Concelhos

Torre de Moncorvo

Web Site da Câmara Municipal
www.cm-moncorvo.pt

LOCALIZAÇÃO E HISTÓRIA

Torre de Moncorvo é um concelho da margem direita do Rio Douro, situado a Sul do Distrito de Bragança e enquadrado na subregião do Douro Superior. É uma terra do Norte de Portugal, separada da Beira Alta (Vila Nova de Fozcôa) pelo Douro, cuja Vila foi edificada no sopé da Serra do Reboredo que a protege a NE. Essa linha de separação que o Douro naturalmente demarca foi sempre muito importante, já que ali se situavam as célebres Barcas do Pocinho que serviam para comunicação entre as duas regiões de Portugal. É uma extensa linha que vai desde o concelho de Freixo de Espada à Cinta (limite de Ligares deste concelho com Urros e Peredo dos Castelhanos de Moncorvo), até ao de Carrazeda de Ansiães, no sentido da Foz, e cujo marco de divisão de território é no lugar de Cadima, entre Lousa (de Moncorvo) e Vilarinho da Castanheira (de Carrazeda de Ansiães). Faz fronteira com o concelho de Alfândega da Fé a N e NE, o de Freixo de Espada à Cinta a Este, o Rio Douro a Sul, o concelho de Carrazeda de Ansiães a Ocidente e o de Vila Flor a Noroeste. Dista cerca de 100 quilómetros de Bragança e é servida pela estrada nacional que segue para a Guarda, tendo o perfil de IP2 (apenas na área concelhia desde a Ponte do Sabor ao Pocinho, marginal ao Rio Douro). Fica a igual distância de Vila Real e da Guarda. Mirandela está a 50 quilómetros. É um concelho integrado na zona de Trás os Montes e Alto Douro, e fazendo parte da região da Terra Quente Transmontana. Contudo, fica já na sub região designada por Douro Superior, tal como Freixo de Espada à Cinta da mesma margem, ou Vila Nova de Fozcôa da margem esquerda. A actual sede de concelho nasceu e desenvolveu se devido a factores de ordem climática, de insalubridade e de defesa militar. Com efeito, o concelho tem as suas origens no concelho medieval de Santa Cruz da Vilariça, na margem esquerda da Ribeira da Vilariça, numa elevação de cerca de 240 metros sobranceira a essa Ribeira e ao rio Sabor, virada para nascente. Com as invasões árabes e os ataques de autêntica barbárie ali praticados, devido a uma melhor situação defensiva que era necessário ter, aquele local é abandonado no século Xlll e transferida a sede de concelho para o sopé da Serra do Reboredo onde hoje se situa. O povo diz que foi uma praga de formigas e os incomodativos mosquitos dos charcos de verão da Vilariça que provocavam febres e sezões, a causa do abandono do local de Santa Cruz (ver Lenda de Moncorvo na parte final deste trabalho). D. Dinis dá Foral a Moncorvo em 1285, dota a de Castelo e muralhas e cria uma feira anual para que durasse um mês sendo das maiores de Trás os Montes. D. Manuel em 1512 confere lhe outro. Moncorvo transforma se, no Antigo Regime, numa Comarca de extensão considerável e das mais importantes na região norte. Ia de Chaves até Amarante e comportava 26 Vilas e 182 freguesias. Mesmo com a organização Judicial em 1767 que baseava a divisão do País em 23 Correições, Moncorvo manteve se como Correição. Em 1821 a Comarca de Moncorvo tinha ainda Vinte Vilas das 26 que já tivera, e, em 1822, nas eleições dos deputados às Cortes, Moncorvo foi uma das 26 divisões eleitorais de Portugal. É ao longo do século XIX que a constituição administrativa do concelho se edifica com o número de freguesias que hoje tem. Em 1802 tinha 13 freguesias. Em 1836 o concelho de Mós é extinto e, juntamente com Carviçais passa para Moncorvo. Com a Reforma de 1853 o concelho de Vilarinho da Castanheira é extinto e as povoações de Castedo e Lousa são integradas no de Moncorvo. Só a partir dos iras do século XIX é que fica a ser constituída pelas 17 freguesias que hoje mantém, com as suas anexas, como foi o caso de Vide vinda de Vila Flor e integrada na freguesia de Horta da Vilariça, ou de Junqueira, Estevais e Nozelos vindas de Alfândega da Fé e integradas na Adeganha, e ainda Cabeça de Mouro deixa de ser freguesia e fica anexa à Cabeça Boa. Palco de lutas várias, por exemplo as Fernandinas no século XIV, as da Restauração no século XVIII, a Guerra dos 7 anos em que Portugal se vê envolvido pelas decisões arbitrárias do “Pacto de Família” e a que Moncorvo não aderiu, sendo invadida e saqueada pelo exército franco espanhol comandado pelo General Sárria em 30 de Abril de 1762. Depois é nas invasões francesas onde se mostra de novo o patriotismo dos moncorvenses ao apoderarem se das barcas e passagens do Douro, evitando que os franceses avançassem para Norte do Douro e invadissem Trás os Montes, como o General Loisson se preparava para fazer a partir de Almeida. Foi a 17 de Junho de 1808. Moncorvo fora ainda ocupada por muitos judeus fugidos de Foz Côa, o que chegou a provocar graves lutas no século XIX entre as duas povoações e após as lutas liberais. Eclesiasticamente foi da Arquidiocese de Braga. No século XIX Moncorvo era um Vicariato constituído pelos concelhos de Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Moncorvo, Mogadouro, Vila Flor, Alfândega da Fé, pela maior parte do concelho de Mirandela incluindo esta, e ainda pelas freguesias de Lombo e Peredo com as suas anexas do concelho de Macedo de Cavaleiros, num total de 124 freguesias. Mas já em 1881 Braga havia perdido 107 freguesias a favor da Diocese de Bragança e Miranda, unidas pela Bulla Romanus Pontifex de Pio VI em 27 de Setembro de 1780. Registe se que em 22 de Maio de 1545, Paulo III criava a Diocese de Miranda do Douro. A 7 de Março de 1764 D. Frei Aleixo de Miranda Henriques transfere a Sé Episcopal para Bragança, e a 10 de Julho de 1770 é dividida em 2: Miranda e Bragança. Apesar disto, Moncorvo havia continuado a pertencer a Braga. O Vicariato de Torre de Moncorvo foi extinto por D. José Alves Mariz por provisão de 7 de Abril de 1888. O crescimento urbano foi uma característica que a acompanhou com o andar dos séculos de tal forma que encontramos, a partir da Idade Média, Moncorvo extra muros e com uma dimensão razoável para a época. A Praça era civil mas também comercial. Ali se tornava obrigatório passar ou ir para tratar de todos os assuntos, de todos os negócios. Os Solares implantam se e demonstram a riqueza dos seus proprietários e, simultaneamente, a importância da Vila.

ÁREA GEOGRÁGICA

O seu território tem uma área de cerca de 533,77 quilómetros quadrados e abrange zonas de planície fluvial, como o Vale da Vilariça atravessado pela Ribeira da Vilariça e na parte sul pelo Rio Sabor; zonas planálticas como a do Castedo/Lousa, o Planalto de Carviçais, o Planalto da Cardanha, o de Urros, e zonas montanhosas como a Serra do Reboredo que atinge mais de 850 metros, e ainda as Serras de Adeganha, Lousa, Felgueiras, Monte da Mua (Felgar). As freguesias cuja extensão geográfica apresenta maiores valores são: Carviçais (64,19 km2), Mós (58,69), Urros (57,43), Adeganha (48,96). Entre as de menor extensão estão: Souto da Velha (12,38 km2), Horta da Vilariça (14,58), Cardanha (15,51), Maçores (16,4), Castedo (17,79) e Peredo dos Castelhanos (17,83).
MORFOLOGIA Tem vários Cursos de água, destacando se a Ribeira da Vilariça e o Rio Sabor que se espraia no Douro na Foz do Sabor, zona piscatória tradicional e porto fluvial doutras épocas que servia para cargas e descargas de mercadorias da região ou para seu abastecimento usando o Douro como via de comunicação, particularmente o Vinho do Porto. O rio Douro é igualmente um curso de água importante para o concelho, dado que banha as freguesias de Peredo dos Castelhanos, Urros, Açoreira, Moncorvo, Cabeça Boa e Lousa, servindo também para dar gosto especial a outras culturas, como é o caso do vinho que, em certos locais chega a atingir mais de 16 graus de álcool. Os seus vales e encostas estão bem arborizados, e são atravessados por ribeiras e ribeiros que os vão tornando férteis. 0 Douro atravessa o sul do concelho em considerável extensão, na maioria da qual entre curvas e vales profundos constituídos por íngremes e rochosas encostas de montanhas elevadas. Como o Monte Meão (margem esquerda) e a Fraga ou Castelejo (margem Direita), que, logo a seguir à Foz do Sabor apertam o rio onde sempre se tornou difícil navegar, até ao Saião, onde se alarga um pouco mais para dar lugar a veigas de Vinho do Porto. O seu clima divide se em 2 micro climas com as zonas mais próximas do Douro e as do Vale da Vilariça e rio Sabor a atingirem temperaturas elevadíssimas no Verão (superiores a 40°), e as zonas das Serras, mais altas, a apresentarem temperaturas inferiores a zero graus durante o inverno. Daí o ditado popular local “nove meses de inverno e três de inferno”, por ser terra de extremos, em que a neve e o gelo mostram também a sua brancura nos meses de Dezembro e Janeiro. Os contrastes estendem se à geologia do terreno, sendo grande parte deles, até meio das encostas da Vilariça e Douro, essencialmente xistosos, enquanto que nas partes mais altas dá lugar a abundante granito, puro e rijo.

POPULAÇÃO/ELEITORES

o Concelho de Moncorvo tem vindo a perder população tal como outras terras do nosso interior transmontano. Através dos Censos oficiais concluímos que em 1960 foi aquele em que atingiu maior número de pessoas: 18.741 habitantes. Daí até agora a descida foi clara, com 10.969 habitantes em 1991 e uma densidade de 19,26 h/km2 e, em 2001, tem 9.920 pessoas, o que dá 18,6 h /km2. O número de eleitores era 10.988 em 1991, mas em 1997 eram 10.866. O que quer dizer que há muitos eleitores que residem fora do concelho.

SUBSISTÊNCIA/ECONOMIA

Sempre foi tradicionalmente rural e agrícola. Esta actividade ligada à pecuária e pastorícia, com a silvicultura e apicultura serve de base àeconomia local, em grande parte de subsistência. A época das fábricas de seda, da Cordoaria, da exploração do ferro, volfrâmio e outros minerais já fica esquecida no tempo. A azeitona e o fino azeite que produz, o bom vinho maduro, mas também o generoso e a geropiga, a amêndoa, são produtos que geram muita riqueza para as suas gentes. Mas também havia grandes quantidades de figos, de nozes, de castanhas. Frutas diversas das quais se destaca o melão e a melancia da Vilariça, as pêras e maçãs, o pêssego e a laranja, hortaliças diversas: couve, feijão, alface, pimentos, pepinos, cebolas, etc., mais a batata, o grão-de-bico e o tremoço são também produzidos nos seus terrenos. Na Vilariça há quem tenha feito experiências interessantes de plantação doutras espécies importantes, como é o caso do tabaco que ali tem encontrado condições de desenvolvimento. A pecuária é igualmente ainda usada para enriquecimento económico, em particular o gado ovino, caprino e bovino, com algumas explorações interessantes na zona de Carvalhal. Mas a economia de Moncorvo teve também um bom atractivo: as suas feiras a 8 e 23 de cada mês, muito concorridas e tradicionais, que ajudavam a dar vida a um comércio urbano da vila, muito interessante e típico. As pessoas das aldeias e quintas demandavam a Vila nesses dias para fazerem os seus negócios, mas também para se abastecerem de produtos que nas suas terras não havia, e aproveitavam para tratar dos assuntos burocráticos e administrativos. Usavam o dorso dos animais para se deslocarem, os carros de bois e as carroças, ou iam a pé, atravessando, por exemplo, o rio Sabor em barcas ou em cima dos animais no verão. Havia muitos outros ofícios e artes que deram a Moncorvo uma dimensão preponderante na região. É o caso do artesanato que falamos mais à frente. A Real Cordoaria de Moncorvo onde se situavam as fábricas de cordas e enxárcias para as armadas que demandavam o Brasil e a índia e de que agora só resta o local. Saboarias de Moncorvo que abasteciam o norte, os negociantes de seda que tinham uma delegação permanente em Marselha e exportavam cerca de 20 toneladas também já não existem. O sector dos serviços concentra se mais na Vila, com os administrativos, comércio, pequena indústria e sectores de saúde, educação, justiça e outros a representarem já uma boa fatia no desenvolvimento local.

TURISMO

Actualmente o Turismo é uma actividade em que as estruturas locais têm apostado, como factor para sustentar as outras actividades tradicionais e reanimar a cultura e produção de produtos genuínos. Por isso Moncorvo tem boas estruturas hoteleiras que servem a região, tem Piscina Municipal, Biblioteca, Praia Fluvial na Foz do Sabor, (lugar paradisíaco bom para a prática de desportos náuticos), as matas do Reboredo, colocando àdisposição dos visitantes um percurso pela história medieval e nobre da Vila que foi sede de uma das maiores Comarcas do Norte. Não esquecendo a riqueza ambiental, natural, patrimonial, gastronómica das suas aldeias, e que vamos indicando ao longo deste apontamento. O Posto de Turismo situa se na Rua Manuel Seixas e fornece mais pormenores do concelho agora com uma extensão na Casa da Roda. Possui atractivos captadores de muitos turistas, como é o Caso das Amendoeiras em Flor nos meses de Fevereiro e Março de cada ano, as Festas de Verão, a Páscoa, as Feiras Anuais, a Caça e a Pesca.

PATRIMÓNIO

O seu Património é variado e vai desde os moinhos de vento na Lousa, à Igreja Românica de Adeganha, ao Santo Apolinário de Urros, ao Museu do Ferro da Região de Moncorvo, às ruínas do Castelo Medieval, passando por muitos aspectos valiosos como os exemplos que a seguir indicamos. Igreja Matriz cuja construção se iniciou por volta de 1540 e se prolongou por muitos anos, chegando até aos primeiros anos do século XVII. Tem pórtico renascentista, arco redondo flanqueado por colunelos coríntios. Contrafortes pesados encimados por gálgulas enormes esculpidas com formas humanas e animais grotescos. No Terço superior das paredes laterais demarca se um friso em que se abrem as janelas. Portas laterais renascentistas, uma das quais com alpendre em cantaria, datadas de 1562 e 1567. As colunas colossais interiores sustentam as pesadas abóbadas polinervadas. A Capela-mor tem os cadeirais beneficiados da antiga colegiada e ali se observam pinturas a fresco. No Altar-mor o retábulo de talha dourada é já do século XVIII. Destaca se o tríptico de Santa Ana, esculpido em madeira representando cenas da vida da mãe de Nossa Senhora: a revelação do Anjo a S. Joaquim e o encontro deste com Santa Ana à porta áurea de Jerusalém; o casamento de S. Joaquim e Santa Ana e a apresentação do Menino Jesus pela Virgem a Santa Ana. Os Paços do Concelho construídos nos fins do século XIX com a cantaria da Torre do Castelo de Moncorvo que ali, no mesmo local existia e que destruíram para tal. De 1984 até 5 de Novembro de 1997 esteve sem utilização como Paços do Concelho, tendo sido nessa altura remodelado e inaugurado a 20 de Março de 1999. É um edifício projectado pelo francês Eng.° Augusto Henriques Pelegrin, em 1863. A Casa da Roda dos Expostos com a típica janela e a varanda com alpendre e escadas exteriores. Muralhas medievais e a Porta da Vila com o Arco da Sr.ª dos Remédios. Solar do Barão de Palme onde em 1763 já funcionava um salão com o jogo de bilhares aberto ao público. Solar dos Pimentéis onde nasceu o general Claudino. Casa dos Teixeiras onde funcionou o Colégio de Santo António e transformada em hospital em 1904. Colégio de Campos Monteiro. Casa do Visconde de Marmeleiro com Capela do século XVI. Casa dos Távoras, um dos elegantes solares que enobrece o núcleo urbano da vila. Capela do Coração de Jesus pertencia à Casa do Cacau, propriedade da Família Gusmão. Edifício do Tribunal da época Salazarista, recuperado na década de 90 mas com a traça original, na Praça Francisco Meireles. Capela de Santo António de 1490 e integrada no Solar do Visconde de Vila Maior, defronte da qual está um Chafariz construído em 1704 e que era abastecido pela água do Cano que ia da Serra para a Praça. O Chafariz Filipino da Praça, foi recentemente ali recolocado. Capela do Espírito Santo, datada de 1727 e ali parece ter pertencido a um hospício fundado em 1491. Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, de 1714, integra se na Casa ou Solar dos Vasconcelos. Outras Capelas: de Santa Leocádia, N.ª Sr.ª da Eirinha, N.ª Sr.ª da Esperança, S. Lourenço, S. Sebastião, N.ª Sr.ª da Conceição. O antigo Hospital Real, depois Escola Técnica e Secundária, agora Centro de Dia, a Fonte de Santiago, Fonte do Concelho, Fonte de Carvalho. A quinhentista Igreja da Misericórdia, um importante monumento com arte sacra excelente. Tem pórtico em estilo renascença decorado com medalhões e nicho cavado sobre a arquitrave e tímpano, janela manuelina. A cobertura interior é de falsa abóbada em berço com caixotões de madeira. No arco triunfal tem um púlpito em granito, em forma poligonal tanto no corpo superior como no fuste da coluna que o sustenta. É rico com relevos esculpidos. Destaque ainda para os retábulos em talha dourada e ricamente ornamentados. Cine Teatro e Jardim anexo que datam do meio do século XX, na antiga Praça Nova de Moncorvo. Capela da Teixeira, eremitério a 4 quilómetros da Vila com seus fabulosos frescos. Igreja Românica de Adeganha do século XII. O Chafariz de Lamelas perto do Larinho com arquitectura neoclássica. A derruída ou Vila Velha na Portela, o Castro do Baldoeiro, a Igreja Matriz de Carviçais de 1702, o Castelo da Antiga Vila de Mós, as sepulturas cavadas na rocha em Junqueira, a Sr.ª do Castelo (castro) no Alto da Adeganha, as povoações castrejas do Castelo da Mina em Cabeça Boa. O Chafariz das Aveleiras com o emblema de Moncorvo onde não faltam os dois Corvos numa alusão à etimologia de Moncorvo que muitos defendem (seriam dois grandes Corvos que por ali andavam que dariam o nome à Vila (Moras Curvus). Mas também existe um Património riquíssimo noutras vertentes, destacando se além da natureza que a vegetação, os rios, montes e planícies, a flora e a fauna, actividades e realizações, umas tradicionais, outras recentes revivendo a tradição, outras ainda no domínio do desporto/Jogo tradicional: o Julgamento do galo, as procissões de Ramos e Sexta Feira Santa, a reconstituição da Feira medieval que a Escola Secundária tem levado a efeito, o Cortejo Carnavalesco com os alunos das escolas, o Festival Internacional de Teatro, as Amendoeiras em Flor e toda a animação envolvente, os Reis Falados e a Pastorada. O Correr o Entrudo, o Pagar o Vinho quando o rapaz é fora da terra, dar esmola quando morre um familiar, Serrar a Velha, Encomendar as Almas na Quaresma, Rezar a Santa Bárbara quando há trovoada. Ou então a raiola, a bilharda, o ferro, a corrida de sacos, a macaca, o fito, a malha, o cântaro, o pião, a relha, são ainda jogos que se praticam mas com pouca frequência já.

FESTAS E ROMARIAS

Cada terra tem a sua festa, por vezes mais do que uma até. Contudo, deixamos aqui uma síntese da festa principal em cada freguesia (ou localidade), o que não impede a leitura do texto da própria freguesia onde vão também as outras festas que costumam ou costumavam fazer. Talvez porque as festas eram muitas e a tradição musical uma realidade, Moncorvo já teve uma Banda de Música muito famosa e centenária que nos últimos 12 anos tem estado desactivada. Foi fundada em 1882, com estatutos aprovados em 13 de Agosto de 1884. Mas possui ainda as Bandas de Música de Carviçais, Felgar e Lousa. Vejamos então as Festas: Açoreira, a Santa Marinha, 2 ª feira de Pascoela; Adeganha, à Sr.ª do Castelo, no último fim-de-semana de Agosto; Cabeça Boa, dia de S. Brás, em Fevereiro; Cardanha, S. Sebastião, 1.° fim-de-semana de Agosto; Carviçais, S. Sebastião, 1.° Domingo de Agosto; Castedo, dia de S. Miguel; Felgar, N.ª Sr.ª do Amparo, 3 ° fim-de-semana de Agosto; Felgueiras, Santa Eufémia, 1.° fim de semana de Setembro; Foz do Sabor, N.’ Sr.a da Guia, 11 e 12 de Agosto; Horta da Vilariça, S. Sebastião, 1.° fim-de-semana de Agosto; Larinho, Santa Luzia, último fim-de-semana de Agosto; Lousa, N.ª Sr.ª dos Remédios, 3.° fim-de-semana de Agosto; Maçores, S. Martinho, 11 de Novembro; Mós, Santa Bárbara, último fim-de-semana de Agosto; Peredo dos Castelhanos, N.ª Sr.ª da Assunção, 14 e 15 de Agosto; Souto da Velha, Santo Ildefonso, 1.° fim-de-semana de Agosto; Torre de Moncorvo, N.ª Sr.ª da Assunção, 12 a 15 de Agosto; Urros, Santo Apolinário, último fim-de-semana de Setembro. É de salientar: as Festas de N.ª Sr.ª da Assunção em Moncorvo, nos dias 12, 13, 14 e 15 de Agosto de cada ano, com um dia dedicado ao emigrante. É uma romaria interessante, em que a Praça fica repleta mais os espaços em volta, nomeadamente o Terreiro do Paço Municipal e do Castelo onde está o Busto a Campos Monteiro. A oferta dos Borregos pelos pastores e a procissão mais o arraial com fogo de artifício são momentos altos desta Festas. Em Julho o Festival Rock de Carviçais e a Santa Bárbara em Lousa. Festa de Santa Eufémia em Felgueiras no 1.° fim-de-semana de Setembro. O S. Martinho de Maçores onde “Baco” é rei e senhor e a castanha ajuda àdiversão, a 11 e 12 de Novembro. Era costume ir à Sr.ª da Teixeira, na Pascoela, comer o Folar, em plena natureza; em Felgueiras faziam também festa à Sr.ª dos Prazeres.

FEIRAS

As feiras de Moncorvo são a 8 e 23 de cada mês. Contudo há Feiras Anuais com ricas tradições: dia 10 de Maio a Feira da Cereja; a 23 de Agosto a de Verão, e a 23 de Dezembro a do Natal. Nas aldeias destaca se a Feira no Felgar, no 2.° Domingo de cada mês, a de Lousa, a 6 de cada mês. Há também a Feira de Artesanato no mês de Fevereiro quando as amendoeiras em flor renovam o ciclo vegetativo da vida e anunciam a primavera, os Jogos Desportivos concelhios a 25 de Abril, a Feira do Livro nos primeiros dias de Junho. Por vezes realizam a Feira do Queijo que não tem data fixa, e a Feira do Melão, em pleno verão.

EQUIPAMENTOS

A Vila e concelho de Torre de Moncorvo possui um conjunto de equipamentos considerados satisfatórios e com um nível de condições de vida médio. Cada freguesia tem os seus próprios equipamentos que vão desde o campo de futebol às fontes e fontanários, capelas, igrejas, lavadouros, Associações, cemitérios, escolas, cafés, entre outros. Há no entanto outros que, embora situados na Vila, servem todos os munícipes e dos quais referimos alguns na parte relativa à freguesia de Moncorvo. Por isso, além dos enumerados podemos acrescentar: o Lar, Centro de Dia e de Convívio da Santa Casa da Misericórdia, as Barragens do Arroio, Palameiro, Vale de Ferreiros e Adeganha que servem o concelho em água, Posto de Turismo, Casa das Associações, Hospital (Centro de Saúde), duas farmácias, Repartição de Finanças, Agências de Viagens, Rádio Torre de Moncorvo, 4 Residenciais, 6 pensões, 2 hotéis, 3 casas de habitação turística rural, G N R, Convento das Carmelitas, Instituto de Emprego e Formação Profissional, Serviços Florestais, Conservatória de Registo Predial e Civil e serviços de Notariado, Tesouraria da Fazenda Pública, Agrupamento de Defesa Sanitária de Moncorvo, Direcção dos Serviços Regionais Hidráulicos do Douro, delegação da CAP, Secção de Estradas de Bragança, e muitas outras.

QUINTAS

Numerosas quintas espalham se pelo território concelhio, mesmo tendo já desaparecido algumas: Quinta das Aveleiras ou Santa Teresa, Quinta do Rego da Barca na confluência dos rios Sabor e Douro, a montante, plantada em 1815. Quinta da Teixeira e Quinta da Vale da Pia, Quinta da Silveira, da Terrincha, do Zimbro, da Portela na Vilariça, Quinta do Carrascal na Horta da Vilariça, Quinta da Granja em Cabeça Boa, Quinta do Farfão, da Telhada na Lousa, Quinta do Campo em Açoreira, Quinta do Cipreste em Moncorvo.

ARTESANATO/GASTRONOMIA

A riqueza natural e histórica do concelho de Moncorvo é ampliada e fortalecida pelo seu artesanato e pela gastronomia peculiar que encerra. Os Tapetes de Urros, ou do Castedo, os Cestos em Vime de Carviçais, as canastras e cestas de madeira de Castanho que se faziam na Lousa, são peças interessantes e que se tornam úteis quando ainda são postos à venda para os serviços das pessoas. Os púcaros de barro do Felgar, os Cortiços em cortiça, a latoaria, sapateiros e albardeiros artesanais, bem como os mini canivetes de Castedo. Também a forma como são confeccionados alguns pratos ou produtos dão um sabor muito especial aos comeres de Moncorvo. A variedade é muito grande e encontramo los quer na Vila quer nalgumas freguesias. As castanhas assadas, as migas de cavalo cansado, as migas de alho, as migas de espargos, os milhos, as filhoses, salada de Merugens, a salada de beldroegas, de azedas são típicos e já se comem com muita raridade. Pratos confeccionados bem próprios da região, devemos ainda conhecer as favas guisadas com chouriço, as sopas de bacalhau, a caldeirada de cabrito, o cozido à transmontana, a posta grelhada, peixinhos do rio fritos ou de caldeirada, ou a perdiz com castanha e outros tipos de caça. As amêndoas de Moncorvo são únicas. Podem ser comidas sob a forma de peladinhas, torradas ou então cobertas de uma camada de açúcar em ponto que só mesmo as moncorvenses sabem fazer, de uma forma calma, gradual, em grandes caldeiras de cobre, com lume constante mas brando, e mexendo as com as delicadas mãos de forma a torná las deliciosas. As delícias, as súplicas da nossa terra, as económicas, biscoitos à Tia Patuleia, são outros tipos de doces, que, com as Cavacas de Moncorvo constituem motivos de aperitivos ou até de lanche especiais. Depois há as alheiras, o salpicão, o presunto, o chouriço de carne, as bolas de carne, os folares doce e de carne, o chouriço de mel, as tabafeias. A acompanhar todas estas especialidades, há azeitonas, queijos secos, figos secos, miolo de amêndoa, nozes, bêberas e, claro está, um vinho açucarado, generoso, tipo Vinho do Porto, ou a geropiga, e ainda como digestivo uma belíssima aguardente ou um licor caseiro.

ASSOCIAÇÕES E COLECTIVIDADES

O concelho tem várias colectividades. Registamos aqui uma súmula das mesmas: Associação Cultural de Torre de Moncorvo; Associações Culturais e Recreativas de: Carviçais, Castedo, Felgueiras, Lousa, Peredo dos Castelhanos, Santo Cristo, Souto da Velha; Associação C.R. e Desportiva de Horta da Vilariça; Associações Culturais, Desportivas e Recreativas de: Açoreira, Felgar, Mós, Maçores, Cabanas; Associação Recreativa e Desportiva de Urros; Associação de Basquetebol de Bragança; Associação de Futebol de Salão de Bragança; Associação de Xadrez de Bragança; Associação de Pais e Encarregados de Educação de Moncorvo; Grupos Desportivos e Culturais de Adeganha; Grupo Desportivo de Torre de Moncorvo, Clube de Caça e Pesca de Torre de Moncorvo, Projecto Arqueológico da Região de Torre de Moncorvo; Sociedade Filarmónica Felgarense; Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Torre de Moncorvo.

FREGUESIAS

O concelho de Torre de Moncorvo é constituído por 17 freguesias, que com as respectivas anexas totalizam 39 povoações: Açoreira (Sequeiros), Adeganha (Estevais, Junqueira, Nozelos, Póvoa), Cabeça Boa (Cabanas de Baixo, Cabanas de Cima, Cabeça de Mouro e Foz do Sabor), Cardanha, Carviçais (Macieirinha, Martim Tirado, Quinta da Estrada, Quinta das Pereiras, Quinta das Peladinhas e Quinta da Nogueirinha), Castedo, Felgar (Carvalhal), Felgueiras (Quinta do Corisco), Horta da Vilariça (Vide), Larinho, Lousa, Maçores, Mós (Quintas das Centeeiras, Chapa Cunha e Odnissa), Peredo dos Castelhanos, Souto da Velha, Torre de Moncorvo (Rego da Barca), Urros.

AÇOREIRA Distando da Vila 8 km para nascente, situa se na encosta do Reboredo, a meio caminho de um vale que leva esses terrenos ao Douro, tendo uma área de 23,97 km2. Tem como orago S. João Evangelista. Derivando do facto de ali ter havido muitos “Açores”, o que daria “Açoreira”, há, no entanto, quem defenda que o seu nome tem origem árabe e está relacionado com lendas mouriscas e versos alusivos muito típicos. Outros ainda opinam que derivaria de “Azaares” que em árabe seria o fruto “nêspera”. E muitos populares contam que em Açoreira existia uma Quinta onde se vendia muito “soro”, daí que as pessoas das aldeias vizinhas fossem lá comprá lo e a frase repetia se dizendo «vamos à Xoreira”. O solo é acidentado, com vários cursos de água: Ribeira da Guincha, Fonte das Pingas, Casas Sós, Cano Velho. O xisto predomina pelo que as suas habitações e outros edifícios ainda nos mostram esse material, com estilo tipicamente transmontano. Uma delas tem a data de “1786” e as janelas estão preparadas para os vasos de manjerico laterais. A população de Açoreira em 1960 era constituída por 768 pessoas que diminuíram para 534 no censo de 1991. Neste ano estavam ali inscritos 466 eleitores, mas em 1997 tinha 494 inscritos. Em 2001 a freguesia tinha 525 residentes, dos quais 273 eram do sexo masculino. A agricultura é quase a única actividade local, embora haja quem se dedique ao gado e à apicultura. Abundam: amêndoa, azeite, vinho, cortiça, mel, queijo e derivados. Do seu artesanato de cestos de vime, mantas de retalhos e tecedeiras de panos já quase não há quem saiba fazer. Porque fica próximo da Vila, alguns dos seus residentes procuram lá trabalho no sector dos serviços, alguns públicos, que não existem na sua terra. É no Largo da Rua Além, junto à Capela de Santa Bárbara de alpendre interessante, na Pracinha ou no Largo das Eiras que se juntam para ocuparem os tempos livres. A Associação Cultural e Recreativa fundada em 1982 e tem revivido o Jogo do Fito e do Ferro. Costumam fazer uma Festa a S. Sebastião. E têm a tradição de Cantar as Janeiras em grupos de rapazes e raparigas, de porta em porta, recebendo chouriços, salpicões, alheiras, pão, bolos, garrafas de vinho e aguardente, que depois vão servir para uma grande festa convívio entre a Juventude. Há muitas histórias contadas localmente, algumas têm a ver com Tesouros e Serpentes encantadas. Porém, a de Santa Marinha, cuja festa religiosa acontece a seguir ao Domingo de Páscoa, é muito interessante. (ver na parte final deste trabalho). Locais a visitar: Igreja Matriz, Monte do Calvário, Ermitério da Sr.a da Teixeira que é monumento nacional. Ermida de Santa Marinha, capela do Espírito Santo. Quinta do Campo (anexa) de Almançais (junto do Douro e que teve um papel importante na defesa da região de Moncorvo desde os tempos mouriscos), dezenas de Pombais nas suas ladeiras de amendoais e olivais, bem como a aldeia de Sequeiros (sua anexa também).
Sequeiros é uma povoação pequena que fica situada junto da estrada e a meio caminho entre Moncorvo e Açoreira, a sede de freguesia. Terá cerca de três dezenas de habitações, mas nem todas ocupadas. Para os populares o nome tem relação com o facto de ser uma terra onde havia muitos frutos que dão para secar, sendo também uma terra de sequeiro, quer dizer para cultivo de cereais. Outrora o cereal, o figo e a amêndoa secavam em abundância nos seus terrenos. Porém, é no gado ovino (em 1990 tinha 16 rebanhos) essencialmente e nos produtos daí derivados que Sequeiros se dá melhor a conhecer. O seu bom queijo caseiro vende se muito bem em Moncorvo e é procurado no produtor por muita gente da região. O povoado concentra se numa leve encosta, virada para poente, sendo antecedido por diversos palheiros ou currais em fila no cimo da elevação que prolonga um pouco a encosta do Reboredo.

ADEGANHA A freguesia de Adeganha é composta por mais 4 anexas : Estevais da Vilariça e Póvoa na parte montanhosa, Nozelos e Junqueira na zona do Vale da Vilariça. Fica a 18 km da Vila, na margem direita do rio Sabor e fazendo fronteira com Alfândega da Fé. A própria palavra de Adeganha quer dizer “Terras do antigo reino de Portugal tornadas aos montes ou campos vizinhos para formar o terreno municipal “. No século XIII a Paróquia era em Junqueira. Em 1201 D. Sancho 1 atribui carta de Foral a Junqueira e em 1225 D. Sancho II refere se lhe também em foral. Mas D. Dinis transfere a para Moncorvo. No seu termo aparecem imensos vestígios arqueológicos, como machados de pedra e de cobre, moedas romanas, restos de cerâmica, mós manuárias. O que nos mostra um povoamento muito antigo, indo dos tempos pré históricos aos castrejos, romanos e outras ocupações que o território português sofreu. O orago de Adeganha é Santiago, o de Junqueira é S. Filipe, o de Estevais é S. Ciríaco. Em 1950 a freguesia de Adeganha comportava 1.204 pessoas, mas em 1991 só somavam 574. Nesta altura tinha 631 eleitores inscritos, mas em 1997 contava 594. Porém, em 2001 residiam na freguesia 440 pessoas, sendo 217 do sexo masculino. Os terrenos do seu termo são essencialmente de cariz montanhoso, à excepção da zona da Junqueira que abrangem ainda o Vale da Vilariça. São abundantes em cereal, amêndoa, azeite e vinho, para além de serem bons pastos para o gado ovino e caprino. Possui locais ideais para a caça com espécies variadas. Na Póvoa o centeio e o zimbro predominam. Em Junqueira toda a espécie de frutos e hortaliças, pois a Ribeira da Vilariça passa lhe nos seus terrenos e torna os férteis, dividindo os já com o termo de Vila Flor. Em Estevais havia minas de chumbo e zinco de difícil acesso, dada a configuração do solo. A palavra Estevais deverá vir de “Estêva”, mas também pode significar “rabiça do arado”, “planta” ou ainda “cantpo”. Por volta de 1960 tinha: 5 lagares de azeite, dos quais 1 na Terrincha, outro na Junqueira e outro em Nozelos; 3 barbeiros, (2 na Junqueira e 1 em Nozelos), um professor nos Estevais, um na Adeganha e mais três Regentes, uma mercearia em Junqueira e uma em Nozelos, minas de estanho, e encarregado dos Correios nas anexas e na Silveira, e o Presidente da Junta era também o Juiz de Paz. Em 1991 Nozelos tinha Escola primária, um comércio misto, um café/comércio e diversos empresários. Na Junqueira havia Escola primária com Biblioteca popular, Associação Cultural, Casa do Povo, Grupo Desportivo, dois comércios mistos, dois cafés, um café/mercearia, três lagares de azeite, um táxi, uma oficina mecânica, um aluguer de camionagem, várias pequenas empresas industriais de pequenos serviços. Actualmente é junto da Capela da Sr.a do Rosário com um lindo alpendre, na Rua da Capela ou na Lameira que se juntam para conversarem. Nos Estevais e Nozelos é junto das respectivas estradas. E na Junqueira é no Largo principal. Na Póvoa também se juntam nas imediações da Capela do Espírito Santo. Locais interessantes: Igreja de Adeganha com a data de 1112, Cume do Castelo Velho ou Nossa Sr.a do Castelo e o Castro, as casas de granito e com poucas aberturas e o Alto da Madorna. Em Junqueira a Necrópole Romana, o Brasão da Casa dos Pintos Magalhães e o Cruzeiro. Tem também a Capela do Solar dos Morgados que devia ser mais conservada. Miradouro de S. Gregório em Estevais sobre o extenso Vale da Vilariça; a sua Igreja que tinha três altares; a Capela de Santo António e a de S. Gre gório no cimo do povo. Na Póvoa a Reserva ecológica e a sua situação geográfica única, colocada no Alto da Fragada do Sabor, com declives acentuados e cheios de lindas quedas de água nos tempos invernosos.
Em Nozelos apresentam se um conjunto de Zimbros e amendoais de alguma dimensão, espalhados pelas suas ladeiras que partem já com Alfândega da Fé. No termo de Adeganha há algumas quintas de renome, como é o caso da Terrincha, da Quinta do Zimbro e da Quinta da Silveira, que dão produções abundantes de amêndoa vinho e azeite, bem como apascentam centenas de cabeças de gado.

CABEÇA BOA Esta freguesia fica para Ocidente do concelho, sendo bastante extensa e ocupando terrenos limitados pela Foz do Sabor, Ribeira da Vilariça até à confluência desta naquele, pela Horta da Vilariça, Castedo, e estendendo se ao alto da Serra de Lousa, tendo ainda algum território defronte do Monte Meão, junto ao Douro até à zona da Fraga, já termo da Lousa. Para alguns esta freguesia assenta na Serra de Cabeça de Mouro que teria cerca de 19 km de comprimento e 6 de largura, indo penetrar em terrenos da Lousa e Castedo. Tem uma área de 25,83 km2. É constituída pelas seguintes povoações: Cabeça Boa e Cabeça de Mouro na parte Serrana, Cabanas de Baixo, Cabanas de Cima e Foz do Sabor nas terras baixas da Vilariça. O nome Cabeça Boa e Cabeça de Mouro têm origem na Lenda que no fim deste trabalho é referida. Quanto à Foz do Sabor, claro que ela surge derivado ao facto do rio Sabor ali desaguar no Douro, tornando o local aprazível para a pesca e para porto fluvial do Douro que serviu durante muitos anos, quer para enviar quer para receber mercadorias. Cabanas é um termo derivado de casas de campo, casinhas rústicas, barracas, choupanas, que ali eram usadas para dormir no verão a guardarem os meloais e outras frutas. Essas cabanas eram feitas em palha ou colmo (canas dos canaviais que ali cresciam) e madeira, em forma de triângulo de base mais alargada. O orago de Cabeça Boa é S. Brás e o de Cabeça de Mouro é N.ª Sr.ª das Neves. Esta última povoação foi freguesia até 13 de Outubro de 1884, data em que fica anexa. Teve alguma importância no cultivo de amoreiras e na criação do bicho-da-seda que prosperava em 1758. O povoamento deve ser pré romano, tendo sepulturas em granito, representações de porcos e berrões no Olival dos Berrões em Cabanas de Baixo, ou as do Olival da Raza, sítio da Zambulheira, restos de muros, caliça e tijolos no sítio do Castelo, e lendas mouriscas. Agricolamente dependente, produz muito vinho, azeite e amêndoa. Mas também imensas produções de vários produtos na Vilariça, como o melão e a melancia, o feijão, grão de bico, e variada árvore de fruto. A tendência recente é o despovoamento das aldeias da serra e o aumento das da Vilariça, principalmente a Foz do Sabor, graças a um turismo em franco desenvolvimento, que tem passado pelo aproveitamento da sua praia fluvial e dos seus peixinhos típicos e de sabor especial. A população variou do seu máximo em 1950 com 1107 habitantes para 527 em 1991. Para em 2001 ter 471 residentes, dos quais 225 eram do sexo masculino. Em 1991 tinha 516 eleitores inscritos e em 1997 apresentava 523. Podemos acrescentar que na década de 60 tinha 8 Lagares de Azeite, tendo cada anexa um. Dedicam se à agricultura de subsistência, mas, na zona do vale da Vilariça as explorações agrícolas são maiores em dimensão e em produção, pelo que, aqueles que ali possuem terrenos, tiram bons proveitos do seu cultivo. O solo é fértil e produz abundância em vinho, azeite, frutas diversas com destaque para a macieira, pessegueiro, pereira, e para o melão. Além das hortaliças que abastecem a Vila mas também outras zonas do País. Nos barrais da Vilariça há também emprego para muitos que não têm outra solução para a sua vida, ou que gostam do trabalho do campo, embora agora a mecanização seja já muito usada. Tem opulentas quintas, como a da Granja e Vila Maior. O Clube Recreativo de Cabeça Boa teve a escritura pública em 27 de Agosto de 1991. Locais de encontro e de visita são: a Igreja Matriz de Cabeça Boa, granítica e em plano elevado à entrada da povoação quem vai do Alto de Cabeça de Mouro, envolta em terrenos fragosos e rurais excepto para sul; a Igreja de Cabeça de Mouro com o Fontanário mesmo ao lado e que apresenta uma rusticidade interessante, à volta do qual as uma dúzia de casas se aglomera, a Praia Fluvial do Sabor onde a caldeirada de peixe, migas de peixe, peixinhos fritos do rio e os desportos náuticos estão ao alcance do apetite de cada um; a Capela de Cabanas ou as ruas típicas onde se encontram os locais que aos domingos gostam de continuar a guardar como dia de descanso e de encontro com os amigos. As ruas arranjadas, as casas renovadas, a tendência para procurar a Vilariça estão a transformar a freguesia provocando uma grande diferença de aspecto e desenvolvimento entre a parte montanhosa mais abandonada e a das margens da Ribeira da Vilariça e Rio Sabor com aspecto mais renovado.

CARDANHA Está a 15 km da Vila de Moncorvo, para NNE e na margem direita do rio Sabor. Em 1515, no foral dado por D. Manuela Alfândega da Fé, aparece integrada nele. Só em 1853 passa para Moncorvo definitivamente. A Cardanha é uma das terras que pertenceu ao morgadio dos Marqueses de Távoa instituído em 10 de Junho de 1536. Entre 1758 e 1834 passa a ser da Coroa. Tem como orago N.a Sr.a da Oliveira, o que, desde logo identifica os seus habitantes com o trabalho do campo e com o ouro do azeite que ali se produz. A palavra CardanhalCardenha ou Cardanho deve ter derivado de “casinha térrea”, isto é barraco, local pequeno para habitação, o que até se entende, se pensarmos nos primórdios da sua fundação e posse pelos Távoras, em que as pessoas tinham como trabalho a agricultura serventil, com modos de vida diferentes dos de hoje, e, por isso, as construções também eram bem mais pequenas e com menos divisões nos meios rurais. Só os mais abastados tinham casas maiores. No entanto, depois os tempos mudaram e certamente que ali floresceram as vidas de muitas pessoas, a avaliar pelas casas graníticas de gente abastada e muitas divisões que ainda se podem constatar hoje em dia. Claro que agora novas construções surgiram e a expansão do povoado é uma realidade, misturando a tradição da pedra com o cimento armado dos nossos dias. Em 1960 tinha três lagares de azeite, um alfaiate, dois ferradores, dois ferreiros, um latoeiro, três mercearias, uma quinquilharia, um talho e era Julgado de Paz. A sua população em 1940 era de 692 habitantes e em 1991 só se ficavam pelas 368 pessoas, com 350 eleitores inscritos. Trabalha na agricultura e na pecuária, com abundância de árvores como a oliveira, a amendoeira, ou plantas como a videira, o cereal. Em 1990 tinha 22 rebanhos de ovelhas e cabras que eram um bom rendimento para muitas famílias. No que toca a população devemos referir que em 1950 tinha 620 pessoas, sendo 306 do sexo masculino. Mas em 1991 tinha 386, sendo 165 masculinos. E em 2001 só já tinha 268 residentes com 123 do sexo masculino. A nível de eleitores possuía 350 em 1991, e 369 em 1997. É nas imediações da Capela da Sr.a dos Aflitos e no S. Sebastião (cuja festa ainda vão fazendo anualmente), na paragem dos Autocarros, na Rua do Cabo do Lugar ou Junto da Igreja Matriz que se juntam para conversar. Este edifício religioso merece uma visita, data do século XVIII e tem torre sineira, rosácea, pináculo, coreto, relógio de sol, bem como a sede da Junta que lhe fica defronte. Na povoação ainda existem várias marcas dos Távoras, e têm a Capela da Sr.ª da Oliveira do século XVII. Pelas ruas principais estão colocados nichos nas paredes, relativos às Estações da Semana Santa. A Casa Paroquial é inaugurada com a presença do Bispo em 1953. Tem topónimos de ruas muito significativos como os já referidos, ou a Rua Antes Adegas, Rua da Fonte. Sendo terra de muitas fontes, destaca se a Fonte Grande com arco em pedra. Não lhe faltam as estruturas essenciais, como o abastecimento de água, saneamento, tanques de bebedouro para o gado, lavadouro público, campo de futebol, escola primária, sede de Junta de Freguesia. Desta terra era o Padre Maximiano César Gaspar que ali nasceu em 22 Outubro de 1879 e era muito querido pela população local. Mas também a Família Sendas que emigrou no século XX para o Brasil, e, com a vida correndo lhe bem, não se tem esquecido da terra nem do concelho e tem dado várias dádivas para benefício das populações locais.

CARVIÇAIS Sendo a maior freguesia do concelho de Moncorvo logo a seguir à Vila, é aquela que tem também ganho uma dinâmica e desenvolvimento maiores, conseguindo estruturas modernas que tentam retirar lhe o cariz rural de séculos de história. Dista 15 km da Vila, no sentido da estrada que a atravessa para Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta. Tem várias povoações anexas: Macieirinha, Martin Tirado, Quinta da Estrada, Pereiras, Peladinhas, Nogueirinha. O orago é N.ª Sr.ª da Assunção. E o seu nome indicará terra de Carvalhos “Carva”, “Carvoiça” e “Carvoal”. A lenha de carvalho, os castanheiros, o fabrico de carvão são aspectos que sempre acompanharam aquela terra desde tempos imemoráveis. Pelo que esta origem do topónimo Carviçais tem a sua razão explicativa lógica. Arqueológicamente é bastante rica, com ruínas em S. Cristóvão onde se diz ter sido a primeira povoação, povoado romano de Vale de Ferreiros, o Castro de Cidagonha com restos de muros, ou ainda sepulturas na rocha entre o Ribeiro de Trapa e o Canamor. Sofreu com os Castelhanos que em 1760, entrados por Miranda do Douro, a incendiaram. Na década de 60 tinha depósito de adubos, três albardeiros, dois alfaiates, dois exportadores de amêndoa, sete lagares de azeite, sete barbeiros, um café, uma Casa de hóspedes, três negociantes de cereais e um de cortiça, estação de correios, quatro professores primários e dois Regentes, uma farmacêutica, sete lojas de fazenda, cinco ferradores, cinco lojas de ferragens, seis ferreiros, um latoeiro, um negociante de madeira, três alugueres de máquinas agrícolas, quatro médicos, onze mercearias, minas de chumbo, ferro, volfrâmio e estanho, seis padarias, agência de Seguros, talho e era Julgado de Paz. A sua população nessa altura rondava os 2.255 habitantes. E em 1991 chegava ainda aos 1.169, para em 2001 registar 865 residentes, sendo 420 do sexo masculino. Quanto a eleitores em 1991 eram 1.237, tendo registado em 1997 um pouco menos, 1151. Produz castanha, vinho, cereal, amêndoa, azeite, mas também tem muito gado (cerca de quatro dezenas de rebanhos). Em 1991 ainda conservava um albardeiro e correeiro, dois alfaiates, diversas costureiras, dois ferradores, quatro carpinteiros, uma serração e carpintaria, quatro padarias, duas moagens, dois talhos, dois lagares de azeite, uma serralharia e um cesteiro em vime que tem divulgado a sua arte até aos dias de hoje. É o Sr. Celestino. Mas tem também seis cafés, três restaurantes, duas residenciais, seis mercearias, dois super mercados, duas casas de electrodomésticos, e muitos outros estabelecimentos comerciais. Ali existe o colégio (Externato Liceal N.a Sr.a de Fátima) para os alunos até ao 9.° ano. Tem uma Banda de Música centenária e das melhores da região. Possui Posto Médico, Centro de Dia, farmácia, a barragem do Vale de Ferreiros e uma feira a 24 de cada mês. O posto da GNR foi transferido recentemente para Moncorvo tendo apenas um guarda de serviço diário de expediente normal. Para além do que já foi indicado, Carviçais tem a Capela dos Anjos e um Cruzeiro de 1760, a Capela de Santa Bárbara de 1731 situada no ponto mais alto da povoação, a Capela do Santo Cristo, o Chafariz da Praça (linda arquitectura civil), a Fonte do Gil de 1733. Era também tradição fazer a Festa a S. Pedro, romaria que fazia ir a pé as pessoas até perto de Mós, onde estava a Capela. No seu termo houve exploração de minas de volfrâmio e Chumbo. Na Fonte do Gogo as águas eram usadas nas febres intermitentes. Das suas quintas anexas devemos indicar o caso de Macieirinha. São cerca de três dezenas e meia de habitantes, com três fontanários, mas tinham escola primária e têm uma Associação Cultural e Recreativa dinâmica. Em 1998 tinha já publicado um jornal fotocopiado “A Voz do Lugar” e organiza torneios de Jogos populares e actividades artesanais. Em 1998 organizou até uma exposição de artesanato e objectos de uso tradicional nos trabalhos mais habituais daquela localidade muito interessante. Nas Peladinhas há 1 fontanário e em Martim Tirado há sete. O Largo onde se situa a Igreja Matriz é o ex libris local em termos de tradição, cultura e tipicismo, onde a monumentalidade do edifício religioso, o granito trabalhado e as casas envolventes com árvores e bancos de jardim a envolverem o espaço, dão uma sensação de estarmos em qualquer praça de uma vila transmontana nas décadas de 60 ou 70 do século XX, embora com algumas diferenças lógicas. É ali que gostam de se encontrar os amigos. Porém, outro local obrigatório turisticamente tem sido o “Artur” onde a posta é servida à maneira transmontana, sendo muito procurado por quem visita a região. Os seus topónimos também são interessantes. Vejamos: Rua da Choura, Rua da Urreta, Rua do Eirô, Rua da Estação (estrada). A Banda de Música de Carviçais é um verdadeiro embaixador da freguesia, que nos últimos anos tem mantido uma qualidade elevada, com os seus elementos a não se pouparem esforços para conseguirem essa qualidade. Muitos deles regressam à terra quando há actuações, pois as suas vidas profissionais são feitas fora da aldeia, tendo alguns também essa função musical em Bandas oficiais no país. Os seus habitantes dela se orgulham, argumentando que é uma das melhores de Trás os Montes e a melhor do distrito de Bragança. A sua fundação data de 17 de Fevereiro de 1898 com o nome de Sociedade Musical de Carviçais, graças ao Major João José Zilhão, natural de Carviçais, tendo se mantido em actividade até aos dias de hoje, graças à dinâmica de muitos locais que tudo fazem pela Banda da sua terra. A 13 de Setembro de 1978 são publicados os estatutos da Associação Cultural e Recreativa de Carviçais. Acrescente se que o Carviçais Rock já se realiza há seis edições e tem repercussões ao nível da economia local e regional de carácter positivo, tendo em 2001 sido feita a consagração, pois as estruturas têm vindo a ser aperfeiçoadas. Só no Parque de Campismo estiveram durante esse período do Festival cerca de 2000 jovens.

CASTEDO Rústica, situa se a noroeste do concelho a cerca de 20km numa encosta sobranceira a um vale profundo e apertado, sendo a sua altitude 662m iniciando se numa zona planáltica pela serra que vai aumentando lentamente em altura até à povoação de Lousa. Tem como orago o S. Miguel. De povoamento antigo pertenceu ao ex concelho de Vilarinho da Castanheira até ao dia trinta e um de dezembro de mil oitocentos e cinquenta e três. Já em 1523 tinha 63 fogos. Em 1950 atingia 742 habitantes e em 1991 só possuía 361 residentes. No censo de 2001 foram recenseadas 275 pessoas das quais 137 eram do sexo masculino. No que toca a eleitores, possuía 347 em 1991, para se fixar nos 316 em 1997. Em 1960 tinha um alfaiate, quatro lagares de azeite, um barbeiro e uma mercearia. As suas habituais actividades são: a agricultura de subsistência, difícil, trabalhosa, e pouco rentável, onde a mecanização é rara, predominando a amêndoa, o azeite e vinho. Tem 5 rebanhos de ovelhas e um de cabras. É servida pela estrada Municipal n.° 623 que da Portela vai para a Lousa e com autocarro que a liga à Vila duas vezes por dia. Novas construções têm surgido ao longo da estrada, para Norte e para Sul do povoado. Ainda épossível falar com algumas tecedeiras, observar os teares e as colchas de farrapos, lã, algodão, embora a prática deste artesanato quase se tenha extinguido. Em 27 de Janeiro de 1990 a Associação Cultural e Desportiva de Castedo publica os seus estatutos. A 29 de Maio de 1954 foi inaugurado o abastecimento de água ao Castedo, com 9 fontanários, 1 lavadouro público. Era presidente da Junta António Luís Ventura e Presidente da Câmara Dr. Horácio de Sousa. Em 1968 foram concluídos os trabalhos do empedramento da estrada Portela/Lousa que servia o Castedo. Em 1952 era inaugurada uma feira mensal. A Igreja Matriz é grandiosa, tendo uma torre sineira lateral esquerda e um adro igualmente em cuidado granito. No interior admira se a beleza da talha dourada dos seus altares. A fonte de granito que lhe está em frente e as casas envolventes compõem um lindo quadro bucólico. A Capela de S. Sebastião tinha um Coreto em pedra, pequeno mas interessante, destruído na década de 80 do século XX para alargar a rua de acesso á estrada municipal. No fundo do povo têm a Capela de Santo António do século XVI, a de S. Bartolomeu e a de Sr.a do Rosário. Do Castedo da Vilariça vislumbra se uma linda paisagem por terras da Vilariça e Vila Flor muito encantadora e ali se pode descansar junto de um dos seus 4 típicos cruzeiros, ouvindo as histórias locais muito típicas. Também se podem observar algumas casas apalaçadas e outras construídas sobre as rochas. O local habitual de encontro dos seus habitantes é junto da Capela da Sr.a do Rosário e, por vezes, no Largo de S. Sebastião. Aos domingos o adro e escadas da Igreja mostram os homens sentados ou encostados conversando sobre as suas preocupações, aguardando o toque para a sua entrada no templo religioso, enquanto as mulheres vão ocupando os seus lugares no interior. Tinham Pároco permanente, mas agora têm que o repartir com a Lousa, Cabaça Boa e Cabeça de Mouro. Acrescente se que Castedo possuía muitas fontes, das quais ainda restam a Fonte do Souto, Fonte da Lavadeira, Fonte Grande, Fonte Chafenga. A Rua da Olga é das mais típicas.

FELGAR Freguesia em crescimento devido à sua anexa Carvalhal que se dilatou às margens da estrada Moncorvo/Mogadouro. Fica para ENE do concelho e a cerca de uma dúzia de km da Vila, na fralda da Serra do mesmo nome e engloba uma superfície de 36,23 km2. Povoado com numerosos vestígios arqueológicos que provam a sua antiguidade, tem o Cabeço da Mua onde os romanos já exploravam o ferro. Em 1436 D. Duarte manda confirmar vários privilégios aos ferradores locais. A Serra do Felgar estende se de SE para NO, com uma altitude de 897 metros e ocupa Felgar e Souto da Velha. O orago é o S. Miguel, apesar dos festejos mais importantes serem no 3.° Domingo de Agosto, a N.a Sr.a do Amparo, cujo Santuário se situa numa pequena elevação no caminho para Souto da Velha. Ali há um fontanário onde jorra abundante e fresca água natural que serve para regar os terrenos que lhe ficam na zona descendente para a povoação. Na década de 60 havia no Felgar um albardeiro, quatro alfaiates, um exportador de amêndoa, três lagares de azeite, cinco barbeiros, uma casa de hóspedes, Casa do Povo, seis professores, duas fábricas de pimentão, três ferradores, três ferreiros, uma fábrica de artifício, Posto da GNR, quatro latoeiros, quatro fábricas de louça, três lojas de mercearias e fazendas, três minas, sete padarias, uma serralharia civil, uma fábrica de mantas de lã e cobertores, um médico. Tinha 1461 habitantes em 1950, para em 1960 subir para 1971 e tendo descido para cerca de um milhar em 1991. Em 2001 havia 1.141 residentes, dos quais 575 eram do sexo masculino. Estavam inscritos 996 eleitores em 1991, mas em 1997 eram 1005. Estas gentes têm a base da sua economia nas produções de azeite, vinho e amêndoa, bem como legumes, cereais, hortaliça e frutas. Alguma pecuária embora explorações pequenas e familiares dão ainda algum rendimento. Têm serralharia, oficina auto, fábrica de brita/areias, e, em Carvalhal há até algumas indústrias ligadas à construção civil, restauração e hotelaria, com Bombas de combustível. Tem ainda comerciantes com alguma dimensão. Os tempos da criação do bicho da seda, das fábricas de xailes, de cobertores e mantas de lã, da próspera olaria, da exploração do ferro e até da fábrica de lixívia e fábrica de fogo de artifício já lá vão. Éconstituída pelos lugares de Carvalhal, Ribeiro dos Moinhos e Cilhade. Não há dúvida que o Carvalhal tem sido o lugar em crescimento e expansão bem sucedidas, graças ao facto de se situar num cruzamento de estradas, nas margens da via nacional que liga Moncorvo a Freixo de Espada à Cinta ou a Miranda do Douro e Mogadouro. Em 1988 foi feito o rompimento da estrada Felgar Cilhade, o que a aproxima do rio Sabor dando grandes vantagens aos proprietários que ali tinham os seus terrenos encravados. A Banda de Música de Felgar foi fundada em 1964 e os primeiros instrumentos foram comprados à extinta Banda de Urros. É uma instituição recreativa que tem contribuído para a divulgação da terra, bem como a Associação Cultural e o Grupo Desportivo. É em 1992 que a Banda de Música passa a ser órgão da Sociedade Filarmónica Felgarenses e com estatutos próprios. A sede da Junta de Freguesia é inaugurada em 1985, onde passa a ensaiar a Banda. Cheia de tradições e costumes, artesanato e histórias vivenciais interessantes, foi sempre considerada uma terra “fidalga” com gente “nobre” e respeitadora, mas também bem colocada na vida, talvez pela tendência em se dedicarem ao sector dos serviços para além da agricultura, nomeadamente o comércio e a transformação de produtos locais. Tinha uma Comissão de Proprietários fundada pelos anos de 1945 e que foi extinta no início dos anos 90. Para além de regular a apascentação de gados protegendo os produtos dos terrenos privados, era muito importante pois tratava dos arranjos de caminhos vicinais ou das fontes para o gado e para as pessoas. Na entrada da povoação há um contraste perfeito ao nível das habitações: a par das vivendas modernas em materiais recentes, ainda se observam algumas casas apalaçadas com granito e tipicamente transmontanas. Além do Santuário da Sr.a do Amparo, tem a Capela dedicada à Santa Cruz em Cilhade e a Capela de Santa Bárbara. No Carvalhal a padroeira é precisamente a Santa Bárbara, cuja festa anual é no último domingo de Julho.

FELGUEIRAS A freguesia de Felgueiras tem como orago S. João Baptista e fica a cerca de 7 Km para este da vila de Moncorvo, num vale protegido por serras que continuam o Reboredo que são uma barreira em relação à encosta onde fica a vila. O Monte do Malhão, a Fraga do Chapéu e o Ramalhão, o Alto do Cotovio, o Alto do Cruzeiro, o Alto da Lapinha, o Alto da Açoreira, o Alto de Maçores, são grandes elevações que envolvem o povoado. Outros nomes são interessantes para a toponímia local, como os lugares de Ladeira, Ladeirinhas, Cerejalinho, Abixeiro da Aguieira, Garreia, Corisco, entre outros. A sua área é de 22,95 km2. Também esta freguesia teve na exploração dos seus jazigos de ferro, desde os tempos dos Romanos, alguma esperança de desenvolvimento. Já D. Duarte em 1436 concedia grandes privilégios aos trabalhadores da “Mina de Felgueiras” e aos operários a quem se dava “por distinção o nome de ferreiros”. A agropecuária é a base do sustento local: castanha, azeite, amêndoa, alguma fruta e vinho são ali produzidos. Ao todo eram 501 habitantes que ali viviam em 1991. Porém, em 1950 eram mais do dobro: 1173 habitantes! Em 2001 Felgueiras contava com 439 residentes, sendo 197 do sexo masculino. Eleitores, eram 547 os inscritos em 1991, e em 1997 ficava se pelos 495. É curioso verificar alguns dados sócio económicos dos anos sessenta do século XX: um albardeiro, dois lagares de azeite, quatro barbeiros, uma ferraria, três professores primários, três ferreiros, um médico, duas mercearias, uma mina de ferro, quatro padarias, um talho, 21 fábricas de velas de cera! Tem um lagar comunitário de cera no fundo das “Fráguas” junto à fonte, a lembrar o património local arqueológico industrial, que ainda faz mais de uma dezena de toneladas de cera. As fábricas de velas medievais, a linguagem dos cerieiros que percorriam as terras de Trás os Montes e Beiras comprando as colmeias donde extraíam o mel e a cera, eram casos únicos na região. Em 1921, Eduardo Sequeira referia a existência de mais de 30 cerieiros que viviam exclusivamente desta actividade. Porém, além de terra de Almocreves de cerieiros e ferreiros, era também de moleiros, pois na Ribeira de Santa Marinha existiam 6 moinhos de rodízio mais ou menos conservados e 8 já degradados, na década de 80 do século XX. Consta se no local que eram mais de duas dezenas e que trabalhavam para quase todo o concelho, em particular abastecendo de pão a vila. Em 1990/91 foi derrubado um forno de pão na Rua do Cimo do Povo, sendo alargada e dando origem a um Largo. É terra de Judeus, com traços étnicos interessantes, como o aspecto sardento, o nariz adunco e os olhos cintilantes em muitos dos seus habitantes. A nível de Património colectivo: Igreja reconstruída há cerca de 40 anos, torre sineira, granito miúdo. Casa do Povo onde se situou a antiga Matriz; Largo da Garreia o mais frequentado pelos locais que, no verão, procuram a sombra das frondosas árvores. Capela do Espírito Santo, Capela de N.ª Sr.ª dos Prazeres e seu tipicismo, onde, no domingo de Pascoela vão comer os folares; o Largo da Fonte. O Santuário de Santa Eufémia cuja festa em Setembro (1.° Domingo) émuito concorrida. Também costumavam fazer a Festa da Santa Bárbara que era a festa das raparigas casadoiras, em oposição à dos rapazes, que era o S. Sebastião. Fazem parte desta freguesia os lugares de Abixeiro da Lavradora, Cano, Granja e Tourão. Contudo é a Quinta do Corisco a que ainda tem à volta de duas dezenas de habitantes. O afamado químico do século XIX, P. Tomás Rodrigues Sobral era de Felgueiras. Outro ilustre ali nascido foi o Dr. Urbano Adelardo Diogo, médico que curou várias gerações de moncorvenses sempre com simpatia e dedicação, até aos anos 90 do século XX.

HORTA DA VILARIÇA Como o nome indica, esta freguesia e povoação situa se no Vale da Vilariça a uma dúzia de quilómetros de Moncorvo, mas para NNW, na margem direita da Ribeira e do Rio Sabor. É protegida a poente pelas serranias da Cabeça de Mouro, Castedo e Lousa. A antiga Vila de Santa Cruz fica lhe a seus pés. Tem ali vestígios arqueológicos interessantes, mas outros surgem no seu termo: machados de pedras polida, mós manuárias, sepulturas cavadas na Rocha (da Pedra D’Anta). É constituída pelas aldeias de Horta da Vilariça cujo orago é o S. Sebastião, e Vide que tem como orago o S. Lourenço.
Vide era um Vilar Velho dentro da vila medieval de Santa Cruz da Vilariça, embora o povoamento seja de épocas romanas, com Castro, fortificação que tinha nos rápidos declives sobre a Vilariça uma defesa natural. Pertenceu a Vila Flor até à reforma administrativa do liberalismo. Só passa a ser anexa de Horta da Vilariça em 1885. A palavra Vide vem da cultura da videira. Em 1960 havia na Horta da Vilariça um alfaiate, dois comissários de azeite, oito lagares de azeite, sendo quatro na anexa Vide, um barbeiro, dois professores primários e um Regente, um ferrador, duas mercearias e um talho. A população da freguesia tem diminuído como a generalidade do concelho, tendo em 1991 apenas 524 habitantes, apesar de ser uma terra ricamente agrícola. Em 1950 tinha 1.005 habitantes. No censo de 2001 eram 394 as pessoas ali residentes, e destas 195 pertenciam ao sexo masculino. No que toca a eleitores havia 534 em 1991 e 6 anos depois havia 526. Tem abundância de azeite, vinho generoso e de consumo, amêndoa frutas diversa e hortaliças. É zona do melão e melancia. Tem ainda alguns rebanhos que dão bons rendimentos aos seus proprietários. Ali há 1 padaria, um ferreiro, dois cafés e duas mercearias. Na Vide, além de azeite, vinho e amêndoa em quantidade, existem alguns colmeais e pomares de laranjeiras. A Igreja tem um altar-mor em rica talha dourada e é digna de uma demorada visita. A Casa da Junta e o Grupo Desportivo são estruturas locais importantes. O Largo do Olmo e a Capela com casas enobrecidas em cantaria a envolverem esse Largo, dão muita riqueza histórica rural á povoação. Na década de 90 foi alargada a rua entre a Fonte Nova e o Largo do Olmo. Possui várias quintas, algumas com casas apalaçadas, como a Quinta do Carvalhal, a das Eiras, Pedra D’Anta, a do Lameirão. O crescimento dá se essencialmente para a zona da saída para Moncorvo, no sentido da Ribeira da Vilariça, com o Bairro dos Barreiros a alargar se, dando outra dimensão ao antigo povoado que começou mais acima, numa pequena elevação. Na típica aldeia de Vide há uma arquitectura e etnografia tradicionais e típicas, com a Igreja Matriz à Sr.ª do Rosário posicionada sobre o monte e o declive para o Vale da Vilariça. Apresenta ainda dois cruzeiros, um no sítio da fonte, outro no lugar de Godeiros. No Largo junto da Capela de S. Sebastião na Horta da Vilariça, ou na paragem dos autocarros no centro do povoado de Vide encontramos as suas gentes conversando, convivendo, trocando informações ou fazendo os seus negócios. Estas duas povoações são atravessadas pela estrada municipal 623, em curvas apertadas e difíceis, qual estrada de “S. Tiago”, mas de certo modo bastante interessante, que, dentro da povoação tornava extremamente difícil a passagem de autocarros ou o cruzamento de dois veículos. Valeu a intervenção nos últimos tempos das entidades locais que conseguiram alargar a apertada passagem dentro das duas povoações.

LARINHO Tendo como orago N.ª Sr.ª da Purificação, o Larinho fica a 6 km de Moncorvo para NNE e teve uma estação ferroviária com o mesmo nome na então Linha do Sabor, desactivada na década de 80. O seu termo abrange uma área de 29,57 km2. Povoamento antigo, possuía 530 habitantes em 1991 e 524 eleitores, mas já atingiu as 849 pessoas em 1940. No censos de 2001 viviam ali 430 pessoas, sendo 211 do sexo masculino. A nível de eleitores tinha 524 inscritos em 1991 e em 1997 tinha 549. Nos anos 60 tinha um alfaiate, três comissários de azeite, três lagares de azeite, quatro barbeiros, dois negociantes de cereais, quatro professores primários, uma mercearia, uma serralharia e um talho. A sua economia actual é baseada na agro-pecuária, com produções de feijão, azeite, vinho, cereal e amêndoa. Os seus terrenos têm bons prados e as criações de gado bovino, mas também caprino e ovino são frequentes, embora com pequena dimensão empresarial. No seu termo situa se a Zona Industrial de Moncorvo onde existem algumas empresas que têm contribuído para dar emprego a muitos dos seus habitantes. O Fundo do Lugar, o Largo do Outão, este mais frequentado pelas mulheres, são típicos e locais frequentados pelos seus residentes. Porém, é o Largo da Lameira aquele que representa o centro cívico e social da povoação, mas também o local para negócios, romarias, ocupação de tempos livres e até oração. Com efeito, É ali que se faz a festa, a arrematação, é ali que se fazem as cascatas do S. João, é ali que se sabem as novidades, é ali que se marcam os trabalhos para o dia seguinte, os encontros sociais ou de serviço. É um Largo com uma dimensão grande, tendo ao centro um fontanário com um tanque e o bebedouro dos animais. Ao lado está uma Amoreira centenária, em redor da qual os bancos de granito aguardam os cavalheiros para se sentarem e descansarem das suas lides. À volta do largo podem observar se três tipos de edificações: as moradias de lavradores abastados com a pedra aparelhada e varandas enormes, três casas solarengas e casas mais térreas de arquitectura campesina em pedra mais miúda. O Largo da Lameira alberga também três Capelas: a da Sr.a do Rosário ou Purificação, reconstruída no início do século XX pela Junta de Freguesia em honra da Padroeira. Tem dois bancos em cantaria no exterior da porta da fachada principal onde se sentam os homens a descansar. A meio do largo fica a capela de Santo António com alpendre e campanário e, no interior lindas pinturas e retábulos. No cimo está a Capela do Sr. dos Aflitos de fins do século XIX. Naquele Largo fica o Parque Infantil inaugurado em 1985. Quase todos os caminhos vão dar à Igreja que, apesar de semi escondida pelo casario, não deixa de ser imponente e digna de contemplação. Foi concluída em 1780 e apresenta estilo Barroco. Para quem quiser beber uma água límpida fresca e saborosa vinda da serra, tem o Chafariz de Lamelas a caminho do Carvalhal, e, quem preferir o ao quente a sair do forno tem ao lado uma padaria. O Santuário de Santa Luzia é um local onde os jovens gostam de ir ter os seus encontros de domingo, estendendo um pouco mais as pernas e a vista. Para ir ao rio Sabor têm o Caminho do Pido, assim como o Lugar dos Buqueiros. Acrescente se que o desenvolvimento da freguesia do Larinho tem andado com as possibilidades dadas à Junta de Freguesia, tendo, no entanto, já muitas estruturas importantes para os seus habitantes, como vimos. Na década de 90 muitas foram as ruas calcetadas
Rua da Igreja, do Concelho, Rua do Outão, Rua do Padre.

LOUSA É das freguesia mais afastadas do concelho de Moncorvo, situada a mais de 800 metros de altitude, para ocidente do concelho na margem direita do Douro, fazendo fronteira com a povoação de Vilarinho da Castanheira já do concelho de Carrazeda de Ansiães, para poente. Nos anos 90 do século XX viu reduzida essa distância à Vila que era de 32 km para cerca de 20, com a abertura da estrada Foz do Sabor/Alto de Cabeço de Mouro. O seu orago é o S. Lourenço, que tem sempre uma procissão acompanhada pela Banda de Música, com o andor do Santo levando uvas tintas colhidas junto ao Douro nas propriedades locais, a 10 de Agosto. A superfície do seu termo é 34,97 km2. Muito esquecida pelo poder local durante vários anos, mantém algumas tradições e teima em ser respeitada e vista como uma aldeia abastada mas com direitos como as outras. Em 1960 tinha: três comissários de azeite, oito lagares de azeite, sete barbeiros, quatro professores e um Regente, duas lojas de fazendas, dois ferradores, um ferreiro, três latoeiros, quatro mercearias, três minas de estanho e volfrâmio, uma fábrica de moagem, uma serralharia civil, um talho, dois transportes fluviais e dezenas de proprietários/lavradores abastados. Nessa data rondava os 1660 habitantes e em 1991 ainda conservava 650. Porém, em 2001 baixava significativamente para 509, dos quais 243 eram do sexo masculino. Apesar de, tardiamente, a estrada para o rio Douro, nos fins dos anos 80, a ter ligado à Cadima, defronte da estação ferroviária da linha do Douro, Freixo de Numão, e à Sr.ª da Ribeira, vindo dar lhe novos horizontes, já que a retirou do isolamento sem saída a que até aí se viu forçada a viver. Quanto a eleitores inscritos, eram 708 e em 1997 estavam inscritos 680. A palavra Lousa significa a lâmina em que o xisto se divide. Sendo uma terra de muito xisto, não é fácil deduzir que o nome tem relação com a natureza do solo onde nasceu o povoado, que terá sido a meio do caminho entre a actual povoação e o rio Douro, já precisamente em terrenos de muito xisto. Possui 2 microclimas distintos com características produtivas e até geológicas também diferenciadas. A zona montanhosa onde se situa o povoado é identificada com Trás os Montes, onde o granito abunda, o frio e a neve no inverno castigam. Aqui predominam as culturas hortícolas, a castanha (quase desaparecida), frutas, cereais, vinho de consumo, prados onde nas décadas de 40 e 50 do século anterior se criavam imensas cabeças de gado bovino e vacum para carne, leite e trabalho agrícola nomeadamente lavragens e transportes. Desde o rio Douro até cerca de 600 metros de altitude o clima é outro. Mais quente, identifica se com o Alto Douro, onde o xisto émarcante e as produções abundam em azeite, vinho generoso e amêndoa. Que os figos também já quase não existem. É a Zona Demarcada do Douro. Pertenceu ao ex concelho de Vilarinho da Castanheira até 31 de Dezembro de 1853, sendo uma das suas paróquias mais populosas. Desses tempos passados pouco resta, pois a destruição do Convento da Santíssima Trindade fundado por Santo Antão em 1475 já no fim do século XIX terá sido um golpe no futuro da povoação que agora podia ter um bom cartaz turístico patrimonial. Contudo, mesmo sem a fonte românica do Largo da Igreja destruída nos anos 60/70 do século findo, outra igual, particular no local da “Nória” perto daquela, sem a riqueza arquitectónica e o interior alterado da Igreja Matriz reconstruída nessas alturas, sem as azenhas do Douro e o moinho de rodízio de alguns ribeiros, a Lousa tem atractivos que bastem para merecerem uma visita especial. Bastará enumerar os dois exemplares praticamente únicos da região que são os moinhos de vento, algumas casas rústicas enobrecidas com granito à vista e portais em arco, ou a capela de Santo António com o seu alpendre, a Capela e Miradouro de Santa Bárbara cujo horizonte visual se explana por terras da Serra da Estrela, da Sanábria e Montesinho, de Borres ou de Castilha e Léon. Mas também as fontes típicas do Raboleiro, do Corisco, do Vale Jandeira que dão pura e fresca água de montanha. As Capelas de S. Sebastião à entrada da povoação e do Espírito Santo ao ir para o Douro, ou a da Parada (N.ª Sr.ª do Amparo) nas imediações da qual se diz ter nascido o primeiro povoado e de N.ª Sr.ª da Consolação no cemitério recentemente alargado. O Cruzeiro, fornos de cozer o pão, lagares de azeite e de vinho, moagem de cereal de Henrique Trigo que ainda pode funcionar caso o proprietário queira demonstrar essa indústria, vária pedras espalhadas que foram do Convento e que têm uma simbologia interessante são outros pontos a não esquecer. A Fraga do Poio é uma enorme rocha que alberga uma caverna onde cabem mais de duzentas cabeças de gado, segundo aqueles que já lá conseguiram entrar. Os trabalhos de reconstrução da Igreja foram concluídos em 1968, ano em que se inicia a estrada Lousa/Vilarinho da Castanheira. O Posto médico local é inaugurado a 7 de Junho de 1992. São naturais da Lousa o Abade Tavares, João da Chela (Pinto) escritor e romancista auto didacta de meados do século XX. Actualmente têm ali surgido alguns estabelecimentos de restauração, com uma pensão restaurante e café, outros dois cafés restaurantes, 1 padaria em fase de abertura, um pão quente/salão de chá além de mais dois cafés e 5 lojas comerciais tipo “soto” de antigamente. Das tabernas de antigamente já nada resta. A Festa de N.a Sr.a dos Remédios que costuma ser muito concorrida e com fervor religioso e profano muito interessante, costumava fazer se no 1.° Domingo de Setembro. Só que, com a vinda dos emigrantes, e por volta dos anos70/80 passou a ser no 3.° Domingo de Agosto. Além desta e do S. Lourenço, da Semana Santa e do Carnaval, dos Reis ou da fogueira de Natal, ou ainda os Santos populares com as suas cascatas (agora já em desuso), há ainda o Espírito Santo a seguir à Páscoa, e a Santa Bárbara que tem a Capela no alto do seu monte com uma panorâmica invulgar, que se faz no último fim de semana de Julho (há anos em que os mordomos não a fazem). Há ainda o S. Sebastião em fim de Janeiro, quando um grupo de mordomos daquele Bairro onde se situa a Capela, fervorosos, lançam mãos á sua realização, o que já vem acontecendo há mais de uma década a esta parte e sem interrupção. Possui três associações: de Caçadores, Lousa Verde (ligada aos produtores florestais) e Associação Cultural e Recreativa. Esta é a mais antiga, foi fundada em 1981 e tem mantido uma Banda de Música. Já reviveu os jogos tradicionais do ferro por Baixo, do ferro a Pulso e da Malha que se costumavam jogar nas décadas de 40 e 50 no Largo do Olmo frondoso que ali existia. Em sua substituição está ali colocado em 1997 um nicho ao S. Lourenço. Esta Banda veio renovar a tradição local da música, pois nas décadas de 20 e 30 do século XX teve Banda de Música, fazendo com que a tradição da Semana Santa, com o procissão do Sr. dos Passos e a do Enterro do Senhor a terem ainda algum tipicismo. Esta terra possui imensas tradições, registando a dos Reis por exemplo. Agora é no 1 ° de Janeiro, mas costumava ser a 6 desse mês. De véspera cantava se os reis á porta das pessoas, com versos adequados. Depois no próprio dia, logo pela manhã, o Rei acompanhado de Jovens percorria as casas da aldeia para que lhe dessem os reis. Todos colaboravam com produtos da terra. A maior chouriça, a maior alheira era para colocar num grande ramo que a custo o mais valente transportava no cortejo. Recolhiam tudo: batatas, azeite, cereal, vinho, centeio… Os produtos eram reunidos no alpendre da Capela de Santo António. Havia missa com a presença do rei e do futuro rei. À tarde arrematavam se os produtos e havia festa convívio com baile. Uma boa parte da receita era para a Confraria/ Comissão fabriqueira, para a Igreja. Orações típicas existiam muitas, para cada caso a sua. Por exemplo, quando os trovões castigavam forte e feio, invocavam a Santa Bárbara e diziam versos como estes: “Santa Bárbara Bendital No céu está Escrita/ Com uni Raminho de Ouro na mão/ A pedir a Nosso Senhor que nos Abrande o Trovão”. Devemos acrescentar que, no seu termo e a caminho do Douro tem a Quinta do Farfáo onde residem 5 pessoas, além doutras quintas como a da Telhada e a da Cadima, onde já não vive ninguém apenas sazonalmente.

MAÇORES Esta povoação e freguesia ficava a 17 quilómetros da Vila indo por Felgueiras, distância encurtada para metade com a abertura da estrada pela Açoreira. Por ali se segue para Urros, Peredo dos Castelhanos, mas também para Ligares de Freixo de Espada à Cinta e fronteira espanhola de Barca d’Alva. É protegida pelas faldas da Serra do Monte Ladeiro, tendo os Ribeiros de Grava e Santa Marinha a rodeá la. O orago é o S. Martinho. Em Viterbo noticia se que “No sítio da Cabecinha Aguda houve uni Medianicho, lugar onde se reuniam os Juízes eleitos de Ligares, Maçores, Mós e Urros, para regularem a pastoreação dos seus gados, estando juntos e cada um em seu termo”. Isto evitava conflitos entre as aldeias vizinhas, e era também motivo de convívi, já que havia jantar após essa reunião de trabalho. As suas gentes são muito dedicadas aos trabalhos agrícolas e também à pecuária. Produzem o azeite, o vinho, a amêndoa suficientes para gasto e para venderem. Os seus gados dão lhe leite que ainda vendem e obtêm lucros com a sua criação, já que ainda por lá pastoreiam cerca de uma dúzia de rebanhos. Têm muitos castanheiros em fase de extinção, e matas de sobreiros que são afectadas pelos incêndios. Em 1960 havia dois lagares de azeite, dois barbeiros, um professor e um Regente, um médico, uma mercearia, quatro padarias e um talho. Ali viviam 541 pessoas em 1940, mas só tinha 279 habitantes em 1991 e votavam 317 eleitores. Nesta altura havia ali 2 cafés, dos minimercados, 2 fornos de cozer o pão, 1 lagar. E tinha 7 rebanhos de cabras e ovelhas. Teve indústrias de tapetes e colchas de lã e linho em teares manuais de tipo familiar. No censo de 2001 registava 224 residentes sendo 105 do sexo masculino. E em 1997 eram 301 os eleitores inscritos. Os lugares mais habituais para se reunirem são a Pracinha ou o Lagar do Meio. A Rua Principal mais o Cimo do Povo e muitas construções antigas de forma arredondada, tipo celta, com porta simples, são bem típicos, assim como as casas apalaçadas que ainda mantém, como a Casa de Ramiro Guerra qual Palácio do século XIX. A Capela de Santa Cruz junto à Ribeirinha e a Igreja Matriz reconstruída em 1900 são exemplares característicos da localidade. Na Igreja está uma imagem de N.ª Sr.ª das Dores trazida do Brasil pelo Padre Narciso Alves. Assim como o forno de pão, o Largo da Rua Nova com o Chafariz ao meio e onde se baila nas festas. As Ruas da Fonte da Pereira, do Lavadouro, da Quelha da Malta, das Courelas, Santa Cruz, Nova. Destaca se igualmente a grande mancha de sobreiros que tinha e grandes Rochas como a Fraga da Maceira, Fraga da Pinga, ou Fraga do Pendão. O Padre Narciso Alves era natural de Maçores e missionou no Maranhão. Também era dali o Dr. Agostinho de Bem Ferreira. O General Tomé Pinto, que todos conhecemos, nasceu igualmente em Maçores. Uma figura popular nossa contemporânea e que marcou a povoação nas últimas décadas foi Luís Fernandes, Guarda Fiscal, mais conhecido por “Camões”. Tendo nascido nos Estados Unidos em Massachuset, onde os pais eram emigrantes, com 2 anos veio para Maçores terra dos progenitores. Faleceu em 1999 com 75 anos de idade. A sua vida percorrendo “meio mundo” e diversos serviços dava um bom romance. As suas histórias alegravam aqueles que o rodeavam, ainda que fossem menos alegres. Contagiava a todos com uma presença e humor, uma hospitalidade invulgar. Foi Presidente da Junta de Freguesia de Maçores durante vários anos após o 25 de Abril, dotando a freguesia com Sede da Junta onde funciona o Posto Médico, Associação Cultural, melhoria de ruas e outras estruturas, sendo um defensor da abertura da estrada que pela Açoreira chega a Moncorvo muito mais rápido que a antiga por Felgueiras. Quando abriam a estrada de Felgueiras para Maçores, eram os carros de Bois que transportavam a terra e a pedra. E, numa curva, certo dia, os bois negavam se a continuar a puxar o carro; valeu a sua determinação, força e estatura, que segurou o carro, metendo se entre as varas. Daí que ainda hoje essa curva se chama a Curva do Camões.
S. MARTINHO de Maçores é uma festa muito típica e peculiar, com as características únicas na região, a 11 de Novembro de cada ano. Além das castanhas assadas na eira, a festa é popular e báquica, e os festeiros debruçam se sobre um caldeiro cheio de vinho pendurado numa vara levada ao ombro por dois populares e que bebem com alma e vontade, quanto baste para saborearem o paladar daquele líquido precioso que ajuda a comer as ditas castanhas, deixando os intervenientes satisfeitos por cumprirem a tradição centenária.

MÓS A freguesia de Mós fica a 14 quilómetros da Vila, para NE, entre as Ribeiras de Mós e de Santa Marinha, rodeada de várias elevações como o Monte da Forca da Velha, o da Lagareira, dos Logarinhos e da Forca Nova. O casario estende se a partir do Castelo e pela encosta até à Fonte Romana onde passa o Ribeiro. Tem como orago N.a Sr.a da Encarnação. Vila Medieval, sede de concelho com autonomia judicial e pelourinho, foi praça defensiva com Castelo do qual ainda restam alguns pedaços de muralhas. Teve Foral de D. Afonso Henriques em 1162, de D. Afonso III em 11 de Abril de 1248 em Guimarães e de D. Manuel em Lisboa a 4 de Maio de 1512. Foi o Castelo que deu alguns topónimos locais, como o Castelo de Terronho, Castelo da Murada e Castelo da Cigadonha. Ao entrar da década de 60 em Mós havia um alfaiate, quatro lagares de azeite, dois barbeiros, um professor e dois Regentes, um ferrador, um ferreiro, quatro mercearias e um talho. Mas a população tem vindo a diminuir, tendo 852 habitantes em 1960, para em 1991 ter 377, pois fica bem no interior, afastada cerca de 3 quilómetros da estrada Carviçais / Moncorvo. Por isso não admira que em 2001 só ali residissem 307 pessoas, das quais 144 pertenciam ao sexo masculino. Em 1991 tinha 417 eleitores inscritos, para em 1997 se ficar pelos 378. É a agricultura de subsistência que teima em manter aquela gente. Amêndoa, azeitona, castanha, cereal, vinho ainda vão dando para comer e vender. Os Sobreiros que vão restando dos incêndios, as giestas, os pinheiros dão um ar de plena ruralidade natural. É uma “fábrica” de rendas e colchas com as mulheres sentadas nas soleiras das portas e escadas exteriores ou patamares tradicionais, particularmente na Rua da Pracinha a partir da Capela de Santo António, ou até no adro da Igreja. A aldeia foi electrificada em 1963 e a água ao domicílio foi levada em 1965. Em 1974 abriram se vários caminhos vicinais como: Mós a Tironho, Rego do Vale, Rego do Lobo. Depois seguiram se os bebedouros para o gado como na Portela e outro nos Palheiros, Ferronho, na Odreira, da escola nas quintas das Centeeiras, caminho do Carvalhoso. Têm Associação Cultural que consegue manter algum entusiasmo para a juventude local. Em 1992 havia em Mós 1 café, 4 mercearias, 2 barbeiros, 2 alfaiates, 3 modistas, 3 lagares de azeite, 1 albardeiro e um forno do pão. A Igreja Matriz do século XVI é elegante e grandiosa, com frontaria onde tem uma rosácea, campanário, e um interior riquíssimo: altares com talha dourada, pinturas no tecto do altar-mor, arcos em granito a sustentarem o tecto em madeira, púlpito redondo granítico também. O Santuário de Santa Bárbara na Portela, a Rua do Cano, a Fonte Romana, Forno de Cal, o local da fábrica de ferro de chapa cunha, a estrada medieval, as ruas estreitas, as casas em xisto, ou granito miúdo, escola primária, lavadouro, sede da Junta, Cortiços, Sobreiro Grande, restos de um moinho de vento, são características peculiares de Mós. O Pelourinho do qual já foram encontradas várias partes como a base que estava a sustentar um grande cruzeiro. A Casa da Roda e a Forca. O Santuário de Santa Bárbara é um lindo local para deleite de todos quantos escolhem o meio bucólico para descansar. Mas também podem apreciar as típicas casas da Rua Travessa ou Rua de Baixo. Tem anexas as Quintas de Centeeiras, de Chapa Cunha e de Odnisa, com pouco mais que uma família cada.

PEREDO DOS CASTELHANOS Esta freguesia era, como a Lousa, das mais afastadas da Vila: cerca de 32 quilómetros. Com a abertura da estrada MaçoreslAçoreira e o corte de algumas curvas entre Maçores e Peredo, foi possível reduzir essa distância em cerca de uma dezena de quilómetros. Fica no extremo Oriente do concelho, numa grande elevação extremo de uma zona planáltica prolongada a partir de Urros, cujos terrenos se tornam muito declivosos para o Rio Douro que a separa das Beiras. Tem como orago S. Julião. Terra habitada há muitos e muitos anos, aparece despovoada no século XV não se sabem ao certo as razões. No entanto, por volta de 1530 é habitada de novo por “8 famílias espanholas de Freixeneda que aforaram a Gomes Borges de Castro, durante três vidas os seus terrenos”. Em 1565 é construída a Igreja Matriz e a 2 de Abril de 1640 ali nasce o Padre Pascoal Ferreira ilustre homem de letras. Em 1960 comportava 418 habitantes, entre os quais havia um alfaiate, quatro comissários de azeite, dois lagares de azeite, dois barbeiros, um professor, duas fábricas de moagem, duas padarias. Mas tinha apenas 174 residentes em 1991, para no censo de 2001 apresentar 148, e destes 59 pertenciam ao sexo masculino, que se dedicavam à agricultura e à pecuária exclusivas. À excepção de um ou outro morador que consegue trabalho fora da terra, a sua maioria contenta se em produzir abundância de Vinho, muito dele o néctar que dá o Vinho do Porto, amêndoa e azeite nas encostas e vales dos seus terrenos xistosos. Mas também criam ovelhas, bois e vacas, e por lá vão tratando das colmeias que lhes dão algum mel. Eleitores em 1991 eram 210, mas em 1997 estavam inscritos 218! Em 14 de Novembro de 1989 era inaugurada a sede de Junta de Freguesia de Peredo dos Castelhanos, sendo Presidente da Junta Armindo Manuel Rodrigues, 48 anos empresário, irmão do Dr. César Urbino, director do Jornal “A Voz do Nordeste”. Foi o Presidente da Junta que mais se interessou pela terra e que conseguiu darlhe outro impulso renovando a esperança de ali se continuar a viver bem, estancando a fatal desertificação a que estava votada. Mandou arranjar as Ruas da Fonte de Cima, da Fonte do Prado, Rua da Pracinha, vários caminhos vicinais como o do Gavião, o do Miradouro e o da Barca, bem como o lavadouro no lugar do Chafariz. Em 15 de Agosto de 1992 houve uma grandiosa festa à Sr.ª da Glória, que já há 13 anos se não realizava, o que encheu de grande emoção e satisfação todos os locais, em particular os que vivem fora e ali regressaram não perdendo essa oportunidade de reviver a tradição. Costumam juntar se no Largo de Santa Cruz perto da Capela do mesmo nome e jogam ao ferro, à malha e ao fito. Têm por perto a Igreja e a Fonte da Bica. Através das Eiras sobe se à tradicional Capela da Sr.ª da Glória muito venerada pelos seus habitantes, com uma excelente panorâmica alargada pelas montanhas e vales em redor, terras do sabor e Côa e, claro está, pela Ribeira do Gavião até ao Douro. Ou a Igreja de S. Julião que data do século XVI. A 27 de Dezembro de 1984 foi fundado o Grupo Desportivo, Cultural e Recreativo de Peredo dos Castelhanos. Após um período menos bom, foi reorganizado em 1989. E lá vai fazendo unir mais o relacionamento das suas gentes que teimam em ali querer viver as suas vidas, tendo o seu grupo desportivo inaugurado o Bar convívio no início da década de 90. Do Peredo se admiram as íngremes encostas sobre o Douro, com amendoais e vinhedos, bem assim olivais onde a caça à perdiz é frutuosa. Recentemente passou a contar com a estrada Peredo Rio Douro alcatroada, que lhe dá acesso mais directo ao Pocinho. Acrescente se que já tem Centro de Dia/Lar António César, inaugurado a 4 de Julho de 1998, fruto da construção a expensas dos beneméritos Manuel Adelino Martins e Lurdes Gil, que quiseram perpetuar a memória de seu filho vítima de doença incurável e que ali gostava imenso de passar férias. Uma das figuras que actualmente se destaca daquela povoação é o Prof. Dr. Fausto Pontes, Catedrático na Faculdade de Medicina de Coimbra.

SOUTO DA VELHA Qual jardim plantado em plena natureza, Souto da Velha está a cerca de 17 quilómetros da Vila, a 3 de Felgar e a 4 a sul da margem esquerda do Rio Sabor, bem perto de Carviçais. Em 1960 havia ali 464 habitantes. Destes dois eram barbeiros, um encarregado do correio, um professor, um Regente, um Regedor, um alugador de máquinas agrícolas, um talhista, dois merceeiros, um Juíz de Paz que era o Presidente da Junta. Havia um lagar de azeite e o Pároco era o do Felgar. Tinha 181 pessoas em 1991 que se dedicavam a produzir ainda tradicionalmente azeite, vinho , amêndoa e castanha, bem como à criação de animais. Usam ainda carros de bois e carroças, a par de tractores. Para no censo de 2001 serem 125 os residentes, e destes 60 eram do sexo masculino. Eleitores, eram 229 os inscritos em 1991, mas em 1997 tinha 206. A Igreja no cimo do povoado protege o, tem uma fonte por perto, bem como a escola pré primária e primária. Locais típicos: Rua Direita, Largo da Igreja (ponto habitual de encontro dos seus residentes), Largo da Praça onde jogam à radiola, Ribeiro dos Moinhos onde houve muitos moinhos de rodízio que moíam o cereal, o Lavadouro Público, o Grupo Desportivo e o casario em pedra rústica são características bem marcantes do povoado. Destacam se ainda os seus soutos de castanheiros que sempre caracterizaram o local. Daí a designação de “Souto “, ou seja “conjunto de castanheiros”. A designação “da Velha” poderá estar relacionada com alguma proprietária mais idosa que ali teria um Souto onde viriam a ser construídas as casas do povoado, e, por isso era a terra do “Souto da Velha”. A pavimentação da típica Rua da Serri nha foi iniciada em 1989. E também já tem salão de Junta de Freguesia para as suas reuniões.

TORRE DE MONCORVO A freguesia e Vila de Torre de Moncorvo é o centro administrativo do concelho e, daí, já termos falado em muitos dos seus aspectos caracterizantes. Contudo, devemos acrescentar outros bem marcantes. Situa se no sopé da Serra de Reboredo virada a poente e Sul e fica a escassos 6 quilómetros do Pocinho e rio Douro onde outrora havia uma barca de passagem para a Beira Alta. O seu orago é N.a Sr.a da Assunção, cuja festa em Agosto tem ganho uma dinâmica e interesse que rivalizam com a de Vilas Boas no mesmo dia. Tem uma área de 35,88 km2. Nascida no século XIII quando se transfere para ali o ex município de Santa Cruz da Vilariça, a freguesia de Moncorvo não mais parou de se desenvolver, à sua maneira, atravessando as conjunturas próprias das épocas que os séculos passados marcaram a vida das gentes portuguesas. D. Dinis dota a de Castelo e muralhas de que ainda restam vestígios. Foi palco de lutas renhidas desde os tempos de D. Fernando a guerra dos 7 anos em que foi arrasada, até depois às invasões francesas no início do século XIX. Mesmo depois de ter deixado o seu papel militar que acontece após as invasões francesas, a Vila continua a engrandecer se, a ser um centro judicial e cívico, um centro comercial e administrativo, mas também religioso, impondo sempre a imponente Igreja Matriz que mais parece uma Catedral. Os diversos solares, as quintas, as casas brasonadas, o núcleo medieval mas também o renascentista e barroco, e agora os bairros e avenidas novas fazem de Moncorvo uma Vila com história mas também adaptada aos tempos modernos. O Complexo Desportivo, as Piscinas Municipais, as variantes (para o Larinho e a das Aveleiras para Pocinho), o complexo Escolar, o Pavilhão Municipal, a nova imagem do Largo da Corredoura, espaço onde se faziam as feiras durante muitos anos depois de transferidas da Praça Francisco Meireles, o Quartel dos Bombeiros, a Cooperativa Agrícola, a Biblioteca e o Arquivo Histórico, o Edifício do Tribunal, os Paços do Concelho, o edifício da Portugal Telecom, o Terminal de Transportes, diversas instituições bancárias, o edifício do Gabinete Técnico, o Cine Teatro, Edifício dos CTT, edifício da Zona Agrária, do Mercado Municipal, a Fundação Francisco Meireles e o seu complexo da apoio social, a Santa Casa da Misericórdia e todas as suas estruturas como o Lar e o Centro de Dia, tudo isto são estruturas claramente demonstrativas da história e da renovação da vida pública e social da Vila, espelho do concelho. A Associação Comercial e industrial de Moncorvo foi criada em 2 de Maio de 1928.Os Bombeiros Voluntários foram criados a 13 de Maio de 1933, a Cooperativa dos Olivicultores em 1954 o Grupo Desportivo de Moncorvo a 1 de Maio de 1967. A 28 de Julho de 1991 foram inauguradas as novas instalações da GNR cujo posto funcionava onde hoje é o Museu do Ferro, junto da Igreja Matriz. Nesse ano, a 1 de Novembro foi inaugurado o Tribunal remodelado de forma agradável e respeitando a traça dos edifícios dos anos 40. As casas de Campos Monteiro e outros ilustres que ali nasceram são motivo de orgulho local. Outras personalidades ali viveram e construíram seus solares (ver ilustres). A nível de população a freguesia tinha ali a residirem cerca de 3.000 pessoas em 1940, mas em 1991 ficou se pelos 2.623. No censo de 2001 residiam na freguesia de Moncorvo 3030 pessoas, sendo 1443 do sexo masculino. No que toca a eleitores, eram 2.554 em 1991, para em 1997 ter 2644 inscritos. A agricultura não deixa de ser uma actividade importante, abastecendo a Vila, mas têm já muitos postos de trabalho do sector dos serviços, dado que, como sede do Município e com delegações públicas ligadas à saúde, à educação, à agricultura e transformação de produtos, ao comércio, torna a Vila um centro com características também urbanas. É interessante observar os dados sócio económicos relativos a 1960: Adega Cooperativa, Administração Florestal, Tribunal, Comissões Municipais de Assistência, Higiene, Turismo, Venatória concelhia, Comissariado do Desemprego, seis professores primários e um Regente, Secção de Conservação de Estradas, Finanças, Tesouraria, GNR, PSP, Serviços Hidráulicos, Legião Portuguesa, Mocidade Portuguesa, Santa Casa da Misericórdia, Notário, Cooperativa de Olivicultores, Casa do Povo, Grémio da Lavoura, Junta Nacional de Produtos Pecuários, Inspector de Sanidade, dois solicitadores, Tribunal de Menores, duas cordoarias, um dentista, cinco drogarias, outros tantos electricistas, dois engenheiros de minas, colégio Campos Monteiro com onze professores, um depósito de farinha, duas farmácias, doze lojas de fazendas, um ferrador, seis lojas de ferramentas, fogões a gás, três depósitos de fósforos, três de frigoríficos, três de petróleo, três de pólvora, dois exportadores de frutas secas, quatro depositários de gasolina e gasóleo, uma loja de instrumentos musicais, o Jornal “A Torre”, assistência a inválidos e órfãos do sexo feminino, cantina escolar, cantina da mocidade Portuguesa, Confraria de S. Vicente de Paulo, Associação de Bombeiros Voluntários, Filarmónica Moncorvense, quatro lojas de acessórios de automóveis, cinco de aluguer de automóveis, quatro garagens de automóveis, quatro lagares de azeite, dois comissários de azeite, várias agências de bancos, quatro barbeiros, cinco cafés, teatro cine, duas Casas de Hóspedes, uma Cerzideira, seis chapelarias, cinco construtores civis, uma fábrica de lã, um negociante de lã, um latoeiro, 78 lavradores proprietários, 12 casas de legumes, quatro livrarias, nove casas de louças e vidros, duas latoarias, quatro negociantes de madeira, três agentes de máquinas de costura, dois de escritório, três marcenarias, cinco de materiais de construção, sete médicos, dezassete mercearias, um armazém de mercadorias, quatro minas de ferro, vinte e três minas não exploradas de ferro e metais concedidas em 1898 a Schneider e C.ª e Forges no Creesot (França), 11 de ferro e outros metais na Serra do Reboredo e Cabeço da Mua concedidas a Guilherme Winberg e Honner de Bilbau, uma fábrica de moagem, quatro modistas, três de motores eléctricos, cinco de depósitos de óleo, uma ourivesaria, uma padaria, cinco papelarias, duas pastelarias, dois negociantes de peixe fresco, um de peles, Cinco pensões, três depósitos de petróleo e três de pólvora, oito comerciantes de rádio receptores, duas fábricas de refrigerantes, dois relojoeiros, seis sapatarias, quatro serralharias civis, duas serralharias mecânicas, duas casas de sola e cabedais, três lojas de tabaco, dois talhos, uma tanoaria, dois transportes de mercadorias, um veterinário, trinta vinicultores e dois armazéns de vinho.

URROS Fica situada para SSE do concelho, a cerca de 15 quilómetros, numa cadeia de montanhas para norte da margem direita do Douro, a cerca de 6 quilómetros deste. Foi uma fortificação avançada contra as invasões leonesas que usavam o Douro tendo ficado até despovoada. Foi palco de lutas das discórdias de D. Afonso II e suas irmãs. O orago é o S. Bartolomeu. O povoado de Urros é dominado a sul, por cumes elevados e declivosos, em particular o do Poio e o do castelo, entre os quais ficam as Ermidas da Sr.a do Castelo e de Santo Apolinário. São elevações com muito interesse arqueológico. Teve foral de Afonso Henriques em Abril de 1182 “Foral de Orrio”, referido por Alexandre Herculano e Gama Barros. Nele são indicados os privilégios da Vila, entre os quais é o do concelho nunca ter outro senhor senão o rei ou o seu filho ou quem o concelho quisesse. Em 1236 el rei manda os de Freixo povoarem Urros. No século XIX foi local para onde foram destacados mais de uma centena de homens pelo célebre Sepúlveda, comandante de Trásos Montes, devido às insurreições contra os franceses. Terra natal de homens ilustres como o Padre José Madeira (a braços com a Inquisição). Dr. José Nunes da Fonseca, Joaquim Rodrigues Ferreira Pontes que foi Cónego da Sé de Braga e deputado pelo Círculo de Moncorvo em 1851/52. Em 1991 tinha 448 habitantes. Mas, em 1950 eram 1255. No censo de 2001 tinha 325 residentes, e destes 167 pertenciam ao sexo masculino. Eleitores, eram 405 em 1991 para em 1997 serem 417 os inscritos. Na década de 60 possuía: quatro alfaiates, dois lagares de azeite, três barbeiros, dois professores, três lojas de fazendas, quatro ferradores, sete ferreiros, um latoeiro, três alugadores de máquinas agrícolas, um médico, três mercearias, quatro padarias, um Regedor, Posto de Registo Civil, uma serralharia civil, um talho, um transporte fluvial. A sua actividade é a agricultura com alguma pecuária por acréscimo, bem assim a apicultura em acumulação. A amêndoa abunda e a sua britagem ainda se faz artesanalmente por algumas das suas gentes, em particular às portas de suas casas na companhia de amigos e familiares, pela hora de calor. O vinho e o azeite ajudam o sustento local. Têm cerca de 2000 cabeças de gado a pastorear os seus terrenos. Ainda há quem faça as colchas e os tapetes de Urros, embora já raramente. Na Pracinha, junto da Escola Primária e no Largo do Jogo há três tanques bebedouros para gado muar. Tem as Fontes públicas de Nogueira e da Couça. Possuem uma Associação Cultural. Locais típicos e a visitar: Capela de Santo Apolinário com a tradicional festa no último domingo de Agosto, com uma fonte cuja água fica límpida ou turva conforme a do rio Douro. O seu alpendre de 17 arcos é admirável. As lendas e tradições do martírio do Santo são contadas pelos locais, à sua maneira e sabedoria. A Capela do Espirito Santo, octogonal, o Cruzeiro da Sr.a do Pedo, o Buraco dos Mouros. A Igreja, o Castelo, a Sr.ª do Castelo, a Fraga do Lapão, o Ribeiro e a Barragem do Arroio. O Largo das Eiras é o centro cívico local, e foi arranjado em Agosto de 1991/92. É ali que se fazem os arrais de suas festas mais animadas. Tem feira no 1.° Domingo de cada mês.

LENDAS

As lendas de mouras encantadas, de tesouros guardados em fragas graníticas, de buracos entre rochas, cheios de mistério, de feiticeiras, de explicação toponímica e até da origem das terras de Moncorvo; lendas cuja origem não se consegue determinar nem no tempo, nem no local, povoam as terras do concelho de Moncorvo, e dão um bom volume literário e popular que alguém devia pegar em levar a cabo. Neste Dicionário vamos apenas incluir duas ou três para exemplo, optando pelas que consideramos mais significativas.

LENDA DE TORRE DE MONCORVO

Gentil Marques, no volume 3 de “Lendas de Portugal”, p. 43, descreve ao pormenor a Lenda de Torre de Moncorvo. Ou melhor a da etimologia de nascimento do topónimo Torre de Moncorvo. O tempo em que decorre éà volta de 1062, quando D. Fernando I, o Magno, rei de Leão, era inimigo dos Mouros. O espaço é a área da Serrra do Reboredo e da zona da Silveira/Portela, ex concelho de Santa Cruz da Vilariça. Era aqui que vivia D. Mem Corvo, fidalgo também chamado por D. Mendo ou Menendo Corvo a quem o dito Rei de Leão deu o senhorio de várias terras daquela zona, com a condição de as defender dos Mouros, dada a sua bravura. Um dia, D. Mendo ter se á apaixonado por uma linda rapariga de nome Zaida, moura, raptada por Pêro Antunes e que lhe fora, à sua Torre, pedir auxílio por andar perdida da família. Acabou por catequizá la e dar lhe o nome de Joana, que havia sido o seu primeiro grande amor que a morte levara sem a ter esposado. Na véspera do dia marcado para o casamento de D. Mendo com Joana (Zaida), esta adoece, e nem o melhor Físico da Corte, mestre Afonso, lhe valeu, apesar de ter diagnosticado o mal: febres devidas à insalubridade do terreno onde se cultivava o linho quase em exclusividade (Vale da Vilariça). Na esperança de que Joana curasse, ele dera ordem para construir outra Torre nas terras vizinhas que lhe pertenciam e que eram mais saudáveis, pois tinham a serra a proteger os ares, para depois casarem e irem viver para aquelas faldas da Serra do Reboredo. Zaida acaba por morrer. Ele desafia a morte com a Espada e ficou perturbado na sua “razão”. O seu criado ajudou o a acalmar aos poucos, e, quando a Torre que mandara construir estava pronta, mudou se para lá, mandando destruir por completo aquela onde morrera a Joana (moura) que amara. E foram muitas as pessoas que se mudaram com ele e passaram a viver em volta da Torre de Mem Corvo como lhe chamavam. Essa povoação transforma se em Vila e é a actual Torre de Moncorvo. (Esta é uma entre outras explicam a etimologia de Moncorvo).

LENDA DA FONTE DO GOGO

No Aquilégio Medicinal, p. 126, Francisco da Fonseca Henriques diz que: ” No termo da villa de Moz comarca de Moncorvo entre o Lugar de Carviçaes e a mesma villa, há huma Fonte, a que chamaõ do Gogo, da qual se diz, que vespera de S. João Bautista, pela rneya noyte, lança mays ágoa em grande copia, e que ao nacer do sol se torna a por na sua corrente ordinária; e que as pessoas que padecem quyxas de nervos, e debilidade de juntas, sarnas, e outros achaques cutaneos, tomando banho, ou lavando se conz ella naquella noyte, melhoraõ; o que aquelle gente attribue, não só à virtude da ágoa, senão também a milagre do Santo; mas em todo o tempo que se usa della nas ditas queyxas, sempre aproveytam, ainda que não seja milagrosamente, como na noyte do Santo “.

LENDA DO CONVENTO DA LOUSA

O Convento da Santíssima Trindade de Lousa, que pertenceu à Congregação dos Trinitários e fora escola de humanidades, foi fundado em 1474, por Santo Antão, natural de Seixo de Ansiães (concelho de Carrazeda) e falecido em Lousa a 15 de Janeiro de 1510 com fama de Santo, tendo sido sepultado na Capela Mor da Igreja do Convento. A origem da construção do Convento anda ligada a uma lenda, narrada pelo Agiólogo Lusitano da seguinte forma: “Frei Antão era filho de ricos e honrados pais, logo nos anos da adolescência se retirou afazer vida solitária nas brenhas vizinhas ao dito lugar (da Lousa), onde para se mortificar usava de vários rigores e penitências a que o céu correspondia com particulares consolações e favores. Entre eles, conta a tradição, que certa noite lhe apareceu um anjo, que da parte de Deus lhe mandou edificasse uma Igreja em honra da Santíssima Trindade no cume daquela montanha. Amanheceu, veio aos moradores do lugar, manifestou lhes a visão, a que eles não deram crédito. Apareceu lhes segunda vez o anjo e lhe disse que tornasse e que se preservassem na dúvida, mandassem vir ante si um enfermo, que no dito lugar estava já no últinao, ao qual, em testemunho desta verdade, e em nome da Santíssima Trindade, daria saúde. Tudo sucedeu pontualmente, porque o enfermo se levantou tão rijo e valente como se não houvera tido enfermidade alguma. Espantados os moradores de tal manifesto milagre, obedecendo ao divino oráculo, deram crédito ao que o santo mancebo dizia e logo levantam a Igreja, que em breve se acabou. Outra vez lhe voltou a aparecer o anjo e dadas as graças de estar há a Igreja acabada e perfeita, lhe disse que levasse a ela frades da Santíssima Trindade, pois era da própria invocação. Obedeceu, veio ao mosteiro de Santarém da mesma ordem, contou o sucedido, assentiram os religiosos e assinaram alguns, que levou consigo para a nova fundação. Ele também se recolheu em sua companhia, tomando o hábito, em cujo religioso estado floresceu em tanta santidade, ilustrada com maravilhas, que toda aquela comarca o venera depois de morto como um Santo, gloriando se de que foi seu compatriota e natural. Cujos ossos no ano de 1633 foram achados mui alvos e cheirosos em abono da sua virtude “.

LENDA (HISTÓRIA) DE SANTA MARINHA

Na Açoreira há uma festa religiosa em honra de Santa Marinha, tendo origem na tradição da sua história ou lenda que por lá se conta oralmente . Diz ela: era uma vez uma menina que ficou sem mãe muito cedo Cresceu à guarda de seu pai que nunca a abandonou. Como eram pobres, o pai decidiu ingressar num Convento de Frades, e, como não aceitavam em tal lugar mulheres, para não deixar a sua família sozinha, deu lhe o nome de Marinho e fê la passar por homem. Ao chegar à idade de vinte anos teve de ir à tropa pois legalmente era um rapaz. Dizia se que era muito bonito e todas as raparigas o desafiavam, mas “ele” não dava conversa nenhuma. Certo dia, uma delas acusou o de ter mantido relações sexuais com ela, estando assim grávida, pelo que pretendia que Marinho reparasse o erro através do casamento. Marinho negou tal facto, mas nem os seus chefes acreditaram nele. Esteve preso para que viesse a mudar de ideias, mas tal não aconteceu. Algum tempo depois, Marinho apanhou uma doença muito grave. Exigiu ser tratado por mulheres, facto que levou a que pensassem ser o marinho um devasso que até na hora da morte apenas pensava em mulheres. À beira da morte, quando já não se podia negar o pedido a um moribundo, Marinho quis ser lavado e preparado só por mulheres. Só nessa altura é que então descobriram a verdade e avaliaram os martírios que “Marinho” passara ao pagar na prisão um erro e difamação que nunca cometera. Só então puderam verificar que se tratava de uma mulher. Por essa razão, foi decidido chamar lhe SANTA MARINHA.

LENDA DE CABEÇA DE MOURO

Esta lenda pode ser chamada, e é conhecida, por Lenda de S. Salvador (de Ansiães), terra próxima que foi a origem de Carrazeda de Ansiães. Explica nos a origem de S. Salvador de Ansiães, mas também a de Cabeça de Mouro, Cabeça Boa. No Abade Baçal, vol. IX, pág. 116, diz o seguinte (actualizamos a ortografia): “Não há documento porque conste a sua fundação, e só uma vulgar tradição de que fora feita tio lamentável tempo em que os mouros dominavam esta terra por um cristão em competência de um mouro que ao mesmo tempo fazia uma mesquita no sitio da Portela termo da vila de Moncorvo no fundo das Fragas dos Estevais, que convertida em templo dos cristãos, é hoje da invocação de Sam Mamede e ainda que ao presente se ache em parte arruinada, contudo mostra a sua admirável forma da sua fundação. É da mesma tradição que estes dois oficiais cristão e mouro nesta sua competência contrataram que aquele que melhor fizesse a sua obra mataria o outro, e que acabando primeiro o cristão a sua, e indo ver a do mouro, e reconhecendo levar a sua vantagem, o convidara para logo vir ver também esta sua, e vindo a isso caminho direito, descansando a uma fonte no cimo do lugar de Cabeça de Mouro termo da dita vila de Torre de Moncorvo, junto da Igreja dela dilatando se algum tempo a conversar dissera que se naquela ocasião morria não havia de prejudicar nem de fazer mal com seu veneno (ainda que mordessem) as muitas bichas (víboras) que na muita distância de terra que dali se vê havia, e que se tem e teve em toda ela por certo pela conhecida experiência havida das muitas que têm mordido muitas pessoas sem prejuízo nem dano. E que havendo de beber na dita fonte, o cristão dolosamente persuadira o mouro a que o fizesse primeiro e que fazendo o e abaixando se para isso, lhe cortara a cabeça com um treçado, de cujo sucesso ficara àquela fonte o nome de Fonte de Cabeça de Mouro, e que povoando se depois o lugar que ali há, se chamara pela mesma razão Cabeça de Mouro. E povoando se logo outro a ele vizinho do mesmo termo da Torre de Moncorvo, se chamara Cabeça Boa pela razão do dito sucesso, o prodígio das bichas daquelas terras não prejudicarem havendo muitas”.
Professor Virgílio Tavares /2001 Mestre em História Moderna e Contemporânea

In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães – Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt

Preço: 30 euros

(C) 2005 Notícias do Douro

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