Concelhos

Vimioso

A vila de Vimioso fica situada no Nordeste Transmontano, num planalto entre os rios Maçãs e Angueira, afluentes do rio Sabor. Dista trinta quilómetros de Mirando do Douro, quarenta e cinco de Bragança, trinta de Mogadouro e vinte e cinco de Alcanices. Com uma área geográfca de 479 km2 o concelho de Vimioso apresenta uma diversidade razoável relativamente às características do seu relevo. Arribas bastante acentuadas nas margens dos rios Angueira, Maçãs e Sabor e terrenos planos com boas hortas, lameiros e terras de cereais. Apresenta alguns microclimas que possibilitam culturas como a oliveira, a amendoeira, a vinha, o sobreiro e outras espécies. A população de Vimioso ronda as 6500 almas e tem diminuído de ano para ano ao ponto de muitas escolas se encontrarem encerradas há anos. A densidade populacional é de 12 habitantes por Km2 com tendência a diminuir. O concelho tem 6199 eleitores. Nas eleições autárquicas de 17 de Dezembro de 2001 votaram 4640. A economia de Vimioso baseia se na agricultura e pecuária que têm diminuído drasticamente a sua actividade. Até aos anos sessenta, antes do surto de emigração da sua população, Vimioso era um concelho rico em produtos agrícolas como o vinho, o azeite, o trigo, o centeio, a batata, ele. A pecuária era uma actividade extraordinária. A existência de boas pastagens e boas terras para forragens proporcionava a criação em grande escala, de gado bovino, ovino e caprino. A carne dos bovinos de raça mirandesa foi sempre muito apreciada por ser de boa qualidade e ainda hoje écomercializada por encomenda no Porto, Lisboa e outros pontos do país. Constituía também uma boa fonte de rendimento a cultura da vinha, da oliveira dos cereais e da batata em algumas zonas do concelho com características específicas de terras fundas e boa água. Relativamente ao relevo não temos no concelho serras ou elevações dignas de realce. Podemos considerar que o concelho de Vimioso faz parte da continuação do Planalto Mirandês. Os rios que atravessam o concelho, Sabor, Maçãs e Angueira, tiveram alguma importância na subsistência da população, pois a quantidade e qualidade de peixe neles existente era digna de realce. Nas suas margens havia inúmeros moinhos onde se moia o trigo e centeio que constituíam a base da alimentação da população. Todas as aldeias têm as suas festas características anuais, dedicadas a um santo que geralmente é o orago da igreja local. No concelho de Vimioso realiza se uma romaria importante na actual vila de Argozelo, em honra do S. Bartolomeu. No dia 24 de Agosto, milhares de peregrinos afluem ao santuário, vindos de todas as freguesias do concelho, dos concelhos limítrofes e de vários pontos do país. Os naturais de Argozelo que residem fora e também no estrangeiro, não faltam ao S. Bartolomeu, tal é a devoção. Uma outra característica interessante e digna de mencionar deste concelho, diz respeito ao sotaque e pronúncia da população natural de algumas freguesias, designadamente Argozelo, Carção e Santulhão, e em especial Campo de Víboras e Vimioso. As aldeias que confinam com o concelho de Miranda do Douro são já influenciadas pelo sotaque do dialecto do Planalto mirandês. Os equipamentos existentes em Vimioso compatibilizam se com as necessidades e exigências da população que se habituou a um estado de estagnação civilizacional de longa data. É de salientar a Casa da Cultura que pode considerar se o melhor investimento do concelho e um dos melhores do distrito. Outros equipamentos constituem um património razoável no concelho como as piscinas municipais, o campo de futebol, o pavilhão gimnodesportivo, a escola E.B. 2 3 cuja população escolar tem diminuído substancialmente. A igreja matriz é um templo importante de estilo Barroco de uma só nave que bem merece uma visita. O quartel dos bombeiros tem boas instalações, está bem equipado e no que toca a viaturas é dos melhores do distrito. O quartel da G.N.R. é uma construção relativamente nova que foi construída para instalar a extinta Guarda Fiscal. O lar dos idosos constitui também um importante investimcnto. com instalações excelentes. O Centro de Saúde é uma construção desactualizada, propriedade da Santa Casa da Misericórdia. Aguarda se a construção de raiz de um novo edifício. O edifício do tribunal é uma construção robusta em granito mas que merecia actualização, pois não responde às exigências dos serviços que nele funcionam. Há em Vimioso uma feira anual, a Feira de S. Lourenço que se realiza a 10 de Agosto. É feriado municipal. Há vinte anos era uma importante concentração de gado onde se realizaram grandes negócios de animais, principalmente bovinos de raça mirandesa. Actualmente, nesse dia, realiza se um concurso de pecuária, de animais de raça mirandesa a que concorrem exemplares dignos de ser apreciados, principalmente na classe de touros. A luta de touros faz parte do programa festivo do S. Lourenço, sendo atribuídos bons prémios aos participantes e vencedores. Em todas as aldeias do concelho celebram se as festas tradicionais do calendário religioso. 0 Natal, o Carnaval, a Páscoa e a festa do Verão, são dias especiais que não dispensam a presença da maioria dos filhos da terra espalhados pelo país e até pelo estrangeiro. Na noite de Carnaval não faltam as filhós, as rabanadas, o bacalhau com hortaliça e batata. Na Páscoa, o folar e os doces caseiros fazem a delícia de todos os transmontanos.” No Entrudo come se tudo” e por isso nesse dia a carne de porco, o fumeiro, etc. fazem parte da ementa carnavalesca. Nas festas de Verão o menu é diferente e a posta mirandesa é o prato preferido. Em todas as freguesias do concelho se faz ainda a matança do porco. Há ainda muitos criadores de porcos que não dispensam a qualidade do porco caseiro alimentado à base de produtos naturais. Mas a maioria da população já não tem condições para criar estes animais e por isso recorre à compra de porcos criados em pocilgas. Destes, uma grande quantidade é importada de Espanha porque o seu preço é mais baixo. O fumeiro fabricado em todo o concelho é de grande qualidade. As alheiras ou tabafeias são excelentes, a chouriça, o salpicão, o butelo, o azedo, o chaviano, são especialidades muito apreciadas. A maioria da população tem mais de cinquenta anos. Não se alterando a tendência de envelhecimento destas comunidades, dentro de poucos anos podemos assistir a uma desertificação acelerada. Há também uma grande percentagem de pessoas quase analfabetas, e muito ligadas a métodos e processos antigos. Duma maneira geral a população de Vimioso vive bem, não se verificando situações de pobreza extrema, talvez porque as pessoas se habituaram a uma vida com bastantes limitações.

ALGOSO Esta sede de freguesia dista dezassete quilómetros de Vimioso e situa se na margem esquerda da estrada que liga Vimioso a Mogadouro. Algoso foi concelho por foral de D. Afonso V em 1480 e suprimido em 1855 (Francisco Manuel Alves Abade de Baçal notas monográficas de Vimioso). Conserva ainda o símbolo da autonomia municipal, ou seja o seu pelourinho. A igreja matriz é de uma só nave e tem uma torre de sinos importante. A Santa Casa da Misericórdia funciona como irmandade e é proprietária de um lar de idosos com capacidade para 15 utentes. Em 15 de Agosto celebra se a festa em honra de Nossa Senhora da Assunção que é a festa mais importante do ano. O castelo de Algoso é um testemunho da importância que esta povoação já teve nos tempos em que foi concelho. O castelo situa se junto a um desfiladeiro de 500 metro nas margens do rio Angueira. Daí se pode apreciar uma paisagem deslumbrante cujo belo horrível nos deixa estupefactos. Algoso foi vítima da sua distância à sede de concelho e do seu isolamento. Sem comu nicações não há desenvolvimento. A feira mensal realiza se nos dias 9 embora actualmente com pouco movimento. A sua situação num planalto, sofre a influência dos ventos da Saná bria, Borres e Nogueira. É uma terra rica em produtos agrícolas designadamente azeite, vinho e amêndoa. Tem várias capelas com algumas tradições que interessa estudar. (Ver Notas Monográficas de Vimioso de Francisco Manuel Alves Abade de Baçal). É uma terra muito ligada a tradições conservadoras, talvez por ter sido uma vila e concelho onde o poder influenciou as mentalidades. As festas tradicionais, Natal, Páscoa, Carnaval, Santos e festas do Verão são celebradas como em todo o concelho respeitando as tradições religiosas e gastronómicas de cada momento. Na época de Natal mantém se a religiosidade própria do acontecimento do nascimento do menino e sua adoração. Faz se o presépio na igreja paroquial com toda a pompa e circunstância, com a respectiva árvore de Natal. Também na maioria das casas de família se decora o pinheirinho de Natal e às vezes o presépio. A noite de consoada é celebrada à ceia com bacalhau, polvo, batata e hortaliça. As sobremesas são variadas: filhós, rabanadas, sonhos e outros doces iguarias caseiras. À noite a mocidade reúne se na foia ou fogueira de Natal. Esta fogueira é feita na rua, junto da igreja onde se queima grande quantidade de lenha apanhada pela comunidade.

VALE DE ALGOSO Pequena aldeia da freguesia de Algoso. Fica a 14 quilómetros de Vimioso e três de Algoso. É uma pequena aldeia quase despovoada. A agricultura e pecuária que ainda se pratica, é trabalho de idosos que teimam em manter com a terra que lhes deu o sustento uma vida inteira, uma ligação de amor. Existe em Vale de Algoso uma casa de turismo rural que pertence à família Pimentel. Passa no termo desta aldeia o rio Angueira que tem como afluentes pequenos cursos de água, regatos que correm no tempo de chuvas e trovoadas. Existem também nestes ribeiros alguns moinhos que servem algumas aldeias vizinhas. Também funcionou um pisão. Mantém as festas tradicionais ligadas à igreja que são a razão principal do regresso dos seus filhos espalhados pelo mundo.

ANGUEIRA É uma aldeia situada na margem direita do rio Angueira, num vale abrigado por elevações de relevo sem grande notoriedade. Pertenceu ao concelho de Outeiro extinto em 1853. (Notas Monográficas de Vimioso Francisco Manuel Alves Abade de Baçal). Foi uma povoação importante quando a actividade agrícola era intensa. A sua maior riqueza provinha da criação de gado bovino, ovino e caprino, graças às abundantes pastagens. Possui algumas capelas e a de S. Miguel, segundo a lenda, foi fundada por um general que se tornou ermitão nessa mesma capela e foi sepultado à porta. (Notas Monográficas de Vimioso Abade de Baça]). É orago da igreja de Angueira São Cipriano a quem dedicam animada festa. Angueira dista 17 quilómetros de Vimioso e de Miranda do Douro. Tem ligações por estrada asfaltada para São Joanico, Caçarelhos e Avelanoso. Quando o rio tinha grande quantidade de lagostins a aldeia era visitada por muitos pescadores deste apreciado crustáceo, principalmente espanhóis. Como em todas as aldeias transmontanas existem algumas tradições ligadas a quadras festivas. O Natal, o dia de Reis o Carnaval ou Entrudo, a Páscoa o dia do folar (Segunda feira de Páscoa) com o jogo do cântaro, o Dia de Todos os Santos e a festa do Verão. Estes dias festivos são celebrados com devoção e muito animados.

ARGOZELO Argozelo é uma freguesia que foi elevada a vila no ano de 2001. Trata se da povoação mais populosa do concelho de Vimioso e uma das maiores do distrito. Tem uma actividade comercial importante. As minas de volfrâmio e estanho deram a Argozelo uma importância extraordinária pois aí trabalharam mais de uma centena de operários que nas famílias provocaram um surto de desenvolvimento económico. É também rica em produtos agrícolas com alguma notoriedade na produção de azeite. Realizam se em Argozelo várias festas sendo a mais importante a de Nossa Senhora das Dores que se prolonga por alguns dias. É também importante a romaria de S. Bartolomeu que se realiza a 24 de Agosto. Segundo as “Notas Monográficas sobre Vimioso” de Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal, Argozelo é uma povoação muito antiga. Existem documentos escritos em latim bárbaro que remontam a 1187 que se referem a Argozelo. A grafia foi evoluindo através dos tempos. Argozelo fica situada num planalto entre Pinelo e Carção. Este planalto está ladeado pelos rios Sabor e Maçãs. Existiram em Argozelo importantes minas de volfrâmio e estanho que durante o século XX foram exploradas, canalizando para esta povoação, que foi elevada a vila em finais de 2001, importantes somas de dinheiro. Actualmente estão desactivadas e abandonadas. As galerias estão degradadas constituindo até um perigo para quem descuidadamente possa deambular por esse local. No termo de Argozelo existem vestígios de castros, cavernas e escavações antigas que bem merecem o interesse de estudiosos investigadores. Festas e tradições: O Natal, os Reis o Carnaval ou Entrudo, a Páscoa são festividades que se realizam em todo o concelho. No Natal a construção do presépio é uma obrigação e no dia de Reis oferecem um ramo ao Menino Jesus. O ramo é formado por uma armação de madeira decorada com peças de fumeiro, doces, queijo e outras iguarias. O ramo é arrematado e o produto da arrematação reverte a favor do Menino. Nos Santos fazem se grandes fogueiras com grandes quantidades de lenha em alguns bairros da aldeia. São os fiadeiros. À volta da fogueira reza se pelos defuntos da vizinhança e confraterniza se com iguarias oferecidas pelos moradores do bairro: figos, aguardente, vinho, pão, por vezes sardinhas assadas para toda a gente. Comem e rezam. Na Páscoa, o folar está em todas as mesas. Na Segunda Feira de Páscoa joga se o cântaro em cada bairro. Rapazes e raparigas arranjam cântaros de barro já velhos, e divertem se jogando o de mão em mão, a certa distância. O período que antecede a Páscoa, após o Carnaval, chama se quaresma. É tempo de penitência e oração. Faz se a “encomendação das almas” a horas mortas. É um ritual que obedece a determinadas regras. Entoam quadras dedicadas aos defuntos.

À porta das almas santas
Bate Deus a toda a hora
As almas lhe responderam
Ó meu Deus que quereis agora?

Quero que deixeis o mundo
E que venhais p’ra glória
Em companhia dos Anjos
E da Virgem Nossa Senhora.

No fim rezam. Estes cânticos são feitos em pontos estratégicos de cada bairro. Na deslocação de um bairro para o outro vão cantando ou rezando. “No entrudo come se tudo”. Nesse dia as refeições são à base de carne de porco. Orelheira, pé, fumeiro. Durante a tarde principalmente os jovens mascaram se de preferência com personagens da vida agrícola e actividades da terra. Atiram farinha às raparigas e também queimam cortiça pra com cinza as enfarruscarem. À noite fazem o enterro do Entrudo simulando um boneco que queimam. Já noite dentro, meia noite, fazem os casamentos. Os rapazes colocam se em pontos altos da aldeia e com embudas (grande funil) apregoam o casamento de um rapaz rico com uma rapariga de outra condição social e mais pobre ou vice versa. No dia seguinte o noivo vai cumprimentar a noiva. Na festa de Santo António, quando a procissão regressa à igreja o andor do santo é colocado numa mesa para cantarem loas de agradecimento ao Santo António por graças concedidas de promessas feitas.

AVELANOSO Avelanoso pertenceu ao concelho de Outeiro até 1840. Fica bem a nordeste do distrito e na fronteira com Espanha a oito quilómetros de Alcanices. É abrigada por pequenas serras, a de Angueira, a serra do Mó e a das Navalhas que são autênticos viveiros de caça, especialmente perdizes. Avelanoso foi povoada pelos frades de Alcanices segundo Francisco Manuel Alves Abade de Baçal em” Notas Monográficas de Vimioso”. Foi uma povoação sacrificada pelas vicissitudes das guerras com Castela, pois fica na fronteira próxima de Alcanices. Uma parte da população viveu do contrabando no tempo em que Espanha e Portugal eram dois países de fronteiras fechadas e bem vigiadas por agentes da guarda fiscal em Portugal e pelos carabineiros em Espanha. Agricolamente produz bastante castanha e de boa qualidade. Têm se feito muitas plantações de castanheiros. Tem terras de horta muito boas, terras de trigo e centeio que já não são aproveitadas porque estes cereais deixaram de compensar o esforço e os encargos com a sua produção. Por ficar na fronteira com Espanha e perto da vila de Alcanices, existe actualmente bastante convivência entre portugueses e espanhóis. Comercialmente Alcanices fornece os lavradores do concelho de Vimioso e parte de Miranda do Douro, de alguns produtos, designadamente sementes, rações para animais, porcos de criação e frangos, bem como vitaminas e medicamentos para tratamento destes animais. As festas anuais do calendário religioso, Santos, Natal, Carnaval e Páscoa, são celebradas e festejadas de modo semelhante como em todo o concelho. As festas de Verão são abrilhantadas com gaiteiros e conjuntos musicais. Relativamente a equipamentos existe um Centro de Cultural e um lar de idosos com muito boas condições. Há dois cafés particulares e um deles com instalações para receber caçadores no tempo da caça.

CAÇARELHOS É uma das aldeias do concelho de Vimioso que mantém ainda alguma actividade agrícola, concentrada em alguns agricultores que teimam em conservar essa actividade porque a fertilidade do solo e a existência de boas pastagens são uma atracção justificada. Esta freguesia foi considerada uma das boas aldeias do concelho, pela sua riqueza natural e sua localização. Ainda hoje conserva a realização de uma feira mensal nos dias 19 de cada mês. Quando a agricultura do nordeste estava ainda em franca actividade esta feira era a mais concorrida do concelho. A festa de Santa Luzia realiza se no Verão e ainda hoje é bastante concorrida e animada. Para angariar fundos para as despesas da festa os mordomos improvisam um café na romaria de Nossa Senhora do Nazo em terras de Miranda do Douro. Era o café de Santa Luzia que estava sempre cheio de mocidade pela simpatia e atendimento cordial. Existe em Caçarelhos um Grupo Cultural e Recreativo que tenta manter algumas tradições ligadas a danças e cantares desta região. Verifica se a existência de uma transição entre o planalto mirandês e as Terras de Vimioso que se concretiza no uso corrente de palavras do dialecto mirandês (agora língua oficial). O termo de Caçarelhos pega com o de Genísio freguesia esta já do concelho de Miranda do Douro. A aldeia de Caçarelhos conserva algumas tradições ligadas às festas populares como o Carnaval, os Santos, etc. O Carnaval já foi mais animado e festejado. Por vezes os menos jovens tentam animar os mais jovens para lembrar estes dias de diversão. Os casamentos de Carnaval são ainda anunciados com o ritual possível. À noite os rapazes combinam o cerimonial. Distribuem se por locais estratégicos. Cada um tem a lista dos rapazes e raparigas que vai anunciar. Normalmente para um rapaz abastado escolhe se uma rapariga pobre e vice versa. Para uma rapariga bonita escolhe se um rapaz desajeitado. Por volta da meia-noite começa a cerimónia. Localizados em pontos alto, às vezes em cima de árvores, falam por embudes (grande funil usado nas adegas) para a voz chegar mais longe. O ritual é mais ou menos este:
Alerta camarada!
Alerta está!
Então quem vamos casar?
O Zé da Tia Ana.
Com quem?
Com a Maria da Eira que fazem um bom par.
E o que lhe damos de dote?


A atribuição dos dotes era motivo de risota. Quando o noivo ou a noiva eram notados por serem vaidosos ou desleixados, o dote era compatível com a alimentação dessa característica: um pente, um espelho, uma bacia de água e sabão, etc. No dia seguinte, pela manhã, o rapaz vai a casa da noiva para a cumprimentar. Pede licença aos pais e dá três abraços. O primeiro de frente, o segundo à direita e o terceiro à esquerda. E assim se cumpre o ritual dos casamentos do Entrudo. Mantém se também a tradição da fogueira de Natal e a Machorra no dia de Todos os Santos.

CAMPO DE VÍBORAS Esta freguesia pertenceu à comarca de Mogadouro até 1855 e depois à de Miranda do Douro. Campo de Víboras fica situada entre dois cabeços com largas vistas de horizonte de Portugal e Espanha. É terra de pouca água mas bastante produtiva. Pode considerar se um microclima, visto ter bastante azeite e vinho. É uma terra de negociantes, mais conhecidos por “tendeiros”. A tenda era o conjunto de artigos que vendiam, especialmente tecidos. Os tendeiros percorriam parte do país, e ainda hoje o fazem, embora com outro tipo de negócio, designadamente rendas, bordados e ouro. No tempo dos tendeiros as deslocações eram feitas com animais carregados de tenda. Em cada terra o tendeiro tinha já o seu “patrão” onde se acolhia e pernoitava. Esta convivência era salutar e desinteressada. Com o evoluir dos tempos e dos negócios a situação modificou radicalmente. Hoje as pessoas de Campo de Víboras que se dedicam ao negócio andam em carros comerciais e percorrem o país. Uma grande parte desses comerciantes residem em Lisboa e no Porto e vêm à sua terra nas festas ou para tratar das suas propriedades. Quase todos têm no Campo de Víboras uma vivenda luxuosa com todas as comodidades e conforto. É a freguesia do concelho que tem melhores habitações. As festas tradicionais, Santos, Natal, Carnaval e Páscoa são festejadas como em todo o concelho, respeitando os ancestrais costumes destas comunidades, onde o religioso e profano se interpenetram ou misturam com uma naturalidade como se de uma religião se tratasse. Fazem se várias festas durante o ano, dedicadas a alguns santos, mas no Campo de Víboras há duas festas que falam mais alto: a festa da Santa Cruz em três de Maio e a festa do Verão que não dispensa a banda de música na procissão e conjuntos musicais para animar o arraial, onde toda a gente dança e aprecia as canções de artistas famosos. Notáveis: Na Grande Guerra de 1914/ /1918, foram mobilizados para nela participarem os soldados António Augusto Pires, Manuel Joaquim Padrão e Domingos A.F. Quintanas Alves. Para mais pormenor consultar Notas Monográficas de Vimioso (Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal).

CARÇAO Pertenceu até 1853 ao concelho de Outeiro e à Comarca de Miranda. (Ver Vimioso Notas Monográficas de Francisco Manuel Alves). Fica situada junto à estreada que liga Vimioso a Argozelo, distante da sede de concelho 12 quilómetros. É uma povoação das maiores do concelho e com a maior parte do termo bastante plana, à excepção das arribas do rio Maçãs. Fica num lugar bastante alto e por isso bastante frio. Foi grande produtor de azeite e de outros produtos agrícolas. Parte da sua população, dedicava se, como em Argozelo, ao negócio de peles, actualmente em pleno desuso. Tinham fama as tecedeiras de Carção que nos seus teares artesanais fabricavam lindíssimas colchas e tapetes. Até meados do século XX também foi muito intensa a indústria de curtumes que empregava muitas famílias. Houve outras pequenas indústrias que acabaram por desaparecer. Nos dias de hoje toda essa actividade característica de Carção e Argozelo terminou. Pratica se actualmente uma agricultura de subsistência, na maioria dos casos mantida por pessoas idosas que não prescindem de cultivar o que no dia a dia consomem no seio da família. Embora a povoação seja grande, verifica se um despovoamento gradual, pois há muitas pessoas idosas e não há crianças que compensem os falecimentos. Há em Carção um lar de idosos que precisa de obras de fundo pois as instalações são fracas. O ideal seria uma construção de raiz. Quanto a mais equipamentos, são de realçar a Casa do Povo onde funciona uma extensão de saúde com consultas médicas duas vezes por semana. Tem dois bons restaurantes e vários cafés. Há uma estação de serviço e oficina de automóveis e algumas casas comerciais. As festas tradicionais mantêm a sua importância na época própria e são o motivo da reunião de famílias e amigos espalhados pelo país e pelo mundo. Os Santos, o Natal, Carnaval, a Páscoa e as festas de Verão continuam na alma das populações, onde o sagrado e o profano se misturam constituindo um todo cujas partes se completam. A festa de Verão em honra de Nossa Senhora das Graças é uma manifestação de fé e de bairrismo e conserva um ritual antigo que a própria Igreja não consegue modificar: o andar da venerada durante a procissão, pára em todas as casas que têm promessas, ou apenas devoção, para prenderem nas fitas do andor as notas oferecidas.

MATELA Freguesia com duas anexas, Avinhó e Junqueira. Fica situada num planalto entre os rios Maçãs e Sabor que correm em vales profundos nada beneficiando com as suas águas. É uma terra produtiva onde se colhe muito azeite e outros produtos agrícolas. Tinha bastante gado. Durante muitos anos esteve isolada do resto do concelho porque não tinha vias de comunicação. Ainda hoje, embora com estrada asfaltada que liga a Santulhão, a distância a Vimioso é de 25 km. Com uma ligação Matela Campo de Víboras, a distância a Vimioso ficava reduzida a metade. A dificuldade dessa ligação reside talvez nos custos de uma ponte que necessariamente teria que ser construída na travessia do rio Maçãs.

JUNQUEIRA pequena aldeia do concelho de Vimioso e anexa da freguesia de Matela. Relativamente às variedades de culturas podemos considerar o termo de Junqueira um microclima. Aqui se cultivam e se produzem produtos mediterrâneos de grande qualidade. O azeite é de grande qualidade, o vinho é excelente como outros frutos e produtos hortícolas. Também Junqueira sofreu as consequências do isolamento a que o destino votou entre terra que por muitas décadas viveu do imaginário, percorrendo a pé e a cavalo as léguas que separavam dos amigos, dos familiares, dos afazeres na vila a na cidade, do liceu que era só para os da cidade, e de tudo que a civilização escondeu desta gente laboriosa e sacrificada. Hoje, já tem telefone, já tem estrada, já há tractores, automóveis, motas etc, mas faltam aqueles que em tempo idos davam vida e riqueza a esta terra que teima em resistir do seu destino como tantas outras. Mas não desanimam e não se deixam abater pelos escolhos dos caminhos pedregosos percorridos. Continuam a acreditar e a amar a sua terra. Continuam a celebrar as festas do calendário religioso, o Natal, a Páscoa, o Carnaval, as festas dos seus santos mais devotos. E nestes dias e nestas épocas, os filhos de Junqueira são atraídos pelo íman da saudade e do amor que impõem a obrigação de responder à chamada. Era de Junqueira Bento Manuel de Sá Machado, conhecido por Morgadinho da Junqueira e que foi assassinado pelo Faz Tudo por ter matado a tiro algumas galinhas e porcos que entravam numa sua propriedade que era baldio e a tinha comprado.

PINELO Pinelo é uma povoação já bastante antiga. O Rei D. Dinis distinguiu a com a atribuição de um foral. (Notas monográficas de Vimioso Francisco Manuel AlvesAbade de Baça]). Tem uma anexa que é Vale de Pena. Foi uma aldeia muito populosa com duas escolas a funcionar e uma actividade agrícola intensa. Ainda hoje é terra de muito azeite, mas a falta de mão-de-obra impede a apanha de toda a azeitona produzida. Há em Pinelo dois lagares de azeite, mas actualmente apenas um funciona, dadas as exigências legais por parte da fiscalização do respectivo sector. Tem a funcionar em pleno um lar de idosos com boas condições. Dista oito quilómetros de Vimioso, cinco de Argozelo e de Vale de Frades. As festas tradicionais ocupam ainda no dia de hoje um lugar de relevo na sociedade de Pinelo. Ainda não foram esquecidas as festas dos Santos, o São Martinho a 11 de Novembro, o Natal. O Dia dos Reis, o Carnaval, a Páscoa e a Fogueira do sino. Conserva se também a encomendação das almas durante a quaresma que é feita com devoção e respeito. Um grupo de pessoas, a altas horas da noite, juntam se para cantar em honra das almas do outro mundo e rezam também. Cantam em locais estratégicos onde se façam ouvir melhor e o mais discretamente possível. Sobre a história de Pinelo e tradições, interessa consultar uma pequena obra editada pela Comissão de Festas e escrita por Francisco Lourenço Vaz.

VALE DE PENA Pequena povoação da freguesia de Pinelo. Dista 15 km de Vimioso. Passa perto o rio Maçãs e nas suas margens cultivam se oliveiras. O termo de Vale de Pena faz fronteira com a Espanha. No tempo do contrabando algumas famílias viviam dessa arriscada actividade. Actualmente é mais uma aldeia em vias de ser despovoada. As festas tradicionais são vividas como em todo o concelho com alegria e saudades do passado.

SANTULHÃO Até 1853 pertenceu ao concelho de Outeiro. É uma povoação das maiores do concelho. Antes da actual crise agrícola era uma povoação com uma actividademuito grande. Produz muito azeite e de boa qualidade além de vários outros produtos. A pecuária é ainda uma actividade razoável. Sobre Santulhão merece uma consulta a obra de Francisco Manuel Alves, Notas Monográficas de Vimioso. Têm se realizado em Santulhão algumas actividades festivas abrilhantadas com uma tourada que atrai algumas centenas de forasteiros. Santulhão tem a funcionar um lar de idosos e uma extensão de saúde ou posto clínico. Esta Extensão de Saúde foi criada em 1987 pela Comissão Instaladora da Administração Regional de Saúde do Distrito de Bragança sob proposta do seu presidente João Baptista da Cruz Castanho natural de Vale de Frades deste concelho. Esta Extensão de Saúde passou a servir as populações de Santulhão, Matela, Avinhó e Junqueira com consultas médicas duas vezes por semana, evitando assim as deslocações a Vimioso. Foi um grande benefício para toda a população desta área, principalmente para os utentes idosos. Como em todo o concelho, mantêm se algumas tradições antigas ligadas às festas da liturgia da Igreja, Natal, Páscoa, Quaresma, Santos e festa do Verão. O Carnaval é também um dia festejado mas já com pouca animação. No dia de Consoada mantém se a tradição da ceia de Natal com o polvo e bacalhau, hortaliça, as filhós, as rabanadas, etc. Faz se nessa noite a fogueira de Natal onde participa toda a população especialmente a juventude.
Durante a quaresma faz se a encomendação das almas a horas mortas, entoando cânticos dedicados às almas. Na Páscoa também se faz a fogueira tradicional da Páscoa. Continua a fazer se o folar e os doces caseiros tradicionais. A festa principal da aldeia realiza se no 1 primeiro Domingo de Agosto em honra de S. Lázaro.

UVA Tem duas anexas, Mora e Vila Chã da Ribeira. Fica a 17 km de Vimioso. Passa relativamente perto o rio Angueira, a cinco ou seis centenas de metros. Fica escondida entre montes, numa cova, abrigada dos ventos. É um micro clima onde se produz azeite de boa qualidade, vinho e outros produtos agrícolas. Uma característica interessante relativamente a Uva é a existência de muitos pombais. Estão agora a ser recuperados. É um quadro interessante o que nos é oferecido naquele anfiteatro que se desenha à volta da povoação que fica no centro do teatro. Em Uva celebram se as festas tradicionais com um espírito de religiosidade intensa e no Verão organizam a festa da aldeia em honra de Santa Marinha. Segundo “Notas Monográficas de Vimioso” Abade de Baçal, tomaram parte na Grande Guerra três filhos de Uva: Francisco Augusto Falcão, Manuel José Pires e Abel do Nascimento Granada.

MORA É anexa de Uva. Já foi freguesia independente antes de 1840 (Notas Monográficas de Vimioso Francisco Manuel Alves). Esteve isolada de Vimioso por falta de vias de comunicação e agora luta pela sobrevivência por falta de população. É uma terra de gente muito humilde, acolhedora e hospitaleira. Talvez pelo seu isolamento e portanto necessidade de convivência. Não tem praticamente juventude e a maioria da população tem mais de sessenta anos. Como em todo o concelho celebram se as festas tradicionais nos Santos, Natal, Carnaval Páscoa e Verão. As festas religiosas são as mais importantes embora se completem com a parte profana. Perto da povoação passa uma ribeira que tem peixe de boa qualidade.

VILA CHÃ DA RIBEIRA Pequena povoação da freguesia de Uva. Passa junto da povoação o ribeiro de Ferreiros que tem sardas, escalos e barbos. Vivia da agricultura e pecuária mas actualmente com pouca actividade. A reduzida e envelhecida população residente vive da agricultura de subsistência e das míseras pensões da Segurança Social. Mantêm se as tradições ligadas às festas que se desenvolvem pelo Natal, Santos, Carnaval, Páscoa e Verão. Os filhos da terra vêm visitar a família e matam saudades em estrita ligação com o rincão que os viu nascer.

VALE DE FRADES Vale de Frades é cabeça de freguesia com as anexas de S. Joanico e Serapicos. Fica a sete quilómetros de Vimioso, cinco de Pinelo e quarenta e cinco de Bragança. Faz fronteira com Vilarinho Trás Ia Sierra a cinco quilómetros. Segundo Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal, “Notas Monográficas de Vimioso”, foi povoada pelos frades de Alcanices. Constituíam uma congregação que teve influência em toda a fronteira daquela zona. A aldeia é atravessada por um ribeiro que nasce na zona da fronteira, corre quase todo o ano e no Inverno chega a ter um caudal razoável. É terra de muita água e de qualidade. Era uma terra de muitos castanheiros que produziam castanha de boa qualidade e fama. São castanheiros centenários que devem ter sido plantados por influência e orientação dos frades de Alcanices. Antes da crise agrícola actual Vale de Frades era uma terra com uma actividade muito grande, onde se produzia muito trigo e centeio. Tem boas pastagens com lameiros excelentes que alimentavam uma quantidade razoável de gado bovino, ovino e caprino. Havia em Vale de Frades um quartel da Guarda Fiscal com cinco praças e um cabo. A fronteira com Espanha fica a pouco mais de um quilómetro da povoação. Mantém ainda algumas tradições relacionadas com as festas do calendário religioso. Nos Santos, em Novembro, faz se a “machorra”. Antigamente participavam apenas os solteiros. Agora toda a comunidade se junta para petiscar a vitela assada e refugada, não dispensando a boa pinga. O bailarico faz parte da festa até porque é preciso manter a designação de “bailarotes” aos habitantes de Vale de Frades. A palavra “machorra” aplica se ao animal fêmea que deixa de reproduzir se. Estes animais eram vendidos nestas alturas e na época das matanças para fazer chouriços e chacinas (postas de carne para secar no fumeiro depois de temperadas na surça), porque o preço era mais baixo. Estes animais eram engordados para abater. O nome “machorra” passou a ser, por analogia o nome dado à festa da mocidade no dia de Todos os Santos. No Carnaval é também tradição, agora menos em uso, sacrificar um galo à pedrada. Cada pedrada tem um preço. Quem matar o galo fica com ele. Mas o mais usual era fazer com ele uma patuscada. Também na altura do Entrudo alunos da escola primária compravam um galo ou peru, conforme as possibilidades, improvisavam um andor ou um carrinho, enfeitavam no e ofereciam no à Senhora Professora. Os alunos mais habilidosos recitavam versos dedicados ao momento e a professora oferecia doces e rebuçados. Neste dia rapazes e raparigas divertem se atirando farinha uns aos outros. A cinza de cortiça é um produto excelente para enfarruscar as raparigas porque sai facilmente com água e sabão. Ainda hoje se respeitam e praticam algumas tradições ligadas a algumas festas do calendário religioso. Na época do Natal toda a comunidade participa nas cerimónias religiosas. Os mordomos de Nossa Senhora da Assunção têm a seu cargo a construção do presépio. Em todos os lares, na noite de consoada a ementa é farta. O polvo o bacalhau, as filhós, as rabanadas enchem as mesas. O dia de Reis, a 6 de Janeiro, é celebrado com chouriça e salpicão assados na brasa. A Páscoa é também uma festa muito respeitada. As famílias reúnem se e convivem. O folar, os económicos, as súplicas não falham nesse dia. No Sábado de “Aleluia” à meia noite, os rapazes anunciam a Páscoa com o toque do sino. Tocam durante a madrugada e prolongam o convívio até ser dia. No Domingo de Páscoa durante a manhã os sinos da igreja continuam a anunciar a ressurreição de Cristo e nesse dia toda a comunidade se reúne na igreja para a missa de Páscoa. Mas a festa primordial da aldeia é em 15 de Agosto em honra de Nossa Senhora da Assunção. Como em toda a região, a festa de ano tem uma parte religiosa e outra profana que se misturam num todo para constituir um dia de alegria e animação. Da parte da manhã os gaiteiros tocam a alvorada pelas ruas da aldeia, logo ao amanhecer. Algumas salvas de foguetes anunciam a festa. A seguir iniciam a “volta”. Os mordomos vestem uma opa da igreja, e o juiz da festa leva uma pequena cruz enfeitada com manjericos. Vão de casa em casa a pedir a “esmola para o santo”. Cada pessoa dá o que tem na devoção e depois da volta segue se a missa cantada com sermão e procissão. À tarde e à noite o baile é animado com um conjunto musical e foguetório. A entrega da festa aos novos mordomos tem lugar ao anoitecer e mobiliza a maior parte dos festejeiros tocando e dançando. Bebem se uns copos com doces e tremoços e depois de jantar continuam o arraial até ás tantas conforme a animação.

SÃO JOANICO pertence à freguesia de Vale de Frades de que dista 6 quilómetros. A aldeia é atravessada pelo rio Angueira que a divide ao meio. No centro da povoação existe uma ponte que liga as duas margens. É uma ponte muito bonita, imponente e bem construída em cantaria e com vários arcos. Actualmente tem uma Segunda ponte para ligar a estrada a Angueira. O rio Angueira constitui uma atracção para os pescadores que no tempo próprio aí podem pescar barbos, escalos e sardas. Nas suas margens existem hortas e lameiros muito produtivos. São Joanico tem condições para se poder investir no campo turístico. Têm faltado iniciativas. A gente de São Joanico é muito animada para as festas que realiza na aldeia. Há uma colaboração muito grande e uma participação total. Embora pequena, esta aldeia consegue fazer uma festa do Verão que algumas aldeias do concelho não fazem. Para animar e abrilhantar a festa tem sempre um conjunto musical e bons artistas. Já chegou a contratar dois conjuntos. A festa realiza se na Segunda quinzena de Agosto. Mantêm se ainda bem vivas as festas do Natal e Páscoa cada uma com as características próprias da época. No dia de Natal oferecem ao “Menino” o célebre ramo tradicional que é decorado com variedades de bolos caseiros e fitas de várias cores. Este ramo é leiloado à saída da missa e o produto do leilão reverte para a mordomia do “Menino”. O dia de Reis, a seis de Janeiro é também lembrado saboreando o fumeiro tradicional de paladar inconfundível. Na Páscoa celebra se a ressurreição de Cristo, reza se a via sacra durante a Quaresma, faz se o canto das almas a horas mortas e prepara se o folar que éservido em família no Domingo de Páscoa. O Carnaval é também lembrado mas já não com a animação tradicional por parte da juventude. A ribeira de Angueira passa pelo centro da povoação e fornece água para regar os terrenos das margens muitos produtivos. No Verão a paisagem é deslumbrante. São pequenos paraísos ainda por descobrir.

SERAPICOS é uma pequena aldeia que pertence à freguesia de Vale de Frades. Fica junto ao rio Angueira. Tem lugares muito pitorescos à beira rio, que bem poderiam ter sido aproveitados para turismo. Embora pequena, esta terra mantém as suas tradições relativamente às festas do calendário religioso. Nos finais de Agosto celebra se a festa anual em honra de S.Vicente.

VILAR SECO Vilar Seco pertenceu ao concelho de Algoso. É uma aldeia que fica já enquadrada entre terras do concelho de Miranda do Douro e mais perto de Miranda do que de Vimioso. Foi uma aldeia importante e rica em produtos agrícolas, principalmente trigo e gado mirandês. Sobre Vilar Seco convém consultar as Notas Monográficas de Vimioso de Francisco Manuel Alves Abade de Baçal, querendo aprofundar conhecimentos históricos ancestrais. Sofreu a influência da língua mirandesa e também dos costumes. As pessoas mais idosas ainda hoje falam com o sotaque mirandês e ainda por lá existem exemplares de capas mirandesas, as célebres capas de honras??? Eram feitas de burel. Nem todos os alfaiates eram competentes para as fazer. Uma dessas capas feita a preceito levava 60 dias a manufacturar. Os dias festivos do calendário religioso são semelhantes em todo o concelho. Nas festas de Verão, a 24 de Agosto em honra S. Bartolomeu, por vezes, mantém se a tradição da gaita de foles, acompanhada da caixa e do bombo que percorrem a aldeia de casa em casa ” a pedir a esmola” para o santo da festa. A igreja de Vilar Seco foi muito rica em propriedades que eram apreciadas e doadas por pessoas ricas. Possuía um património importante com grande rendimento. Existiu em Vilar Seco a indústria de fabrico de telha e de boa qualidade. Os barros da zona são de 1ª qualidade. Vialr Seco conserva ainda algumas tradições dignas de registar: no Natal realiza se a fogueira de Natal (a foia com a participação de toda a mocidade. Os rapazes solteiros transportam para o largo da igreja grandes toros de árvores que ainda se encontram pelo campo e no dia de Consoada à noite pegam lhe fogo e passam a noite à volta da fogueira. Nos Santos faz se a “machona”. A “machorra” é uma festa onde participa toda a juventude. Nos tempos actuais toda a gente, velhos e novos, pode participar porque a juventude é pouca nas nossa aldeias. A ” machorra” era uma ovelha, cabra ou vaca que não se reproduzia e por isso era mais barata. Faz se uma fogueira num local abrigado e coberto e cozinha se a carne que é possível adquirir. Normalmente faz se um guisado com batatas (caldeirada) e também assada na brasa. Na quaresma faz se a “encomendação” das almas. Junta se um grupo de pessoas que sabem cantar e por volta da meia noite vão cantar em locais estratégicos da aldeia onde se façam ouvir melhor. Dedicam algumas quadras às almas dos que já partiram e rezam quando se deslocam de um local para outro.
Dr.João Castanho

In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães – Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt

Preço: 30 euros

(C) 2005 Notícias do Douro

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