Concelhos

Sabrosa

Web Site da Câmara Municipal
www.cm-sabrosa.pt

SUBSÍDIOS PARA UMA MONOGRAFIA

O Concelho de Sabrosa, como unidade administrativa moderna, foi criado por Decreto Real de D. Maria II, em 6 de Novembro de 1836, sendo Manuel da Silva Passos (ou Passos Manuel) Secretário dos Negócios do Reino. Nesta data seria também a povoação de Sabrosa, elevada à dignidade de Vila. Situado na Zona Sul e na região vinhateira do Distrito de Vila Real, dista desta cidade capital, cerca de 19 Km. O seu território tem como limites: a norte o Concelho de Vila Pouca de Aguiar; a nascente o de Alijó, delimitado em toda a sua extensão pelo rio Pinhão; a sul o rio Douro e Concelho da Régua e a Oeste o de Vila Real. A sua área territorial é de 180 quilómetros quadrados e pouco mais de 7.000 habitantes (censo de 2001). Nascido com a evolução da reforma do liberalismo, iniciada por Mouzinho da Silveira, não aparecerá no início com a importância que posteriormente irá ter. Isto, porque das reformas administrativas, surgidas entre 1833 e 1835, a então Freguesia e sede de Paróquia, cujo orago é o Divino Salvador, aparece ligada ao Concelho de Vila Real. Neste tempo, já estão criados os municípios (modernos) de Gouvães e Provesende, na parte sul e Parada do Pinhão, a norte. Porque algumas personalidades de Sabrosa, passaram a ter peso político nos ministérios e na capital do País, da reorganização administrativa que se vai seguir proposta por uma Comissão, criada para o efeito e presidida por José da Silva Passos, irmão de Passos Manuel, nascerá o Concelho de Sabrosa, por Decreto de 6 Novembro de 1836, integrando cinco freguesias: Souto Maior, Santa Maria de Paços, Vilarinho de S. Romão e Sabrosa como cabeça do novo município. Mas o mesmo diploma, apontava já para o estudo de uma melhor ordenação do País, a que não era alheio o momento político que se vivia. Concelhos apareciam ou desapareciam, consoante as concepções/opções políticas dos governantes, bem como a sua estrutura e designação orgânica. O Concelho de Sabrosa, foi dos que melhor sorte tiveram pois, por duas vezes, viu aumentar o seu território. De facto, em 31 de Dezembro 1853 integra todo o território das freguesias do Sul, por extinção do Concelho de Provesende e dois anos depois, 24 de Outubro de 1855, alarga para nordeste, absorvendo as freguesias de S. Lourenço, Parada e Torre de Pinhão, que antes pertenciam ao de Vilar de Maçada que foi extinto. Esta Freguesia, passará para o município de Alijó. Porém, em 1861, perderá para este, a já importante povoação comercial do Pinhão, na margem esquerda do rio com o mesmo nome. Fica assim constituído, definitivamente, o território do Concelho de Sabrosa, distribuído por 15 freguesias. com importância económica, social e cultural, bastante diversificada e que passamos a referir: para norte da Vila temos, Souto Maior, S. Lourenço de Riba Pinhão, Parada e Torre do Pinhão; a sul ficam as freguesias de Vilarinho de S. Romão, Celeirós, Provesende, S. Cristóvão, Gouvães e Covas do Douro; a oeste situam se Paços S. Martinho de Anta, Paradela de Guiães e Gouvinhas.

O CONCELHO E A SUA HISTÓRIA

Para além deste passado recente do Concelho, o seu território éum espaço cheio de vestígios e tradições, bem “documentado” por toda a parte, mostrando nos que desde os tempos pré históricos o homem o habitou quase permanentemente. Na verdade, a provar isto são as antas ou dolmenes, as povoações fortificadas da Idade do Ferro os Castros , as sepulturas paleociistãs, escavadas na rocha, existentes em grande de quantidade de norte a sul do município. E se por alguns desses monumentos já pouco se pode fazer, outros têm vindo a ser recuperados, protegidos e estudados por especialistas com o patrocínio da Autarquia e institutos ligados á Cultura Nacional, como o tem sido algumas antas e, principalmente, o Castro da Serra do Criveiro, próximo da Vila e classificado monumento de interesse concelhio e onde nas últimas duas décadas, foram descobertas e reconstruídas três ordens de muralhas e uma pequena torre de vigia. São do princípio da nacionalidade a maior parte das povoações do actual concelho, havendo uma Provesende, que remonta mesmo aos tempos da ocupação romana. Esta afirmação, fundamenta se num texto manuscrito, com o título “Eukhyridion de Armaria” do princípio do século XVIII (1720) cujo autor, Dr, Jerónimo da Cunha Freire Botelho, ali nascido e que o Dr José Augusto Pinto da Cunha Saavedra, também filho desta terra utiliza para em 1877/78, escrever a obra “Provesende O Templo Romano de Santa Marinha”. Esta obra, da qual possuímos uma cópia, foi publicada em 1935, sob a responsabilidade de um sobrinho deste, o Dr José Pinto da Cunha Saavedra, que prefacia e suporta a edição. Neste livro, de grande importância para a história do nosso Concelho, pode ler se que uma pequena capela ali existente, hoje em Honra do Senhor Jesus Cruxificado, aparece referenciada no século IV como templo cristão e que teria sido mesquita árabe até à reconquista cristã desta região, (século X XI). Segundo o autor, em 1083 ou 1084, ali se instalaram monges beneditinos, cujos restos do pequeno mosteiro, ainda eram visíveis naquela data (1935). Refere ainda que a estes monges lhe foi feita doação por D. Constança, rainha de Leão e Castela e esposa de D. Afonso VI. Escreve ainda o Dr Saavedra, (do manuscrito), que a mesma doação, depois Carta de Couto, vai ser confirmada por D. Afonso Henriques em 1128 à mesma Congregação que, em 1130, por sua vez o concedem. Provesende Capela de Santa Marinha, actualmente denominada como por testamento, ao Arcebispado de Braga cuja posse mantém até 1834, data da criação do Concelho de Provesende, pelo poder liberal. Voltando ao actual território municipal, sabemos que os monarcas, vão intensificar a organização e povoamento do território à medida que a reconquista se consolida. Deste modo, entre 1160 e meados do século XIII, todas as actuais freguesias eram “coutos” ou “municípios rudimentais”, embora situados em territórios senhorais. Assim, D Afonso Henriques dá cartas de foral, em 1160 e 1162, respectivamente a Celeirós e Covas do Douro; D. Sancho I dará foral a Souto Maior (Janeiro) e Sabrosa (Maio) de 1196 e a Gouvães em 1202, que seu neto D Sancho II, fará a doação desta terra à Arquidiocese de Braga. Julgamos ser deste Rei as doações de parte dos termos de S. Loureço de Riba Pinhão e de Parada do Pinhão, ao Mosteiro de Pombeiro. Torre do Pinhão, embora num lugar diferente chamado de Seides ou Ceides teve foral dado por D. Afonso II, em 1217. Todas as outras povoações mais tarde freguesias, tiveram o seu foral já dado por D. Afonso III. Porém, há duas Freguesias que tiveram um estatuto especial: Santa Maria de Paços e S. Martinho de Anta ou d’Antas. E quer na primeira quer na segunda povoação existiam muitas terras “reguengas” embora geridas por fidalgos e trabalhadas, naturalmente, pelo povo. E isto, talvez, por serem boas de laborar, com muita água e muito produtivas. E não será por acaso que os habitantes de S. Martinho de Anta ainda hoje se designam a si próprios por “soberanos”. De uma forma sucinta, damos um “passeio histórico” pelo actual território do município de Sabrosa. A seguir, abordaremos aspectos mais importantes da sua economia e da sociedade do passado e do presente. ECONOMIA E SOCIEDADE: Antes de entrarmos no desenvolvimento destes aspectos, vamos caracterizar geográfica e geologicamente o município. A norte da estrada, agora municipal, 323, temos a parte granítica; a sul é a zona xistosa, com alguns afloramentos também graníticos. Como não podia deixar de ser, uma região rural, situada com muitas outras, no interior norte do país, a sua economia sempre teve como suporte, uma agricultura de subsistência a que se junta alguma pecuária ligada à criação de gado bovino, para produção de carne e trabalho nos campos, mas também também, caprino e ovino. Esta realidade, aplica se ainda hoje a parte alta (norte e oeste) do território do Concelho de constituição geológica granítica, portante mais pobre. Depois juntou se a exploração florestal de pinheiro bravo que veio substituir os castanheiros e carvalhos, (á medida que estes morrem) para madeiras, lenha e para a extracção de resina. A partir de meados do século passado (1950 /70), a vida das pessoas melhorou um pouco . por um lado, pela contribuição das divisas dos emigrantes, primeiro, do Brasil e depois da França, Luxemburgo e Suíça. Actualmente também a extracção de granito, que voltou a ser muito utilizado na construção civil e se exporta para diversos países da Europa. Esta indústria extractiva veio dar trabalho a muita gente e contribuir para a melhoria económica e qualidade de vida dos que aqui vi vem. Na parte sul do Concelho, de textura xistosa, a cultura da vinha e da oliveira, sempre foi o sustentáculo económico das populações, especialmente a partir dos séculos XV/ XVI, altura em que o vinho e o azeite passam a integrar os produtos mais comerciáveis, com os territórios que vão integrando o Império Português, bem como nas trocas com outros países europeus. Depois da criação, em 1756, da Companhia Geral dos Vinhos do Alto Douro e da sua Região Demarcada, pelo Marquês de Pombal, a riqueza aumenta devido ao incentivo do plantio da vinha e da oliveira, com castas e plantas mais produtivas e de melhor qualidade. O vinho generoso ou fino, ou do”Porto” como passará a ser conhecido internacionalmente, aumenta o rendimento das famílias que se vão fixando na região com reflexos imediatos. A paisagem rural altera se e as povoações crescem com um novo tipo de gentes do país e do estrangeiro, que trazem dinheiro e novos hábitos culturais. Palacetes surgem, com linhas arquitectónicas e de volumetria, como os das grandes cidades, que se vão diferenciar das velhas e pobres casas agrícolas, com as quais coexistem até hoje. São casas brasonadas. resultantes dos vínculos reais concedidos, em que os seus salões em muitos períodos do ano, se enchiam de gente da “alta sociedade”, participando em festas e convívios socioculturais. Do século XV, temos referenciadas duas casas que tiveram vínculo e brasão: uma na Vila de Sabrosa, onde nasceu, por volta de 1480, o grande circumnavegador Fernão de Magalhães; outra a da Praça, em Provesende, mandada construir pelo Cardeal D. Jorge da Costa, que foi Arcebispo de Braga e que a doou a um sobrinho chamado Nuno Gonçalves Gusmão, mas cujo vínculo vem de meados de 1430. (in “Provesende de José Augusto Pinto da Cunha Saavedra). Os séculos XVII, XVIII e XIX, vão ser decisivos na marcha da história económico social desta região alto duriense, cujos reflexos perduram até hoje. De facto, a maior parte das casas solarengas, são construídas entre o último quartel do século XVII e o seguinte; sofrerão grandes beneficiações até meados do XIX; começará a sua queda e degradação, no último quartel deste e princípios do século XX. Estas alterações devem se principalmente a duas ordens de razões: primeiro a extinção dos morgadios pelo líberalismo e a divisão da propriedade fundiária; segundo a morte dos vinhedos pela “filoxera” e a ruína de muitos viticultores. E se a lei dos morgadios, disseminou a pro priedade, a filoxera fez com que muita gente arruinada emigrasse para o Brasil e, mais tarde, para territórios ultramarinos vendendo ao desbarato os seus bens. A nobreza antiga, foi substituída por uma nova, resultante da burguesia enriquecida com o comércio, ou antes também emigrados no Brasil. Assim, os herdeiros de antigos privilégios, viram se substituídos pelos ricos burgueses, que ganham dinheiro na industria e na banca, adquirem prestigio social na política. compram terrenos ou casas senhoriais, a que acrescentam outros adquiridos ao Estado Liberal expropriados às ordens religiosas. Estes novos senhores negoceiam títulos, normalmente de Barão, Visconde ou mesmo de Conde, para dar credibilidade à casa solarenga recentemente adquirida, enfeitam os dedos com anéis brasonados, como nos é descrito por escritores desse tempo. Era na verdade uma nova gente que se impunha, mais pelo dinheiro que pela ascendência, diferente, portanto, dos fundadores dos vínculos, muitos deles F.C.R. (Fidalgos da Casa Real) cujos títulos lhe tinha sido concedidos, na maior parte por merecimento. Enquanto isto, a vida dos trabalhadores do campo não melhorou, porque as crises agrícolas eram frequentes. Depois, a divisão e mudança da propriedade, também afecta os rendeiros e assalariados rurais obrigando estes a deslocarem se para as cidades do litoral, procuram trabalho nas poucas industrias que se vão criando, na construção civil, ou simplesmente esperar que alguma coisa apareça. Começa aqui o princípio da desertificação do interior e até hoje a tendência ainda não foi invertida.

A ECONOMIA E SOCIEDADE DE HOJE

Naturalmente que estas duas vertentes sociais andaram associadas. E se com a segunda grande guerra com a exploração da indústria mineira de volfrâmio, estanho e outros metais, veios trazer dinheiro fácil a muita gente, por outro lado, contribuiu para degradar mais a já incipiente vertente agrícola com o abandono dos campos, situação que se agrava com o encerramento das minas após o fim da Guerra da Coreia e a queda dos preços provocaram a degradação e a situação económico: das populações afectando mais as das aldeias do norte e nordeste do concelho, e até gente de outros municípios vizinhos. É que as minas de volfrâmio da Companhia Mineira do Norte de Portugal e outras, que chegaram a dar trabalho a muitas centenas de mulheres e homens encerraram, lançando no desemprego todos esses trabalhadores. A juntar a isto, a agricultura estava cada vez mais decadente, com a diminuição da criação de gado, a norte, e a quebra da produção de vinho, no sul fizeram o resto. Não restava outra solução às pessoas senão ir à procura de trabalho, nas grandes cidades da país, especialmente, Lisboa, Porto, Coimbra, Setúbal e outras em crescimento rápido, que necessitam de muita mão de obra. Nos anos sessenta é a emigração para o estrangeiro que se acelera, uns legais, outros “a salto”, muitos por causa da guerra nos territórios do ultramar. No entanto, a consequente entrada de divisas vai contribuir para uma relativa melhoria da qualidade de vida, das populações que cá ficam. A alteração do sistema político, surgido com o golpe de militar de Abril de 1974, teve alguns reflexos sociais imediatos. Por um lado, o Concelho, vê algumas aumentar a sua população com alguma centenas de pessoas que vieram dos antigos territórios, bem como dos soldados que ali participavam no conflito; por outro, vieram também provocar mudança sociais, pois a mentalidade de grande parte dessa gente a que se junta também, em muitos casos, uma razoável preparação técnico/cultural, vão contribuir para uma melhoria na procura de soluções para o desenvolvimento do concelho. Porém, devido à situação geográfica do município que, por estar fora dos grandes eixos viários, que cru zam toda a região norte, IP4 e IP3 (este ainda em construção), continuou a não atrair investimento. Recentemente, foi construída uma pequena Zona Industrial, mas os que aqui se fixam, são mais distribuidores do que grandes criadores de emprego. Restanos a esperança, que o IC (itinerário complementar) previsto, iniciado e não concluído, há mais de uma dezena de anos e que ligará a sede do concelho às duas vias atrás referidas (IP3 e 1P4), venha trazer para aqui pequenas e médias empresas e, portanto riqueza ao município. E isto seria bom para fixar gente jovem que aqui nasceram e daqui saem depois de acabar os estudos, por falta de perspectivas. É certo que ultimamente algumas empresas do sector vinícola se têm instalado no município mas é pequeno o valor acrescentado pois quase todas elas estão sediadas ou em Peso da Régua ou no Porto. Portanto, com diminutas mais valias para nós. Entretanto, pelas razões apontadas continuamos a perder anualmente muita gente. Na verdade, o Concelho de Sabrosa, em cinquenta anos, perdeu mais de metade da sua população. Uma outra realidade é que cerca de 45 a 50% dos que aqui vivem, têm mais de cinquenta anos. Acresce que os maiores empregadores são a Autarquia. outras instituições estatais, ou Instituições Particulares de Solidariedade Social. No entanto, o município dá razoáveis condições aos seus filhos ou a outros, para aqui viverem atendendo que: tem água ao domicílio e saneamento em todos os núcleos populacionais. mesmo nos mais pequenos; uma rede viária municipal em boas condições de circulação; transportes escolares organizados, que também servem a população em geral: dois lares de Idosos em funcionamento, com uma capacidade para 50 pessoas e ainda três Centros de Dia que prestam apoio a mais de centena e meia de pessoas carenciadas.

ENSINO E EDUCAÇÃO PRÉ ESCOLAR

 Até 1962, o Concelho tinha uma rede de escolas primárias onde se ministrava o ensino ate à 4′ classe e eram poucos os alunos que daqui saiam para frequentar o Liceu, a Escola Industrial e Comercial ou o Seminário, em Vila Real . Depois de 1962 com a criação do Externato Fernão de Magalhães, ligado àDiocese de Vila Real, a situação mudou um pouco. Embora em 1967/68, o então Ministro da Educação, Galvão Teles, aumentasse a escolaridade obrigatória, para seis anos, o certo é que não havia estruturas físicas para aplicar a lei. A solução encontrada, foi institucionalizar a 6.a classe que se podia seguir na mesma escola, através da Telescola e acompanhada por Professores/Monitores junto dos alunos. Depois a Lei n.° 5/73, conhecida por Lei de Bases de Veiga Simão, ao aumentar a escolaridade para oito anos criou departamentos no sentido da sua aplicação. E assim, que centenas de Escolas Preparatórias, surgem por todo o país em instalações adaptadas, e a funcionar com professores, muitas vezes de habilitações incompletas. Também o município de Sabrosa vê criada a sua Escola Preparatória em 1973 e dois anos depois, uma para o Ensino Unificado ocupam o antigo Externato Diocesano adquirido pela Câmara Municipal. O complementar será seguido inicialmente nas escolas de Vila Real mas partir de 1986, teremos também este nível de ensino. Assim, em 1982, cerca de 1400 jovens frequentam as escolas no concelho: 800 no 1.° ciclo, 350 no 2.° e cerca de 400 no 3.°. Em Vila Real tínhamos no complementar, cerca de 150 alunos. Hoje, apesar de o índice de escolaridade ter aumentado, com uma cobertura bastante boa na educação pré escolar, a taxa dos conseguem completar os nove anos, agora escolaridade obrigatória. é de 80 a 85%. O sucesso no ensino secundário é menor, 35 a 40% E em cada 100 alunos que entram no sistema escolar menos de 5 concluem um curso superior. A diminuição da taxa de natalidade e a desertificação contribuem para que no ano escolar agora findo, frequentassem as nossos jardins e escolas públicas: 142 crianças na educação pré escolar; 302 no 1.° ciclo; 353 nos 2.° e 3.° ciclos e 124 no secundário. Simplesmente preocupante.

APONTAMENTOS HISTÓRICOS, ARQUITÉCTONICOS E PAISAGÍSTICOS DO CONCELHO DE SABROSA E POR FREGUESIAS

Como dissemos, o Concelho de Sabrosa écomposto, por 15 freguesias sendo da Região Demarcada dos Vinhos Generosos: Celeirós do Douro, Covas do Douro, Gouvinhas, Gouvães do Douro, Paços. Paradela de Guiães. Provesende, Sabrosa, S. Cristóvão do Douro, S. Martinho de Antas. Souto Maior e Vilarinho de S. Romão; na região dos Vinhos Virgens do Douro. mas fora da Região Demarcada: Parada do Pinhão, S. Lourenço de Ribapinhão, Torre do Pinhão.

AS FREGUESIAS E A SUA HISTÓRIA

CELEIRÓS DO DOURO: Foi lhe concedido Foral por D. Afonso Henriques em 04/ 12/1160. Possui excelente vinho generoso e óptima fruta. Em 1758, o seu vinho branco foi considerado de “Feitoria” fino. Arquitectura: Casa do Conde de Bulhão Século XIX; Casa dos Botelhos Pimenteis Séculos XVII XVII1; Casa da Fonte Linda casa brasonada. artisticamente trabalhada. Saliente se a capela, uma verdadeira jóia da arquitectura religiosa de meados do século XVIII.; Casa do Bucheiro bonito edifício da arquitectura senhorial, com capela, onde se encontra o brasão: É do Século XIII. e das poucas casas solarengas do Douro, na posse dos fundadores; Casa dos Vilares com brasão, mas do princípio do Século XX; Casa do Padre Fausto com brasão Século XVIII.

COVAS DO DOURO Teve Foral concedido por D. Afonso Henriques em 1162. A freguesia é formada pelas povoações de Pesinho, Chanceleiros, e Donelo. Administrativamente, pertenceu desde 1835 ao Concelho de Provesende (extinto em 31/12/1853), data em que foi integrada no Concelho de Sabrosa. Possui, além de excelentes vinhos da mais alta qualidade. a laranja e a tangerina.Fica situada a 25 Km a Sul da sede do Concelho. Arqueologia: Na Sua área existem notáveis vestígios arqueológicos de um primitivo povoamento remotíssimo. Segundo as informações do Pároco em 1758, “… há aqui um sitio a que chamam Penedo do Sino, por nele terem encontrado um, antiquíssimo. Outro a que chamam de Castelos ou Torres (castros), porque nele se vêem ainda os vestígios de dois; nas circunvizinhanças têm se descoberto em escavações, numerosas moedas de metal (cobre e prata) dos imperadores Adriano e Justiniano”. No lugar de Donelo, sendo uma área xistosa, encontra se uma sepultura no Chão dos mouros de tipologia semelhante à das Touças de Vilar de Celas, freguesia de S. Lourenço de Ribapinhão

GOUVINHAS Teve Foral concedido por D. Afonso III em 1256. A freguesia é formada pelas povoações de Abrecôvo, Gouvinhas e Ordonho. As de Gouvinhas e Ordonho ficam junto à estrada S. Martinho Ferrão e abrigadas do vento norte. Possui, além de excelentes vinho e azeite, saborosa laranja e tangerina.Solo acidentado e profundamente xistoso. Arquitectura: Solar do Dr. Paulo Pizarro de Carvalho e Melo descendente do Marquês do Pombal, com brasão; Solar dos Teixeira de Macedo Morgado de Gou vinhas. São construções do Século XVIII.

GOUVÃES DO DOURO Teve Foral concedido por D. Sancho I em 1202. Mais tarde seu neto, D. Sancho II, doou à Arquidiocese de Braga. Fica situada na encosta da serra de S. Domingos, perto de um dos seus cumes. A povoação está disposta em cascata. Dela se avista um magnífico panorama das margens dos cursos do rio Pinhão e Douro. O Concelho de Gouvães do Douro (moderno) foi criado em 1833, extinto em 1835, sendo incorporado no de Provesende. Produz vinho e azeite da mais alta qualidade. Arquitectura: Pelourinho Imóvel de interesse público (Decreto 23126, de 11/10/1933). É do género dos chamados de gaiola. Caiu com um temporal em 1874, mas o povo reconstruiu o imediatamente. Possui fuste cilíndrico, liso, capitel volumoso onde se apoia a gaiola. Casa Grande com bonito brasão junto da Igreja Matriz. Existe uma outra com brasão mas já em ruínas. Ambas não pertencem às famílias fundadoras. PAÇOS Segundo a tradição, as terras que constituíram a sede da freguesia eram “reguengas” e que D. Afonso Henriques teria ali um Palácio de onde deriva o nome. Teria recebido Foral por D. Pedro I. A freguesia de Paços, fica situada a cerca de 1 Km da sede do Concelho e abrange as povoações de Fermentões, Paços, Sobrados e Vilela. Arquitectura: Possui alguns bons monumentos da nossa arquitectura solarenga. Casa do Bandeirante Afonso Botelho com pedra de armas e de arquitectura inédita Casa das Quintãs óptima casa solarenga, com brasão e capela. Nenhuma destas casas pertence hoje aos fundadores. No lugar do Assento onde se encontra a Igreja matriz do século XVIII, existia no século XIX um pequeno mosteiro de religiosas, podendo ainda hoje ver se as suas ruínas.

PARADELA de GUIÃES Foral dado por Afonso III em 1256. Povoação junto àestrada que liga S. Martinho de Anta ao Ferrão é das freguesias do Concelho que mais idosos tem. A população mais jovem está emigrada em França, Suíça e Alemanha. Arquitectura: Casa dos Pessanhas Lindo solar com brasão de século XIII,. P. Fontenário Barroco com água de boa qualidade.

PROVESENDE Couto da Sé de Braga até 1834, foi vila e sede do Concelho no período entre 1835 e 1853, altura em que integra o Concelho de Sabrosa. É uma das mais antigas povoações de Portugal, pois já existia no reinado de D. Afonso VI de Leão (Séc. XI). Bons vinhos, azeite e excelentes miradouros. É a freguesia mais artística e de maior interesse arquitectónico do Concelho. Arquitectura: Igreja Paroquial Século XVIII, bom templo de uma só nave. Foi edificada no local da velha matriz. Pelourinho Imóvel de interesse público (Decreto 23126 de 11/10/1933). Possui 5 degraus de forma de oitavada e coluna monolítica, coroada por gaiola quadrada. Fonte Com armas reais e insígnias arquiepiscopais, que datam de 1755. Casa da Praça Século XV A mais antiga casa brasonada de Provesende. Está muito degradada. Casa do Santo Século XVIII. Ainda na posse da família fundadora Casa do Vale Século XVIII. Casa do Campo Século XVIII em ruínas. Casa do Belezas Século XVIII/XIX da melhor arquitectura do distrito. Está razoavelmente conservada, Casa do Terreiro Século XVIII.Casa da Calçada Século XVII e reconstruída no século XVIII. Também está na posse da família fundadora do vínculo. Casa do Cimo da Vila Século XVIII. Casa do Fundo da Vila fundada no século XVIII por um descendente de Diogo Cão o descobridor de Angola. Foi destruída por um incêndio e reconstruída no Século XIX. Casa dos Cunhos do Amaral ou de Santa Catarina Século XVIII.Capela de Santa Marinha Foi templo romano pagão e depois talvez o primeiro templo cristão nestas paragens. Depois terá sido mesquita e novamente cristão no século XI, altura em que foi doado aos Congregados Beneditinos que ali se fixaram. Actualmente éconhecida como a Capela do Senhor Jesus Cruxificado. Arqueologia: Castro no alto da serra de S. Domingos com muralhas em xisto, mas muito arruinado. No cume foi erguida a Capela de S. Domingos. Cemitério Luso Romano Imóvel de interesse público (Decreto 30762 de 26/09/1940). Foi destruído nos anos cinquenta para plantação de uma vinha. SABROSA Teve carta de foral em 1 de Maio de 1196, concedido por D. Sancho I Vila desde 1836, data da criação do Concelho, dista de Vila Real sede do Distrito, 19 km. Encostada à serra do Criveiro está abrigada do norte e voltada a sul. Possui excelentes vinhos sendo o branco muito apreciado. Em 1758, foi considerado como feitoria. Arquitectura: Igreja Paroquial Estilo barroco maneirinho, construída no século XVIII, no lugar onde existiria a Capela de Ferrão de Magalhães e a que se refere no seu testamento. Edifício da Câmara Municipal era solar da família Barros Lobo, que o doou quando da constituição do município em 1836. O seu Brasão tem as mesmas peças da outra casa em frente, também da mesma família e que ainda está na posse dos descendentes seus fundadores. Casa da Comba belo edifício com Capela e brasão. Solar dos Canavarros foi a mais imponente e maior casa solarenga de Sabrosa. O brasão foi mandado destruir pela antiga proprietária aquando da execução da hipoteca, por divida, no primeiro quartel de século passado. Há anos adquirida pelo município, é hoje um hotel 3 estrelas. Casa da capela Foi da família Pinto Pizarro Gama Lobo. Casa dos Azeredos Pinto com Capela privativa. Casa da Pereira onde nasceu o navegador Ferrão de Magalhães. Num dos cunhais existe um brasão picado, diz se, por ordem de D. Manuel I. Casa do Navegador que se supõe ter sido pertença de Ferrão de Magalhães. É do final do século XV, possui uma janela ornada com dois pequenos padrões, em alto relevo e duas rosas dos ventos ( motivos náuticos). Fica defronte da Igreja Matriz e próximo da Casa da Pereira. Casa dos Correias Marinhos a mais antiga casa brasonada da vila, depois da de Ferrão de Magalhães.Casa dos Teixeira Lobo com brasão. Arqueologia: Castro Imóvel de interesse público (Decreto 251/70 de 15/05/1970). Vulgarmente conhecido por Castelo dos Mouros, está situado na extremidade orien tal da Serra do Criveiro, a 2 Km da vila, sobranceiro à estrada 323. A sua cota é de 665 m. Dele se desfruta vasto e maravilhosa panorama e por base serpenteado rio Pinhão. S.

CRISTOVÃO DO DOURO Pequena freguesia resultante de um diminuto núcleo de povoadores que ali se fixaram no século XIII. Inicialmente integrado no couto de Provesende, passou mais tarde a ser anexa da Paróquia e couto de Gouvães. Atingiu o estatuto de freguesia e Paróquia independente em 1834, quando da criação do Concelho de Provesende e em 1853 passará para o de Sabrosa, por extinção daquele. Produz vinho e azeite de qualidade. Orago de S. Cristóvão

S. MARTINHO DE ANTA A antiga povoação de Anta, agora povoação anexa a S. Martinho, recebeu foral de D. Afonso III em 1255. As terras de S. Martinho eram “reguengas”. Julga se que D. Manuel 1 lhe deu carta de foral em principio do século XVI. A freguesia de S. Martinho d’Anta é constituída pelas povoações de Anta, Garganta, Roalde e S. Martinho d’Antas. A sede da freguesia situa se na estrada que liga Sabrosa a Vila Real. Dista da Sede do Concelho 5 Km. Foi recentemente elevada à categoria de Vila. Arquitectura: Capela de Nossa Senhora da Azinheira com precioso retábulo em talha, pintada artisticamente, possui o tecto, em caixotes. É do Século XVII/XVIII. Arqueologia: Necrópole Romana situada entre Garganta e Vilar Celas. Ainda se pode observar alguns sarcófagos.

SOUTO MAIOR A freguesia abrange as povoações de Feitais e Souto Maior, fica a 5 Km norte da Sede do Concelho. Fazendo parte do Senhorio de Panóias recebeu Carta de foral, dada por D. Sancho I em Janeiro de 1196. Porém a instituição Paroquial, é posterior ao século XIII, pois então pertencia à Paróquia de S. Lourenço de Ribapinhão. Foi vigararia, apresentação da mitra (do reitor de S. Lourenço de Ribapinhão) passando mais tarde a Reitoria. Arquitectura: Igreja de Santa Comba, Construída no século XVIII (1719).

VILARINHO DE S. ROMÃO Teve foral dado por D. Afonso III em 1258. A freguesia é formada pelos lugares de Paradelinha e Vilarinho de S. Romão. Dista da Sede do Concelho 3 Km. Arquitectura: Solar do Visconde de Vilarinho de S. Romão com Capela e pedra de armas. Foi restaurada em 1872. Solar do Barão das Lages e Casa Grande dos Queirós de Sousa, ambas do século XVIII.

PARADA DO PINHÃO Teve Foral Concedido por D. Afonso III em 1256. Freguesia do Concelho de Sabrosa, situada a norte da vila. No seu termo coexistiram terras coutadas ao Mosteiro de Pombeiro. Foi Concelho de 1834 a 1836, data em que se integra no de Vilar de Maçada. A partir de 1855 passa para o de Sabrosa. Arqueologia: Muragalho do Corisco relevo granítico, alongado no sentido N.S. com boas condições naturais de defesa. Um amuralhado extenso, apenas incompleto junto aos afloramentos, define um espaço de planta aproximadamente rectangular, com cerca de 300 m de eixo maior e 100 m de eixo menor. A muralha, exclusivamente construída em pedra, apresenta ainda em alguns troços cerca de 2 m de altura e 3.60 m de largura; no sector oriental, junto a um bem conservado pano de muralha, situar se ia uma possível entrada a que se tem acesso através de um caminho empedrado. S.

LOURENÇO DE RIBA PINHÃO Foi Couto do Mosteiro de Pombeiro e depois subsidiária da Arquidiocese de Braga. Esta freguesia é constituída pelos lugares de Arcã, Delegada, Paredes, Saudel, S. Lourenço de Ribapinhão, Vale das Gatas e Vilar de Celas e está situada a 8 Km da sede de Concelho na estrada n°323 que liga Sabrosa à Valsa. Arquitectura: Nesta freguesia existem várias casas nobres e brasonadas. Igreja Paroquial, do estilo romano gótico, sendo a parte mais antiga dos finais do século XIV Santuário de Nossa Senhora da Saúde, local de peregrinação é tutelado por uma linda capela do século XVIII. Arqueologia: No lugar da Arcã, existe a mais imponente das Mamoas Madorras I que foi recentemente escavada por técnicos do Instituto “Mendes Correia”, Porto. Nas TOUÇAS, em Vilar de Celas, localiza se um dos mais importantes conjuntos de sepulturas não antropomórficas, constituído por 5 monumentos, alguns dos quais geminados, abertos directamente no afloramento granítico ou em blocos soltos do mesmo tipo de rochas; este cemitério rupestre apresenta ainda a característica interessante de se encontrar associado a pedras fincadas, que poderão corresponder a telas sepulcrais. Um outro núcleo situa se no lugar de Arcã no sitio localmente conhecido por “CHÃO DAS VELHAS”.

TORRE DO PINHÃO É a Freguesia mais ao norte do Concelho. Povoação medieval que recebeu foral por D. Afonso II em 1217, mas com a designação de Ceides, lugar um pouco distante da actual sede da freguesia. Pertenceu ao Concelho de Vilar de Maçada até à extinção desde 31/12/1853, passando então para o de Alijó e, a 24/10/1855 para o de Sabrosa. A antiga freguesia depois de estar anexa à reitoria de S. Lourenço, foi vigararia da apresentação do arcebispo de Braga, antes de ser reitoria independente. Arquitectura: Igreja de S. Tiago Século XVII. Arqueologia: Na freguesia da Torre do Pinhão existem várias mamoas e castros, devidamente localizados. mas nunca foram estudados.

Fernando Martins de Freitas Licenciado em História com Pós Graduação em Administração Escolar e Professor do Ensino Secundário, Sabrosa, Julho 2002

In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães – Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt

Preço: 30 euros

(C) 2005 Notícias do Douro

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