Concelhos

Mondim de Basto

Mondim de Basto

O Concelho de Mondim de Basto estende se por uma área de 174 Km2, englobando 8 Freguesias: Atei, Bilhó, Campanhó, Ermelo, Mondim, Paradança, Pardelhas e Vilar de Ferreiros. O Concelho assenta no maciço montanhoso entre as serras do Alvão e do Marão e ébanhado pelos Rios Tâmega, Olo e Cabril. A Vila de Mondim repousa numa chã fértil na margem esquerda do Rio Tâmega e no sopé do Monte Farinha. Estima se a população Mondinense entre 10.000 e 11.000 habitantes, verificando se uma estabilidade demográfica positiva na ultima década. Esta estabilidade deve se a factores conjugados da tercialização da economia e a uma crescente urbanidade, apoiada, por um lado, no retorno de alguma emigração e por outro na criação de oportunidades empresariais, com base nos seus recurso; naturais: extracção e transformação de granito, exploração florestal. produção \ inícola e turismo. Somos a fronteira de Entre Douro e Minho, a perfeita simbiose do \erde aglutinador com os espasmos vertiginosos do Marão petrificado:


“Um cibo de terra roubado,
A um mar de pinheiros sem fim;
Um monte e um rio ao lado,
E lá no meio Mondim.”
Jales de Oliveira


Aqui, os horizontes ganham mais profundidade e os próprios homens parecem assumir a telúrica dimensão dos elementos que os rodeiam. Tentada pelos gorjeios melodiosos de um turismo promissor, a Vila de Mondim, sede do Concelho, além de preservar a sua zona história tão antiga, equipou se com uma zona residencial e comercial moderna, servida por largas avenidas e jardins envolventes. Ponto de partida para as visitas ao resto do Concelho, dispõe de uma oferta de apoio ao turismo assinalável: residenciais modernas, um hotel em construção, um belíssimo Parque de Campismo, casas de Turismo em espaço rural, restaurantes, uma espectacular Zona Verde de Lazer, Pavilhão Gimno Desportivo, campos de ténis, mini golf, piscinas, anfiteatro de ar livre e um espaço para jogos tradicionais. Um dos símbolos mais conhecidos do Concelho é o Monte Farinha, no topo do qual se ergue a Capela de Nossa Senhora da Graça. Miguel Torga, numa das suas passagens pelo nosso Monte descreveu assim o que lhe ia na alma: “Empoleirado neste miradoiro, solto os olhos por metade de Portugal. Montes, rios e vales edénicos, genesíacos, conto que acabados de sair das mãos do Criador… A Natureza na sua primitiva decência, desabitada, limpa de toda a mácula humana. Nem sequer tocada pelo pasmo de quem a contempla.” Concelho marcado pela zona do Vale do Tâmega e pela zona de montanha, desdobra se em constantes locais paradisíacos e estradas de contemplação panorâmica, acompanhados por um tecido vivo de riachos e ribeiras a deslumbrar o visitante. Aqui, o Parque Natural do Alvão assume a sua pujança e engloba os seus principais valores patrimoniais as imponentes cascatas das Fisgas, do Rio Olo, cravadas no Maciço xistoso de Ermelo, um monumento natural de importância relevante: “Das Fisgas não falarei . O choque indiscritível da medonha realidade perderia nas palavras a telúrica dimensão. São quedas impressionantes de deixar cair as horas em divina contemplação.” Jales de Oliveira. O artesanato e a etnografia ganham dimensão relevante , defendidos pela própria geografia física que condiciona a adulteração:

“Constroi se o mundo com pequenos nadas,
No cósmico girar aos solavancos,
Desta vida;
Com empírica ternura de mãos calejadas,
Que talham tamancos,
À medida.”

Jales de Oliveira

Dois centros de artesanato perpetuam o saber milenar das tecedeiras do linho, estopa e tapetes. Também os tamanqueiros, os cesteiros e os canteiros, mantêm vivos os usos, costumes e tradições da nossa gente. A produção pecuária tem nos caprinos e na raça bovina autóctone maronesa a sua máxima expressão. A ela está intimamente ligada a gastronomia autêntica. Vitela assada e cabrito de carne tenra e saborosa. As trutas ,os fumeiros, o pão de ló e as cavacas também são convites irrecusáveis. Conhecidas e famosas são as características dos vinhos verdes , excelentes embaixadores desta Região: os brancos, leves e frescos, para acompanhar pratos de peixe, e os tintos, encorpados, indispensáveis com os pratos de carne. Também, a herança, o legado, a memória dos nossos antepassados aqui se conserva, no seio da maravilhosa paisagem em que viveram, como testemunho ancestral da nossa identidade colectiva. Mondim teve uma importante ocupação no período megalítico, como o comprovam vários testemunhos das populações sedentárias que ocuparam o norte de Portugal, a partir do IV Milénio antes de Cristo. Grupos nómadas chegados à Região, gente de origem autóctone e transumante, ou mais provavelmente o produto de uma miscenização entre dois tipos de populações terão construído a base demográfica que vai edificar as mamoas do Alvão, do Vale das Gevancas e o Menir da Pedra Alta. De acordo com trabalhos arqueológicos que se vêm realizando, em meados do I Milénio, a Cultura Castreja poderá ter sido acelerada. A zona de Basto vai conhecer nesta época um forte incremento populacional, sendo Mondim o Concelho com maior densidade de povoados castrejos (um povoado por cada 1250 a 2500 hectares), sendo de salientar o Castro do Castrueiro, que vem sendo objecto de estudo e de escavações há vários anos, o Castro dos Palhaços, o Castro da Cevidaia, o Castro de Bromela, os Castros das margens do Tâmega, o Castro do Bezerral, o Castro do Bilhó, etc. A romanização tirou os pastores e os guerreiros dos cumes alcandorados e obrigou os a procurar as veigas mais férteis junto do Tâmega e do Cabril onde se dedicaram à agricultura . As vias de comunicação construídas pelos romanos possibilitaram ligações comerciais e contribuíram para o desenvolvimento do interior. A famosa via de Chaves a Favaios, por Panoyas de Vila Real, passava por Mondim e subia o Velão pelo lendário troço da “Meia Via”, ao lado do qual, o Cônsul Décio Juno Bruto terá construído, possivelmente, a badalada cidade “Maranus”. Do referido troço permanecem as pontes de “Bromela”, classificada como monumento nacional, de “Vilar de Viando” e da “Várzea” em Ermelo. As mais belas paisagens do Concelho encontram se na zona montanhosa , particularmente rica no aspecto florestal duma beleza agreste impressionante: = “Cá em cima, a novecentos metros de altitude em relação ao nível das aguas do mar, tudo o que a nossa vista alcança nos entroniza..” Jales de Oliveira. Salientam se o Monte Farinha, um dos mais miradouros do Pais e as quedas de agua das Fisgas de Ermelo. Grande parte do Parque Natural do Alvão localiza se no Concelho de Mondim de Basto, sendo uma vasta área também englobada pela Rede Natura.
A água assume a condição de uma das mais importantes potencialidades Concelhias. Por todo o lado nos deparamos com uma fonte, um ribeiro, um riacho ou até mesmo com quedas de agua impressionantes. Apesar das dificuldades decorrentes de um território de geografia diversificada , Mondim de Basto, consciente da riqueza do seu património natural e cultural projecta o seu futuro segundo critérios de sustentabilidade. O Ambiente é neste município não apenas uma mera declaração de intenções mas fundamento do seu progresso. Uma expressão mais erudita da sua cultura e do seu tecido económico ancestral são os numerosos solares, sede de quintas produtoras de Vinho Verde, em especial nas áreas ribeirinhas do Tâmega (Mondim e Atei). Conhecido como a terra “onde corre vinho e mel”, ostenta nas suas armas oito abelhas, tantas quanto o numero das freguesias, que testemunham o caracter nobre e laborioso das suas gentes.


Alguns Dados Históricos

No século II A.C as legiões Romanas sob o comando do Cônsul Décio Juno Bruto invadem e conquistam toda a Região. Há resistência heróica da famosa cidade Cinìnia, solar da belicosa tribo dos Tamecanos, provavelmente situada no alto de Nossa Senhora da Graça (Monte Farinha); Décio Juno Bruto funda na serra de Ermelo a cidade Maranus, que se viria a tornar numa das mais famosas da Península Ibérica; Nasce em Atei Santa Senhorinha de Basto (Ano 924); São assassinados e sepultados em S. Pedro de Atei sete condes por um familiar de D. Afonso Henriques (Principio da Nacionalidade); D. Sancho concede Foral a Ermelo (Abril de 1196); D. Nuno Alvares Pereira caça neste Concelho e aqui recruta homens para a batalha de Aljubarrota , tomada de Ceuta , etc. (1384/1385); Gonçalo Vaz, o Moço, deste Concelho , salva a vida a D.João I , na batalha de Aljubarrota e recebe o privilégio “Ajuda me companhão” (14 de Agosto de 1385); D. Manuel confirma com Foral novo as terras de Mondim de Basto (1514); D. Manuel exila em Atei as freiras revoltosas do Convento de Santa Clara de Vila do Conde. Ainda hoje a povoação se chama “Freiras”: D. João Segundo atravessa o Concelho em visita a Trás os Montes (Novembro de 1483); Mondim é invadido e saqueado pelos Franceses. Há vários recontros e escaramuças com a resistência local; Mondim torna se o império dos cortumes e fornece todo o Pais de couro e calçado (Cerca de 1700); Camilo por aqui deambula e atravessa o Concelho na Fuga da Quinta do Ermo, em Fafe, para Vilarinho da Samardã (2 de Julho de 1860); Por decreto de D. Maria II é construída a nova Ponte sobre o Tâmega e desactivada a antiquíssima e famosa Ponte de Mondim (Dec.1856/ Inauguração 1882).


NOSSA SENHORA DA GRAÇA ASPECTOS RELEVANTES

Arqueológicos Todo o monte é um verdadeiro santuário de vestígios arqueológicos . Estão referenciados os Castros: do Castrueiro, do Prémurado, do Bezerral, da Plaina dos Mouros, dos Palhaços e dos Palhacinhos. Antiquíssimo caminho em calçada romana subindo desde o lugar de Campos até ao alto; Menir da Pedra Alta; Insculturas rupestres de Campos, Rexeiras e Campelos; Ilídio de Araújo publicou o estudo localizando no alto dos Palhaços a famosa cidade do ferro “Cinínia ou Canínia”, que ousou fazer frente às legiões romanas de Décio Juno Bruto, quando da conquista da Península Ibérica no século II AC. Religiosos É o maior, o mais belo e o mais importante Santuário Mariano da Diocese de Vila Real. Um dos mais empolgantes de todo o País. Nele se realizam notáveis festas religiosas chamando milhares e milhares de devotos de todos os cantos: A festa da Ascensão, no ultimo Domingo de Maio coincidindo com o Encerramento do Mês de Maria; a secular Romaria de Santiago, que se perde na memória dos tempos. a 25 de Julho; e a grande Peregrinação Anual, no primeiro Domingo de Setembro. Cenário permanente de grandes comemorações: Ano Santo, Jubileu, Cinquentenário das Aparições, Cinquentenário das Peregrinações, comemoração dos 2000 Anos de Nossa Senhora, ele.; Palco eleito de casamentos, baptizados e celebrações particulares; Chegada e partida obrigatória dos emigrantes (pagamento de promessas), como o foi dos militares da Guerra do Ultramar e de quantos partiram para terras do Brasil. Turísticos Miradouro excepcional (avistam se terras de 36 concelhos de Portugal e também serras de Espanha), vem se tornando rota obrigatória dos rumos turísticos do Norte. Grande parte da ocupação hoteleira de Amarante e de Vila Real transitam por lá; Está incluído em vários roteiros de viagens nacionais e estrangeiros; Complemento opcional dos visitantes do Parque Natural do Alvão; Tem restaurante; Tem viabilidade de construção atribuída a um empreendimento turístico de alojamento e de restauração; Tem, na sua subida, uma grande e reconfortante zona de lazer e de desporto , com todos os apoios para merendas e confecção de refeições; A Irmandade de Nossa Senhora da Graça promove, actualmente, profundas obras de recuperação de todo o espaço envolvente ao Santuário. Desportivos Palco eleito de três Rampas Automobilísticas anuais; Subida obrigatória e decisiva da Volta a Portugal em Bicicleta, que tem aqui a mais emblemática das suas etapas. Terminam na sua subida o Grande Prémio de Ciclismo Jornal de Notícias e a Volta do Futuro; Percurso obrigatório dos Rallies Mondim/Celorico de Basto, a contar para o Campeonato Nacional de Iniciados e ÀDescoberta de Mondim, a contar para o Campeonato Regional; Única pista de Párapente que conserva as condições de voo todo o ano; Tem escola de Párapente; Local escolhido para serem batidos recordes do Guiness em Andas; Trilho seleccionado de vários Clubes de Montanhismo e Ar Livre (Encontro Peninsular de Montanha). Etnográficos Riquíssimo património oral versando a Senhora e o Monte (Lendas, quadras, contos, cantigas, orações e provérbios); A Romaria de Santiago (Já referida em 1500) foi sempre a maior explosão expontânea de folclore da Região (Tunas, tocatas, ranchadas, esturdias e cantadores ao desafio, subindo o monte toda a noite); Caminho traçado de Peregrinos de Santiago na ligação entre Douro e Minho a caminho de Compostela por Santa Senhorinha de Basto; Visita anual de pescadores da Póvoa do Varzim e de Vila do Conde que têm na Senhora a sua padroeira e protectora. Literários Imensos poetas e prosadores aqui subiram para deixar para a posteridade a sua admiração: Camilo, Pascoaes, Torga, Raul Brandão, António Botto, Santana Dionísio, Leite de Vasconcelos, Hipólito Raposo, João Conde Veiga, Angelo Minhava, Nelson Vilela, Barroso da Fonte, Mário Carneiro, Conceição Campos, Rosa Lobato Faria, Ignácio Pignatelli, etc.. Livros publicados sobre o tema: Monografia HistóricoJuridica de Nossa Senhora da Graça, por A Borges de Castro; Nossa senhora da Graça na Crença e na Lenda, por António da Eira; O Santuário de Nossa Senhora da Graça, por Primo Casal Pelayo ; Roteiro de Nossa Senhora da Graça, por A. Borges de Castro; Os Segredos da Pirâmide Verde, por Luís Jales de Oliveira; As Ferrarias de Entre Tâmega e Douro, por Costa Pereira; O Conventinho de Atei, por Pacheco Neves.


Alguns Testemunhos

“A fria desnudez dos cimos, o silencio de cristal, onde se escuta apenas a voz secreta das coisas, uma majestade rude e bíblica arrebatam nos à vida de todos os dias. Transpomos num ápice o biombo espesso que separa o quotidiano do eterno. Os sentidos alcançam uma intensidade transcendente. Corremos pela montanha. Asas, que acabam de nascer nos, alçam nos numa ebriedade de todo o ser.” Jaime Cortesão
“Ascensão verdadeiramente deslumbrante… ora se descobre o vale do Tâmega, tendo por fundo as terras de Cabeceiras; ora se prendem os olhos na ampla serrania, relativamente próxima do Alvão; ora se contempla o Marão, em sua plena grandeza; ora se domina, em perspectiva quase aeronáutica, a ampla terra arborizada e fronteira, de além Tâmega, cingida pela corda montanhosa da Lameira…
Alcançado o cimo, fica se sem fala perante tão prodigiosa largueza.” Santana Dionísio
“De baixo, vulcão rompante, alastra pelas retinas como se fosse explodir; De cima, parindo ilhas, mar de susto, mar de espanto, afoga um homem d’azul por praias do infinito.” Jales de Oliveira
“Subjugados pela vastidão e beleza da paisagem prometem regressar, um dia, àSenhora que os apaixonou…” Dr. Mário Carneiro
“Nos olhos, indelevelmente, trazemos aquela paisagem bebida no alto da serra, aquela beleza luminosa do principio do mundo, tão limpa, tão longa, tão infinita de horizontes sobrepostos, de cambiantes azuis e cinzentos, até ao fim do tempo, até ao fim da alma” Rosa Lobato Faria

FISGAS DE ERMELO (Testemunhos)
“Este lugar é de facto um monumento natural em que paira no ar uma atmosfera de religiosidade que advém, não só da grandeza , mas também do inesperado . Sob a música de fundo, que é o troar, neste abismo multifacetado, das aguas invernais, contempla se com devoção este imenso arco quartezitico, de um “gótico” natural , que forças teutónicas fracturaram e que as aguas vão, pouco a pouco, cortando.” Arq. Robert de Moura
“A águia real tem o seu solar adornado com o fragor e a brancura de três grandes cataratas de espumosas e vaporosas aguas rolando em cachões e jorros a dar nos a ilusão de brancura na sua espuma , a que chamam o suor das aguas, naquele abismo profundo de xistosas fragas inacessíveis.” Dr. Borges de Castro
“Alcançado o chamado Alto do Fojo, estamos a dois passos do imprevisto. 0 imprevisto, neste caso, é a formidável catadupa de rochedos xistosos que , quase de repente, se descobre ao aproximar nos de um estranho promontório suspenso de um abismo. Defronte, à distância de um tiro de carabina, precipita se numa profunda ravina um alvíssimo caudal. É a queda de agua do Rio Olo. A fenda é tão estreita que a agua, uma vez dados os dois primeiros saltos, como que desaparece, para aparecer de novo, muito mais abaixo, entre formidáveis fraguedos. A agua tomba aos galgões pelo despenhadeiro denegrido, sobre uma espécie de caldeirão dantesco. Em redor, em buracos e plataformas inacessíveis ocultam se os ninhos da águia real” Santana Dionísio

PATRIMÓNIO

Igreja Matriz (Mondim) Muito modificada, conserva das primitivas fases um curioso portal de estilo romântico. A nave é coberta por um tecto de caixotões. O altar mor destaca se com um magnífico retábulo único de talha dourada setecentista.
Capela do Senhor (Mondim) Construção românica em granito, com decoração barroca. O tecto de madeira apresenta notáveis caixotões pintados a fresco com molduras douradas sobre temas do Antigo Testamento. Considerado imóvel de interesse publico pelo Dec. n.° 42007 de 6.12.58, é alvo, presentemente, de profundas obras de recuperação.
Capela do Senhor da Ponte (Mondim) Construção do século XVIII, barroca, de nave única. A fachada apresenta uma moldura de arco de volta inteira sobre pilastras dóricas. No interior, destaca se um retábulo de pedra pintado e o tecto de madeira com pinturas rocaille.
Casa do Eirô (Mondim) Construção setecentista, brasonada, muito alterada no século XX. Desenha com o Portão de Armas e a Capela um notável conjunto arquitectónico no centro da Vila.
Casa da Igreja Estilo Joanino.
Solar dos Azevedos Construção do século XVII. Sofreu ampliações no início do século XX. Considerada imóvel de valor concelhio pelo Dec. n.° 95/78 de 17 de Setembro.
Ponte de Vilar de Viando (Mondim) Ponte medieval, possivelmente ponte romana reconstruída, considerada imóvel de interesse publico pelo Dec. n.° 29/9 de 17 de Julho.
Igreja Matriz de Atei Construção de nave única, datada do século XIV com acrescentos no século XIX, de onde se salientam as capelas laterais e os altares de talha policroma. Associada à lenda dos sete condes, que ali estão sepultados, relatada no Livro Velho de Linhagens e assinalada nas portas laterais. Recuperada no estilo românico original.
Ponte Romana de Bromela (Atei) Monumento Nacional
Igreja Matriz do Bilhó Destacam se algumas alfaias religiosas setecentistas.
Capela de S. Bartolomeu (Bilhó) Templo setecentista alpendrado, de nave única. A fachada termina em empena , com portal recto de frontão curvo interrompido, pináculos em cruz latina. No interior destaca se o retábulo de talha tardo barroca.
Chafariz do Bilhó Construção do século XVIII com bicas, carrancas e tanque rectangular.
Pelourinho de Ermelo Apresenta fuste liso encimado por pirâmide coroada por bola. Considerado imóvel de interesse publico pelo Dec.n.23122, de 11.10.1933.
Ponte da Várzea (Ermelo) De origem romana e alterada na época medieval. Considerada de interesse publico pelo Dec. n.° 29/90 de 17 de Julho.
Capela de S. Sebastião (Vilar de Ferreiros) Construção setecentista com alpendre e fachada principal em empena. No interior, de nave única, destaca se o retábulo de talha dourada.
Cruzeiro de Vilar de Ferreiros Construído no século XVIII, apresenta plinto prismático com brasão, capitel fitomórfico e cruz com remate das hastes em ponta de lança.
Cruzeiro de Campanhó Construção de difícil datação, com base monolítica em tronco de pirâmide, fuste monolítico de secção quadrangular. É rematado por um curioso grupo escultórico do Senhor na cruz.
Cruzeiro de Pardelhas (Senhor dos Aflitos) Construído no século XVIII com alpendre, base em urna, fuste monolítico em amo de arvore e cena com o calvário.
Casas Históricas e/ou Brasonadas Casa da Igreja, Casa do Eirô, Casa do Casal, Casa dos Azevedos Mourões, Antiga Casa da Câmara, Casa do Olival do Senhor, Casa do Retiro, Casa do Atalho Mondim, Solar dos Machados, Quinta D’Ònega, Casa de Barreiros, Casa de Santa Ovaia, Casa de Barreiros de Cima, Casa de Barreiros de Baixo, Casa de Suidros Atei. Jardins , Fontes e Estatuária Jardim 9 de Abril, Parque Urbano Municipal,
Jardim da Casa da Igreja Mondim, Fonte do Barrio, Fonte Cibernética Mondim. Estátua da Primavera, Monumento aos Combatentes da Grande Guerra, Monumento aos Combatentes do Ultramar Mondim de Basto; Cruzeiro dos Três Caminhos Atei. Aldeias Típicas Ermelo, Barreiro, Varzigueto, Anta, Boba], Travassos. Miradouros e Paisagens Parque Natural do Alvão, Vale da Ribeira da Fervença, Alto do Velão, Nossa Senhora da Graça, Nossa Senhora da Piedade, Serra de Campos. Outros Monumentos e Locais de interesse Espigueiros e Moinhos em Ermelo; Moinho, cruzeiro e ponte da Fervença; Sitio da Ponte do Rio Cabril; Sitio da Ponte de Mondim; Sitio da Ponte de Tejão, Rua Velha, Praça da Antiga Vila de Atei, Planalto das Gevancas, Campo do Seixo.

ALGUMAS LENDAS

A Lenda de Cinínia Diz a lenda que no Alto dos Palhaços, no Monte Farinha, um povo Semita e Cananeu, fundou uma cidade por volta do IV os V milénio AC. Essa cidade (Cinínia que corresponde à presente Cainha) era famosa pelo fabrico de armas e pela produção do ferro. No segundo século antes de Cristo, os Romanos, comandados pelo Cônsul Décio Juno Bruto, conquistaram os territórios a norte de Portugal e aproximaram se da cidade dos Tamecanos alcandorada no alto de Nossa Senhora da Graça. Como temessem o poderio das suas armas mandaram um emissário com a seguinte mensagem: “Se os Tamecanos entregassem o seu ouro os Romanos não atacariam e deixariam em paz aquela cidade”. Os locais responderam de maneira sublime o que impressionou todos os historiadores Romanos. Aquele povo respondeu “Que os seus avós não lhes tinham deixado ouro com que comprassem a avidez de um general romano , mas sim ferro com que se defendessem dele”. Os Romanos atacaram, a luta foi extremamente sanguinária e passados anos não restou pedra sobre pedra do famoso aldeamento. A Lenda dos Sete Condes Antes da nossa nacionalidade grande parte das terras a norte do Douro pertenciam a duas famílias primas entre si, os Sousões e os Nouguelas, que se guerreavam mutuamente. Um dia, na sequência dos desaguisados, um dos Nouguelas emboscou sete condes da família dos Sousões que dormiam sob o efeito do álcool e matou os sete, vazando lhes os olhos com um punhal. Diz a lenda que este cavaleiro foi perseguido e degolado junto da Portela do Vade. O Livro Velho de Linhagens de D. Pedro relata que os sete condes estão sepultados na Igreja Matriz de Atei (Mondim de Basto). A porta principal da referida Igreja ostenta sete figuras humanas esculpidas em granito e todos os motivos de decoração são círculos simbolizando os olhos trespassados pelo punhal. Um dos altares laterais é dedicado ao culto de Nossa Senhora dos Condes. A Lenda do “Ajuda me companhão” Durante a batalha de Aljubarrota, em determinado momento, distraíram se os fiéis cavaleiros que habitualmente protegiam El Rei D. João I. O Rei, acossado pelos espanhóis e em perigo de vida gritou “Ajuda me companhão!” à procura de protecção . Acudiu um peão português que lutou com arreganho e conseguiu, depois de matar alguns inimigos, salvar o monarca de Portugal. No fim da batalha e enquanto condecorava e premiava a bravura dos seus militares, o Rei D, João I quis saber quem era o homem que viera socorrê lo e perguntou quem é que o tinha salvo. Muitos dos presentes ergueram o braço. Então o Rei resolveu perguntar que grito tinha lançado . Respondeu um soldado que comia, na altura, qualquer bucha sentado em cima dum cavalo morto: “Vossa Majestade gritou “Ajuda me companhão”. O Rei reconhecendo o concedeu lhe logo ali direitos e regalias extensivas a todos os seus sucessores por intermédio dum decreto intitulado “Ajuda me Companhão”. Esse bravo soldado era de Ermelo, Concelho de Mondim de Basto, e ainda hoje permanecem, na Junta de Freguesia, documentos relacionados com a concessão Real.

FESTAS, FEIRAS E ROMARIAS

Festas do Concelho 24 , 25 , 26 , 27 e 28 de Julho; Romaria de Santiago 25 de Julho. Mondim explode, ciclicamente, nas suas Festas do Concelho, herdeiras universais das antiquíssimas e saudosas Romarias de Santiago. Curiosamente, São Cristóvão, padroeiro deste Concelho, é venerado liturgicamente no mesmo dia que é festejado o popular Santinho no alto de Nossa Senhora da Graça. Fundem se os velhos costumes com as modernas correntes de opinião para receber, condignamente, os milhares de visitantes que nos procuram por esta data. A Antiga Romaria de Santiago: “Por trilhos velhos de lendas, de gestas e historiais, se acercavam à noite, dos quatro cantos do mundo, para rogarem milagres, para fazerem promessas, para travar mil razões e fazerem casamentos com bênçãos de Nossa Senhora. Amortalhados alguns, com chamas de cera nas mãos, por milagre na doença de cura inesperada. Em caixões velhos de pinho davam voltas à Capela com a banda a compasso, ou com esturdias repenicantes nos fechos do funeral. Era a festa dos mortos vivos, sacra e pagã romaria que se perpetuou pelas eras, explodindo em folclore. Não há palavras nos alfarrábios que sirvam para descrever a loucura dos vinte e quatro. Das bordas da Campeã, de Lamas, de Campanhó, da encosta Amarantina do Marão petrificado, as rogas instrumentais rasgando, como manda a sapatiIha, a vareira afrancesada. Dos cômoros de lá da Lameira, de Fafe, Penafiel, do Alto da Lixa e Felgueiras, tocatas e cantadores de se lhes tirar o chapéu. De Salto, de Montalegre, Cabeceiras, Canedo e Arco , ranchadas de concertinas e canto de Querubins. Da Ribeira, Vila Pouca, das planuras do Alvão, de Cerva, Ateie Asnela, bombos, ferranchos, pandeiros, sanfonas destemperadas. De Ermelo, do Bilhó, da Anta, Bobal, Assureira, jogos de roda e despiques de peitudas mocetonas. D’Amoia, Molares, do Castelo, de Moreira e Venda Nova, arruavam rijas tunas d’escarquejar a poeira.
Acordava Mondim espavorido de toques e de meneios, o som gritante dos “machinhos” contrapondo aos bandolins e aos baixos de quatro cordas; “o canto bucólico pastoril das lentas modinhas de alto, tão vulgarmente entoadas nas arrigadas do linho”, sofrido pelas gargantas, entrava deliciosamente pelos postigos escancarados para brincar, como num sonho, com as orelhas de quem dormitava” Jales de Oliveira


CORPO DE DEUS: Antiquíssima procissão com laivos medievais em que o Santíssimo percorre as ruas do velho burgo sob lindíssimos tapetes de pétalas de flores e murta dos jardins de camélias de Basto.


OUTRAS REFERÊNCIAS: Carnaval, Cascatas de S. João, Enterro do Senhor (SextaFeira Santa), Feira de S. Bartolomeu (Bilhó 24 de Agosto), Festa de Santa Luzia (Vilar de Viando 15 de Agosto), Ascensão. (Ultimo Domingo de Maio), Santiago (25 de Julho) e Peregrinação (Nossa Senhora da Graça 1.° Domingo de Setembro), Feira Anual (Mondim de Basto 22 de Outubro).

GRUPOS, CLUBES E ASSOCIAÇÕES

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários (Fundada em 1924 e uma das mais antigas do Distrito). Mondinense Futebol Clube (Fundado em 1924); Grupo Cultural e Recreativo; Basto Radical; Clube de Párapente “Asas da Senhora da Graça”; Rancho Folclórico de Santa Luzia Vilar de Viando; Grupo Folclórico e Recreativo de Vilarinho; Vilarinho Futebol Clube; Atei Futebol Clube; Os Arautas do Bilhó; Clube de Caça e Pesca; Agrupamento de Escuteiros de Mondim de Basto; Grupo de Tamecanos de Mondim; Núcleo da Cruz Vermelha Portuguesa; Núcleo da Associação de Combatentes do Ultramar; Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola EB 2,3/S; Cooperativa Cultural “A Fonte”; Grupo Infantil “Palmo e Meio”; Grupo de Zés Pereiras de Vilarinho; Grupo de Zés Pereiras de Paradança; Grupo de Bombos “Reviver As Tradições” de Atei.

ALGUNS EQUIPAMENTOS

Escolas Primárias 34; Pré Primárias 11; Jardim Infantil; Escola EB 2,3/S; Centro de Interpretação do Parque
Natural do Alvão; Museu Etnográfico/Geológico e Arqueológico; Centro de Saúde; Parque de Campismo; Pavilhão Gimno Desportivo; Parque Florestal; Zona de Caça Municipal; Parque Urbano Municipal; Parque Pólidesportivo; PiscinaMunicipal; Estação de Camionagem; Mercado Municipal; Homenagem ao Homem do Douro Posto de Turismo; Quartel da GNR; Quartel dos Bombeiros Voluntários; Santa Casa da Misericórdia e Lar da Terceira Idade; Parque da Feira; Zona Industrial: Residenciais 4; Restaurantes 16; Adegas Típicas 4; Bares e Discotecas 5; Turismo Rural 3

PRODUTOS LOCAIS

Vinho Verde “Mais recentemente, os encepamentos das vinhas de vinho branco contêm, além do tradicional asal, a pedernâ e a trajadura. No entanto, a casta asai branco é por excelência a casta nobre dos vinhos brancos de Mondim. A ela estão associadas as características de leveza. frescura e a inconfundível “agulha”. E quando no verão, à sombra de uma ramada. o engarrafado se liberta para a vida, sente se o sabor da nossa terra. É de chorar e pedir por mais.” Alfredo Pinto Coelho
“Tintos carregados a tingir a malga, com cor, corpo e alma, das castas vinhão, padeiro de Basto, rabo de ovelha, borraçal e outros mais.” Alfredo Pinto Coelho
Cabrito: “Nascidos no monte, protegidos pela natureza e acompanhados pelo pastor, os cabritos destinados à venda consomem essencialmente leite materno, tendo no entanto à disposição vegetação arbustiva e feno de prados naturais. Nas freguesias de montanha, onde predominam as ericáceas (urzes), as raças autóctones serrana, bravia e seus cruzamentos, vivem em perfeito equilíbrio, dando origem à carne com características organolépticas excepcionais.” Alfredo Pinto Coelho
Maronês: “A vaca maronesa é parte integrante da paisagem e da economia de montanha do concelho de Mondim. Raça de aptidão dupla, além de animal de trabalho, produz uma carne de qualidade excepcional. Quando associados um maneio tradicional e uma idade de abate aconselhada, temos a tal carne magnífica, tão saborosa e tão tenra que até se desfaz.” – Alfredo Pinto Coelho
Mel: “De cor acentuadamente escura, é um mel de néctar de flores, em que se encontra maioritariamente as ericáceas. Produzido pela apis mellifera sp.ibérica, tem óptimos índices de qualidade organoléptica.” Probasto

OUTROS INDICADORES

Eleitores 8252; Área coberta por rede de electricidade 100%; Área coberta por abastecimento domiciliário de água 90%: Rede de Esgotos 25%. Caminhos e Estrada Municipais: Em Cubos 36 Km; Em Calçada 17.850 Km: Em Macadame 140.980 Km; Em Betuminoso 222.200 Km

CONVITE

“Em mil razões me enfinco para trazer Vossas Excelências a terras de Mondim de Basto: O Monte, vulcão rompante, alastra pelas retinas como se fosse explodir; o Rio, rapioqueiro, a esperregar se em cascatas, inventa mil tentações à sombrinha dos salgueiros. Pão e vinho quanto baste um verde de dar estalos e côdeas duma fornada talhada com benzeduras; presunto, mel do melhor, chanfana, peixes do rio, vitela que se desfaz, pão de ló amarelinho… Pedras lavradas e lendas. Tradições e monumentos. Lousa e colmo na moldura do verde aglutinador. Bosques, solares, espigueiros, trilhos guerreiros e castros. O constante da surpresa nas bordinhas do caminho. Das Fisgas não falarei: o choque indiscritível da medonha realidade perderia nas palavras a telúrica dimensão. São quedas impressionantes de deixar cair as horas em divina contemplação. Festas , feiras, romarias, pelos adros e cruzeiros. Um Santiago d’arromba com romeiros amortalhados. Pesca, caça, canoagem, montanhismo, párapente e natação, a Volta sobe à Senhora, o Rallie ronca na Vila, o Parque do Alvão à espreita, há Festas do Padroeiro. Não esgotei complementos, esqueci me dos atributos e perdi os acessórios. Resta me falar dos gorjeios que despertam na aurora e do fresco da levada que nos embala de verão. Estão as portas escancaradas: Bem vindos sejam aqueles que vierem a Mondim!”
Luís Jales de Oliveira, Jornalista e Escritor

In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães – Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt

Preço: 30 euros

(C) 2005 Notícias do Douro

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