Concelhos

Montalegre

legre

IMPRESSÃO GERAL

O Concelho de Montalegre é o segundo mais extenso do país: conta duas vilas (Montalegre e Salto) e 132 aldeias, agrupadas em 35 freguesias. É a grande porta de entrada do litoral minhoto, sendo, por assim dizer, alguém com o coração em Trás os Montes e os braços estendidos ao Minho. É nesta linha de transição que têm lugar alguns dos mais belos trechos paisagísticos de Portugal e onde está implantado o único Parque Nacional de Portugal o Parque Nacional da Peneda/ /Gerês. Miguel Torga fala nos, como ninguém, desse transpor do Alto Minho para o Barroso: “Tranquei as portas da memória e, pela margem do rio, subi aos Carris. Uma multidão minava as fragas à procura de volfrâmio, por conta da guerra e de quem a fazia. Teixos e carvalhos centenários acompanharam me quase todo o caminho. Só desistiram quando me aproximei do cume da montanha, onde a vida, já sem raízes, tenta levantar voo. Agora, sim! Agora podia, em perfeita paz de espírito, estender a minha ternura lusíada por toda a portuguesa Galiza percorrida. Pano de fundo, o mar de terras baixas era apenas um cenário esfumado; à boca do palco reflectiam se nas várias albufeiras do Cávado a redonda pureza da Cabreira e a beleza sem par do Gerês. E o espectador emotivo já não tinha necessidade de brigar com o cavador instintivo que havia também dentro de mim. Embora através da magia agreste dos relevos, talvez por contraste, impunha se me com outra significação a abundância dos canastros, o optimismo dos semeadores e a própria embriaguez que anestesiava cada acto, no fundo necessária à saúde dos corpos individuais e colectivos. Integrava o alegrete perpétuo no meu caleidoscópio telúrico. Bem vistas as coisas, se ele não existisse faria falta no arranjo final do ramalhete corográfico português. Em acção de graças por esta conclusão pacificadora, rezei orações pagãs no Altar de Cabrões, antes de subir à Nevosa e aos Cornos da Fonte Fria a experimentar como se tremem maleitas em pleno Agosto. Estava exausto, mas o corpo recusava se a parar. Pitões acenava me lá longe, de tectos colmados e de chancas ferradas. Não obstante pisar o mais belo pedaço de chão pátrio, queria repousar em terra real e consubstancialmente minha. Ansiava por estender os ossos nos tomentos do Barroso, onde, apesar de tudo, era mais seguro adormecer. Quem me garantia a mim que, mesmo alcandorado nos carrapitos da Borrajeira, não voltaria a ter pela noite fria um pesadelo verde?”
Miguel Torga, Ensaios e Discursos, pág. 26 e 27

Como tantas outras terras do Noroeste peninsular, o concelho de Montalegre, pela riqueza da sua história, pela singularidade dos seus costumes, pela sua centralidade no planalto barrosão, constitui um “melting pot”, um cadinho onde se fundem gerações e gerações, particularidades e acontecimentos, que lhe conferem uma diferenciação na dinâmica social, que a distingue de todas as regiões circundantes. A sua abertura tardia ao contacto com povos e culturas diferentes gerou, nas últimas décadas, fortíssimos processos de mudança, colocando problemas sérios de equilíbrio do indivíduo com o seu ambiente e de apreensão e transmissão do legado cultural. Alteraram se não só os conhecimentos mas também “os interesses, as atitudes, o desenvolvimento do carácter e da sociabilidade e adaptabilidade”. De facto, Montalegre não é hoje o que era há quarenta anos; as relações económicas e sociais mudaram. Não se vive de maneira idêntica, e os quadros de valores também não são os mesmos. Os últimos anos do século XX trouxeram nos novos conhecimentos e muitas e rápidas mudanças com sucessos e insucessos, descobrimentos, fenómenos e transformações que eram impensáveis nas gerações anteriores. Vamos sentar nos no escano, frente àfogueira e recriar uma “viagem virtual”, que retome as referências passadas e presentes, que corporizam e dão sentido ao Concelho de Montalegre de hoje.


A TERRA E A GENTE

Uma cultura é um modo diferenciado de estar na vida por parte de um grupo de pessoas, num local e num tempo específico. A cultura abarca todas as influências que emanam dos valores, normas e crenças. O território está organizado em pequenas comunidades (aldeias) com uma economia de subsistência fortemente baseada em valores, como o interesse colectivo a solidariedade e entreajuda, a propriedade individual, o trabalho, as relações familiares, a ética e a religião. São sentidas ainda as reminiscências da cultura celta, nomeadamente na prática da defesa da família, da propriedade e do entendimento da aplicação da justiça. O volume V do Guia de Portugal dedicado a Trás os Montes e editado pela Fundação Calouste Gulbenkian refere se a Barroso com “uma grande unidade geográfica que estabelece uma transição entre o Baixo Minho e Trás os Montes oriental. No ponto de vista humano apresenta profundas semelhanças com o Minho montanhoso. A pobreza do solo e a aspereza do clima não permitem uma cultura remuneradora dos cereais. Por outro lado, a abundância das precipitações explica a extensão dos magníficos pastos naturais (lameiros), que garantem o sustento de numeroso gado. São as condições excepcionais de solo e de clima que fazem de Barroso a região por excelência de pecuária. As pastagens ocupam os fundos e as vertentes dos vales, ou seja, as terras mais ricas, humedecidas pelas águas de lima, que, conduzidas por um sistema de canais rudimentares escavados na terra, dão à relva uma frescura constante. Mesmo no mês de Agosto, as lamas conservam um tom verde e tenro que não se encontra senão raramente no resto da província. A percentagem de cabeças de gado por hectare (15 por 100 hectares em Montalegre e 14,4 em Boticas) dá nos uma ideia exacta da importância dos bovinos nesta região. O boi de Barroso, de pequena estatura, sóbrio e resistente, é um animal de trabalho. As vacas, ao fim de dois ou três anos, podem servir para o trabalho ou reprodução. Ao contrário da vaca mirandesa, a barrosã é também leiteira. Seu rendimento, porém, nesse aspecto, é pouco elevado, porque, aqui, pretende se, sobretudo, fazê la reproduzir ao máximo. Os lavradores de Barroso, essencialmente criadores, vendem os vitelos aos lavradores do Minho. É aí que o animal dá toda a sua medida, servindo para o trabalho, a reprodução e fornecimento de leite. Os pastos irrigados de Barroso são um dos traços mais característicos da rude paisagem de planaltos, que eles contribuem fortemente para alegrar. Separados quase sempre por biombos de carvalho e muros de pedras soltas, encontram se em geral perto das aldeias, mas estendem se, com frequência também, até bastante longe, a par dos riachos. Aqui não se conhecem as pastagens temporárias de semeadura, alternando com outras culturas, como é o caso do Minho. Se, na concha rural de Boticas, as pastagens alternam com os milhos de rega, na região montanhosa de Barroso a criação de gado faz se independentemente do cultivo agrário e limita se quase exclusivamente a certas pastagens irrigadas que fornecem erva abundante. Deverá, no entanto, acrescentar se que a batata, os nabos e as sobras das culturas dos milhos também servem para o sustento do gado. Nos terrenos mais secos das encostas e dos planaltos, a vegetação pobre que aí se encontra a custo pode servir para o sustento do gado bovino. Essas pastagens (que constituem o que se chama o monte) não servem, em regra, senão para as cabras e ovelhas. O gado caprino, em face da hostilidade dos Serviços Florestais, diminui de dia para dia, tendo já desaparecido de muitas aldeias. Quanto às ovelhas, de raça pequena ou meã, não dão senão uma lã de fibra curta, grosseira e de má qualidade. Em regra, cada proprietário toma conta, individualmente, do seu gado, embora os hábitos comunitários, tão espalhados nos antigos tempos, não tenham de todo desaparecido. Aqui e além ainda se vêem rebanhos comuns, guardados, àvez, pelos lavradores, segundo o número de cabeças que cada um possui. Ao amanhecer, ao som da corneta, que nos faz lembrar os longínquos hábitos dos povos pastoris de ascendência indo europeia, convocam as diferentes parcelas do rebanho. Este, no regresso da pastagem, ao cair da noite, aproxima se da povoação, fazendo ecoar os balidos e os timbres dos chocalhos na solitude destes vastos planaltos. O habitante do Barroso, por vocação, criador de gado, começou a consagrar se a pouco e pouco à agricultura. O centeio, de afolhamento bienal, era o cultivo quase exclusivo e típico da região. Mas o milho exótico acabou por fazer a sua aparição nas alturas de Barroso. Introduzido naturalmente nos vales profundos, mais em contacto com a ribeira, intensificou se o seu cultivo em virtude do acréscimo contínuo de população, em função da qual se tornou necessário aumentar a produção de cereais. Em muitas aldeias de Barroso, o milho alcançou tal importância que o centeio já não ocupa senão um lugar secundário. Nas Alturas colhe se actualmente tanto milho como centeio, quando, há uns trinta anos somente, aquele era, por assim dizer, inexistente. Os espigueiros, que hoje dominam quase todas as aldeias de Barroso, são um claro índice do acréscimo desta cultura. Em Vila da Ponte (a dois passos de Pisões), onde, graças a condições excepcionais, se cultiva uma enorme quantidade de milho, vê se um espigueiro de nove compartimentos, verdadeiro símbolo da prosperidade da terra”. O povo do Concelho de Montalegre e do planalto de Barroso, em geral, conserva ainda, embora de forma crescentemente esbatida, uma estrutura social comunitária. Os coutos mistos, conjuntos de aldeias fronteiriças gozando de vincada autonomia até à marcação de fronteiras entre Portugal e Espanha em 1864, dão nos, por certo, a expressão acabada e sistematizada da forma mais primitiva e original da organização social e dos costumes destes povos. Na Igreja de Santiago, no antigo couto misto de Rubiães, poderá o leitor colher ainda esta informação: “No banco do adro da igrexa (igreja) de Santiago, se reuniam as autoridades do Couto Mixto, para decidir dos assuntos que lhes eram próprios. Numa época em que ninguém escapaba de senhor e amo, estas xentes decidiam sobre o seu futuro. Aqui se xuntaban? o xuiz e os seis honaes de acordo, dous escolhidos por cada aldeia, entre os vecinos. Logo, cada aldeia constituia o seu concelho, capaz tanlém de tomar seus “honres bos” que assistenz os xuiz. Constituese, por lo tanto, unia sociedade altamente comunitária, no que todolas cabeze de família participaban i tio goberno”.


A HISTÓRIA

O Concelho de Montalegre regista a presença do homem desde os longínquos tempos da pré história. Os mais antigos vestígios conhecidos datam de há 4 ou 5 mil anos. As antas ou dólmenes constituem o património vivo de uma cultura neolítica relativamente desenvolvida e de um povo fortemente vinculado à sua terra. São numerosos os dólmenes existentes no concelho. Infelizmente necessitam de um trabalho de sinalização, marcação e protecção. Impõe se um esforço de sensibilização das populações e das escolas, de modo a preservar um património valiosíssimo e raro, que pode constituir uma base notável para atracção de turistas esclarecidos e apreciadores do belo, eterno e único. Da era dos metais chegam até nós preciosíssimos achados: machados de bronze, pontas de lança, instrumentos com forma de garfo, fivelas em bronze e três admiráveis torques de ouro, por certo contemporâneos da civilização castreja. Por volta do ano mil antes de Cristo o concelho de Montalegre era habitado por um povo mal conhecido. Mais tarde chegaram outros povos possuidores de uma forte cultura multissecular. No concelho de Montalegre são referenciados 50 castros, dos quais 35 ao longo da bacia do Rabagão. Este património inestimável encontra se ao abandono. 0 autor recebeu o testemunho de muitos pastores que ocuparam a sua mocidade a vandalizar muros, pedras, recantos, enquanto se divertiam a fazer rolar as pedras encosta abaixo. Outros testemunhos dizem nos de pessoas que ali foram carregar pedra para erguer casas e muros de propriedades rústicas. Tais factos deixam nos estarrecidos. Com um tal património de que mais podemos precisar para fazer desta região um local de atracção turística e cultural sem paralelo? A cultura ibero céltica dos Castros cedeu lugar ao domínio romano, e muitos destes castros foram romanizados ou abandonados com a deslocação forçada dos habitantes para as planícies. A região do Barroso era atravessada pela via romana de ligação entre Braga e Chaves, com três itinerários diferentes constituídos em épocas diversas. Os marcos milenares são prova disso. A densidade de vias de comunicação nesta região tem a ver, por certo, com a intensa exploração de estanho e de ouro, que se estendia desde a serra da Cabreira, ao Vale do Tâmega e Galiza dentro. segundo a fractura tectónica que vem de Lugo até à Figueira da Foz. Trás os Montes e Galiza forneciam então anualmente cerca de 6.000 quilos de ouro a Roma. Isso explica também a forte presença militar (a sétima legião tinha assento em Chaves) para assegurar a exploração e o transporte de tamanha riqueza para a sede do Império. Em Salto, local bastante mineralizado foi feito um achado de 3.000 moedas do século 111, bem próximo das minas da Borralha. Os tempos bárbaros trouxeram à região a presença dos Alanos, Vândalos, Suevos e Visigodos durante 126 anos, desde a queda do reino dos Suevos até àinvasão árabe. Barroso não deve ter registado um domínio permanente dos árabes superior a 40 anos, mas as incursões foram muitas, motivo por que os nomes e tradições mouriscas ficaram aqui profundamente arreigados. Por certo os repovoamentos efectuados a seguir àfundação da nacionalidade têm bastante a ver com este fenómeno. Barroso faz parte integrante do Condado Portucalense, tal como uma substancial fatia do sul da Galiza, devolvida ao rei de Leão por Afonso Henriques, quando da tentativa frustrada da conquista de Badajoz. Foi assinalável a participação de homens de Barroso na reconquista com viva presença em Toledo, no cerco de Sevilha, etc.. Segundo o trabalho de investigação efectuado por José Batista, o escudo de armas dos Barrosos está presente em mais de meia dúzia de locais diferentes da cidade de Toledo. Foi D. Dinis, o rei lavrador, quem ordenou a construção do imprescindível Castelo de Montalegre. Sobre a linha de fronteira edificaram se duas torres de vigilância: a atalaia do Portelo e o Castelo de Piconha, hoje desfeito. Estas eram as únicas fortalezas existentes desde Lindoso à vila acastelada de Chaves. D. Nuno Álvares Pereira casou no Concelho de Montalegre, na freguesia de Salto, com D. Leonor Alvim, viúva de um senhor de Barroso, de avantajado património territorial. Foi, segundo a lenda, no Monte da Corneta, que foram treinadas as tropas que haveriam de combater depois em Aljubarrota. Barroso assistiu ainda à passagem do exército napoleónico, em princípios de 1808, sob o comando de Soult, e no seu regresso, dois meses depois, ferozmente perseguido pelo exército luso inglês, tendo se escapado por um triz, pela ponte de Misarela. No seu recolhimento, afastados dos grandes centros populacionais e políticos do país e separados da Galiza por montanhas pouco acessíveis, os naturais do concelho, excluídas algumas correrias e escaramuças, foram sempre poupados a lutas fronteiriças sangrentas. Os poucos conflitos militares aqui registados revestiram preponderantemente o carácter de acções isoladas, por vezes de tipo guerrilha, ou limitaram se a incursões pontuais com objectivos limitados.

A GEOGRAFIA

Área: 822 km2 ; População 12.792; Vilas 2; Freguesias 35; Aldeias 132.
SERRAS: Larouco 1.525 m; Gerês 1.434 m; Alturas do Barroso 1.262 m; Leiranco 1.152 m; Maciços Montanhosos; Montes Gordo e Ferronho 1.214 m; Alto de Ribas 1.477 m; Coto de Sendim (Sendim) 1.259 m; Cabeço do Vidual (Padroso) 1.272 m; Cabeço do Alto (Sabuzedo) 1.322 m; Alto do Rinchão (Mourilhe) 1.401 m; Pisco (Tourém) 1.393 m; Eurigo 1.276 m; Corujeira (Montalegre) 1.214 m.
Rios: Rio Cávado; Rio Rabagão; Rio Beça; Riacho da Assureira.

CLIMA

O Barroso, que se situa na Zona Climática do Nordeste ou Terra Fria. é uma região de temperaturas extremas, que vão de vários graus negativos no Inverno a mais de 30 graus positivos no Verão, devido à sua localização continental. Os ventos, irregulares e variáveis, conforme a época do ano, constituem elemento muito influente no clima. Por se localizar na chamada Ibéria Húmida o Barroso tem índices pluviométricos elevados com uma média de 100 dias de chuva por ano. A altitude oscila entre 700 e 1.000 metros, exceptuando os pequenos vales. Este clima frio agreste e irregular tem acção benéfica contra as doenças pulmonares, mas não é aconselhável nos casos de insuficiência cardíaca.

LIMITES

Confronta de N. com a província espanhola da Galiza, de O. com o concelho minhoto de Terras do Bouro, de S. e SO, com terras de Vieira do Minho e de Cabeceiras e de SE com o Rio Tâmega, até alturas da Serra de Pinho, servindo lhe o concelho de Chaves de limite oriental.

OS CASTROS

Os castros são a expressão patrimonial visível de uma cultura, no noroeste da Ibéria. Constituem aquilo a que os romanos chamavam “gentilitas” um grupo de famílias aparentadas, que estabeleciam a sua relação na base de uma colectividade sobreposta a qualquer indivíduo. Os povos castrejos alimentavam se à refeição principal do dia de uma espécie de pão de farinha de bolota e de um certo tipo de cerveja.

VIDA COMUNITÁRIA

O comunitarismo agrário de Barroso é um dos últimos testemunhos das organizações comunitárias existentes na Europa, lado a lado com a hierarquia social dominante da Idade Média. Na fundação da nacionalidade o aforamento colectivo foi o dominante em Trás os Montes, ao contrário do que sucedeu no Minho, onde predominou a fórmula dos casais encabeçados, dando origem a realidades económicas e sociais bastante distintas. Dado o fecho sobre si mesmo, a região conservou práticas seculares que perderam sentido e eficácia noutras regiões mais expostas a novas organizações do espaço e do território. O povoamento é concentrado. A aldeia situa se por norma a meio da encosta, predominantemente exposta a sul e rodeada de nabais, hortas e lameiros de rega. Nesta primeira cintura é propriedade exclusivamente privada. Depois segue lhe a veiga de duas folhas uma de batata, outra de centeio, com cultivo alternado. Antes da intensificação da cultura da batata, uma das folhas ficava, em boa parte, de pousio. As terras da veiga são propriedade privada até à ceifa do centeio e de pastoreio colectivo até à próxima sementeira. Os lameiros são propriedade privada, excepto as “lamas do povo” ou “lamas do boi”, que se destinam à pastagem do “boi do povo” ou, como retribuição, a quem o guarde isolado ou juntamente com o seu gado. O monte é de pastoreio livre, quer para rebanhos particulares quer para a vezeira, quando existe. Nas proximidades da povoação há uma área designada por couto, onde apenas os cabaneiros podem cortar lenha que transportam às costas para fazer a fogueira e cozinhar. Por cabaneiros entendem se as famílias que não possuem gado graúdo (vacas ou bois) e por lavradores, aqueles que os possuem. Estes podem deslocar se mais longe para cortar e transportar lenha e mato; os cabaneiros transportam frequentemente a lenha às costas, em molhos desde o local de corte até casa. Para garantir o bom estado dos acessos à veiga e à serra é necessário reparar os caminhos, em particular no final do Inverno/início da Primavera. Os estrumes das cortes são levados às terras que vão ser semeadas e é necessário subir às serras e trazer novas camadas de mato para curtir nas cortes, transformando o em novo e fecundo estrume. A reparação dos caminhos, a limpeza e reparação dos canos de rega, a edificação ou conservação da escola, enfim, os trabalhos de interesse colectivo são objecto de análise e deliberação no “adjunto” ou assembleia da povoação. As aldeias apresentam um modelo consistente, depurado ao longo dos séculos, de uma economia de subsistência, onde entroncam admiravelmente o privado e o colectivo. Cultiva se pouco de cada coisa, em função das necessidades do agregado familiar. A terra não é apenas a propriedade é mais a extensão vital da corrente sanguínea. Havendo largueza, quanto maior for a família melhor, mais braços há para trabalhar. Se não houver desgraça natural (geadas, chuva em excesso ou seca, doenças ou peste), a vida comunitária do lavrador pode chegar a ser bastante satisfatória e até mesmo feliz. A família patriarcal cresce e no seu esteio sobressai uma espécie de fidalguia rural a vender nas feiras os vitelos, vacas e cavalos do seu contentamento e do seu orgulho. Em Barroso “a riqueza mede se pelo número de cornos”, como alguém já afirmou. Mas a vida das aldeias não é esse quadro de felicidade, que ocorre em certas épocas. Ao lado das casas fartas existem muitas famílias com dificuldades, especialmente durante o Inverno, quando o trabalho escasseia. Os “criados de servir” atingem uma considerável expressão no mundo do trabalho, especialmente alta no após guerra, devido à intensificação da cultura da batata. Com ela. a desigualdade acentuou se, os lameiros foram arroteados para produção de batata, os bois e vacas de raça barrosã substituídos por juntas de gado mirandês e penato, as malhas da organização tradicional e comunitária abriram fendas irreparáveis. Os anos sessenta sangraram o que restava, através da emigração maciça para França. Os cabaneiros, descontentes, desempregados, juventude ambiciosa largaram tudo e meteram os pés a caminho. Ei los que partem, velhos e novos… Ficaram os que já tinham uma junta de vacas, pelo medo de as perder. Quatro décadas depois continuam com a mesma vida e, envelhecidos, atravessam as aldeias ainda atrás das mesmas duas vacas, como fantasmas. A estrutura social, o papel da propriedade da terra, as casas, as ruas, as fachadas, o modo de vida, o sistema de entreajuda, a noção de tempo, os ritmos da vida, os mitos e os ritos, tudo parece pertencer já a um paraíso perdido. Muitas destas aldeias vão, por certo, desaparecer, se não encontrarem uma saída (e há tantas) para a situação de abandono em que se encontram. Vistas de longe as casas dos povoados estão tão próximas e as pessoas tão ligadas, que dir se ia que as suas almas parecem nascidas “todas do mesmo ventre” no dizer de Bento da Cruz. De Inverno as aldeias distinguem se a meio da encosta pelos rolos de fumo a soltar se dos beirais de colmo. Na Primavera, pelo cantar dos carros de esterco, a caminho da veiga ou pelo andar lento e cadenciado das juntas de bois a rasgar a terra em sulcos. No Verão, pelo ondear das searas, o cantar dos galos, pelas grandes concentrações de ceifeiros e malhadores a absorver toda a energia da aldeia. Em Setembro chega o arranque das batatas, as sementeiras de Inverno, e mais adiante a matança de porco que é o “dia de festa do lavrador”. Fechados à chave, o palheiro e a tulha do centeio, aguardam se momentos de intenso convívio, o repouso merecido a que alguns chamam “as férias do agricultor”.

AS ALDEIAS

As aldeias são povoadas de 300 almas. Erguem se a meio da encosta, predominantemente voltadas a sul, protegidas do vento norte e, de preferência, próximas de rios ou ribeiras: Vila de Ponte, Frades do Rio, Fiães do Rio, Pondras… são vivos exemplos desta realidade. Abrigam se normalmente nas pequenas bacias da testa do vale, defendidas dos ventos mais agrestes. As casas apinham se umas sobre as outras, como se se protegessem mutuamente das invernias. As ruas são estreitas e tortuosas, onde desembocam becos e onde mal passa um carro de mato. No Inverno fermentam sobre elas os excrementos dos animais, estercos e terriça, tornando as dificilmente transitáveis. As casas são (ou eram), em regra, de propianho ou pedra miúda desemparelhada, enegrecida pelo tempo, e raras são aquelas que denotam algum sinal de riqueza ou de fidalguia do proprietário. O povo mobiliza se facilmente para consertar os caminhos, mas, normalmente, fica indiferente ao estado lastimoso das ruas da aldeia …. “terra quanta vejas, casa quanta caibas”.

AS CASAS

As casas dos lavradores estão perfeitamente adaptadas às actividades agrícolas e pastoris. Sobre o mesmo tecto abrigam se, muitas vezes, animais e produtos da terra. O rés do chão é reservado para a adega, cortes dos porcos, lojas, tudo paredes meias com a corte da rês e cortes do gado. Os estábulos deitam normalmente para um pátio, e, se o recinto é adequado, pode servir também de eira com palheiro e tulha a fechar o círculo. Noutros casos a eira, palheiro e cortes de gado são um conjunto independente e até distante da casa de habitação. A escada exterior em pedra leva à cozinha e a varanda corre toda a fachada, dando acesso ao sobrado de limpo e compartimentos para dormir. A par das casas dos lavradores existem as dos cabaneiros, estas muito mais modestas e apertadas, mas não raramente com mais família para abrigar. Na casa térrea cabe o lar com escano e cremalheira, as camas, uma pequena mesa, uma toucinheira pendurada da trave, uma caixa de madeira de carvalho e vários molhos de lenha ao lado, que uma dúzia de galinhas usa como capoeira. A cobertura de colmo ajudava a conservar o calor noite dentro, o que era fundamental quando é lume de pobre, onde raramente entra cepo de carvalho ou torgo de urzeira.

A CRIAÇÃO DE GADO

No Concelho de Montalegre deveriam existir, antes da florestação, à volta de um milhão e meio de ovelhas e cabras, as quais geravam uma média de 800.000 cabritos e cordeiros, dos quais meio milhão destinado à venda. Aos preços actuais daria uma receita de cerca de 4 milhões de contos, ou seja, 20 milhões de euros. A diminuição brutal do pastoreio originou uma quebra insustentável do rendimento familiar. O gado barrosão foi, desde sempre, a verdadeira riqueza pecuária do planalto. É meão de estatura, sóbrio e robusto, de “cornos infinitos”, no dizer de Miguel Torga; é animal de trabalho e de criação. A densidade de gado bovino em Montalegre era de 15 cabeças por 100 hectares, muito acima da média registada em todo o Trás os Montes. Todos os anos saíam de Montalegre em direcção a Braga, Guimarães e Maia, etc. cerca de 5 a 6.000 vitelos, que aí eram engordados com milho, trevos e fenos, para serem vendidos depois nas feiras do litoral. Aos preços actuais daria origem a uma receita da ordem de 40 milhões de Euros. Em paralelo, o arroteamanto de lamas, lameiros e touças, para produção de batata de semente, reduziu ainda mais a área de pastagem. Estamos a falar do Barroso da década de 30. Com a intensificação da cultura da batata de semente nos anos 40 as coisas mudaram radicalmente. O gado barrosão foi, em grande medida, substituído pelo gado de penato (maronês), mais rústico e resistente ao trabalho, e pelo mirandês, mais corpulento e possante. As juntas de vacas deram lugar às juntas de bois, muitos lameiros viraram plantações de batata e inclusivamente certos bancos exploraram grandes áreas de produção de batata de semente, como por exemplo na Aldeia Nova de Barroso. Passado o impacto da guerra e reorganizada a produção na Europa, Montalegre voltou a experimentar dificuldades económicas, que só a emigração atenuou. As razões são várias: A batata de semente baixou para preços que mal cobriam os custos de produção. Os circuitos de comercialização funcionavam mal (apesar da existência de cooperativas de produtores), e os valores de mercado oscilavam excessivamente de ano para ano; A carne de gado barrosão, sendo reconhecidamente uma das mais saborosas do mundo, não tinha condições para se diferenciar pelos preços (o que só recentemente está a acontecer), face ao crescimento mais rápido de outras raças produtoras de carne. “Uma barragem a mais, três vales a menos”; a construção das barragens roubou mais de 2 mil e setecentos hectares dos melhores vales agrícolas e as indemnizações, sem qualquer preocupação de natureza social, foram simplesmente de miséria. Conhecemos casos em que o valor pago ao proprietário foi inferior ao valor de venda da batata ali produzida no ano anterior; O comunitarismo agrário foi profundamente atingido, os baldios reduzidos, o tecido social destruído, os produtos tradicionais afectados. E então, chega a sangria da emigração para França. A juventude, a alegria, a força de trabalho foram se. França e Alemanha são os grandes destinos, mas também os E.U.A. e outros países. Nos E.U.A. há casos em que certas ruas são conhecidas pelo nome dos habitantes originários das aldeias de Barroso: “rua dos de Negrões” ou de outras localidades, conforme a predominância. Barroso da Fonte cita que só em Bridgeport (EUA) viviam, na passagem do segundo milénio, cerca de 150 pessoas nascidas na sua aldeia natal de Codeçoso; Montalegre sofreu um golpe brutal e a partir de então vive à procura de um novo equilíbrio ainda por definir. As potencialidades existem, mas torna se imperioso aprofundar uma estratégia, que dê sentido e concretize as mais profundas aspirações das suas gentes. Os desequilíbrios são estruturais. Muitos dos seus filhos não encontram aqui condições para afirmar a sua independência psicológica e material, e, por isso, vão procurar outros destinos. E Montalegre ressente se de tudo isto, sem perspectivas concretas, sem projectos, com uma população crescentemente envelhecida a registar uma perda de um terço da população em cada dez anos. O património natural e construído, a paisagem pouco alterada, a qualidade do ar, a calma dos grandes espaços, os desportos aquáticos e de montanha, a qualidade dos produtos, a riqueza da cozinha, a proximidade dos grandes centros do litoral são atractivos que podem constituir um foco de intensa atracção turística. No entanto, é necessário criar uma mentalidade empresarial, mesmo de um tecido de pequenos projectos bem geridos e apoiados, e isso não se revela fácil numa comunidade crescentemente subsídiodependente. Montalegre e todo o Barroso tem ao seu alcance todo o mercado europeu para aí colocar a sua carne de Barrosão, se souber utilizar a informação e o marketing de modo adequado. Falta um plano, falta produção, falta confiança e credibilidade. Nada que não tenha sido feito ao longo do século XIX, com a exportação regular de gado barrosão, em vivo, para Inglaterra, onde os melhores restaurantes colocavam, como atractivo, sobre a porta da entrada o dístico, “Portuguese beef’. Foi igualmente a carne barrosã a dar renome ao mundialmente conhecido “roasted beef’. Este fluxo de exportação sofreu um forte decréscimo, por ocasião da disputa do mapa cor de rosa, tendo se mantido, no entanto, até por volta de 1918.

AS ACTIVIDADES E AS ESTAÇÕES DO ANO

Chegada a Primavera retiram se os estrumes das cortes e levam se às terras de semear e, eventualmente, aos lameiros. Corta se o mato na serra e fazem se camas novas para o gado. Feita a preparação da terra com várias lavouras (decruar, aricar agradar), a semente da batata é lançada nos regos e a terra lavrada em sulcos; isto nas terras maiores e mais planas, porque nas mais pequenas e inclinadas o trabalho é feito à enxada. O mesmo acontece quando se é cabaneiro e não há lavrador que possa emprestar uma junta de gado. Antigamente, feitas as sementeiras da Primavera, ranchos numerosos debandavam rumo a Castela e à Terra Quente, para as “segadas”, e vinham subindo das zonas quentes da planície, de terra em terra, até chegarem ao Barroso, no momento justo em que os centeios e fenos estavam prontos para a ceifa e o corte. Nesta emigração sazonal as moçoilas novas grangeavam uma pequena poupança para comprar o primeiro fio de ouro, cordão ou o primeiro par de sapatos das suas vidas. Entretanto, muitas vezes, arrecadavam também, no seu ventre, o primeiro de muitos filhos, que iriam marcar a sua existência de sacrifício para o resto da vida. Era normal pernoitarem num mesmo palheiro 40 a 50 pessoas, homens a um lado, mulheres a outro, mas, claro, com “lume ao pé da estopa … vem o diabo e sopra”. Estamos então em pleno mês das segadas. Os fenos eram cortados pela manhã fresca pelos gadanheiros. Era um trabalho duro. Faziam se carreios de erva e também, muitas vezes, de suor. A alimentação dos gadanheiros era cuidada, com rojões e assaduras, intervaladas com “parvas”, fatias de pão embebidas em vinho com açúcar. O feno era depois espalhado e virado para secar ao sol. Se o tempo estava de feição, em dois dias ficava pronto para ser engaçado e levado para os palheiros. Se sobrevinha a chuva era um prejuízo quase total. As ervas perdiam o seu valor alimentar e praticamente só ficavam as fibras sem valor nutricional. As segadas eram feitas aqui também em ranchos “de fora”, isto é, a pagar, ou, mais frequentemente, em resultado de uma entreajuda de vizinhos, com retribuições mútuas de dias de trabalho. Juntos os molhos em pequenas “medouchas” e atingido um certo nível de secagem, o centeio é transportado para as eiras onde se ergue uma ou várias grandes medas. A eira é então preparada para a malhada. Recolhe se a “bosta” de vaca em grandes quantidades, é dissolvida em água e espalhada pelo terreiro. Depois de seca faz o efeito de um “asfalto” acastanhado. Antes das máquinas de malhar esta tarefa era efectuada a malho e nas casas grandes chegava a prolongar se por um mês inteiro. Hoje as ceifeiras debulhadoras fazem todo o trabalho de modo rápido e eficaz, mas retiram também às aldeias os mais belos e intensos momentos de convívio e sentido de grupo. Depois de dar a volta à chave do palheiro e do tulhão e feitas as sementeiras de Outono, o agricultor do Barroso, às portas do Inverno, entra na “Primavera do Lavrador”. Limpam se os regos dos lameiros, recompõem se as tornas, e endireitam se as paredes caídas nas propriedades. Se é caçador ou pescador tem agora tempo para os momentos de “lazer”. Entretanto aproximam se as “matanças”. Nas casas abastadas matam se oito, dez porcos ou mais. O porco funciona como um “frigorífico” natural, que vai transformando, ao longo do ano, produtos que são perecíveis em proteínas e gordura. Nos dias anteriores à “matança” parentes e amigos vão à caça para fornecer em abundância a mesa de perdizes, lebres e coelhos. O dia da “matança” tinha um profundo. “O dia de festa é quando o meu pai mata os porcos”. Vive se então um reflexo profundo e antigo da festa da mesa e da repartição do produto da caça, garantindo assim a sobrevivência da família, tal como desde os mais remotos tempos das cavernas. Assaduras, chouriças, chouriços, rojões, presuntos, cabeças, queixadas são um não mais acabar de iguarias da cozinha barrosa, que vão fazer os prazeres da mesa durante todo o ano, até àmatança seguinte. Em casa, com largueza e com braços para trabalhar, não havendo doença ou desgraça, a vida segue feliz os seus dias. Os barrosões tinham frequentemente uma segunda profissão, isto é, dominavam um ofício. Durante o Inverno viravam pedreiros, carpinteiros (eram necessários novos carros de bois, novos arados, grades, engaços e um não mais acabar de instrumentos), soqueiros, alfaiates, capadores, albardeiros, ferreiros, etc.. Muitos outros debandavam em grandes grupos rumo ao Alentejo, onde vinham trabalhar nos lagares de azeite. Alguns autores referem que chegavam a 400 alunos o número de trabalhadores de Barroso envolvidos neste movimento sazonal. Chegavam, compravam um nabal de couves, umas batatas, umas peças de carne e o resto das calorias dava as o próprio lagar. E por ali labutavam até chegar a nova Primavera. O sistema social e económico revelou um grande equilíbrio e consistência até ao aparecimento da cultura intensiva da batata e posteriormente ao abandono em massa da terra, a caminho da emigração. “No Barroso os ricos são todos parentes” dizia me um notável observador de usos e costumes. De facto, os casamentos eram contratados normalmente entre casas das mesmas posses. O filho mais velho casava normalmente em casa e os irmãos tendiam a ficar solteiros na casa para que esta não fosse dividida. Os seus desmandos amorosos tinham como testemunho os filhos nos braços de pastoras e filhas de cabaneiros, os quais, só muito raramente ou por serem forçados a tal, chegavam a ser reconhecidos pelo pai. Nalgumas aldeias o número de filhos ilegítimos equivalia, por vezes, quando não suplantava, o de filhos legítimos. Não admira que já Luís de Camões se referisse à revolta criativa dos filhos ilegítimos de Portugal. Os casamentos eram negociados entre “embaixadores” das famílias interessadas e a intervenção dos noivos era mínima. No dia do casamento os convidados do noivo reuniam se em casa do pai do noivo e os da noiva na casa do pai da noiva. Comiam, bebiam e conviviam ao som do toque da concertina e da voz do cantador contratado para a boda. Na casa da noiva também havia cantador e seriam estes, na tradição antiga, que iriam anunciar os rituais dentro e fora da igreja, para concretizar a celebração do casamento. Àporta da casa da noiva o cantador pedia ao pai da noiva para abrir a porta e deixar que a filha viesse ao encontro da sua nova existência, e seguiam todos com grandes arcos decorados com as respectivas oferendas, rumo à igreja. À saída, os populares lançavam lhes flores e ditos como este que registamos: “Eu escrevo aqui c’o rabo da pirua, que os de Travassos não vêm buscar mais nenhua”.
As “chegas”: As lutas de bois de cobrição, propriedade das aldeias ou de grupos de lavradores da aldeia, são um dos cartazes mais fortes da região. Para além de constituírem um factor de coesão e mobilização das comunidades aldeãs, estas disputas desempenharam um papel importante na selecção da raça barrosã. O boi do povo é o sinal da energia “testicular” das comunidades agrárias do Norte, no qual viram sempre o símbolo da virilidade, da independência e da benção cósmica. As lutas entre os bois eram negociadas e acordadas com todo o rigor: local, dia, hora e demais situações. Quanto ao local pendiase mais para terra mole, quando o nosso boi era mais pesado ou para terreno leve e aberto, no caso contrário. Quanto aos cornos havia a negociar se se afiavam as pontas, se podiam ser introduzidas pontas de aço, ou até o enxerto de pontas de cornos, quando o animal estava mal servido delas. Havia ainda muitos outros rituais, rezas, superstições, saberes ocultos e mezinhas, que poderiam contribuir para um desfecho favorável. Até as mulheres levantavam saias e saiotes vermelhos, para incitar o boi. À hora aprazada entravam no terreiro, ladeados pelos tratadores, armados de varapaus. Seguia se uma luta indescritível de jogos de cornos e marradas, corpos a vibrar até ao extremo, luta sangrenta de carreiros de sangue na disputa, que vai marcar a distinção entre vencido e vencedor. Quando o vencido abandona a luta a aldeia vitoriosa irrompe em gritos e ladeia o seu animal idolatrado. O boi vitorioso transforma se num pequeno deus vivo. O vencido segue, em silêncio, o caminho do talho. Dos vencidos ouvem se, por vezes, vozes roucas a desabafar, numa raiva incontida: “o boi perdeu, os homens …veremos”. As cenas de violência nem sempre são evitadas, mas felizmente são cada vez mais raras.

MONUMENTOS, ACHADOS HISTÓRICOS E LOCAIS DE INTERESSE

De entre os monumentos destacamos: os diversos dólmenes e antas, já assinalados. Estes monumentos tumulares de pedra foram construídos, entre nós, no período que se situa nos fins do Neolítico, com prolongamento pela Idade do Bronze; os castros são povoações fortificadas, localizadas em colinas de difícil acesso e, de preferência, junto a cursos de água, onde os povos viviam em relativa tranquilidade e se poderiam defender de outras tribos. A cultura castreja teve larga difusão no Barroso, como já vimos; as estradas romanas que atravessavam a região do Barroso, fazem a ligação entre Braga e Chaves e Astorga com variantes e itinerários diferentes; os marcos miliários, monolitos que se fixavam ao longo das vias romanas, por vezes, com indicação de nomes e títulos honoríficos. assinalavam as distâncias de 1.000 em 1.000 passos. Dos muitos existentes ainda se conservam os que se encontraram em Vilarinho dos Padrões, Sanguinhedo, Codeçoso do Arco, Lama do Carvalhal e Cruz do Leiranco. Como património medieval construído temos: os castelos medievais, o de Montalegre, o do Portelo e o da Piconha, (hoje em ruínas, conservando se, apenas, a cisterna, no alto do morro, dois lanços de escada e os rasgos de uma rocha, que serviram de alicerces); o Convento de Santa Maria das Júnias de Pitões, dos monges de Cister; a igreja de S. Vicente da Chã, que, segundo a tradição, foi parte de um convento da Ordem dos Templários e que denuncia na parte inferior o estilo românico do século X. São de registar igualmente como locais de grande destaque a Ponte de Misarela sobre o rio Rabagão, entre as povoações de Ferral e Ruivães; as casas solarengas como o Solar dos “Queridos” em Viade e a Casa do Cerrado, residência dos últimos alcaides, de que apenas resta o portal heráldico; São ainda de assinalar alguns achados históricos como um machado de talão, duas pontas de lança e um instrumento garfiforme na freguesia de Solveira, diversos machados de bronze; três torques de ouro da civilização castreja, de fabrico céltico; moedas romanas pertencentes ao tesouro dos “Antonianos” (cerca de 3.000 encontradas em Salto e 15 em Penedones). Também podem ser visitados locais de interesse como os fornos comunitários, as aldeias tradicionais, os coutos mistos, as piscinas naturais do Cabril, os “Cornos das Alturas”, as albufeiras e barragens, a cascata de Pitões das Júnias.

MONTALEGRE

Não há documentos que comprovem as origens desta vila, mas sabese que é muito antiga, provavelmente um primitivo povoado castrejo e depois povoação romana. Diversos achados pré romanos comprovam o povoamento desta terra. O antigo pelourinho tinha as armas de D. Sancho I e D. Afonso III deu lhe foral em 1273, confirmado depois por D. Dinis, e posteriormente por D. Afonso IV (por se ter queimado o documento durante as lutas entre este rei e o rei leonês Afonso XI) e por D. Afonso V. Écurioso notar que entre as testemunhas da entrega do primeiro foral se encontrava Pedro Julião, arcebispo de Braga e futuro Papa João XXI. D. Manuel I promulgou novas leis sobre forais, porque as isenções concedidas a Montalegre se perderam, passando a regerse pelas novas ordenações. Este foral começa por actualizar o contributo da vila de 100 maravedis para 4.850 reais e das aldeias de 800 maravedis para 38.850 reais, de acordo com o número de lotes ou herdades. A tradição diz que existia, a norte da actual Montalegre, um povoado extinto por uma epidemia e que os sobreviventes, se fixaram a sul do Cávado, por se sentirem “alegres” e seguros naquele “monte”. Como imponente sentinela destaca se sobre a vila, o Castelo, monumento nacional, iniciado com D. Afonso III (ou, pelo menos, pensada a sua construção), foi construído no tempo de D. Dinis e concluído no reinado de D. Afonso IV Este castelo medieval teria sido construído sobre as ruínas de uma fortaleza romana, que, por sua vez, se ergueria sobre um castro neolítico. Do eirado do castelo contempla se a largueza planáltica, o vale superior do Cávado e o Larouco, com os seus 1525 metros de altitude.

BARRAGENS

Para o aproveitamento hidroeléctrico de alguns cursos de água têm se vindo a construir grandes barragens em toda a região. No Concelho de Montalegre existem: a Barragem do Alto Rabagão, inaugurada em 1966 que se estende desde o paredão de Pisões até ao extremo do antigo planalto barrosão de Morgade, com uma altura de 90 metros, formando um lago artificial com cerca de 2.200 hectares de área. A sua cota máxima pode atingir os 888 metros, com um volume de água de 565 milhões de metros cúbicos. Também é conhecida por Barragem de Pisões; a Barragem do Alto Cavado está relacionada com um túnel de cinco quilómetros com a Barragem do Alto Rabagão, mas é bastante menor tem uma área de cerca de 46 hectares, com a altura de 89 metros e a cota máxima de 901 metros: a Barragem de Paradela tem uma característica muito própria de construção é feita de rochas acumuladas, a granel e constitui, no seu género, a maior obra de engenharia da Europa. O seu lago artificial tem 540 m de comprimento e 110 m de altura podendo atingir a cota máxima de 740 metros, e um volume de água de 165 milhões de metros cúbicos: a Barragem da Venda Nova foi construída em 1951 e levou à imersão da dita povoação, tendo sido construída uma outra numa cota mais elevada. A sua cota máxima atinge os 700 metros, com um volume de água de cerca de 92 milhões de metros cúbicos.
António Carneiro Chaves Docente do Ensino Superior e Empresário

FREGUESIAS DO CONCELHO


Cabril tem 14 lugares ou aldeias, dista cerca de 50 km da sede de concelho e faz fronteira com o Minho, beneficiando dos sortilégios das Barragens de Paradela, Venda t Nova e Salamonde. Tem 641 um habitantes, com 403 edifícios, dispersos pelos povoados de: Azevedo, Bostochão, Cabril, Cavalos, Chãos, Fafião, Fontaínho, Lapela, Pincães, São Ane, São Lourenço, Vila Boa, Xelo e Xertelo. O lugar mais célebre é o da Lapela, pois foi aqui que nasceu João Rodrigues Cabrilho, na Casa do Americano.
Cambezes do Rio tem 140 habitantes distribuídos por Cambezes e Frades. O facto de se situarem nas margens do Rio Cávado, estas duas aldeias, como todas quantas partilham do mesmo estatuto, têm a expressão “do Rio”. Aqui foi professor primário o poeta barrosão Artur Maria Afonso. E aqui nasceu o Padre António Lourenço Fontes.
Cervos tem uma extensão de 33, 070 km2, para uma população de 327 residentes que ocupa 311 edifícios. Tem os seguintes sete lugares: Arcos, Barracão, Cervos, Cortiço: Fontão, Vidoeiro e Vilarinho de Arcos.
Chã é das maiores freguesias em extensão geográfica: 57 km2 e 927 habitantes distribuídos por 742 edifícios. São as seguintes as suas doze aldeias: Aldeia Nova, Castanheira, Fírvidas, Gorda, Gralhós, Medeiros, Peirezes, Penedones, São Mateus, São Vicente, Torgueda e Travassos da Chã. Até 1836 também lhe pertenceu a aldeia de Codeçoso que actualmente pertence à freguesia de Meixedo. Em Peirezes nasceu o escritor Bento da Cruz. Em Fírvidas nasceu o (falecido) Bispo de Portalegre: D. Carlos Esteves Dias. A igreja paroquial é românica e está classificada como monumento nacional.
Contim tem três lugares: Contim, S. Pedro e Vilaça, com uma população de 100 pessoas que ocupam 89 edifícios. Beneficia do facto de, às portas da freguesia, existir a Barragem do Alto Cávado, também conhecida por Barragem de Sezelhe. É das mais pequenas freguesias do concelho quer em extensão (11 km2) quer em população (100).
Covelães tem 186 habitantes que ocupam 142 edifícios e se distribuem por uma extensão geográfica de 18 km2, agrupando se em 2 lugares: Covelães e Paredes do Rio.
Covêlo do Gerês tem 260 habitantes, distribuídos por três lugares: Covêlo, Penedas e S. Bento de Sexta Feira.
Donões resume se apenas ao lugar do mesmo nome, com 73 habitantes e 81 edifícios. É a mais próxima da vila e também a mais pequena. Foi berço dos artistas “Pintos de Donões”, de vários padres da família Costa, um dos quais o Mons. João Gonçalves da Costa, autor da grandiosa Igreja de N.ª Senhora da Conceição, em Vila Real e da Monografia: «Montalegre e terras de Barroso».
Fervidelas tem somente dois lugares: o da sede e Lamas. São 112 os habitantes.
Ferral tem 644 residentes distribuídos por 8 lugares: Bairro, Ferral, Nogueiró, Pardieiros, Sacozelo, Santa Marinha, Sidrós e Vila Nova de Ferral. Aqui se situa a célebre Ponte da Misarela, em que o sagrado e o profano atingem dimensões inimagináveis.
Fiães do Rio tem mais um lugar: Loivos. A população residente é de 105 pessoas que habitam 137 edifícios. Aqui nasceu Bento Gonçalves, primeiro secretário geral do PCP.
Gralhas tem apenas esse lugar que conta com 234 residentes. Mas já teve muitos mais, como se pode comprovar pelos 346 edífícios. Aqui funcionou (1922/25) o primeiro Seminário da diocese de Vila Real e aqui nasceu o Padre João Álvares de Moura, sobrinho de D. Joaquim da Boa Morte Álvares de Moura, de quem herdou a valiosa biblioteca. Nas suas imediações existiu a cidade romana, conhecida por Ciada.
NIeixedo tem mais um lugar: Codeçoso (conhecido por Codeçoso da Chã). São duas aldeias equivalentes. que repartem 21 km2 de extensão e 266 edifícios para 234 residentes. No lugar do Facho, em Codeçoso, existe um dólmen e a povoação foi atravessada por uma calceta romana que passava nos Pardieiros, Portela de Urzeira e seguia para Chaves, por Meixedo, Gralhas e Vilar de Perdizes. Em Codeçoso nasce o Rio Rabagão que dá origem à Barragem de Pisões. A capela em honra de S. Nicolau é célebre pela sua talha setecentista.
Meixide tem somente um lugar, com 175 habitantes. Confina com o concelho de Chaves e daqui era natural um tal Diogo Peres que lutou em Marrocos, ao lado de D. Afonso V.
Montalegre reparte se pela Portela e pelos Casais, antigo Castro. É a sede do concelho, tem 1822 habitantes e 866 edifícios. Sobressai o Castelo medieval, e a Casa do Cerrado que pertenceu a titulares da Casa de Bragança. Um bonito Pelourinho e o “Carvalho da Forca”, por ali ter sido enforcado o “Bagueiro”, naquela que foi a penúltima execução da pena de morte em Portugal. Merece visita a “Fonte da Mijareta” que tem a alegada virtude de acasalar com um barrosão a donzela solteira, que vinda de fora, beba dessa água. É uma acolhedora vila com várias e confortáveis unidades hoteleiras, com arruamentos modernos, com estruturas ao nível das exigências do moderno quotidiano. Tem um clube de futebol na III divisão nacional. Uma pista para todo o tipo de desportos motorizados e instalações para certames de produtos regionais, como a Feira do Fumeiro ou a Feira da Vitela.
Morgade tem 4 lugares: Morgade, Criande, Carvalhais e Rebordelo. Aí residem 287 pessoas. Situa se juntinho à Barragem de Pisões, dela beneficiando, sobretudo na época do verão, porque pode fazer se uma espécie de praia e entretenimento para os pescadores.
Mourilhe tem mais um lugar que se chama Sabuzedo. Neles vivem 134 pessoas. Em Mourilhe se localiza o Hotel Rural Na Srª dos Remédios que resultou do aproveitamento da Casa do Outão, por parte do Pe Lourenço Fontes.
Negrões tem 196 residentes distribuídos pela sede de freguesia, Lamachã e Vilarinho. Ébanhada, a norte, pela Barragem de Pisões que lhe confere imensa graça. Aqui nasceu António Chaves, um economista que singrou em Lisboa, como docente do ensino superior e empresário, mas que nunca se desprendeu das origens telúricas. Guilherme Pires Afonso é outro filho da terra que brilha como Juiz Desembargador em Lisboa, ao lado do causídico Armando Gonçalves. Daqui foi o famoso Padre Domingos Pereira, celebrizado em Cabeceiras, na Casa da Raposeira, aquando da Causa Monárquica liderada por Paiva Couceiro.
Outeiro tem mais 3 lugares: Cela, Parada e Sirvozelo, com 202 residentes, para uma extensão geográfica da ordem dos 51 km2. Constitui a varanda sobre a Barragem de Paradela que tanta beleza lhe confere, vigiada pela rudeza imponente do Gerês.
Padornelos tem o lugar de Sendim com 151 residentes. Tem um forno do povo muito curioso. E ao lado existe a Casa do capitão, onde Ferreira de Castro, em 1934, se hospedou para escrever o romance < Terra Fria». Ricardo Moura valorizou a aldeia, com um complexo de carácter turístico, já a caminho do Larouco.
Padroso é lugar único que tem 111 pessoas. Aí existe um ponto que alguns confundem com um castro e a que se chama o “Fim do mundo”, por fazer fronteira com a Espanha. Entre Padroso e Padornelos nasce o Rio Cávado. E passou a haver uma estrada que faz ligação com os “nuestros hermanos”.
Paradela tem mais um lugar: a Ponteira, somando 221 habitantes. A barragem. que recebeu o nome da freguesia, tirou lhe o fértil vale, mas recompensou a com uma beleza inconfundível.
Pitões também é aldeamento único. Para nascente e junto a um regato que, a dado passo do seu curso, forma a típica “cascata”, situa se o Convento de Santa Maria das Júnias, que foi célebre na época medieval e que ainda hoje permite ajuizar da sua importância, não obstante o estado de abandono.
Pondras tem 4 lugares: Ormeche, Paio Afonso, Pondras e S. Fins. Somam uma população da ordem das 170 pessoas. Beneficia a freguesia da Barragem da Venda Nova que obrigou àalteração do trajecto da antiga estrada nacional e lhe cobriu alguns troços da via romana.
Reigoso tem os lugares de Ladrugães e Currais, com 231 habitantes. É uma freguesia prejudicada pela Barragem da Venda Nova, por lhe ter roubado os melhores terrenos. Mas recompensou a com a graciosidade paisagística.
Salto é a maior freguesia do concelho, pois os 20 lugares que a compõem somam 1.867 pessoas, o que ultrapassa a própria sede concelhia. Os lugares são: Ameal, Amiar, Bagulhão, Beçós, Minas da Borralha, Caniçó, Carvalho, Cerdeira, Corva, Linharelhos, Lodeiro d’Arque, Paredes, Pereira, Pomar da Rainha, Póvoa, Reboreda, Salto, Seara, Tabuadela e Golas. Sempre teve ilustres filhos, no passado e no presente. Em Reboreda nasceu Leonor Alvim que foi mulher de Nuno Álvares Pereira. As Minas da Borralha constituíram, na segunda metade do século XX, um filão de ouro que valeu a muita gente da região.
Santo André é lugar único. Tem 271 habitantes. Tem um forno do povo todo em granito. Confina com a Espanha, situando se nas fraldas do Larouco, para nascente.
Serraquinhos tem 5 lugares: Antigo, Cepeda, Pedrário, Serraquinhos e Zebral, totalizando 376 pessoas residentes. Emigrou muita gente, alguma bem situada, hoje, na vida, corno, por exemplo: Manuel Moutinho, que tem um “império” na cidade de Bridgeport, nos USA.
Sezelhe tem Travassos do Rio. Os dois lugares somam 146 pessoas. A seus pés fica a barragem do Alto Cávado. Aqui nasceu o Coronel António Dias Vieira, um bom exemplo de barrosão .
Solveira é lugar único, com 214 habitantes. Também emigrou muita gente. Mas é uma freguesia rica e berço de ilustres filhos.
Tourém é lugar único, tem 185 habitantes e está mais próxima da Espanha do que do seu país. Ali bete perto existiu o castelo da Piconha e o Couto Misto de Rubiás. Ali marcou presença a Casa de Bragança. E também o protestantismo. Existem acentuados vestígios romanos, como, por exemplo, a Igreja paroquial.
Venda Nova tem 4 lugares: Codeçoso do Arco, Padrões, Sangunhedo e Venda Nova, somando 401 habitantes. É uma freguesia jovem que beneficiou dos sortilégios da Barragem do mesmo nome, como por ela foi lesada, na medida em que perdeu os melhores terrenos agrícolas. De Sangunhedo foi o Padre Domingos Barroso, autor do «Perdigueiro Português», obra marcante do seu tempo.
Viade de Baixo tem 8 lugares: Antigo, Brandim, Friães, Parafita, Pisões, Telhado, Viade de Baixo e Viade de Cima. Foi nos seus melhores terrenos que se construiu a Barragem de Pisões. Para o bem e para o mal, alterou a vida das populações. Tem hoje 795 habitantes. Tem filhos ilustres. como, por exemplo, o general Jorge Barroso de Moura e todos os seus irmãos.
Vila da Ponte tem mais um lugar: Bustelo, somando 260 habitantes. Ainda hoje tem uma ponte romana, bem conservada, a confirmar o relevante papel da via romana que ligava Braga a Astorga e que tinha um acentuado nó, mais abaixo, em Codeçoso (do Arco). Seguia o curso do Rio Rabagão, até à sua nascente, em Codeçoso (da Chã), hoje pertencente à freguesia de Meixedo. Teve sempre filhos muito ilustres: o Padre Manuel Baptista, continuado por seus sobrinhos: o José Dias Baptista, investigador e autor de inúmeras obras de história local e poesia; o Manuel e o Domingos. O actual Presidente da Câmara de Chaves: João Batista, o Manuel Largo etc.
Vilar de Perdizes é lugar único, mas representativo. Tem 527 habitantes. Foi sempre terra diferente do Alto Barroso, graças ao seu clima, bastante mais ameno. Foi terra de titulares famosos da Casa de Bragança. Modernamente deu lhe fama o Padre Fontes, com os polémicos Congressos de Medicina Popular.
Fica aqui o registo das 35 freguesias e das 132 aldeias que formam o segundo mais extenso concelho do país, ocupando uma área de 822 km2.
Barroso da Fonte, Mestre em Cultura Portuguesa

In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães – Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt

Preço: 30 euros

(C) 2005 Notícias do Douro

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