Concelhos

Ribeira de Pena

AS ORIGENS

Desde os tempos pré históricos que o ser humano achou que este território lhes oferecia condições de vida. O início do povoamento destas terras, só se sabe com certeza que se verifica desde os tempos pré históricos, pois dos primeiros povoadores existem vários legados como o Santuário Ru pestre de Lamelas. Da civilização romana tam bém existem vestígios como as estradas, pontes e vários utensílios. É sobretudo a partir da Reconquista Cristã aos Árabes que existe uma extensa área designada por Pena. Terra que foi doada, entretanto a D. Guedo, o Velho, por Afonso VI quando este ainda era rei de Castela. D. Guedo e de seu pai, Mem Gomes, se diz, descenderem as grandes famílias dos Barrosos, Bastos e Águiares. O primeiro foral de 29 de Setembro de 1331, dado por D. Afonso IV a Terras de Pena, conferiu então aos moradores um prazo para criar a povoação que deveria estar concluída em 1371. Em 1517 D. Manuel concedeu novo foral, fazendo reverter para a coroa as rendas, pensões e foros que até aquele momento eram pagas ao senhorio de Pena. O concelho era então composto pelas freguesias de Santa Marinha, Santo Aleixo de Além Tâmega e Salvador. Em 1853 o território alargou se juntando se as freguesias de Alvadia, Limões e Cerva. Até ao 25 de Abril de 1974 as autarquias não possuíam autonomia administrativa nem financeira. Dependendo quase exclusivamente da agricultura, sofreu a crise tecnológica e social deste sector de actividade, colocando no desemprego e fomentando a emigração de uma grande parte da população. A Revolução de 1974 trouxe a mudança. Surgiram os primeiros elencos autárquicos, eleitos pelos seus cidadãos.


RIBEIRA DE PENA HOJE

O concelho de Ribeira de Pena está integrado no distrito de Vila Real. A norte é limitada pelo Concelho de Boticas, a sudoeste por Mondim de Basto, a norte e noroeste por Cabeceiras de Basto e a nordeste por Vila Pouca de Aguiar. A serra nesta região predomina como os contrafortes do Alvão que fazem a ligação com as temas de Aguiar e pelo maciço de Barroso. O concelho encontra se quase na sua totalidade situado na bacia hidrográfica do Rio Tâmega. O Bessa, o Cerva, o Louredo e o Alvadia são outros rios. É um concelho com características mistas de vale e montanha. Tem uma superfície de 217,6 Km2, distribuído por sete freguesias, faz parte do Distrito de Vila Real e é revestido pelas características associadas a um concelho do interior: envelhecimento progressivo da população, baixa taxa de actividade da população (31% em 1991), serviço de saúde com significativas insuficiências, muitos problemas habitacionais; equipamentos sociais insuficientes, etc. O concelho apresenta um baixo nível de habilitações literárias. Em 1991, a taxa de analfabetismo era de 25,3%, com o ensino básico encontravam se 18,9% da população, com o ensino secundário completo 1,9% e com o curso médio e superior 1,4%, sendo elevada a taxa de iliteracia.

FREGUESIAS DE RIBEIRA DE PENA

Alvadia, Canedo, Cerva, Limões, Salvador, Santa Marinha e Santo Aleixo de Além Tâmega. No seu conjunto têm uma população concelhia residente de 7046, menos 12,9% do que em 1991 que tinha 8504 pessoas. Contudo, o número de famílias entre os dois censos (1991 2001) aumentou: em 1991 tinha 2477 e em 2001 já tinha 2525, o que corresponde a um acréscimo de 1,9%.

PATRIMÓNIO NATURAL

Ribeira de Pena é limitado a Norte pelo concelho de Boticas, a sudoeste por Mondim de Basto, a norte e noroeste pelo concelho de Vila Pouca de Aguiar. É, pois, um concelho de transição entre Trás os Montes agreste e frio e o Minho húmido e verdejante. Deste modo, o concelho de Ribeira de Pena adquire características mistas de vale e montanha, as quais estão espalhadas por várias freguesias. São estas especificidades (em que a Serra do Alvão, o maciço austero do Barroso e os numerosos rios e ribeiras que sulcam as vertentes e fertilizam as terras) que fazem com que Ribeira de Pena seja perpassado por um cenário natural em que o património humano está entroncado numa perfeita e conveniente harmonia. Por exemplo, a região é regulada por um granítico delineado, o que resulta num cenário de grande beleza natural que alberga um recorte paisagístico rico em ecossistemas de fauna e flora. Por outro lado, esta paisagem natural é também recortada pela mão do homem, quando vemos os alinhados muros de pedra solta, os quais se preocupam numa teimosa demarcação e protecção da terra cultivada. Com tudo isto, cria se gado e também este é parte integrante deste quadro campestre, cromático, em que a “alma do viajante vibra e expande se. Se é sensível e observador maravilha se. Outros horizontes, cores, odores, costumes. sabores, excitam, despertam a atenção. É novo. É como um regresso à infância vontade irresistível de experimentar. O corpo reage e renova se e o espírito admira se com as suas ideias atrevidas que fabrica.” (Ader Sousa, s/d). É o caso do Vale de Tâmega (avistado do Alto da Senhora da Guia ou do Alto da Reboriça), do vale de Cerva (estrada da Portela de St. Eulália), do Planalto e do rio Póio, que se vê estando o viajante no Alto de Alvadias, do Vale de Canedo (avistado do Cruzeiro de Penalonga), do próprio deslumbramento que é toda a paisagem envolvente do rio Tâmega, que se vêda estrada panorâmica de Limões a Macieira e de Ribeira de Pena à Ponte de Cavez.

PATRIMÓNIO HISTÓRICO

Gravuras Rupestres de Lamelas: Situam se na freguesia de Salvador. São um conjunto de rochas graníticas esculpidas, onde estão inscritas figuras geométricas e símbolos antropomórficos esquemáticos. Advém provavelmente do período calcolítico à Idade do Ferro.
Cultura Castreja: Lesenho, freguesia de Canado e Monte do Castelo, no lugar de Cabril, freguesia de Cerva, abrangem o período da Idade de Ferro Época Romana.
Cultura Romana: A ocupação Romana deixou vestígios um pouco por todo o concelho. Em Canedo, Santa Marinha e Lesenho tem marcas da ocupação Romana como pedaços de calçada e achados de materiais de construção. O vestígio mais representativo está identificado como ara votiva dedicada a Júpiter.

PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO

Igreja Matriz – Salvador Edifícios Religiosos e civis. Uma parte deste património existente em Ribeira de Pena é de natureza religiosa. , Capelas, igrejas, alminhas e solares sucedem se na paisagem de Ribeira de Pena.
Sepulturas medievais: Situam se na localidade da Póvoa, freguesia de Salvador são sepulturas antropomórficas, de planta rectangular e trapezoidal, esculpidas em pedras.
Pedras medievais: Localizam se em Alvite e Louredo. A ponte românica de Alvite possui dois arcos de volta inteira e pavimento de laje grossa. A ponte de Louredo tem um arco gótico e estreito.
Igreja Matriz do Divino Salvador: Localizada em Ribeira de Pena na freguesia de S. Salvador é o principal monumento da localidade. A fachada é de estilo barroco. Está revestida a azulejo. Os remates das sanefas das janelas e o,; colunelos são em granito. No pórtico frontal situa se a imagem do Divino Salvador. Foi mandada construir por Manuel de Carvalho emigrante no Brasil, natural de Ruival. em cumprimento de uma promessa.
Igreja Matriz de S. Pedro: Localizada em Cerva. De raiz românica, foi posteriormente reconstruída, apresentando características barrocas. No interior sobressaem os altares laterais e as imagens da Virgem do Rosário e de S. Pedro.
Igreja Matriz de Santa Marinha: Localizada em Santa Marinha. Possui duas imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Angústias e um túmulo de pedra com o brasão dos Pachecos de Andrade. Data do séc. XVII.

PATRIMÓNIO TRADICIONAL

Ribeira de Pena é caracterizada pela sua localização de transação entre o Minho e Trás os Montes. Distinguem se dois tipos de casa rurais. As casas de tipologia mais pobres são de uma construção simples em pedra granítica solta e cobertura de colmo ou lousa, sobretudo no Alvão. Nas terras baixas, é vulgar encontrar uma fachada estrita, de rés do chão e primeiro andar de pé direito, mais alto, com sacadas e varandas de madeira pintada e o telhado em telha vã. O primeiro andar destina se à habitação. O rés do chão alojavam se os animais e arrecadavam se os produtos e alfaias agrícolas. Destacam se também na paisagem de Ribeira de Pena as grandes casas rurais e solares pertencentes à fidalguia da província. A casa mais abastada possui uma construção de planta rectangular, com fachadas compridas, com magníficos brasões.
Casa da Temporã: Localizada em Venda Nova, freguesia de Salvador. Foi dote de Nuno Alvares Pereira à sua filha Beatriz por casamento com D. Afonso (filho do Rei D. João)
Solar de Serra de Cima: Localizada na freguesia de Salvador. É do início do séc. XVIII. Possui dois pisos. Tem capela anexa dedicada a Nossa Senhora da Assunção.
Casa da Touça Boa: Localizada no lugar de Caminho, freguesia de Salvador. É um edifício centenário.
Capela da Senhora dos Remédios: Localizada em Lamas. Possui um altar único de talha dourada com imagem da Senhora dos Remédios. Data do séc. XVIII.
Capela da Nossa Senhora da Guia: Localizada no cimo de uma das encostas do Alvão, foi erguida em honra da Padroeira de Ribeira de Pena. Data do séc. XVIII foi mandada construiu por Baltazar Borges de Mesquita.
Capela da Granja Velha: Localizada em Santa Marinha, foi construída em honra da Nossa Senhora da Conceição. Data da primeira metade do séc. XVIII e foi mandada construir pelo padre Lourenço Valladares Vieira, emigrante no Brasil.
Capela de S. Antão: Localizada em Escarei e designada popularmente por capela de S. Romão. Destaca se o sineiro lateral e a escada exterior que dá acesso ao público. No interior, existe o altar lateral contendo uma estátua de Cristo crucificado que a tradição popular retém como sendo S. Romão por ter sido encontrada intacta após um incêndio num campo de silvas. Daí a rebatização desta imagem milagrosa.
Capela de S. Sebastião: Localizada em Cerva. Tem uma torre sineira.
Pelourinhos e Cruzeiros: Existem inúmeros pelourinhos e cruzeiros em Ribeira de Pena.
Casa do Enxertado: Localiza se no caminho de acesso à povoação de Friúme. Foi referida por Camilo Castelo Branco na novela “Maria Moisés”.
Casa de Fontes: Localizada junto da povoação de Friúme. Data do séc. XVIII.
Finalmente, existem também em Ribeira de Pena os moinhos, os espigueiros ou canastros, os relógios de sol, as levadas que conduzem a água para os moinhos ou para os campos, as pontes.

GASTRONOMIA

Existe uma variedade de sabores e aromas.
Peixes: os vários rios e ribeiros de Ribeira de Pena oferecem variados peixes. Uma fritada de peixes do rio com arroz malandro, feito em Maio na altura das lavras ou trutas do rio Beça, fritas com batata cozida. O bacalhau serve se em arroz seco ou malandro, assado com batatas a murro ou em capotes de bacalhau (postas de bacalhau passadas por farinha e fritas)
Carne: o cabrito e a vitela assados são cozinhados em lenha. Estes pratos podem ser acompanhados pelos milhos escarnados (com carne de vaca), esgravatados ( com carne de galinha ), esfuçados ( com carne de porco), ricos (com todo o tipo de carne) ou por um excelente arroz de morcela.
Doçaria: leite creme, rabanadas de mel. Os formigos, os bolos de farinha, as morcelas doces e o sarrabulho doce. O mel puro é apreciado assim como as tradicionais compotas de Agunchos.
Vinho: verde, temperado por um intenso e delicioso sabor a fruto.
José Ricardo e Zulinira Vasques, Docentes do Ensino Secundário

In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães – Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt

Preço: 30 euros

(C) 2005 Notícias do Douro

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