comprava nos < Gorazes» e se levava como um «mimo» a que podíamos chamar a primícia da carne de porco nesta região. 0 « Goarazel» ou «Goraz» seria um imposto (prazo ou pensão) que pagariam os moradores ou açougueiros de Mogadouro talvez já desde a Idade Média. Não será arriscado dizer que esta feira vem da Idade Média ou pelo menos do século XV ou XVI. Enquanto não tivermos documentos que nos afirmem outra coisa, vamos manter esta posição. Por outro lado, sabemos que era nas feiras que se pagavam os impostos, os foros e rendas. Em Mogadouro aproveitou se com certeza a feira de 15 e 16 de Outubro para esse fim, pelo menos quanto ao imposto do «Goarazel» ou «Goraz» imposto de carne de porco”.(“‘ Creio que ficou definitivamente esclarecida a origem e o significado do termo «Goraz». Posto isto, aqui fica feito o convite para virem visitar Mogadouro e a Feira dos Gorazes. Paguemos o nosso “imposto” à tradição e comamos marrã assada na brasa e uma boa «posta»”.


A VILA

Orago: S. Mamede. População da vila: 3659 (população residente, censos 2001, dados preliminares). Festas anuais: Em honra a Nossa Senhora do Caminho (tradicionalmente no último domingo de Agosto) e Santa Ana, conhecida também como festa dos solteiros (que se realiza no 2.° domingo de Julho), na capela com o seu nome. Feiras: Nos dias 2 e 16 de cada mês. (Quando estas datas calham ao sábado ou ao domingo, a feira transita para segunda feira. Quando calham a um feriado, transita para o dia seguinte). Feira anual: Feira dos Gorazes (dias 15 e 16 de Outubro). Feriado municipal: Dia 15 de Outubro (Gorazes). Presidente da Câmara Municipal: Dr. António Guilherme de Morais Machado. Actual Presidente da Junta de Freguesia de Mogadouro: Francisco Joaquim Lopes. Associações culturais: Fórum Terras de Mogadouro e Associação “Mogadouro Vivo”. Colectividades: Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mogadouro; Núcleo da Cruz Vermelha; Futebol Clube Mogadourense; Clube Académico de Mogadouro e Banda Filarmónica de Mogadouro (pertença dos Bombeiros Voluntários). Não temos provas documentais que nos atestem, com datas precisas, a antiguidade da povoação primitiva da vila Mogadouro, no entanto, temos a certeza de que a sua origem é bem antiga, remontando a tempos pré romanos. De facto, no sítio denominado castelinho (perto da estação de meteorologia), aparecem nos vestígios arqueológicos, que remontam à pré história, e, junto ao castelo de Mogadouro, apareceu também um machado polido. Tudo aponta para que as fundações do castelo de Mogadouro estejam assentes sobre um castro neolítico, muito provavelmente romanizado. De certeza, porém, que Mogadouro era já importante nos tempos da Reconquista constituindo uma povoação com certa importância nos alvores da nacionalidade, ponto estratégico para a consolidação da nossa independência e na linha de defesa do nordeste português. O castelo de Mogadouro (séc. XII) era um importante elo nessa linha defensiva, conjuntamente com os castelos de Penas Roias, Algoso, Vimioso e Outeiro, controlando a chamada estrada mourisca. Em 1272, D. Afonso III concedeu lhe o seu primeiro foral, que D. Dinis renovou em 1297. Em 1512, D. Manuel I outorgou lhe foral novo. Testemunho da sua importância estratégica, Mogadouro foi doado aos Templários, em 1297. Quando foi extinta esta Ordem de Cavalaria (1311), D. Dinis deu Mogadouro àOrdem de Cristo tendo sido criada a Comenda de S. Mamede de Mogadouro (1319 a 1834). Como já foi dito, desde o século XV até ao século XVIII, os Távoras foram os senhores de Mogadouro. No tempo desta poderosa família do Antigo Regime Mogadouro beneficiou de inúmeras obras, que ainda hoje atestam o poder desta família. Muitos monumentos foram destruídos pela incúria das gentes, ou pelo abandono secular, mas muitas outras aí estão como testemunhos de um passado glorioso. Podemos dizer que um pouco por todo o concelho, se nota a presença dos Távoras, apesar da sanha destruidora do Marquês de Pombal. Depois da destruição desta família, como não podia deixar de ser, Mogadouro entrou um pouco em decadência, perdendo a protecção dos seus poderosos senhores. Mogadouro foi terra de judeus. Em Mogadouro existia uma enorme comunidade judaica, que foi alvo da famigerada Inquisição. A Professora Maria José Pimenta Ferro, regista uma importante comuna judaica, já no século XIV. Essa comunidade foi aumentando, com a expulsão de Espanha e, podemos dizer que aqui se desenvolveu e teve uma enorme influência em todo o Trás os Montes. Essa comunidade judaica era muito bem estruturada. Hoje, Mogadouro é uma terra progressiva. Embora esquecida pelo poder central, com péssimos acessos, enfim, longe do Terreiro do Paço. Mogadouro (sobretudo depois do 25 de Abril de 1974) cresceu bastante, beneficiando, entre outros, pela fixação dos chamados «retornados» das nossas ex colónias, que lhe vieram dar vida nova. Os subsídios dados aos agricultores, permitiu a melhoria das explorações agrícolas e do nível de vida das populações. Não nos podemos esquecer que Mogadouro vivia, e ainda vive, essencialmente da agricultura e da pecuária. Quem não veio a Mogadouro há trinta anos, se cá vier agora, dificilmente reconhecerá esta terra. O seu tamanho cresceu imenso: os bairros novos de S. João; de Santo António; das Eiras; de S. Sebastião; das Sortes; da zona da feira do gado, da Transnorte; e dos que se encontram em construção, como por exemplo o do castelinho e o que se adivinha, junto ao complexo desportivo, para não falar na avenida do Sabor e na recta de Vale da Madre. Quanto a infra estruturas novas: a Casa da Cultura; o novo Centro de Saúde (em construção); a Zona Industrial; o Complexo Desportivo; o Hotel Trindade Coelho; a rede de saneamento e distribuição de águas; a barragem de Bastêlos e do Porto da Frágua etc. É também impressionante o número de residenciais, cafés e restaurantes. Quanto a estradas municipais, temos uma boa rede (que liga todas as aldeias do concelho) e é de salientar a construção da ponte Meirinhos Sardão (que vai ligar o nosso concelho a Alfândega da Fé, presentemente em construção) e a variante a Mogadouro (também em construção). Por todo o concelho, sobretudo na vila, se nota crescimento e progresso, sendo o ponto crítico, como já referimos, os acessos à vila (sobretudo a Macedo de Cavaleiros, Bragança e Moncorvo). Mas estamos confiantes, pois Mogadouro tem «massa humana» com capacidade para desenvolver, ainda mais, esta tão bonita terra. Só esperamos que «Lisboa» se lembre um pouco de nós.


LOCAIS E MONUMENTOS A VISITAR

Mogadouro é terra rica em património e em belezas naturais (embora só parte do concelho pertença ao Parque Natural do Douro Internacional), todo ele é digno de ser visitado. Por isso, convido os a virem comigo visitar esta vila: Vamos então começar a nossa visita, pela linda capela de Santa Ana, no alto da vila, na zona antiga do Penedo. Do recinto desta capela com alpendre (caminhos de Santiago?), pode disfrutar se de uma vista verdadeiramente deslumbrante, sobre o vale do rio Sabor, ao longe, e, ainda mais distante, para Alfândega da Fé, Bornes e para lonjuras de perder a vista. Descendo pela zona antiga do Penedo, logo se avista o castelo de Mogadouro, digno de visita. Fica o castelo situado, na cota 758, que permite o contacto visual com Alfândega da Fé, Bornes, bem como com os castelos de Penas Roias, Algoso e Outeiro. Juntamente com estes castelos, o de Mogadouro formava uma linha de defesa da fronteira e da estrada, dita mourisca. O castelo de Mogadouro foi, outrora, uma enorme fortaleza, como se pode depreender dos desenhos de Duarte d’Armas (séc. XVI). Possuía o castelo um aspecto senhorial, altivo, com abantajada alcáçova, alta Torre de Menagem e fortes cinturas de muralha. Este castelo é do século XII. “O início da sua construção remonta, de facto, a D. Afonso Henriques, muito embora o castelo e as respectivas muralhas apenas tenham sido dadas como concluídas ao tempo de D. Dinis”. Embora este castelo seja do século XII, nesse local já teria havido uma fortificação mais antiga, talvez da época da Reconquista. Não nos devemos esquecer, também, que o castelo assenta num castro neolítico, muito possivelmente romanizado. O castelo foi doado aos Templários e em 1197 foi cedido à coroa (bem como o de Penas Roias), em troca de Idanha e seu termo. D. Dinis doou este castelo de Mogadouro àOrdem do Templo e, posteriormente, provavelmente no século XV passou a ser dos Távoras. Esta nobre família, seus alcaides e senhores, habitaram a alcáçova da referida fortaleza. O declínio da sua função defensiva e o extermínio dos Távoras condenaram o castelo à ruína. Este foi, em tempos passados, sobretudo no século XIX, votado ao vandalismo, daí o estado de extrema ruína em que se encontra. Urge salvar esta jóia medieval. O castelo de Mogadouro, do qual subsistem restos da alcáçova e a Torre de Menagem, é monumento nacional, por decreto de 2.1.1946. Perto do castelo, encontra se a Igreja Matriz. Data do século XVI. Teve, por antecessora, uma igreja mais pequena, muito provavelmente românica. Como se disse, a actual Igreja é do século XVI, tem 3 naves (separadas por arcos de meio ponto bem abertos e assentes em capitéis de ordem toscana) e abóbada gótica na capela mor. Na chave da abóbada desta capela, encontram se esculpidos um brasão dos Távoras e outro da Ordem de Cristo. O retábulo do altar mor é de talha dourada do estilo pombalino. Os retábulos de Nossa Senhora do Rosário e de Santo António são do estilo barroco nacional e datam do século XVIII. Ao fundo da igreja encontra se uma superfície de azulejos do século XVII. Neste século XVII, foi lhe acrescentada uma torre sineira quadrangular. Também junto ao castelo, mas no lado Norte, encontra se o Largo da Misericórdia, antiga praça da vila, imortalizada por Trindade Coelho no seu conto “Tipos da Terra”. Nesta antiga praça existem dois monumentos dignos de interesse: o Pelourinho e a Igreja da Misericórdia. O Pelourinho, fica assente em três degraus, tem fuste oitavado com anel de ferro ao meio e uma argola pendente, é monumento nacional, por decreto de 11.10.1933. É um ex libris da terra. Este actual pelourinho de Mogadouro, “testemunho local do Poder Civil, da autonomia jurídica e administrativa municipal e, principalmente, das liberdades dos homens do concelho”,”” é do século XVI. “O actual pelourinho, estamos convictos de que deve ter sido erigido na sequência da atribuição do foral por D. Manuel I, de 4 de Maio de 1512. (…) Este monumento apresenta sobrevivências tardias do estilo gótico, que permitem datá lo do século XVI (…) O de Mogadouro é de linhas sóbrias. Assenta em três degraus. Tem fuste oitavado rematado por capitel piramidal, decorado com oito sulcos em quadrícula, simbolizando as povoações do concelho. A base possui três anéis, testemunhando a união entre o Povo e o Poder Central, representado pelo Rei”. No mesmo largo, ou praça, fica a Igreja da Misericórdia. Este templo é da segunda metade do século XVI. A porta é renascentista cujos portais são formados por duas pilastras dóricas, e o frontão tem sobre a arquitrave um nicho em forma de concha (onde se encontra uma pietá), e é ladeado por duas aletas. Esta igreja deve se à família Távora, mais propriamente a D. Luís Álvares de Távora. A capela mor está decorada com frescos do século XVIII. O retábulo do altar mor deve ser do século XVII. As pinturas dos quadros que se usam nos passos, são do século XVIII, como deste século é a imagem do Senhor dos Passos, a imagem do Senhor jacente deve ser do século XVII. Deste largo da Misericórdia, descendo pelas ruas dos Távoras e de João de Freitas, até ao Convento de S. Francisco, subindo depois, pela rua de Santa Marinha (esta rua devia chamar se de Santa Marina, e não Santa Marinha, uma vez que a Santa que nasceu em Mogadouro no século XV foi Santa Marina e não Santa Marinha), até à Igreja Matriz (perto do castelo), encontramos os nichos dos passos, dos finais do século XVII ou princípios do XVIII, também obra dos Távoras. Do mesmo largo, ou praça da Misericórdia, podem ver se as ruínas da casa dos Pegados e da casa, popularmente conhecida como casa dos Távoras. Já vimos que a designação popular “casa dos Távoras” não está correcta, em Mogadouro era na alcáçova do castelo que os Távoras habitavam, como alcaides e seus senhores. Aquelas casas, ditas dos Távoras, poderiam ser cavalariças, ou casas de apoio à sua habitação senhorial. É de lamentar que aquelas ruínas fossem transformadas em canil. Penso que a autarquia e o IPPAR deviam cuidar melhor da zona histórica da vila. Posto isto, vamos continuar o nosso passeio. Vamos descer, do largo da Misericórdia, para o Convento de S. Francisco, pela rua dos Távoras, continuando pela rua João de Freitas, passando pelo solar brasonado do grande investigador mogadourense Dr. Casimiro Henriques de Moraes Machado (de quem falaremos nos filhos ilustres de Mogadouro). Ao fundo da rua João de Freitas, há um pequeno largo que dá para a rua da República. Vamos descer esta rua. Logo no início desta rua, à esquerda de quem desce, encontramos um casarão, “estilo brasileiro”, com os números de correio 63, 65 e 67. Nesta casa, (também conhecida como a casa do Sr. Barros, por lá ter habitado o saudoso dentista e figura típica da terra), funcionou o primeiro colégio (de que temos conhecimento) de Mogadouro. Continuando a descer a rua, encontramos o Convento de S. Francisco, cuja igreja conventual é hoje uma das igrejas da vila e, cujo corpo do convento é, actualmente a Câmara Municipal. Este convento está, hoje, muito desvirtuado da sua traça original, uma vez que sofreu várias reconstruções, em virtude de dois incêndios que o destruíram. A Igreja de S. Francisco, que fazia parte do referido convento:” O Convento de S. Francisco começou a construir se no ano de 1618. Terminou no ano de 1689. Segundo a tradição foi um nobre da família dos Távoras (D. Luís Álvares de Távora) que o mandou erigir em comutação de uma promessa. Depois das investigações que por aqui, pela Universidade de Valladolid, temos feito, chegámos à conclusão que a planta da Igreja do Convento foi trazida de Espanha. Não há dúvida que veio inteira. A partir de 1580 com a união das duas coroas assistimos a um intercâmbio cultural Luso Espanhol, e vice versa, indiscutível e a um maior intercâmbio artístico. Deles falaremos a seu tempo. Temos de ver que os Távoras, como nobres, residiam, pelo menos alguns, na Corte de Madrid. Daí trouxeram muito, quer do «modus vivendi» quer do «modus faciendi» da corte e das ideias que por lá se debatiam. A planta da igreja do convento de S. Francisco foi inspirada nas fachadas Herrerianas e de Francisco de Mora e é uma cópia quase perfeita da Igreja do Convento da Encarnação de Madrid. Esta Igreja é da autoria do arquitecto Carmelita Fr. Alberto da Madre de Dios que trabalhou com Francisco de Mora, arquitecto do palácio convento de Escorial. A Igreja da Encarnação de Madrid foi começada no ano de 1611 e terminou em 1616. A fachada da Igreja de Mogadouro difere da fachada da Igreja da Encarnação de Madrid por ser mais baixa e com um aspecto mais horizontal ao contrário da de Madrid que tem aspecto de verticalidade. Outro pequeno pormenor são as duas arquitraves do primeiro corpo da fachada sobre os arcos do nartex ou pórtico e sobre o segundo corpo ou dos janelões e nicho que são ambas um pouco mais movimentadas e mais avançadas do que as arquitraves da igreja espanholas que referimos. Não é de estranhar, porque, embora a planta fosse executada no primeiro quartel de século XVII, a obra do edifício só terminou no fim do século, já em plena idade do Barroco Europeu”. O convento é um monumento maneirista. O claustro, hoje parcialmente destruído, tem uma arcatura de forma abatida, que demonstra a influência da arquitectura jesuíta do tempo. Neste convento existe um monumento nacional: “A classificação diz respeito ao altar mor e respectivas pinturas, enquadradas e emoldoradas pela talha dourada do retábulo italianizante. Foi classificado como monumento nacional, por decreto de 20.10.1955. Em frente da Torre da Igreja de S. Francisco, fica a casa onde nasceu, em 1861, o grande escritor mogadourense, Trindade Coelho (de quem falaremos, mais adiante, nos filhos ilustres de Mogadouro). De uma das janelas de sua casa, viradas para a referida Torre, tocava a sineta para a missa, quando jovem, o nosso escritor. Esta casa (onde nasceu Trindade Coelho), tem a frente virada para o largo, que hoje tem o seu nome. A meio desse largo, está a estátua do insigne escritor. Esta estátua é de autoria do escultor Leopoldo de Almeida, feita em 1959 e inaugurada em 1961 (data do centenário do nascimento do escritor de Mogadouro). Quem está virado de costas para a casa de Trindade Coelho, à mão direita, há uma pequena rua com o nome de D. Afonso II (esta placa tem um erro, em vez de D. Afonso li, devia ler se, D. Afonso III, pois foi este monarca que deu o primeiro foral a Mogadouro). Nesta rua, na parte debaixo da Câmara Municipal, encontra se a Sala Museu de Arqueologia de Mogadouro, que o leitor deve visitar. Voltando ao largo Trindade Coelho, existe aqui um monumento digno de registo (este monumento separa o largo Trindade Coelho do largo Duarte Pacheco), é o monóptero de S. Sebastião. Este monumento é um baldaquino, com cúpula sustentada por quatro colunas jónicas. É também obra dos Távoras. Deve datar do século XVII. Dando a volta ao centro da vila, voltamos novamente à zona histórica de Mogadouro, pela rua de Santa Marinha (que repito, não devia chamarse de Santa Marinha esta rua, mas antes de Santa Marina, pois era assim que se chamava a santa que nasceu em Mogadouro, no século XV). Logo no início desta rua, na casa de Trindade Coelho, está instalada a sede do Parque Natural do Douro Internacional. Continuamos a subir esta rua e, ao cimo, à esquerda, encontramos a frente da casa do Sr. Barros (1906), onde funcionou o referido colégio. Continuamos a subir a rua e, entramos no largo Conde de Ferreira. O largo tem o nome deste nobre benemérito, uma vez que as escolas primárias aí situadas, foram construídas com o seu apoio. No mesmo passeio das escolas, na próxima esquina, fica uma casa onde funcionou a casa da roda de Mogadouro. Em frente desta, pode se admirar o belo solar, conhecido por “casa das colunas”, “casa grande”, “casa das Ferreiras” (suas actuais proprietárias) ou “Casa do Ouvidor”. Esta casa chama se “do ouvidor”, por aí residir este funcionário da Casa Távora. Segundo o Dr. Casimiro de Morais Machado, num canto da sua frontaria, teve esta casa um brasão encimado por um chapéu de bispo. Pertenceria esse brasão eclesiástico a D. Frei António Luís de Távora, frade da Graça e, mais tarde, Bispo do Porto, que aí residiu. Esse brasão, teria as armas dos Sousas de Arronches (só o primogénito é que usava as armas dos Távoras) e foi mandado apear, muito nobremente, pelo Dr. António Maria de Morais Machado (dono da casa) por não serem as armas da sua família. Deste largo, vamos subir novamente ao castelo, onde termina este nosso passeio.

ALDEIAS

AZINHOSO: Orago: Nossa Senhora da Natividade. População residente: 376 (Censos 2001, dados preliminares). Festas anuais: Santa Bárbara (2° Domingo de Agosto); Nossa Senhora do Carrasco (1° Domingo de Maio); Nossa Senhora da Natividade (dia 8 de Setembro); Nossa Senhora de Fátima (2° Domingo de Maio) e Festa de S. Paio (em Agosto). Feiras: Azinhoso tinha, antigamente, uma feira no dia 8 de Setembro. Era a chamada feira dos burros, por serem estes animais aí muito procurados e vendidos. Presidente da Junta de Freguesia de Azinhoso: António José Silva. Azinhoso é terra antiga e com rico património. A origem do seu nome está relacionada com a existência de muitas azinheiras (localmente conhecidas como carrascos), no seu termo. Há indicações seguras que Santa Maria do Azinhoso, era já um lugar de romaria e peregrinação anterior à fundação da nacionalidade. Azinhoso foi vila e sede de concelho. D. João I deu lhe, em 15 de Maio de 1386, o seu primeiro foral e D. Manuel 1, concedeu lhe foral novo, em 1520. Como prova da importância desta terra, Martim Soeiro de Ataíde, fundou, 1647, uma Misericórdia e um Hospital. Ao Azinhoso vinham muitos peregrinos, por aqui passavam os Caminhos de Santiago. A provar esta afirmação, está o facto da existência de uma fiada de colunas àvolta da Igreja, que denunciam a antiga existência de um alpendre, e a decoração da cachorrada, com vieiras e cabaças, relacionadas com os peregrinos. Aqui tinham (já no século XIV, mais propriamente em 1301) moradia, os arcebispos de Braga. Memória desse tempo, ficou o nome de Curral do Bispo e, por baixo do cemitério, junto à cabeceira da Igreja, ainda se podem ver, os restos de um edifício muito antigo. Como se disse, era local antigo de importantes peregrinações. A igreja românica, foi construída, pensamos, que no século XIII, pelos Templários, senhores de Penas Roias. A esta Igreja de Santa Maria do Azinhoso, concedeu D. João I, vários privilégios, quando por aqui passou, em finais do século XIV. Aqui orou, pela mesma altura, D. Nuno Álvares Pereira.(Para consulta mais detalhada sobre esta Igreja, recomendamos a leitura do livro: “A Igreja de Santa Maria do Azinhoso e o Românico do Nordeste Transmontano” da Dr.e Teresa Isabel M. Rodrigues Jacinto). Azinhoso era, também, terra de judeus. No velho caminho medieval que vai para Penas Roias, logo à saída do Azinhoso, ainda existe um local chamado “pelames”, onde os peleiros do Azinhoso curtiam as peles. A Professora Maria José Pimenta Ferro Tavares, no
seu livro Os Judeus em Portugal no Século XV, página 75, regista uma comuna judaica no Azinhoso, no século XV A própria estrutura da rua da vila, ao longo do caminho, demonstra que o Azinhoso era uma terra de passagem. Em Azinhoso há muitos locais e monumentos para visita: A Igreja de Santa Maria do Azinhoso (imóvel de interesse público), românico, «destacando se a grande diversidade de motivos da cachorrada e o enquadramento central do campanário com três ventanas»; o Pelourinho, é formado por uma coluna cilíndrica, encimado por um capitel rematado por pirâmide com esfera (classificado pelo decreto de 11.10.1933); o pequeno museu de arte sacra, que se encontra na Misericórdia, no edifício da Igreja; a Capela de nossa Senhora da Saúde; a fonte de mergulho; alminhas; a ponte medieval, no caminho para Penas Roias; as ruínas do castro dos mouros; o cabeço da forca e as eiras de EI Rei (onde é tradição terem estado as tropas de D. João I).

BEMPOSTA: Orago: S. Pedro. População residente de Bemposta: 711 (Censos 2001, dados preliminares). Festas anuais: S. Pedro (29 de Junho); Nossa Senhora dos Prazeres (2° domingo de Agosto) e Santa Bárbara (3° domingo de Outubro). Presidente da Junta de Freguesia de Bemposta: José Luís Cordeiro. A cerca de vinte quilómetros da vila de Mogadouro, perto da ribeira de Lamoso e sobranceira ao rio Douro, fica a aristocrática aldeia de Bemposta. (Chamo lhe aristocrática, devido ao elevado número de solares que aí existem). Bemposta, foi também terra de judeus. A Professora Maria José Ferro Pimenta Tavares, no seu livro Os Judeus em Portugal no Século XV, página 75, regista a existência de uma importante comuna de judeus, nesta freguesia, outrora vila e sede de concelho. Bemposta deve o seu nome à óptima localização, está bem posta, isto é, bem situada. No chamado Castelo de Oleiros (entre Bemposta e Urrós, mas que pertence a Urrós), tem aparecido muito material arqueológico, nomeadamente uma lápide funerária em mármore, da época romana e uma estela discóide, também de mármore, encimada com uma suástica de sete raios. No século XIV, Bemposta foi doada pelo rei D. Fernando a nobres da Galiza, que o apoiaram nas suas lutas contra Castela. D. Dinis deu lhe foral, em 15 de Junho de 1315 e D. Manuel I, foral novo, em 4 de Maio de1512. Foi vila e sede de concelho até ao século XVIII. O seu padroado pertenceu à nobre casa dos Távoras, e passou, com a queda desta família, em 1759, para a coroa. Dentro do seu património cultural, é sem dúvida, o Chocalheiro, figura ritual do Solstício de Inverno (que vem do paganismo), a sua maior riqueza. “O Chocalheiro de Bemposta aparece vestido de linho grosso, pintado de preto ou cinzento escuro. Na cabeça transporta uma máscara tauromórfica de madeira na qual está esculpida uma serpente que sai de uma maçã e lhe pende pela parte esquerda do rosto. Do lado esquerdo da face tem escupido um fruto que presumimos seja uma maçã. Nos chifres ostenta duas maçãs ou laranjas. Do queixo pende lhe uma barbicha de bode. Na parte da nuca tem pendurada uma bexiga cheia de vento. Na mão direita, segura uma tenaz de ferreiro com que apanha os chouriços do fumeiro. Rodeada à cintura mostra uma serpente de grande porte. Todos estes elementos estão carregados de simbologia mitológica e ritualismo gentílico”. O Chocalheiro de Bemposta sai à rua dos dias 26 de Dezembro e 1 de Janeiro. Em Bemposta há muitos locais e monumentos para visitar, assim: o Pelourinho (património classificado pelo decreto de 11.10.1933), este pelourinho, tem um fuste liso, com escudo em relevo e capitel de quatro braços. É rematado por uma pirâmide com discos; vários solares; Igreja Matriz; Capelas de Santo Cristo, S. Sebastião e Santa Bárbara; Barragem de Bemposta, construída, no rio Douro, entre 1960 e 1964; inúmeros miradouros sobre as Arribas do Douro e, no caminho da fronteira, muitos zimbros, na encosta do rio de ouro. Em Lamoso, aconselhamos uma visita à Faia.

BRUÇÓ: Orago: Nossa Senhora da Assunção. População residente: 274 (Censos de 2001, dados preliminares) Festas anuais: Divino Espírito Santo (dia de Pentecostes); Santa Bárbara (3° fim de semana de Agosto) e Festa dos Velhos (dia de Natal). Presidente da Junta de Freguesia de Bruçó: João Manuel Afonso Geraldes. Situada perto das arribas do Douro, a cerca de 15 quilómetros da sede do concelho (a Sul), o seu termo delimita o concelho de Mogadouro do de Freixo de Espada à Cinta. Bruçó, é terra muito antiga, como o demonstra a existência de um castro (localmente conhecido como castelo dos mouros). Este castro foi romanizado. No foral de Bemposta, de 1512 (manuelino) aparece citado Bruçó, pois esta aldeia pertencia à vila de Bemposta. Por aqui passavam os caminhos de Santiago e a rota dos almocreves, como o confirmam a ponte dos almocreves e o caminho dos almocreves, situados no termo de Bruçó. A Igreja Paroquial é bastante rica em retábulos de talha e em imagens. Para além do “castelo dos mouros” e da Igreja Paroquial, são dignos de visita: as capelas do Divino Espírito Santo, de S. Sebastião e de Santa Bárbara. É de lamentar o estado de ruína da estação dos Caminhos-de-ferro de Bruçó (hoje desactivados). Nota etnográfica de grande interesse, é a festa “dos Velhos”. Esta “Festa dos Velhos”, é um ritual que vem do paganismo e que celebra o solstício de Inverno (realiza se no dia de Natal). Donde virá o nome Bruçó? A “Enciclopédia Portuguesa e Brasilieira”, em relação ao nome desta freguesia, diz: Bruçó, diminuitivo medieval, tem um apelativo originário que não se torna fácil de descobrir, talvez por muito alterado o topónimo primitivo. O povo ainda pronuncia frequentemente Berçó (como informa um erudito da região, Monteiro Pereira), o que talvez permita crer que antes foi Braçó, diminutivo de braço, aludindo, metaforicamente, à vegetação. Pode aproximar se de Barceosa, Braceosa, nesta região, e ter princípio em algum vocábulo de origem pré romana (raiz bar?)”. O turista deve visitar as excelentes paisagens desta terra, nomeadamente, as vistas para o Douro e o lugar do Vaso. Dentro da gastronomia é de registar o doce, chamado “Rosas” ou “rosinhas”, doce tradicional de Bruçó. Dentro das figuras ilustres de Bruçó, registamos: O Sr Dr. Conselheiro António B. Neto Parra e o Sr. Padre Teimo Ferraz. O Sr. Padre Telmo, escreveu o livro “O Lodo e as Estrelas”, em que descreve as grandezas e as misérias da epopeia da construção da barragem.

BRUNHOSINHO: Orago: Nossa Senhora da Assunção. População residente: 138 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: Santa Bárbara (1° domingo de Setembro) e S. Sebastião (20 de Janeiro). Presidente da Junta de Freguesia de Brunhosinho: José Francisco Moreno. Brunhosinho fica situada a cerca de 15 quilómetros da sede de concelho, no caminho para Miranda do Douro. Foram donatários desta aldeia, os condes de Vila Flor e, depois, os Marqueses de Távora. A Igreja Paroquial de Brunhosinho, foi construída em finais do século XVI (a capela mor é do século XVIII). É uma das melhores igrejas da região. Os retábulos são barrocos. Quanto à explicação da origem do seu nome, ver, o mesmo, em Brunhoso. Em 18 e 19 de Janeiro fazem se as “fogueiras de S. Sebastião”. São festas de valor etnográfico, uma vez que são originais da gentilidade e misturam o carácter pagão com o cristão. Nesta freguesia existe uma mina de estanho, denominada “Vale da Urze”, (hoje desactivada). Para além destes pontos de interesse, em Brunhosinho existe: a capela de Santo Cristo, uma fonte de mergulho e um bonito cruzeiro.

BRUNHOSO: Orago: S. Lourenço. População residente: 277 (censos 2001, dados preliminares) Festas: S. Lourenço (10 de Agosto, dia de S. Lourenço, ou no domingo mais próximo deste dia); Santa Bárbara (Agosto) e S. Brás (Fevereiro). Presidente da Junta de Freguesia de Brunhoso: José dos Santos Carrasco. Brunhoso, situada na margem esquerda do rio Sabor, é uma aldeia que tem excelentes paisagens nas encostas desse rio. Perto do povoado está o poço da barca e uma boa praia fluvial. Foi terra dos Templários e, posteriormente, um curato do padroado real. Tem vestígios de um castro e de uma calçada (muito provavelmente) romana. Para além deste património, Brunhoso possui: A Igreja Paroquial; as capelas de Santa Bárbara e de Nossa Senhora das Dores; um lindo cruzeiro; a fraga do Poio e a calçada romana. Quanto à origem do nome Brunhoso: vem de bruiaho ou abrunho (árvore ou arbusto inerme), que aqui deveria ser abundante, em forma bravia. A explicação para este nome serve também para Brunhosinho.

CASTANHEIRA: Orago: Santo André. População residente: 105 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: Nossa Senhora da Assunção (ou da Ascensão), em Maio (domingo da Ascensão) e Santa Catarina (fim de Julho meados de Agosto). Presidente da Junta de Freguesia da Castanheira: Francisco Manuel Pimentel. Esta povoação fica situada no sopé da serra do mesmo nome, um dos pontos mais altos da região. A vista que se abrange do alto desta serra é deslumbrante, a melhor do concelho, e uma das melhores do Nordeste Transmontano. Daqui avista se a maior parte do distrito de Bragança e uma grande parte da vizinha Espanha. Lá no alto, encontra se o santuário de Nossa Senhora da Ascensão, obra inacabada do século XVII. De salientar a abóbada do referido templo na qual se podem ver as figuras humanas estilizadas bem como outras figuras humanas religiosas, pintadas a fresco. O retábulo do altar mor é do século XVII, bem como a imagem de Nossa Senhora da Assunção. A igreja paroquial da Castanheira, está decorada com retábulos de talha barroca e pinturas do século XVIII. Recentemente, foi encontrada uma lápide romana, de mármore branco. Para além da vista panorâmica, da Igreja Paroquial e desta capela, na Castanheira podemos ver a capela de Santo Antão. O nome, é fácil de ver, está relacionado com a abundância da castanha ou de castanheiros.

CASTELO BRANCO: Orago: Nossa Senhora da Assunção. População residente: 537 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: S. Bernardino de Sena (20 de Maio); Nossa Senhora da Assunção (12 de Setembro); S. Miguel (29 de Setembro); Nossa Senhora de Fátima (13 de Maio) e S. Lourenço (10 de Agosto). Presidente da Junta de Freguesia de Castelo Branco: Armando Emílio Fernandes. Castelo Branco, é terra de antigas e nobres tradições. Situada a cerca de doze quilómetros da vila, a norte da serra de Lagoaça, por ela passa a estrada que liga Mogadouro a Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta. Segundo vários investigadores, Castelo Branco não nasceu aí, mas junto à capela de Nossa Senhora da Vila Velha. Em Castelo Branco há vestígios de um castro (com indícios de ser romanizado), situado no chamado “Cabeço dos Mouros”. A este castro andam associadas lendas de “mouras encantadas”. Foi Comenda dos Templários, passando em 1311, a Comenda da Ordem de Cristo. Tem uma interessante capela, descrita nas Visitações da Ordem de Cristo (feitas de 1507 a 1510), chamada de igreja de Nossa Senhora da Vila Velha. “A igreja que os visitadores viram está hoje afastada da povoação, num cabeço chamado Vila Velha. Mantém os três portais manuelinos, muito simples e uma inscrição evocativa de uma reforma em 1501. Terá aí nascido Castelo Branco. Junto à capela há ainda restos da antiga habitação dos antigos comendadores e também restos de uma construção castreja. Pertenceu à vila de Bemposta, sendo mencionada no foral desta, de 1512. Em Castelo Branco tem solar a família Morais Pimentel. É um majestoso solar do século XVIII, que está, presentemente, a ser restaurado para aí ser instalado um hotel de luxo. Este solar encontra se junto da estrada. Esta freguesia tem anexas as povoações da Quinta das Quebradas e Estevais (de Mogadouro).

CASTRO VICENTE: Orago: S. Vicente. População residente: 418 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: Divino Senhor da Fraga (3° domingo de Agosto); S. Sebastião (20 de Janeiro); S. Gonçalo (último domingo de Janeiro) e Santa Luzia (Agosto). Presidente da Junta de Freguesia de Castro Vicente: António Joaquim Valença. Esta importante freguesia do concelho de Mogadouro, situa se na margem direita do rio Sabor, a cerca de dezasseis quilómetros da sede do concelho. Castro Vicente tem uma História bastante rica. Tem vestígios de um castro (como o seu próprio nome nos indica), que foi, muito provavelmente romanizado. Castro Vicente foi vila e sede de concelho. Recebeu o seu primeiro foral em 1315 (D. Dinis) e D. Manuel I, deu lhe foral novo em 1510. Foram seus donatários os Marqueses de Távora, até 1759. Castro Vicente tem um rico património: a Igreja Paroquial tem uns belos retábulos de talha barroca dos séculos XVII e XVIII; a Capela de Santa Cruz, conserva ainda frescos do período renascentista, do século XVI; Pelourinho (constituído por pirâmide cónica em granito sobre um escadório octogonal formado por seis degraus. Podendo ver se, numa das faces, um escudo com o brasão de Portugal, e que é património classificado); Capelas de Santa Luzia, de S. Gonçalo, de Nossa Senhora de Fátima e do Santo Cristo, cruzeiro e edifício da antiga Misericórdia. Património cultural importante de Castro Vicente é a sua Lenda.

MEIRINHOS: Orago: S. Bento. População residente: 367 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: Nossa Senhora de Fátima (13 de Maio), Santo António (móvel Agosto) e S. Pedro (29 de Junho). Presidente da Junta de Freguesia de Meirinhos: Carlos Alberto Telo Figueira. Meirinhos é terra antiga, com vários vestígios de um passado bastante remoto. No lugar de Crestelos existiu (como o nome indica) um castro. Na Fraga da Fonte de Rodela existem gravuras rupestres, estudadas pelo Professor Santos Júnior. Contudo, uma questão muito discutida é da origem do seu nome. Concordamos totalmente com a opinião expressa no Dicionário Enciclopédico das Freguesias (página 135), que é a seguinte: “O interessante nome de Meirinhos tem dado aso ao longo dos tempos às mais diversas interpretações. No primeiro documento que menciona o nome da freguesia, integrado no “Portugaliae Monumenta Historicca, Diplomata e Chartae”, o topónimo surge associado a Merinus, nome próprio de homem. Coloca se a hipótese de Merinus ter sido um presbítero, eventualmente beneditino, que aqui terá vivido ainda antes da fundação da Nacionalidade portuguesa. Assim se explicaria o nome da freguesia, assim se explicaria o seu padroeiro, que nessa casualidade seria S. Bento desde há muitos séculos”. Em Meirinhos, na sua época, é extraordinária a beleza das amendoeiras em flor. Meirinhos tem o seguinte património: Igreja Paroquial; capelas de Santa Cruz e de S. Pedro; gravuras da Fraga da Fonte da Rodela; ruínas de um castro; a ponte; e ruínas do Medal.

PARADELA: Orago: S. Pedro. População residente: 172 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: S. Calisto (1° domingo de Agosto); S. Pedro (29 de Junho) e Nossa Senhora da Assunção (5 de Agosto). Presidente da Junta de Freguesia de Paradela: Carolino dos Santos Major. Paradela fica a cerca de sete quilómetros da vila de Mogadouro, na margem direita da ribeira de Salgueiro, afluente da margem esquerda do Sabor. Também é terra antiga. No lugar de “Medas Altas”, encontram se vestígios pré históricos. De onde virá o seu nome? Concordamos totalmente com o que se diz no Dicionário Enciclopédico das Freguesias de Portugal”, página 137: “O nome da freguesia é muito comum em todo o País, sobretudo no Norte. Uma lenda relaciona o com um lugar de paragem e de descanso dos peregrinos (de Santiago?) a caminho da sua missão religiosa. José do Barreiro, historiador duriense, explica, no entanto, o topónimo de outra forma. Para ele Parada um imposto medieval, que obrigava os moradores a acolher sem reservas determinados nobres ou membros da coroa exerceu se neste lugar com regularidade. Daí o facto de, por corruptela, se lhe ter dado o nome de Paradela. No fundo, a parada era a refeição que todos os habitantes de uma aldeia eram obrigados a dar aos seus superiores”. Em Paradela, pode ver se: A Igreja Paroquial; a capela de Nossa Senhora da Assunção e cruzeiros.

PENAS ROIAS: Orago: S. João. População residente: 461 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: S. João (24 de Junho); Santa Catarina (móvel Agosto); Santo Antão (l7 de Janeiro); Santa Bárbara (3° domingo de Agosto); Santa Eufémia (último domingo de Setembro) e Festa do Menino Jesus (1° de Janeiro). Presidente da Junta de Freguesia de Penas Roias: José Joaquim Moura. Penas Roias é uma terra com um passado riquíssimo. São inúmeros os testemunhos do passado digno de registo. Perto da povoação foram encontrados objectos do tempo dos romanos e também apareceu cerâmica, pensamos que “bouquique”, que deve datar de 1.100 anos antes de Cristo. Nas fragas que rodeiam o castelo, voltadas para poente, existe um grupo de pinturas rupestres da chamada “Fraga das Letras”. “Do Calcolítico, transição do Neolítico para a Idade dos Metais, ou do Bronze Final, parecem ser as pinturas rupestres da Fraga da Letra, junto ao castelo de Penas Roias”. Penas Roias tem um belíssimo castelo, mandado construir em 1166, por Gualdim Pais, Grão Mestre dos Templários. Depois de extintos os Templários, foi doado à Ordem de Cristo. Pertenceu, também, aos Távoras. Este castelo pertencia à linha de defesa contra Castela, e foi importante na luta pela consolidação da independência nacional. Por Penas Róias passava uma velha via militar romana que vinha da cidade da Guarda e seguia por Mogadouro para Zamora. O seu nome significa, literalmente, “Pedras Vermelhas” (de Pen, pedras, penedo e Rubias, Rojas, vermelhas), uma vez que o maciço em que assenta o seu castelo (que seria primitivamente um castro romanizado) é de cor vermelha. A Igreja Paroquial apresenta talvez o melhor conjunto de retábulos de talha barroca do concelho. De entre os monumentos de Penas Roias, temos o Pelourinho (classificado pelo Decreto N.º 23122 de 11.10.1933), de que apenas restam fragmentos, não recolhidos, e que foi destruído pela incúria das gentes. É incrível como se continua a destruir património, ainda por cima classificado, sem que as autoridades façam nada. Temos, ainda, para visitar: O monópetro de S. Gonçalo (século XVIII), na chamada Quinta Nova, mandado construir pelos Távoras, monumento único na Península Ibérica (em estado de ruína); Capela da Misericórdia (recentemente restaurada), de Nossa Senhora das Dores e de Santa Cruz; Fontes (uma delas altamente interessante) e a Barragem de Bastêlos. Recentemente, apareceu um cipo de mármore com feitio de uma ara (romana). Penas Roias, tem anexas Vilariça e Variz. Sobre a origem do nome Variz: ” Dissentimos o que , aliás, acontece com quase toda a totalidade das explicações encaradas pelo autor das «Tentativas Etymológicas…> da opinião de P A Ferreira, transcrita sem comentários pelo Abade de Baçal, p. 166: «Vem de Variquiz por Variquis, patronímico de Varicus, Varico, nome de um santo». Quer parecer nos que Variz vem a ser, na realidade, um homónimo do gal. Bariz e Baris (HGN & 35/6, Lema BADE RICUS), ou explicar se antes, atendendo à abonação medieval Voriz 1258, Inquis. P. 597b, como remontando a EVO RICUS (cf. Evericusl Euricus, rei godo do século V, e Eburico/Eurico, rei Suevo do século VI), de etimologia ainda não definitivamente estabelecida”. No Variz, também apareceu uma lápide funerária romana. De entre os filhos ilustres de Penas Roias, destacamos: Manuel José Fernandes Cicouro. (Para ler uma biografia detalhada deste ilustre filho de Penas Roias, ler na página 97, do Vol VII, das Memórias Arqueológico Históricas do Distrito de Bragança, a sua biografia).

PEREDO DE BEMPOSTA: Orago: S. João. População residente: 258 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: S. João (24 de Junho); Santo Cristo (1 ° domingo de Agosto); Santa Bárbara (Outubro); Santo António (13 de Junho) e Santo André (30 de Novembro). Presidente da Junta de Freguesia de Peredo de Bemposta: Luís Pedro Martins Lopes. Peredo de Bemposta, que se situa perto do rio Douro, é uma terra de remoto povoamento. Pertenceu à antiga vila de Bemposta (daí o nome) e tem inúmeros vestígios do passado. De entre esses vestígios, destacamos: A Fraga da Moura (ou Pala da Moura), uma caverna pré histórica; os povoados do período Calcolítico do Cunho e do Barrocal Alto. A Igreja Paroquial foi reconstruída em unais do século XVIII. Pertencente ao termo de Peredo de Bemposta, Algosinho é uma terra com muito interesse. Em Algosinho destacamos: A Igreja românica (Templária); a necrópole medieval de Santo André (com sepulturas antropomórficas) e um castro, junto ao Douro, com pedras fincadas. Também apareceu uma estela funerária romana (em granito negro da região) e outra estela romana, tipo discoide de mármore.

REMONDES: Orago: Santa Catarina. População residente: 294 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: Santa Sinforosa (15 de Agosto); Santo Antão (móvel Junho); S. Bartolomeu (móvel Julho) e festa do Santíssimo (móvel Junho). Presidente da Junta de Freguesia de Remondes: Francisco Joaquim Familiar. Situada a cerca de 8 quilómetros da sede do concelho, junto da margem esquerda do rio Sabor, Remondes é terra digna de se visitar. É nesta freguesia que se encontra a célebre Ponte de Remondes, sobre o Sabor, que liga Mogadouro ao concelho de Macedo de Cavaleiros, mandada construir pelos Távoras, no século XVII (1678). Digno de visita é também: a Igreja Matriz; as capelas de S. Bartolomeu, de Santo Antão, de Santa Sinforosa e das Almas. Qual será a origem do nome Remondes? No Dicionário das Freguesias, Volume dedicado a Trás os Montes, página 138, vem a seguinte explicação: “0 topónimo da freguesia deve vir do nome próprio Remondianes, latino e que poderá muito bem ser a corrupção de Remondo Anes. Com efeito, este era um nome muito usual até ao século XIII. Pinho Leal refere que “o nome desta freguesia significa filho, ou da famlia de Reymondo (Raymundo). Depois dizia se Raymundes”.

S. MARTINHO DO PESO: Orago: S. Martinho. População residente: 452 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: Senhor dos Aflitos (móvel Maio); S. Martinho (11 de Novembro); S. Bartolomeu (24 de Agosto); S. Matias (23 de Fevereiro); S. Sebastião (1° domingo de Agosto); Santa Bárbara (1° domingo de Setembro) e Festa do Ramo (domingo gordo). Presidente da Junta de Freguesia de S. Martinho do Peso: Martinho dos Santos Rodrigues. S. Martinho do Peso é uma terra com um passado remoto. Assim, no lugar do Prado, foi encontrada uma lápide funerária visigoda do século VII, que se encontra guardada no Museu de Bragança. Esta freguesia pertenceu ao antigo concelho de Penas Róias até à sua extinção, no século XIX. É rica em património, nomeadamente: O belíssimo Solar dos Morais; Castro do Carril; Igreja Matriz; Igreja de Vale Certo (ou Valcerto); Fraga do Gato; capelas do Senhor dos Aflitos, de S. Martinho e de S. Pantaleão. Na Igreja Paroquial de S. Martinho do Peso, é indispensável ver os brasões da família Távora. Em Valcerto, apareceu uma estela funerária de mármore branco (romana). De entre os filhos ilustres de S. Martinho do Peso, destacamos: Frei Domingos de Santo Ângelo (nasceu em S. Martinho do Peso, em 1562; Casimiro Pires) e Afonso de Jesus Caveiro, licenciado em Direito e escritor (nasceu em S. Martinho do Peso em 28.10.1931).

SALDANHA: Orago: S. Nicolau. População residente: 203 (censos 2001, dados preliminares). Festas: Santa Marinha e Santa Bárbara (2° e 3° fim de semana de Agosto); S. Nicolau (6 de Dezembro); Sagrado Coração de Jesus (15 de Agosto); Festa de Gregos (fim do mês de Setembro) e S. Martinho (11 de Novembro). Presidente da Junta de Freguesia de Saldanha: Rui Manuel Pimentel Fernandes. Saldanha, fica a cerca de vinte quilómetros da vila de Mogadouro e, é uma terra muito rica em património. Nesta aldeia mogadourense, há muitos vestígios da época romana. Junto da Igreja Paroquial, existe uma ara em honra de Júpiter Depulsor e várias lápides funerárias, uma junto da referida ara, e as outras na capela de Santa Marinha. De épocas, muito provavelmente pré históricas, no lugar de Pena do Gato, existe uma inscultura num rochedo, representando, muito possivelmente, aquele animal. Há, também, vestígios arqueológicos no Castelo ou Cabeço do Ouro. A Igreja Paroquial é de estilo românico (tardio), e tem um retábulo lindíssimo, que é uma mistura de dois estilos, o joanino e o rococó. Recentemente, apareceram 6 ou 7 lápides romanas. Na Granja de Gregos, apareceu o fragmento de uma ara, romana, de mármore. De onde virá o nome Saldanha?. “Segundo um historiador espanhol, Moran, o seu nome deve provir de Saltus Dianae, bosque de Diana, o que, a ser verdade, nos remeteria para os tempos mais antigos da freguesia. Refere o ilustre autor que aqui deve ter tido Diana o seu “lugar ou bosque sagrado, convertido em ermida da Virgem nos primeiros séculos do cristianismo”.

SANHOANE: Orago: S. João. População residente: 149 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: Santo Amaro (3.° domingo de Junho); Santo Amaro (15 de Janeiro) e Santa Bárbara (1° fim de semana de Setembro). Presidente da Junta de Freguesia de Sanhoane: Senhora Professora, Maria Joaquina Mariano. Esta freguesia tem vestígios de um passado antiquíssimo: No lugar do Castelico, há vestígios arqueológicos; uma estela funerária romana (datará do século II a c); mamoas e sepulturas antropomórficas. A capela do Santo Amaro é do século XVI XVII e foi mandada construir pelos Távoras. A Igreja Paroquial é do século XVI. Apareceu, nesta freguesia, uma lápide romana. De onde vem o nome de Sanhoane? Sanhoane é uma corrupção medieval do nome do seu orago (S. João), ou seja Sam Ioanis, Sam Oane, Sayo Ane ou Sam One, nome que, com o decorrer dos tempos, o povo chamou Sanhoane.

SOUTELO: Orago: Santa Engrácia. População residente: 185 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: Santa Engrácia (último domingo de Julho) e do Santo Nome de Jesus (3° domingo de Janeiro. A Festa de Santo Nome de Jesus é também conhecida como Festa do Bi Tó Ró, que se enquadra nas Festas do Ramo, com um grande valor etnográfico. Presidente da Junta de Freguesia de Soutelo: José Joaquim Pinto. O nome desta freguesia vem de Souto (mata de castanheiros). Nesta freguesia, temos de destacar: a Festa do Bi tó Rô, que se filia nas antiquíssimas festas do ramo, tão tradicionais, e no artesanato da Associação Cultural e Recreativa de Soutelo. Esta dinâmica Associação, superiormente dirigida pela Senhora Professora Maria da Natividade Ferreira Morais, tem desenvolvido um trabalho notável ao nível do artesanato do linho e da lã. É obrigatório uma visita a esta Associação que se encontra instalada numa bela Curralada (impecavelmente restaurada), na sua freguesia.

TÓ: Orago: Santa Maria Madalena. População residente: 210 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: Santo Menino ou Festa dos Rapazes (1° dia do ano); Santa Maria Madalena (22 de Julho); Santa Bárbara (14 e 15 de Agosto) e S. Cosme e S. Damião (27 de Setembro). Presidente da Junta de Freguesia de Tó: Manuel António Preto. De onde virá o nome Tó?. No Dicionário das Freguesias de Portugal, na página 142, está escrito o seguinte: “É provavelmente o mais enigmático topónimo deste concelho. Quem foi afinal esse tal de Tó? Seria mesmo alguém? Segundo alguns autores, tó é o nome de uma flor que surge com abundância nesta região e que o povo colhe com cuidado por lhe reconhecer grandes capacidades curativas nos maus olhados. É como que uma erva sagrada que as pessoas insistem em colocar ao peito. No entanto, parece ser mais crível a teoria científica segundo a qual e Joseph Piel segue a sem restrições Tó seria o genitivo do nome pessoal germânico Thou ou Teudo, rei visigótico do século VII. Nesta freguesia existe uma festa ritual do solstício de Inverno, conhecido como o Farandulo de Tó, que forma com a “Sécia” ou “Céeia” e o moço, um conjunto. Realiza se no dia 1 de Janeiro ou domingo mais próximo logo nos primeiros dias de Janeiro. Em Tó, são dignos de visita: A Casa Grande de Tó (um belo solar do século XVII, reconstruído no século XIX, actualmente, metade desta casa, é propriedade da Junta de Freguesia); a Igreja matriz; as capelas de Santa Cruz, de S. Pedro e da Senhora da Piedade. Tem vestígios arqueológicos.

TRAVANCA: Orago: Nossa Senhora da Assunção. População residente: 197 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: S. Sebastião (3° domingo de Setembro), Santa Bárbara (1° domingo de Agosto) e Santa Luzia (13 de Dezembro). Presidente da Junta de Freguesia de Travanca: Américo Rodrigues. Nesta freguesia do concelho de Mogadouro, estudou, na sua escola primária, o escritor Trindade Coelho. Segundo o Dr. A Rodrigues Mourinho: “Esta povoação conserva ainda a sua estrutura rural medieval. O ponto turístico mais importante é sem dúvida a Igreja Paroquial de característica românica. Ainda conserva parte da velha cachorrada. Deve ter sido reconstruída por volta do século XV A capela mor é gótica e conserva ainda a abóbada de nervuras. Na retaguarda do altarmor há ainda restos de frescos que pelas suas características devem datar do século XVII. Os retábulos são de talha barroca todos eles bastantes ricos. (…) A Igreja tem uma parte anexa que forma capela lateral ornamentada na parte exterior com imagens de pedra de estilo românico e ainda com uma linda cruz da Ordem de Aviz. No centro da povoação há ainda uma casa com duas figuras esculpidas em granito. Esta casa tem o nome de “casa dos macacos”. Não sabemos a origem destas figuras”. Segundo o Dicionário Lello & Irmão, a palavra Travanca, quer dizer “Embaraço, obstáculo, empecilho”. Para além da Igreja e da “casa dos macacos”, em Travanca pode visitar: Igreja da Figueirinha, Capelas de Santa Cruz e S. Sebastião, cruzeiros e santuário junto à capela de Santa Cruz.

URRÓS: Orago: Santa Maria Madalena. População residente: 428 (Censos 2001, dados preliminares). Festas: Santa Bárbara (3.° domingo de Maio); Corpo de Deus (dia de Corpo de Deus) e S. Sebastião (3.° domingo de Agosto). Presidente da Junta de Freguesia de Urrós: Alfredo Augusto Ferreira. O nome desta freguesia é de sentido topográfico. Urrós fica situada numa pequena chã, entre dois ribeiros, de vales com pouco declive e pequenos. Urrós, vem da palavra “Urreta” ou “Orreta” da topografia (vale apertado que permite agricultura nas estreitas abas). Esta freguesia fica situada na margem direita do rio Douro, a cerca de vinte e um quilómetros da sede de concelho. Urrós, é das freguesias do concelho de Mogadouro, mais ricas em História e em vestígios arqueológicos. Encontramos vestígios de um passado remoto, nos sítios chamados: Urreta (daqui vem o nome Urrós, como já expliquei), Malhada (das canas), Cerca, Castelo, e sobretudo no castro de Oleiros (romanizado). Importante é, sem dúvida o santuário rupestre, conhecido por “Altarico”. Muitas peças arqueológicas descobertas em Urrós encontram se na Sala Museu de Arqueologia de Mogadouro, Museu Abade de Baçal (Bragança), e muitos outros museus, como por exemplo, em Lisboa. Digna de registo é a ruína da capela de S. Fagundo, e muitas lendas, sobretudo de mouras encantadas. A visitar, também, o poço da frágua, o ameiêdo, e a vista deslumbrante que se pode ver da Cerca. A Igreja Paroquial é românica (do século XIV), e no seu adro existem sepulturas antropomórficas. Numa das ruas da povoação, está a torre do sino, que serve para avisar o povo, em caso de necessidade. Para além deste património, devem ser visitadas as capelas de Santa Cruz e de S. Sebastião e o cruzeiro. Nesta aldeia existe a única Praça de Touros (fixa, de granito) de Trás os Montes.

VALE DA MADRE: Orago: S. Brás. População residente: 154 (Censos de 2001, dados preliminares). Festas: Santa Bárbara (18 de Agosto); S. Brás (3 de Fevereiro) e Nossa Senhora do Rosário de Fátima (I° domingo de Outubro). Presidente da Junta de Freguesia de Vale da Madre: João Carlos Monteiro Gouveia. Quanto à origem do seu nome, o Dicionário das Freguesias de Portugal, na página 144, diz: “0 nome é claramente medieval, significando Vale, muro ou parede “vallo” e Madre o antropónimo do românico “matre”, muito frequente até ao século XII”. Pensamos que é esta a explicação mais exacta da origem do seu nome, no entanto, não é de excluir que “Madre” signifique “Mãe” (de água). Em Trás os Montes, usa se muito a palavra “Madre” para nascente de água. Quanto ao seu património, A Rodrigues Mourinho, escreveu: “A Igreja Paroquial com a sua torre cheia de equil’brio, do tempo barroco, é digna de visita. A parte interior está decorada com riquíssimos retábulos de talha dourada do século XVIII, sendo digno de estudo e apreço o retábulo do altar mor que além da talha, conserva ainda as edículas pintadas com cenas alusivas à vida de Cristo e da Virgem Maria. Estes quadros são de carácter renascentista e não devem ser posteriores ao século XVI. São das melhores peças de pintura que o concelho conserva”.

VALE DE PORCO: Orago: S. Brás. População residente: 158 (Censos de 2001, dados preliminares). Festas: S. Miguel (29 de Setembro); S. Brás (3 de Fevereiro) e Senhora da Encarnação (25 de Março). Presidente da Junta de Freguesia de Vale de Porco: Dulcínio Augusto Rodrigues. Pertenceu esta freguesia aos Marqueses de Távora e, extintos estes, passou a padroado real, em 1759. Administrativamente, pertenceu ao termo de Bemposta, e hoje, ao concelho de Mogadouro, de cuja sede de concelho, dista cerca de sete quilómetros. Fica, esta aldeia situada nas abas da serra de Vilar do Rei. Tem vestígios arqueológicos e ruínas castrejas. Quanto à origem do nome de Vale de Porco, o Dicionário das Freguesias, no volume dedicado a Trás os Montes, página 144, diz: “0 nome é de origem óbvia. Por um lado, o vale pouco profundo que se encontra entre os cumes de Serrinha e de Vilar do Rei; por outro lado, o elemento zoonímico e que está relacionado com os porcos monteses que povoavam o território”. De entre o património de Vale de Porco, é de destacar: A Igreja Paroquial (construída, muito provavelmente, na segunda metade do século XVI); a bela capela da Senhora da Encarnação (de origem românica) e de Santa Cruz. Quanto ao património cultural, é de realçar o Chocalheiro ou Velho de Vale de Porco. A respeito do “chocalheiro”, escreveu o Dr. A Rodrigues Mourinho: “De entre elas distinguimos o “Velho” ou o “Chocalheiro” cuja origem se perde na noite dos tempos da gentilidade pré romana. É festa de celebração dos solstícios de carácter vincadamente etnográfico que contém significado ritual de fecundidade e fertilidade com outras festas do mesmo estilo do concelho de Mogadouro que em outros sítios apontamos. Esta festa que se celebra no dia de Natal mistura o cristão com o pagão e mostra como é ainda forte nas nossas gentes o respeito por certos valores ancestrais que nem os ritos cristãos conseguiram apagar, porque falam à alma campesina que habita ainda em muitas das populações do concelho”. A título de curiosidade, diga se que Vale de Porco, tinha o sino mais antigo do concelho (1600).

VALVERDE: Orago: S. Sebastião. População residente: 195 (Censos de 2001, dados preliminares). Festas: Santo António (2° domingo de Agosto) e S. Sebastião (20 de Janeiro). Presidente da Junta de Freguesia de Valverde: José Francisco Bento Sanches Branco. Situada a cerca de dez quilómetros da sede do concelho, na margem esquerda do rio Sabor (três a quatro quilómetros), Valverde é terra antiga onde se encontram numerosos vestígios do passado. Encontramos vestígios arqueológicos no Cabeço dos Mouros e em outros pontos do termo da aldeia. Valverde pertenceu ao termo de Santa Maria de Castelo Branco, então uma importante comenda templária e, posteriormente, da Ordem de Cristo. Terra de origem muito antiga, a este propósito, na página número 146 do Dicionário das Freguesias de Portugal, no volume consagrado a Trás os Montes, está escrito: (A seguir à Reconquista Cristã, o território começou a ser repovoado através da instituição de casais. Desse período remoto, ficam as notícias de Almeida Fernandes:” Dada a falta de notícias com que luta ainda no século X111 o território do actual concelho de Mogadouro, nada se sabe dos inícios da povoação de Valverde. Sendo esta, porém, das poucas que nesta parte do concelho existem, e estendendo se por aqui, no século XI ainda, um dos “pagi” cuja cristianização foi distribuída à Sé bracarense então, é de crer que neste lugar existisse alguma população, tratando se de algum “villar” desse “pagus” (Aliste?)”. A origem do nome Valverde é de origem topográfica. De facto, Valverde fica situada no pequeno vale verdejante, de um ribeiro que passa na povoação. Para além da Igreja Paroquial (século XVI), em Valverde, pode visitar se: a lindíssima fonte de mergulho; as capelas de Santo António, do Divino Espírito Santo, de Santo André, Santo Apolinário e S. Francisco. Esta freguesia compõem se dos lugares da Roca (onde a família de Trindade Coelho tinha propriedades), Santo André, Souto e Valverde. É deslumbrante a paisagem que se pode ver nesta freguesia. No cabeço do Souto, pode ver se uma soberba paisagem, mas sobretudo nas ladeiras viradas ao Sabor, no tempo das amendoeiras em flor, é inexcedível a beleza desta terra. Valverde faz parte da rota das amendoeiras.

VENTOSELO: Orago: Nosso Senhor da Boa Morte. População residente: 189 (Censos de 2001, dados preliminares). Festas: Santa Cruz (1° domingo de Maio); Santa Bárbara (15 de Agosto) e S. Vicente (fim de semana mais próximo de 22 de Janeiro). Presidente da Junta de Freguesia de Ventoselo: Cândido Francisco Fernandes. A origem do nome desta aldeia tem a ver, em nosso entender, com a sua demasiada exposição aos ventos do Planalto. De entre o seu património, ressalta a Capela do Senhor da Boa Morte, de alpendre, com um tecto decorado com pinturas barrocas do século XVIII (onde se pode ver, entre outras, uma pintura representando Santiago Peregrino). Ao longo das paredes interiores deste templo, estão figuras representando as cenas da Via Sacra, em escultura popular, de elevado valor artístico e que datam do século XVIII. Neste conjunto escultórico, de salientar os chamados fariseus (o povo diz, fariséus), com os seus narizes desconformes as feições demoníacas, a flagelar Cristo. Esta capela do Senhor da Boa Morte, foi mandada construir pelos Távoras, nos finais do século XVII. Ventuzelo fazia parte dos Caminhos de Santiago. A confirmar esta afirmação, podemos registar: A capela com alpendre; o tecto da Capela de Nosso Senhor da Boa Morte (onde se vê representado Santiago); a antiga capela de Santiago (hoje em completa ruína) e as fontes do Carril, do Inoque e a Fonte da Vila (segundo a população ligadas aos caminhos de Santiago) e o Caminho dos Almocreves. Para além do património já citado, podemos ver: A Igreja Matriz (século XV11); a capela do Divino Espírito Santo; a Torre de Santo António; a fonte de mergulho e a praia fluvial.

VILA DE ALA: Orago: Nossa Senhora da Assunção. População residente: 359 (Censos de 2001, dados preliminares). Festas: Nossa Senhora da Ourada (3ª feira a seguir à Páscoa); S. Bernardino (20 de Maio); Santíssima Trindade (7° domingo depois da Páscoa) e S. Bento (1° domingo de Setembro). Presidente da Junta de Freguesia de Vila de Ala: António Maria Mora. Vila de Ala (ou, como o povo diz, Viladála), tem um povoamento muito antigo, que remonta à pré história. Em Vila de Ala existem ruínas de um antigo castro. Esta freguesia é já citada nas Inquirições de 1258: “Aí se refere que “villa de Ala fuit domini regis et modo tenet eam domnus Alfonsus Lupi”, isto é, a povoação pertencera à coroa e nesse momento era do prócer Afonso Lopes de Baião. O território nacional estava então a ser repovoado, depois das invasões muçulmanas, e entregue a nobres locais de poder e dinheiro”. Alguns topónimos da freguesia confirmam a antiguidade do seu povoamento: Ala (serra, não tem nada a ver com Alá, Deus para os muçulmanos. Tem a ver, em nossa opinião, com a posição da ala (ou lado) desta serra, em relação à parte principal da serra de Mogadouro); Santiago (ligado aos caminhos de Santiago. Na cripta da igreja de Santiago, há uma escultura de Santiago Matamouros, extremamente interessante); Paçô (de Paço, solar, casa nobre, palácio, que aqui existiu) e Vila (da forma de exploração da terra, pelos romanos). A origem do seu nome é fácil e óbvia: Vila de “villa” romana (forma de exploração da terra), e Ala da serra de Ala, que lhe fica perto. Para além do património já referido, destacamos: Igreja paroquial; capela da Senhora da Ourada (templo românico reconstruído, cuja origem deve remontar ao século XII ou XIII); capela de Santiago (povoação de Santiago); capelas do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade; Fontanários e “Poço dos Mouros”.

VILAR DO REI: Orago: S. Pedro. População residente: 99 (Censos de 2001, dados preliminares). Festas: Santo António (13 de Junho) e Nossa Senhora dos Prazeres (Agosto ou Setembro). Presidente da Junta de Freguesia de Vilar do Rei: Sisnando Manuel Pires. Vilar do Rei é uma terra antiga, com numerosos vestígios arqueológicos. Nesta aldeia há ruínas castrejas. A origem do seu nome é óbvia: Chama se Vilar porque os sistemas de repovoamento nos séculos XI e XII eram os “vilares”, muito frequentes no Norte de Portugal. Do Rei, porque até ao século XIII, pertenceu à coroa, século em que foi doada à Ordem dos Templários. Em Vilar do Rei há um topónimo, Prado do Rei, que nos mostra a importância da coroa nos primeiros tempos desta aldeia. Nesta aldeia é digno de visita: A Igreja Paroquial (século XVII); cruzeiro e ruínas castrejas.

VILARINHO DOS GALEGOS: Orago: S. Miguel. População residente: 257 (Censos de 2001, dados preliminares). Festas: Nossa Senhora das Necessidades (último domingo de Maio); S. Miguel (29 de Setembro); S. Bartolomeu (24 de Agosto) e Santa Bárbara (4 de Dezembro). Presidente da Junta de Freguesia de Vilarinho dos Galegos: José Joaquim Campos. Vilarinho dos Galegos, foi um importante centro de marranos. Nesta aldeia, existiu a maior comunidade de judeus desta zona do Nordeste Transmontano. Ainda hoje os habitantes de Vilarinho são conhecidos por “Judeus”. O seu nome é óbvio: Vilarinho é o diminutivo de Vilar (já tratado anteriormente, nomeadamente quando falamos de Vilar do Rei). Dos Galegos, porque, terá sido repovoado por gentes vindas da Galiza. Tem vestígios castrejos, sendo de realçar o Castelo dos Mouros, antigo povoado, do qual restam muros, restos de parede e um fosso em volta. Em Vilarinho dos Galegos, devemos visitar: A Fraga do Calço, com inscrições rupestres; A Igreja Paroquial; A Igreja de Vila dos Sinos; Capela de Santa Bárbara; ponte; fontanários e do poço do Cadoiço. Sobre a anexa Vila dos Sinos, escreveu o Dr. A Rodrigues Mourinho: “Pequena aldeia cheia de história e beleza natural. Encontramos aqui uma ascensão de culturas desde a época pré histórica, passando pela cultura céltica bem representada na cultura dos berrões da qual temos resquícios em algumas estátuas daqueles animais ainda lá existentes, até à época romana da qual restam algumas lápides funerárias. Da época medieval resta um pequeno cemitério escavado há pouco tempo e a própria igreja paroquial que conserva ainda a cachorrada bem própria do estilo românico. O interior do templo com lageado ainda primitivo, está ornado com retábulos de talha muito simples, mas que ostentam pinturas de autores portugueses do século XVI, infelizmente mal restauradas, em épocas posteriores. Longe da povoação e junto da ribeira de Vila dos Sinos há a chamada “Fraga do Diabo” com insculturas rupestres. Existem ainda outras cavernas que, segundo os peritos da matéria, terão sido habitadas na pré história”. Em Vila dos Sinos, apareceu recentemente, uma estela funerária romana, encimada por duas suásticas de seis raios.

António Pimenta de Castro Licenciado em História e Docente do Ensino Secundário na Escola Dr. Ramiro Salgado (Torre de Moncorvo), Mogadouro 2002

In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães – Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt

Preço: 30 euros

(C) 2005 Notícias do Douro

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