Concelhos

Chaves

Chaves

Chaves é um concelho do Distrito de Vila Real, situado a norte de Portugal, confinante com a Galiza, irmã de costumes e língua de outros tempos. Estende se, a oeste, até aos limites dos concelhos de Montalegre e de Boticas; a sudoeste até ao de Vila Pouca de Aguiar; de sul a este é bordejado pelos concelhos de Valpaços e Vinhais, este último já do Distrito de Bragança. Tem uma história bem antiga e um passado glorioso, com evoluções de demarcação de fronteiras e divisão administrativa que o fazem remontar à época em que pertencia ao Império Romano e lhe atribuiu a dignidade de Município, nesse longínquo século I. No princípio do século V, já expulsos os romanos da província, pela invasão das hordas de bárbaros do norte, o burgo que aqueles haviam fundado nas margens do rio Tâmega, pertencendo então ao novo reino dos suevos, conservava ainda o nome de Aquae Flaviae, como se lê no Chronicon, do bispo Idácio’ , escrito em latim bárbaro. Em 427, teria sido cabeça de Diocese com uma Sé, sendo bispo Idácio3. Recomeça a ser conhecida a sua evolução, a partir do século XIII, época em que foram criados vários novos concelhos, ou melhor julgados. Assim, na margem direita do rio Tâmega fala se do julgado de Chaves e na margem esquerda do julgado de Montenegro. Em 1258, as referências feitas ao julgado de Chaves, na devassa das inquirições de Dom Afonso III, são extremamente breves, possivelmente, não só pela exiguidade da região abrangida mas também pela reduzida importância que a vila então possuiria. Nelas são citados, como termo do concelho, os lugares de Redondelo, Curalha e Soutelo. D. Dinis, (1279 a 1325), tomou a decisão de aglutinar alguns concelhos, para diminuir o número de funcionários reais e proceder a uma maior centralização do poder. Com esta reforma, os julgados de Montenegro e Chaves foram fundidos num só, tendo como cabeça a vila de Chaves que, entretanto, depois de um apagamento anterior, tinha recuperado a sua antiga importância. Esta decisão não foi pacífica para Montenegro, com uma tradição histórica tão antiga que lhe advinha desde a fundação da nacionalidade, reagiu protestando contra a decisão real. E, embora, não tivesse sido aceite o protesto de imediato, a verdade é que as negociações prosseguiram e, em 1301, D. Dinis concedeu um foral às Terras de Montenegro, voltando o julgado de Chaves aos seus antigos limites. Agora era Chaves que não se resignava à sua pequenez, e reclamando e protestando conseguiu que, em 1307, fosse lavrada uma nova sentença favorável à integração de Montenegro no julgado de Chaves. Foi atribuído a Chaves, pelo rei Dom Manuel 1, o Foral Novo a 7 de Dezembro de 1514, o primeiro conhecido, em que, ao longo de 19 folhas, lhe confere os convenientes privilégios, foros, impostos e penas. Dele constam e passam a ser referidos alguns, por se considerarem interessantes, as Martinegras, impostos que eram pagos no dia de S. Martinho; as Marceiras, impostos a pagar em Março e as Sanhomaeiras impostos que deviam ser pagos pelo S. João. Em 1545, o território de Chaves, entre vários outros, foi desanexado do bispado de Braga e incluído no então criado bispado de Miranda do Douro. Este novo bispado foi instituído com a justificação de que o de Braga tutelava uma área demasiado extensa. Entretanto sucederam se lutas com Castelhanos, com Franceses e muitas lutas internas e, só depois da instituição do regime liberal, foi proposta e aprovada nas Cortes a reforma administrativa de 6 de Novembro de 1836, pela qual os oitocentos e dezassete concelhos existentes no território nacional foram transformados em quatrocentos e sessenta e seis. Na região que o actual Município de Chaves abrange, foram extintos os concelhos de Monforte de Rio Livre e do Couto de Ervededo. Com o Decreto de 31 de Dezembro de 1853 passou o distrito de Vila Real a ser partilhado nos catorze concelhos que actualmente possui. O Município de Chaves foi integrado na Diocese de Vila Real, em 1922, quando esta foi criada’. Nessa época era composto por quarenta e cinco freguesias, algumas das quais, posteriormente, foram divididas originando a criação de sete novas freguesias. A primeira a ser instituída foi a de Vidago que foi promovida a freguesia independente em 20 de Julho de 19255. A vila de Chaves foi elevada a cidade pelo Decreto n° 16 621 de 12 de Março de 1929, era então Presidente da República o Marechal António Óscar Fragoso Carmona. O concelho está rodeado das grandes serras do Leiranco, do Cambedo também designada por montanha de Vamba, da Cota de Mairos, do planalto do monte Sopilho e de Monforte. A serra do Brunheiro desdobra se sobranceira sobre a cidade de Chaves e, pelas suas luxuriantes encostas, muitas aldeias designadas da Montanha, se distendem. É esta serra o prolongamento da cordilheira da Padrela, que domina o vale a leste e separa as duas bacias hidrográficas do Tâmega e do Tua. A fértil veiga de Chaves, é atravessada pelo Rio Tâmega que nasce na vizinha Galiza, atravessa a região flaviense, e desagua no Rio Douro, depois de percorrer largos quilómetros espraiando se nas veigas ou correndo abruptamente entre penhascos. As vias de acesso rodoviárias são bastante anacrónicas, mas muito transitadas nos seus quatro eixos fundamentais que ligam a Braga, a Vila Real, a Bragança e à Galiza com a sua moderna Autovia das Rias Baixas. O concelho tem de área 600,12 km2 e é povoado por 43 558 habitantes, com uma consequente densidade populacional de 72,63 habitantes por km2, números recolhidos no censo de 2001. Em 1997, a população era de 40 940 habitantes, verificando se assim uma fixação de população, sobretudo na periferia da cidade, alguma dela fixada à custa da desertificação das aldeias mais isoladas. A subsistência é garantida através dos três sectores de actividade. Parte da população trabalha no sector terciário, uma outra parte, menor, ocupa um reduzido sector secundário e, a maior parte trabalha no sector primário, mais propriamente na agricultura e agro pecuária. Entre as produções mais relevantes cita se a batata, centeio, castanha, vinho, alguma fruta, verduras, leite e carne. A mancha florestal é abundante e os seus recursos são largamente aproveitados pelas freguesias para o desenvolvimento local. A feira semanal realiza se à Quarta feira. O feriado Municipal é celebrado dia 8 de Julho de cada ano. A maioria das instituições oficiais estão situadas na cidade, sendo aí que as principais questões e problemas concelhios são tratados. A Câmara Municipal eleita em 16 de Dezembro de 2001 é constituída pelo Presidente, ilustre transmontano, João Gonçalves Martins Baptista’, mestrado em Ciências da Educação, e os vereadores António Cândido Monteiro Cabeleira, arquitecto paisagista; Francisco António Taveira Ferreira, médico cirurgião e Carlos Manuel França dos Santos, engenheiro civil, todos eleitos pelo Partido Social Democrata e Altamiro da Ressurreição Claro, licenciado em Educação Visual e Tecnologia, Luís Manuel Areias Fontes, licenciado em Direito e António Manuel Pires de Almeida, eleitos pelo Partido Socialista.

O Hospital Distrital de Chaves está instalado num edifício com uma volumetria e arquitectura interessante, adequado à região e bem integrado no tecido urbano. É seu Director António Martins Borges.
Além da Delegação de Saúde de Chaves, onde o Dr. Manuel Fernandes Pinheiro desempenha o cargo de Delegado de Saúde, e dois Centros de Saúde n.° 1 dirigido pela Doutora Maria Cecília Conceição Sevivas Alves e do Centro de Saúde n.° 2 sob a direcção da Doutora Maria Angélica Sousa da Silva, são ainda de referir outros equipamentos que servem as populações de todo o concelho, entre os quais se destaca a Santa Casa da Misericórdia de Chaves e Boticas, a Estância Termal, o Tribunal, o Cartório Notarial e Conservatórias do Registo Civil e Predial, Repartição de Finanças e Tesouraria, o edifício da Portugal Telecom e dos Correios de Portugal S.A., o Quartel do Regimento de Infantaria 19, o Edifício da Polícia, as instalações da Guarda Republicana e da Brigada de Trânsito, a Escola Profissional, o Instituto de Formação e Emprego, o Centro de Formação Profissional, a Escola de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado”, dois quartéis de corporações de Bombeiros, um da Associação de Bombeiros Voluntários de Salvação Pública e outro da Associação Flaviense de Bombeiros Voluntários, o Estádio de Futebol, relevante número de Instituições bancárias e companhias de seguros. São apontados estes, entre tantos outros. Descrevê los a todos constituiria uma enfadonha listagem, dado que uma cidade como éChaves possui todas as estruturas básicas que se podem encontrar em cidades do seu grau de grandeza. A cidade ocupa uma área de 11,5 km= e tem uma população de 14 238 habitantes; é majestosamente atravessada pelo Rio Tâmega que fertiliza os campos, proporciona a água para abastecimento e atribui à cidade um espectáculo de beleza, espelhado nas suas águas, umas vezes mansas e até preguiçosas, outras muito revoltas e perigosamente velozes. A essa beleza muito natural acrescentou a mão do homem três notáveis pontes, a de Trajano, a do Engenheiro Barbosa Carmona e a de S. Roque, marcando cada uma o seu estilo e a sua época. Romana, com cerca de dois mil anos, a primeira, na opinião do erudito padre espanhol Martin Sarmento, foram os ilustres flavienses Serius Lupus e Aulus Flaviensis, os génios da sua construção` no século 1, e que também dirigiram os trabalhos da construção da célebre Torre de Hércules, na Corunha. Na ponte, a meio do seu comprimento, erguem se dois padrões, em posição simétrica. Um, em homenagem aos povos flavienses que, à sua própria custa, a construíram, como revela a epígrafe desse padrão; o outro é denominado o Padrão dos Povos e apresenta uma epígrafe que enaltece a majestade romana, representada pelo Imperador Vespasiano, a grande obra realizada e o empenho dos dez povos desta região que a levantaram. Bem merecia tão notável monumento ser património da humanidade pelo seu valor arquitectónico, histórico e arqueológico. Artística na sua arquitectura granítica, deste século, é a denominada ponte do Engenheiro Barbosa Carmona, ou ponte Nova como é vulgarmente designada e, finalmente a ponte de S. Roque, moderníssima e muito bem lançada no seu único arco. Na margem esquerda do rio situase o Bairro da Madalena que hoje integra a freguesia da Madalena. Nele se ergue, imponente e mirando se nas águas do rio, a Igreja de S. João de Deus, construída na época de D. João V, em brilhante barroco, cujo projecto é atribuído ao coronel Tomé de Távora e Abreu, engenheiro militar flaviense do primeiro quartel do século XVIII. É de destacar a exuberância do zimbório, a frontaria com os seus grandes anjos, e a planta interior em interessante formato octogonal. Anexo a esta igreja funcionou um Convento da Ordem de S. João de Deus, depois transformado em Hospital Real; mais tarde, nos princípios do século XIX, aí funcionou a Escola Médico Cirúrgica, e hoje está magnificamente adaptado a uma Residência de Estudantes. Nesse mesmo bairro está situado o grande e bucólico pulmão verde da cidade, o Jardim Público, debruçado sobre o Tâmega, com as frondosas árvores, a miniatural casinha portuguesa, o rendilhado coreto, os aristocráticos portões de acesso… Este espaço é muito querido dos flaviense e nele se homenageia o bairrismo e a benemerência do ilustre transmontano Cândido Pinto Sotto Mayor. Ainda na Madalena, no Campo da Fonte, no passado ano de 2001, foi inaugurado um equipamento muito relevante para a vida da região, o novo Quartel da Associação Flaviense de Bombeiros Voluntários, Junto dele, pequenina, há uma bela capelinha barroca, propriedade particular. As capelas de S. Roque e de S. Bento, de linhas muto singelas, estão também situadas na margem esquerda do rio. Na margem direita, entra se imediatamente na freguesia de Santa Maria Maior. O Largo do Arrabalde abre se rutilante no esplendor das suas varandas e janelas de caprichosas vidrarias. Neste grande e movimentado largo observa se o imponente edifício, em granito, do Palácio da Justiça construído em meados do século XX. Serviu o Arrabalde, o rio e as colunas da ponte de tema para algumas quadras de sabor popular que traduzem a vivência da cidade de outros tempos.

O Largo do Arrabalde
É bonito, tem que dar
Raparigas pr’o Convento
Rapazes pr’a militar.

A água que leva o rio
Passa por baixo da Ponte
A nossa terna amizade
Já não é d’hoje nem d’onte.

Adeus padrões da Ponte
Encosto dos mandriões
Onde se rompem baetas
Panos finos e algodões.

A ponte e o rio foram motivo de criação de um lendário que se estende desde os arcos da Ponte, passa pelas águas do Tâmega e atinge as milagrosas águas das Termas. Deste largo parte a Rua do Tabulado e também a Rua 25 de Abril que conduzem ao segundo pulmão verde da cidade, estendido ao longo da margem direita do rio, constituído por vasto jardim, parque arborizado, variados equipamentos de lazer e as famosas e formosas Termas de Chaves. Águas conhecidas já dos romanos, que aí construíram um balneário, presumivelmente, análogo àqueles que tão bem souberam erigir na antiga Roma para deleite dos patrícios, mesmo sem as águas naturalmente quentes e terapêuticas que aqui vieram encontrar. Apesar de arrasadas pelo passar dos tempos e adversidades históricas que compõem a história de Chaves, a verdade é que continuaram a brotar estas fontes de água escaldante, à temperatura de 73.°, e são consideradas as primeiras termas da Península Ibérica quanto à termalidade. São águas bicarbonatadas sódicas, gaso carbónicas, silicatadas e levemente fluoretadas, de caudal abundante, superior a 300 m3 em 24 horas. Os recentes balneários e pavilhão de bebida, evidenciam um grande equilíbrio entre o bom gosto, a funcionalidade e a grandiosidade, que permitem o tratamento qualificado de variadas doenças. Pela afluência e fama de resultados curativos, as águas têm levado longe, não só o nome de Chaves, mas também o grande valor das suas Termas. O Director Clínico é o ilustre flaviense Mário Gonçalves Carneiro licenciado em Medicina e Cirurgia. Chaves possui um centro histórico verdadeiramente notável que pode considerar se demarcado pela Rua do Sol, seguido dos jardins que circundam a Torre de Menagem, continuando pela Rua Tenente Valadim, Jardim do Bacalhau, Forte de São Francisco, Rua das Longras, Largo do Arrabalde e Rua 25 de Abril. Dentro desse perímetro correm, longitudinalmente, a estreita Rua Direita caracterizada pelas casas de belas varandas, algumas delas de artísticos trabalhos em ferro forjado, e a Rua de Santo António mais modernizada e comercial. A meio do percurso desta situa se o Largo das Freiras rodeado dos, arquitectonicamente bem conseguidos, edifícios da Escola Secundária Ferrão de Magalhães (o Liceu de outros tempos), antigo Quartel dos Bombeiros, Caixa Geral de Depósitos, Correios de Portugal, S. A.” e alguns estabelecimentos comerciais. Porém o verdadeiro coração da cidade bate na área onde se situa o Largo da República e o Largo de Camões. O Largo da República é bordejado pela Rua Direita e, no seu centro eleva se o Pelourinho manuelino assente sobre degraus e constituído por uma artística coluna torsa, um capitel com as armas do reino e da cidade, encimado pela esfera armilar de D. Manuel, rodeada de quatro colunelos. O Largo apresenta uma forma rectangular dispondo se a nascente, uma casa muito interessante com uma altaneira palmeira e já de alguma antiguidade, que pertenceu ao escritor Inácio Pizarro da ilustre família Pizarro de Morais Sarmento: a sul, situa se uma das paredes laterais da Igreja Matriz, com porta renascença, e a oeste, ergue se o edifício da Sociedade Flaviense que, primitivamente, funcionou como Paços do Concelho. O Largo de Camões, imediatamente contíguo, resplandece na sua envolvente de imponentes e históricos edifícios como seja a fachada principal da Igreja Matriz com o seu belo portal pré românico e a torre sineira onde se observa a majestade do Pantocrator. Esta Igreja para além de uma longa história, podendo ter sido reconstruída sobre a primitiva e, já citada, Sé de Idácio, é de interessante arquitectura, um entrelaçado entre o românico, o gótico e outros restauros mais recentes. No interior, na extremidade das suas três naves definidas por duas fiadas de monumentais colunas cilíndricas situa se, na primeira, a capela do Santíssimo; na do centro o altar mor numa capela com abóbada manuelina e com uma frontaria ostentando painéis de azulejaria azul e branca =6, localizando se no fundo da mesma nave, suportado por duas colunas, um belo órgão barroco; a terceira nave termina no altar neoclássico da devoção àSenhora da Assunção. Relacionada com a Igreja Matriz também designada por Igreja de Santa Maria Maior conta a memória, oral e escrita, a lenda de Maria Mantela. Morava Maria Mantela com seu marido Fernão Gralho, numa casa da rua da Misericórdia, nas proximidades da Igreja Matriz. Era um casal abastado, que vivia dos rendimentos, podendo assim Fernão Gralho entregar se à caça de quando em vez, seu prazer favorito. Um dia, achando se Maria Mantela grávida, passeava com o marido nos arredores da vila, quando foi abordada por uma mulher pobre com dois filhos gémeos abraçados ao peito, implorando lacrimosa uma esmola para minorar a sua miséria e a das suas criancinhas. Dela se compadeceu o marido que generosamente a socorreu; a sua mulher, pelo contrário. tratou a duramente, colocando em dúvida a sua honestidade, por não compreender que, mulher de um só homem, pudesse de uma só vez gerar mais que um filho. A mendiga, sentindo se injuriada, respondeu lhe fazendo votos de que Maria Mantela não fosse castigada pelo que acabava de dizer, já que também estava grávida. Esta mensagem ficou sempre no espírito de Maria Mantela e uma certa sensação de remorso angustiava a diariamente. Quando Maria Mantela deu à luz, encontrava se o marido ausente, numa das suas caçadas. E do parto, para surpresa dela, nasceram sete gémeos, todos gerados ao mesmo tempo, apesar de ela ser fiel ao marido. Ficou tão aflita lembrando se do que tinha pensado e dito à mãe dos gémeos que não teve coragem de apresentar ao marido os sete filhos, pelo que ele poderia pensar dela. No seu estado de aflição e loucura, encarregou a ama da casa que lançasse ao rio Tâmega seis dos recém nascidos, deixando ficar somente o que lhe parecesse mais robusto e bem constituído. A ama saiu, ao cair da tarde, para cumprir a missão, levando num cesto coberto os seis gémeos e preparava se, a meio das Poldras, para lançar na forte corrente do rio os pequenos inocentes, quando avistou o Fernão Gralho que a observava da margem do rio. Veio ao seu encontro e inquiriu a sobre o que fazia com aquele cesto, naquele local. A mulher procurou uma desculpa dizendo que a cadela tivera sete cachorrinhos e que ela vinha afogar seis, ficando em casa o de melhor raça. Porém o Gralho, pediu para os ver e então deparou com os seis meninos. Ferrão Gralho, como homem compassivo que era, compreendeu a loucura da esposa que estivera a ponto de cometer um crime que a acompanharia toda a vida e perdoou a desde logo. Tomou conta do cesto e ordenou à criada que fosse para casa participar o cumprimento das ordens que a senhora lhe dera, guardando segredo sobre a entrega dos recém nascidos. E, de seguida deslocou se a seis aldeias do concelho de Chaves a confiar a outras tantas amas a sua criação. Passaram dez anos sem que Fernão Gralho desse a entender à esposa o segredo que guardava. Para ela era uma tortura o crime que havia cometido com os seus filhos.

O dia de ano novo, desse ano que começava, decidiu o Gralho festejá lo com um lauto banquete, do que informou a mulher pedindo lhe que tratasse de tudo pois tinha seis amigos como convidados. À hora da refeição, quando Maria Mantela se dirigiu à mesa do banquete ficou muda de espanto; é que sentados, não estava só o filho, estavam sete rapazinhos todos iguais em feições e vestuário, de tal forma que ela não sabia dizer qual era o que ela tinha criado. O marido então esclareceu todos os acontecimentos acalmando enfim o sofrimento daquela alma tão longamente angustiada. Os sete gémeos, diz ainda a lenda. tornaram se sete padres, paroquiando sete igrejas que fundaram com a invocação de Santa Maria. São elas a Igreja de Santa Maria de Moreiras, Santa Leocádia, Santa Maria de Calvão. o mosteiro de Oso já desaparecido e metade da Igreja Matriz de Chaves, Santa Maria de Émeres no concelho de Valpaços e Santa Maria de Vilar de Perdizes do concelho de Montalegre=’. Na Igreja de Santa Maria Maior de Chaves. junto ao altar mor, em tempos passados existia um epitáfio, testemunho real da fundamentação da lenda e que dizia: “Aqui jaz Maria Mantela, com seus filhos à ioda dela “. Esta lenda, teve o privilégio de ser descrita, já em 1634 por D. Rodrigo da Cunha, Arcebispo de Braga e primaz das Espanhas que depois foi nomeado Arcebispo de Lisboa. A sul da Praça de Camões situam se as ancestrais instalações da Santa Casa da Misericórdia de Chaves instituída em 1525. Delas fazem parte o edifício onde funcionou o Hospital de Chaves, até à construção do novo Centro Hospitalar; a Igreja da Misericórdia, bela preciosa jóia barroca, a mais representativa deste estilo, no Nordeste Transmontano, revestida de resplandecente azulejaria azul e branca, talha dourada com sinuosas colunas salomónicas, as artísticas pinturas do tecto… Toda ela uma beleza! É capelão da Misericórdia e do Hospital Distrital de Chaves, o Padre Fernando Pereira, Licenciado em Teologia e que desempenhou a função de professor em Escolas Preparatórias e na Secundária Dr. Júlio Martins. Seguem se as dependência da Provedoria onde se podem admirar algumas belas obras de arte. É provedor da Santa Casa, desde 1979, Nuno dos Santos Rodrigues, cargo que ocupa, com elevado dinamismo e resultados de avultada expansão das valências desta instituição, não só a todo o concelho de Chaves, mas também abrangendo o de Boticas. Adoçado a este conjunto arquitectural encontram se as instalações do Museu da Região Flaviense, Biblioteca e outras dependências da Câmara Municipal. Este património terá sido erigido onde existiam as muralhas verticais que envolviam a harmoniosa torre de menagem do castelo, e o palácio ducal construído, no início do século XV, por D. Afonso, primeiro duque de Bragança, onde habitou durante largos anos. Com o decorrer dos tempos foram estes Paços, sofrendo sucessivas transformações, uma das quais proporcionou, em 1739, a instalação da Guarda Principal da Praça de Armas, e aí permaneceu mais de dois séculos. A porta principal de acesso ao museu é rematada por uma bela pedra de armas da Casa de Bragança, altivamente ostentando a coroa real. A oeste e, como que coroando a praça, ergue se o interessante edifício dos Paços do Concelho, antiga casa solarenga dos Morgados de Vilar de Perdizes que, depois de adaptada e harmoniosamente acrescentada, se transformou no belo monumento que ajuda a personalizar a cidade de Chaves. Um conjunto de casas, características nas belas varandas e janelas, adaptadas aos mais variados serviços completam a rectangularidade desta praça. Bem perto, eleva se a torre de menagem do castelo de Chaves, obra de D. Dinis, com vinte e seis metros de altura. A torre ostenta ameias e balcões e no cimo da escadaria de acesso abre se a porta nobre, encimada por um brasão real de dezanove castelos. No seu interior, distribuído em três andares pode visitar se o Museu Militar. O castelo, como é vulgarmente chamado, está parcialmente envolvido por um artístico jardim relvado que é delimitado pelas muralhas. Saindo do centro histórico é de destacar o Forte de S. Francisco, hoje transformado em Hotel. Possui este monumento uma história notável ao longo dos seus mais de trezentos anos de existência. Primeiro funcionou como convento da ordem que lhe deu a desinação. À sua volta e por razões militares, na mesma época foi construído o denominado Forte de Nossa Senhora do Rosário, com baluartes e ponte levadiça que durante a Guerra da Restauração prestou relevantes serviços de defesa. Mais tarde, em 1809, foi cenário de grandes lutas contra os franceses onde se cobriu de glória o general Francisco Silveira;=, pela retumbante vitória contra as tropas de Soult. A capela, de devoção a S. Francisco, é um monumento artístico e bem restaurado. De acordo com a escritura celebrada com Frei Rodrigo de Morais em 1446, terá sido o arquitecto Mestre Joanes de Cibrão que projectou a abóbada do Convento. O Forte de S. Neutel, uma outra edificação nos arredores da cidade, é uma fortificação militar, amuralhada, com quatro baluartes e rodeada de fossos, e foi iniciada por volta do ano de 1664 para fortalecer as defesas do país. Depois de muitos anos de utilização em diversas funções, hoje está transformado num anfiteatro onde se realizam concertos e outras actividades ao ar livre. Dentro das muralhas, existe a capela da Senhora das Brotas. Esta capela já existia quando foi construído o forte. Tem um altar único com a imagem de S. Neutel, encontrando se a da Senhora das Brotas representada numa pintura suspensa na parede lateral. O forte tomou o nome do Santo. A esta Senhora é dedicada anualmente, no Domingo de Pascoela, uma festa que se designa exactamente por festa da Senhora das Brotas. A tipicidade de antigamente que era traduzida na celebração de uma missa, comer os merendeiros, cuja componente fundamental era o afamado folar de Chaves, ao som do toque das Bandas dos Canários e dos Pardais, associações musicais de Chaves, foi se perdendo. Esta interessante festa de carácter cristão bebe as suas raízes no paganismo ancestral em honra de Ceres, época do ano em que era festejado o “brotar” dos produtos criados na terra. Lenda ou realidade não será fácil concluir com certeza. São numerosas as belas capelinhas que a cidade possui, atestando no presente a religiosidade e bom gosto do passado. No Largo de Camões, ao lado do edifício dos Paços do Concelho, pode admirar se a capelinha da Senhora do Loreto ou da Santa Cabeça. Este pequeno templo foi fundado em 1696 pelo Abade de Monforte de Rio Livre, Padre João de Prada, com vínculo de morgadio, de que foi primeiro administrador seu irmão António de Prada, cavaleiro do hábito de Cristo, fidalgo da Casa Real e Governador do Forte de S. Francisco de Chaves. A fachada mostra um frontão quebrado, estilo bramantino, inspirado por Bramante, o maior arquitecto italiano do Renascimento. A talha do retábulo é muito rica, bela jóia de arte que guarda uma relíquia, que lhe dá o nome, parte do crânio de S. Bonifácio, advogado dos animais mordidos por cão raivoso. A relíquia está autenticada por Bula Apostólica e aprovada pelo Bispo de Miranda, Frei António de Santa Maria. A crença popular foi manifesta e conta se que de Nantes, vieram duas mulheres com um burro, que tinha sido mordido por um cão suspeito de estar raivoso, para que fosse abençoado e consequentemente ficasse livre de perigo. A capela da Senhora da Lapa, situada no Largo do mesmo nome, junto do Forte de S. Francisco é um aristocrático e interessante templo, com um belo frontão encimado de uma coroa real a servir de remate. Outra capela de muito interesse histórico é a de Santa Catarina com um frontal e altar mor renascentista, datada de 1681, e que pertenceu ao Morgadio de Santa Catarina, cujos ascendentes sobem até aos irmãos Rui e Garcia Lopes’S. Também a capela da Senhora do Pópulo, fundada em 1516 por Jácome de Araújo Freire, comendador de Vilarelho da Ordem de Cristo, que está situada no Bairro do Santo Amaro, junto à ribeira de Ribelas, era de romagem quotidiana dos naturais e dos peregrinos de Santiago de Compostela; foi palco de acontecimentos da história de Chaves e também memória do lendário popular. Diz a tradição que a Senhora do Pópulo era cópia fiel da que é venerada no convento dos Eremitas de Santo Agostinho, na Porta Flamínia de Roma. Foi nessa capela que o tenente coronel, Francisco Homem de Magalhães Pizarro e outros briosos militares receberam das mãos do sacerdote as insígnias revolucionárias contra as hostes de Napoleão, que consistiam no laço da nação, com uma fita escarlate colocada em diagonal sobre o chapéu, onde estava escrita a honrosa inscrição “Vencer ou morrer pela religião e pelo príncipe regente de Portugal”. Dentro, junto da porta principal, estão esculpidas duas pegadas e. diz a lenda que, toda a rapariga que pretenda saber se vai casar, o descobrirá se, ocasionalmente e sem intenção, à entrada da capela, colocar os pés nestas pegadas. O pequeno santuário do Senhor do Calvário situase numa colina, a noroeste do Largo de Santo Amaro. A capela foi mandada construir em 1672 por Gaspar Vaz Teixeira que era Cavaleiro da Ordem de Cristo e provedor da Santa Casa da Misericórdia. No decurso dos séculos passados, a Via Sacra era iniciada na Igreja de Santa Maria Maior e, depois de passar num nicho da Senhora da Misericórdia e outras capelas situadas no percurso, terminava no Calvário. Além deste património ainda merece destaque a bela memória representada pela estação dos Caminhos de Ferro de interessante traça do princípio do século XX, enfeitada com painéis de azulejaria florida e polícroma. A gastronomia flaviense é variada e deliciosa, havendo uma grande preocupação por parte dos estabelecimentos de restauração em preservar os petiscos que ainda constituem tradição e recuperar outros já esquecidos na memória dos tempos. É o folar e os pastéis de Chaves, o presunto, chouriço de abóbora, o salpicão, as alheiras, o cozido à portuguesa e o bacalhau de todas as maneiras, entre tantos outros pitéus. Para além disso há também uma grande vontade dos habitantes, em recuperar outros pratos tradicionais que foram esquecendo no tempo. Nesta área é justo também não esquecer a típica adega que serve bons vinhos e bons acompanhamentos, bem representada pela centenária Adega Faustino que sofreu algumas remodelações, sem contudo perder a sua traça primitiva e cujo projecto é atribuído à escola de Eiffel.

Para apoio social existem em Chaves o Centro Social e Paroquial, a Casa de Santa Marta. Associação Flor do Tâmega, a Liga dos Amigos do Hospital a Santa Casa da Misericórdia de Chaves e Boticas com várias valências constituídas pelo Lar da Senhora da Misericórdia. Centro de Actividades dos Tempos Livres de Casas dos Montes e Escola Professor Nuno Rodrigues. Em termos sócio culturais e recreativos existem as instituições: Coral de Chaves, Grupo Desportivo e Recreativo da Madalena, Associação Desportiva Recreativa e Cultural da Madalena, Associação Florestal e Ambiental do Concelho de Chaves, Associação de Artesãos do Alto Tâmega e Barroso, Associação Desportiva Flaviense, Banda Musical Flaviense “Os Pardais”, Grupo Desportivo de Chaves, Ginásio Clube de Chaves, Ténis Clube de Chaves, Hóquei Clube Flaviense, Clube Flaviense de Caça e Pesca Desportiva, Grupo de Veteranos do Grupo Desportivo de Chaves, Associação dos Amigos dos Animais de Chaves, Associação dos Paraquedistas do Alto Tâmega, Associação de Comandos de Chaves, Rotary Clube de Chaves; Chaves Femini Clube, Sociedade Columbófila de Chaves, Aeroclube de Chaves, Clube de Campismo e Caravanismo de Chaves, Karaté Clube do Alto Tâmega, Natação Clube de Chaves, Universidade Senior Autodidacta Flaviense, Sociedade Flaviense, Teatro Experimental Flaviense e Grupo Cultural Aquae Flaviae. Outras instituições de muito interesse para o desenvolvimento regional são a AMAT, Associação de Municípios do Alto Tâmega, a ADRAT, Associação de Desenvolvimento Regional do Alto Tâmega e a ACISAT, Associação Comercial Industrial e Serviços do Alto Tâmega, cujo presidente é o empresário João Miranda Rua. Na cidade são editados três jornais semanais: O Semanário Transmontano cujo director é J. B. César. A Voz de Chaves sob a direcção de Elisabete Fernandes e O Notícias de Chaves dirigido por Rui de Castro Lopo. Possui três estações de rádio: Rádio Larouco, Delegação da Rádio Renascença e Rádio Transmontana. Depois deste breve percurso pela cidade de Chaves, passa a fazer se uma deambulação pelas suas cinquenta e duas freguesias destacando, em cada uma das localidades, o património e dados etnográficos que mais relevantes se considerem. Todos os dados estatísticos foram recolhidos no site ine.pt e no site Stape.pt, respectivamente, disponíveis em 2002. Analisando os dados recolhidos considera se absolutamente contraditório que o número de habitantes seja frequentemente inferior ao número de eleitores, mas são os dados…

FREGUESIAS

Águas Frias, sede de freguesia abrangendo uma área de 27,95 km2 com 896 habitantes e 1 010 eleitores, sendo constituída pela própria aldeia de Águas Frias, Casas de Monforte, Assureiras de Baixo, Assureiras do Meio, Assobreira e Avelelas. O Presidente da Junta de Freguesia é Alexandre Fernandes. É pároco da freguesia o Padre Adalberto Fernando Paiva. Tem uma escola do 1° Ciclo frequentada por 5 alunos e o Ensino Básico Mediatizado por 12. Para ocupação de tempos livres foi criado na aldeia um Centro Cultural e Recreativo. As produções mais relevantes incluem o centeio, castanha, batata, alguma fruta e vinho. Povoação muito antiga, já referenciada nas Inquirições de 1262 e de grande importância no passado, por estar situada na envolvente do Castelo de Monforte de Rio Livre. Possui edifícios em granito de imponente traça. Dentre eles destaca se uma casa solarenga com capela anexa, situada no bairro de Cimo de Vila, construção do século XVIII. Uma outra casa é a da família Leitões, esta situada no Bairro do Cipreste. Algumas paredes interiores, estão revestidas de pintura a fresco onde se evidencia o notável brasão da família. Trata se de um brasão que apresenta um leão rompante, combatendo um pinheiro, tendo por timbre o mesmo motivo, parece pois tratar se do brasão da família dos Pinheiros, família proprietária anterior e que também fez história nesta região. A Igreja, é um edifício em granito com traços renascentistas. Na sua bonita frontaria destacam se dois pináculos colocados simetricamente sobre a cornija da estrutura e, como remate, em posição superior ergue se uma bem esculturada torre sineira com dois níveis de sinos: dois no primeiro nível e o terceiro no nível superior. Todo este conjunto é ladeado de pináculos e rematado por uma cruz. É vulgarmente designada esta torre sineira por Torre dos Condenados. A origem desta designação atribui a a tradição ao facto de ter sido construída com dinheiros de impostos e multas dos habitantes. Interiormente, tem uma só nave que conduz à capela mor revestida de um belo retábulo renascença. Do mesmo estilo são os outros quatro altares situados de um e outro lado da nave. É ainda dotada de um coro abalaustrado, um púlpito e pia baptismal. O orago é São Pedro, anualmente festejado e também se realiza com a mesma periodicidade a festa a Santa Bárbara, protectora contra os malefícios das trovoadas. A ela, com devoção, ainda hoje rezam assim, ou com outras variantes, as populações em momentos de trovoada:


Santa Bárbara bendita
Que no céu está escrita
E na terra assinalada Pedia Nosso Senhor
Que nos livre desta trovoada.

Esta freguesia esteve sempre muito ligada ao Castelo de Monforte de Rio Livre que se situa na antiga Civitatella de Batocas. O castelo assenta, segundo os arqueólogos, sobre um castro romanizado. Sustenta esta afirmação o facto, entre outros, de terem sido encontradas, nesse local, duas aras, uma das quais dedicada ao deus Larouco. A construção do castelo é atribuída a D. Dinis e sobre ele verseja o povo, evocando a tradição:

Eu, Dinis
Sete castelos fiz
Mas o mais forte
É o de Monforte.

O julgado de Rio Livre foi fundado em 1267, teve forais dados por D. Afonso III, D. Afonso IV e D. Manuel I. O primeiro criou a célebre feira de Monforte, bem ao uso do tempo medievo, que durava dois dias. Para relembrar os velhos tempos é feita anualmente no verão, na zona envolvente do castelo, uma recriação dessa feira com trajes. jogos e artigos da época. Isto para que a memória das gerações passadas não seja esquecida. Dentro das espessas muralhas localizavam se a Câmara, a cadeia, a Igreja Matriz da devoção a S. Pedro, a residência dos abades, o pelourinho e a capela da Senhora do Prado. O brasão da extinta vila e concelho encontrase na Câmara de Valpaços. Para visitar este castelo muito interessante e conservado na sua alcáçova recomenda o ditado popular, “Para Monfmie merecida e capote”.

Assobreira, também designada por Sobreira, é um pequeno lugar que quase se reduz a uma antiga quinta rodeada de campos característicos da região.

Assureiras de Baixo e Assureiras do Meio são duas pequenas aldeias muito desertificadas e com as casas, que outrora mostravam a riqueza da agricultura, em estado de degradação. O próprio nome, como refere o Padre João Vaz de Amorim, provém de Azoreiras, topónimo que alguns documentos de Oviedo do Século VIII, IX e X, empregam para designar “matas, montes ou devesas, destinadas essencialmente para a produção de lenhas”. Nos limites destas aldeias passou uma das seis vias romanas que partiam ou passavam por Chaves. Alguns autores dizem mesmo que esta seria a importante via militar de Bracara Augusta a Asturica Augusta, o que outros autores contestam. A aldeia possui uma escola do primeiro ciclo do ensino básico, frequentada por 6 alunos.

Avelelas, pequeno povoado da freguesia, que apesar de ter sofrido a desertificação natural dos lugares pequenos possui um Clube Cultural e Recreativo. Também tem em funcionamento uma escola do primeiro ciclo do ensino básico que é frequentada por 9 alunos.

Casas de Monforte, é uma aldeia também antiga, com um imponente edifício, denominado de Casa do Mosteiro pertencente à família Chaves que possuía pedra de armas. Associada a esta casa está a capela do Santo Cristo, onde se situa um nicho das Almas do Purgatório, uma sineta datada de 1607 e um artístico cruzeiro abrigado pela galilé da capela. Reza a tradição que todo este património teria sido construído por dois frades em observância das regras de uma ordem. Teriam realizado uma peregrinação, a pé, até Roma donde foram portadores, no regresso, de muitas indulgências para a sua capelinha do Santo Cristo. A aldeia situa se praticamente toda ao longo de uma comprida rua, elevando se no cimo dela, a igreja de Santa Marinha, padroeira da igreja. Acima da aldeia está a capela do Senhor dos Aflitos. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 13 alunos e o Jardim Infantil por 13 crianças. Possui uma Associação Cultural Recreativa e Desportiva que funciona na Casa do Povo. Encontra se, em fase de construção, um Centro Comunitário sob a dependência da Santa Casa da Misericórdia. Na envolvente da aldeia existem várias memórias arqueológicas entre as quais se destaca um lagar cavado na rocha, um menir com cruciformes insculpidos e uma rocha nas Meias, que ostenta diversos motivos da arte rupestre, tão abundante na região. Contam as muitas lendas que debaixo dessas belas pedras existiriam tesouros de ouro enterrados e, por isso, os “caça tesouros” profanaram esses locais à procura das riquezas que aí estariam escondidas. Outra lenda refere que antigamente as raparigas iam a esse local, lançar pedrinhas ao menir na persuasão de que tantos anos estariam solteiras quantas tivessem que atirar, antes de. em cima, ficar uma.

Anelhe, freguesia com a área de 12,09 km2, 538 habitantes e 520 eleitores, sendo constituída pelas aldeias de Anelhe, Rebordondo e Souto Velho. É presidente da Junta Carlos Alberto Gonçalves Esteves. O Padre Domingos Gonçalves Guerra é o pároco da freguesia. A produção mais abundante e de grande qualidade é a vinha e, consequentemente, o vinho muito apreciado. Os vinhedos são cultivados em socalcos na soalheira serrania, um pouco à maneira do que acontece no Douro, daí a qualidade do vinho. Além dessa produção também é de referir a batata e o milho. Anelhe é uma graciosa aldeia, assente na curva suave de uma das colinas, bem exposta ao sol, e dominando um panorâmico vale banhado e fertilizado pelo rio Tâmega. Na encosta, que pende até ao rio, divisam se as diversas quintas que produzem o valioso néctar. Uma das mais interessantes é a Quinta do Poldrado. Anelhe também serviu de habitat a um povo castrejo, que edificou o seu castro na serra, em terreno xistoso, a uma altitude de cerca de quinhentos metros. Este castro é delimitado pela Geia e pelas Muradelhas, topónimos de sabor muito antigo e possível traçado de uma via romana. Na aldeia, em plano mais elevado que a rua, ergue se a igreja barroca cuja padroeira é Santa Eulália. Mesmo em frente, do lado oposto da rua, sobre um portal apoiase um castiço espigueiro em madeira. Em Anelhe nasceram e viveram homens notáveis. Éterra natal do reverendo Joaquim Marcelino da Fontoura, que em 1893 fundou o colégio de S. Joaquim em Chaves, entre tantas outras obras, dignas de registo, que realizou. Outro notável homem, pelas inúmeras atitudes de benemerência, foi seu sobrinho, Abílio Brenha da Fontoura” que nasceu em Chaves e foi baptizado em Anelhe. Entre outras benfeitorias, mandou edificar uma bela casa em granito, uma escola e um ramal de estrada desde Anelhe à Praia de Vidago. De relevo nas letras e na defesa do património regional, merece também um destaque especial na galeria de homens notáveis, o Padre João Vaz de Amorim que paroquiou Anelhe. Outra figura de relevo é ainda Cândido Rodrigues Álvares de Figueiredo e Lima. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 13 alunos. Funciona na aldeia a Associação Recreativa e Cultural de Anelhe.

Rebordondo, pequena aldeia situada entre a margem direita do rio Tâmega e um extenso e belo pinhal, que delimita já a serra de Anelhe. No interior da aldeia está implantado uma magnífica casa solarenga, com uma belíssima pedra de armas pertencente à família Bragança e Miranda. A pedra de armas foi concedida a Joseph Alves Teixeira, morador nesta casa em 1725. O escudo, partido em palas, apresenta na primeira três flores de lis dispostas em roquete. Na segunda pala figuram três faixas jaquetadas de três tiras. O elmo aberto é encimado por uma pomba, em posição de voo, com um ramo no bico. A decoração envolvente é de fino bordado granítico, onde sobressaem as clássicas folhas de acanto. As armas correspondem às famílias Leites e Magalhães. Tem uma pequena capela da devoção a S. Martinho. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 17 alunos e o Jardim Infantil por 13 crianças. Na época em que a agricultura era a fonte principal de financiamento das famílias, realizavam se aí duas feiras mensais para exposição e venda de produtos. Possui uma famosa filarmónica, a Banda Musical de Rebordondo.

Souto Velho, aldeia também situada na encosta da serra, cujo casario desce até mesmo à margem do rio Tâmega. Conta a tradição que o grande senhor destas terras, de uma e outra margem do rio, foi D. Ferrão Gralho, o mítico marido da não menos lendária Maria Mantela. A casa que a lenda lhes atribui é um belo casarão em granito, de uma arquitectura bem interessante que se destaca ao longe, na sua altaneira posição, adornada com um elegante canastro. A capelinha demasiado remodelada é da devoção a Santo António. Além de continuar a ser uma região de óptimos vinhedos, é espantoso crescer aqui também como árvore abundante o sobreiro, tanto que à beira da estrada é vulgar e pitoresco encontrar grandes pilhas de cortiça. Esta região também teve uma actividade mineira relevante, em termos económicos, para a região no decurso da Segunda Guerra Mundial.

Arcossó, aldeia que é também freguesia. Estende se por uma área de 7,50 km2, possui 366 habitantes e 402 eleitores. O Presidente da Junta é David Fraga Portal. O Padre Joaquim Silveira é o pároco da freguesia anexa à de Vidago. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 8 alunos e o Jardim Infantil por 8 crianças. Arcossó e Loivos foram, nos século XIX, as mais importantes freguesias da Ribeira de Oura. Tem também uma grande importância por ser uma excelente região vinhateira. produzindo em quantidade e qualidade óptimos vinhos. A paisagem é muito rica nos seus vinhedos, salpicados de árvores de frutos carnudos e alguns pinheiros. No interior das férteis quintas divisam se antigos edifícios em granito, alguns dos quais em franca degradação pelo abandono e desertificação destes lugares isolados. Alguns deles, pela sua bela traça e enquadramento paisagístico, estão a ser recuperados para fins hoteleiros em unidades de Turismo de Habitação Rural. A Quinta do Pulo do Lobo é um dos belos exemplos de paradisíaca pousadinha. Arcossó foi berço de fidalguia, denotando algumas das suas construções a presença das linhagens aristocráticas que aí residiram. Dentre eles faz se destacar Pedro António Machado Pinto Canavarro, que terá sido o primeiro Barão de Arcossó. Também nesta freguesia tem raízes o notável flaviense José Timóteo Montalvão Machado”. Outra figura de relevo que desempenhou as funções de Arcipreste e se notabilizou pelos seus interesses culturais é o Padre Adolfo Magalhães”. Versos seus adornam uma das paredes da capela situada no denominado Largo do Santo. A igreja paroquial, construída em granito lavrado, como a generalidade das igrejas e capelas do concelho de Chaves, apresenta uma torre sineira, muito interessante, separada do corpo da igreja, o que confere ao barroco conjunto arquitectural uma estética e beleza muito próprias. O orago é São Tomé. Perto desta igreja, descendo uma extensa escadaria, também em granito, encontra se uma fonte que a tradição designa por fónte dos mouros. O povo, como tradição, conta a lenda do Calhau da Moura, que se passa a descrever. Andava uma pastora à beira do Tâmega a guardar o seu rebanho, quando avistou sobre um penedo, na outra margem do rio, uma linda menina com vestes que brilhavam ao sol. Ficou atemorizada quando viu que essa figura atravessava o rio, sobre as águas, sem sequer molhar os sapatos, igualmente brilhantes e se dirigia na sua direcção. A jovem estendeu uma vasilha pedindo um pouco de leite das ovelhas. A pastora deu lhe o leite e, a jovem contou que era uma moura que estava encantada e infeliz, vivendo há lon gos anos num palácio debaixo do rochedo, guardada por gigantes. Deu àpastora um cofre e pediu lhe que divulgasse na aldeia a sua triste sina para que alguém fosse combater os gigantes, os vencesse e assim ficaria liberta do encanto. Quanto ao cofre recomendou lhe que só o abrisse na aldeia e então veria a sua casa transformada num palácio. A pastora retomou o caminho de Arcossó e não resistiu à tentação abriu o cofre. Dentro só encontrou uns negros carvões que caíram ao chão. Surgiu por encanto a bela moura, muito triste, apanhou os carvões que, quando colocados no cofre, se transformavam em luzidias moedas de ouro. Uma fortuna que a cobiça fez perder e manter o encanto da moura, que continuou a viver no seu palácio, debaixo do penedo, em Arcossó.

Bobadela, freguesia com a área de 6,03 km2, uma população de 124 habitantes e 157 eleitores, é constituída pela sede da freguesia e pela aldeia da Bolideira. O Presidente da Freguesia é António Agostinho Pereira Ferreira. O Padre Adalberto Fernando Paiva é o pároco da Freguesia anexa à de Aguas Frias. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 7 alunos. As produções são, essencialmente, centeio, batata, milho, frutas e vinho. A pitoresca aldeia de Bobadela, está situada num ponto alto da região, na envolvente do Castelo de Monforte, entre matas de soutos e carvalheiras, assente nos visos da serra a dominar toda a encosta até ao fértil vale de Tinhela, este já do concelho de Valpaços. Possui uma elegante igreja matriz, cujo orago é São Pedro, e alguns prédios dignos de atenção. Numa dessas casas, hoje pertencente a Nuno Santos. existem três pedras trabalhadas que datam de 1517. A nobre família dos Andrades, descendentes de Nuno Freire de Andrade, Mestre da Ordem de Cristo, que veio para Portugal no reinado de D. Pedro de Castela, teve aqui a sua Torre ou Casa Forte. Este castelo e outros congéneres que existem na Galiza e norte de Portugal, poderão remontar aos afastados tempos da reconquista cristã, e aos quais se refere o velho Livro de Linhagens. Este nome de Castelo ou Torre dos Andrade, poderá ter sido atribuído como trofeu de glória, para recordar os feitos do ilustre cavaleiro que, com mais quatro companheiros de armas, foi até Espanha combater os sarracenos, em companhia do conde D. Mendo. Os Andrades recolhem o apelido da vila de Andrade, situada na Galiza. Esses senhores, cobertos de honrarias, foram donatários da aldeia. Um deles. o conde de Bobadela, em 1733, foi governador e capitão geral do Rio de Janeiro e mais tarde governador de Minas Gerais e de S. Paulo. Criou no Rio de Janeiro a primeira oficina tipográfica, erigiu o aqueduto de Carioca e interveio na construção de outros edifícios públicos”. Dessa família descendeu o general Gomes Freire de Andrade, grande lutador e mártir da liberdade. Deduz se até que Bobadela é uma designação de origem árabe, que poderá derivar de Boabdil, nome do último rei de Granadas°, e que seriam eles, os árabes, os seus fundadores. Foi relativamente curta e efémera a estada dos mouros nestas terras, mas é incontestável que deixaram inúmeros sinais da sua passagem sobretudo em termos de topónimos como: Alpande, Alfonge, Amoínhas (Almoinhas), Almorfe, Bóbeda entre tantos outros”. Perto do centro urbano, situa se o castro designado por Cidadonha, de edificação pré romana, embora depois tivesse sido romanizado, como se infere dos achados arqueológicos. Castro esse que integrou a vasta rede de fortificações romanas, que se estendem pela orla do extenso planalto, desde as margens do rio Rabaçal até aos vales de Aguiar e margens do rio Corgo. Conta a lenda que nesse castro existem três arcas: uma contém ouro, outra contém prata e a terceira está cheia de peste. Ninguém ousa abri Ias porque desconhecem o seu conteúdo e poderiam abrir a da peste e assim desencadear uma mortífera epidemia.

Bolideira, aldeia da freguesia de Bobadela, pequeno lugarejo que já foi importante por ter sido um entreposto da boa e abundante batata da região. O que de facto caracteriza esta pequena aldeia é a conhecida Pedra Bolideira. É um enorme bloco de granito com um peso, que autores diferentes referem variar entre as seiscentas e trinta mil toneladas. Escavando em volta, passa se por baixo dele como sob uma abóbada. A sua base assenta sobre a aresta de outra rocha, somente em cerca de meio metro. O simples impulso de uma mão, no local adequado, faz balançar este gigantesco penedos;. A lenda conta como foi descoberto o fenómeno e atribuído o nome à grande rocha. Diz se que um dia, quando um pastor apascentava os seus animais reparou que um carneiro ao coçar os chifres na pedra a fazia mexer. Para confirmar o que seus olhos viam, o pastor resolveu colocar uma pequena vara de giesta entre a fraga movediça e uma outra que estava fixa na base. Confirmou então que essa vara arqueava quando empurrava a fragas;.

Bustelo, localidade e sede de freguesia, com a área de 9,34 km2, uma população de 516 habitantes e 514 eleitores. Fez parte, desde o século XIV ao século XIX, do extinto concelho de Ervededo, tendo tido nessa altura uma Companhia de Ordenanças. É Presidente da Junta Gilberto dos Reis Sousa. O Padre João Martins Calheno é o pároco da Freguesia. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 17 alunos e o Jardim de Infância por 11. A aldeia localiza se na encosta da serra, sendo as produções, análogas às de outras freguesias e são constituídas, essencialmente, por centeio, batata, vinho e frutas. Na entrada da aldeia situa se a capela do Senhor dos Aflitos, cuja festividade se realiza no mês de Agosto. A igreja paroquial, da invocação de Santa Maria Madalena, de linhas barrocas, possui no interior belos altares adornados de esculturais colunas salomónicas em madeira, belamente trabalhadas e douradas. Possui boas casas em granito sendo a mais bela de todas uma casa solarenga situada na encosta da serra que pertenceu aos Marqueses de Subserra. Além da frontaria com ornatos de grande interesse, possui no jardim interior uma lindíssima fonte com três taças concêntricas sobrepostas. No termo desta freguesia encontram se, na encosta da serra do Laspedo, rochas com insculturas rupestres ofiolatras, estudadas pelo erudito arqueólogo José Rodrigues Liberal Sampaio’. Também são visíveis as ruínas do grosso muro do Castro que existiu no alto da serra da Bandeira.

Calvão, freguesia com uma área de 19,62km2, uma população de 450 habitantes e 538 eleitores, e constituída pelas povoações de Calvão e Castelões. É Presidente da Junta Domingos Rito Fernandes. O Padre António Diogo Martins é pároco da Freguesia e também capelão militar do Regimento de Chaves. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 6 alunos. Tem uma associação que se designa Associação Cultural e Desportiva. Como produções mais significativas pode referir se vinho, centeio, milho, batata e feijão. A igreja paroquial, muito imponente, foi reconstruída nos últimos anos da década de 1940, destruída que foi pelo ciclone de 1944. É muito maior que a primitiva, ostentando dois altaneiros campanários. A primitiva, denominada de Santa Maria de Calvão seria uma das que faz parte do enredo da lenda de Maria Mantela. A aldeia mostra um casario revelador da antiga opulência e da religiosidade, assinalada pelas igrejas e capelas milagreiras da região, pelo oratório adoçado a uma casa e ainda pelo magnífico cruzeiro que se ergue no largo da aldeia. Entre as capelas atrás referidas é de popular interesse a capelinha da Senhora da Aparecida. Conta a tradição que em 1833 teria aparecido a Senhora a três pastorinhos de nomes Manuel, Maria Rosa e Teresa Fernanda. Então, o povo perante a divulgação do acontecimento, erigiu logo uma capela; em 1842 levantou uma outra de maiores dimensões ligada à primeira e em 1880 uma outra em forma de nicho. Foi construída uma fonte, aberto um espaço arborizado e colocados três coretos. Tudo isto porque a romaria à Senhora da Aparecida, realizada em cada primeiro domingo de Setembro, foi sendo cada vez mais importante e concorrida, pelas graças que corriam de boca em boca.
Os romeiros depois de participarem nas cerimónias religiosas, cumprirem as suas promessas, comerem os merendeiros e ouvirem as bandas tocar, despedem se do local, rezando ou cantando a seguinte quadra de adeus:
Ó Senhora d’Aparecida
As costas vos vou virando
A saída é agora.
A volta já não sei quando.

Castelões é uma pequena aldeia, cujo topónimo lhe advém do Castelo, designação dada ao cimo da povoação. Também foi aldeia castreja; bem perto situa se o que o povo designa por Outeiro dos Mouros, à volta do qual ainda permanecem arruinados dois panos de muralha. Diz Alexandre Herculano que os tenentes ou governadores dos castros espalhados avulsamente pelo país eram denominados por castelões ou castelãos”. Próximo desta aldeia passava uma importante via militar romana. Tem uma igreja barroca, muito bem conservada. No centro da aldeia eleva se um cruzeiro de 1879, obra artística que apresenta Cristo Crucificado numa face e a Senhora da Piedade na face oposta. Possui ainda o forno do povo, memória da vida comunitária que era característica nesta região. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 6 alunos. Possui também o seu Centro Cultural e Desportivo para ocupação e lazer dos residentes. Perto da aldeia situa se o santuário da Senhora do Engaranho, também de muita devoção popular. É advogada das doenças das pernas. Para a cura. o ritual consta da lavagem do doente na piscina natural da rocha, largar a roupa que trazia vestida, vestir uma outra e regressar por outro caminho.

Cela, a área da freguesia ocupa 3,80 km2 com uma população de 230 habitantes e 289 eleitores; é constituída pelas povoações de Cela, Ribeira do Pinheiro, Ribeira de Sampaio, Ribeira de Avelãs e Tresmundes. O Presidente da Freguesia é Joaquim Laranjeira Silva. O Padre Fernando Rodrigues é pároco da Freguesia, anexa à de S. Julião de Montenegro. As produções mais relevantes continuam a ser vinho, batata, milho e centeio, embora em Tresmundes se produza, além das citadas, algum azeite. É no termo da freguesia, já no fundo da montanha, na colina do Revinhó, sobranceira à Ribeira de S. Lourenço, que se criam as mimosas árvores de fruto. A aldeia de Cela, está situada na serra do Brunheiro a uma altitude de 650 metros e, magnífico é o panorama que dela se observa sobre o vale de Chaves, expandindo se até às ásperas serranias do Barroso e da Galiza. A entrada da aldeia é assinalada por um altaneiro cruzeiro, encontrando se depois a Igreja Matriz muito antiga, da devoção à Senhora das Neves, de uma só nave com características românicas. A imagem da padroeira situa se no altar mor e noutro altar o S. Libório. Os retábulos interiores estão bem conservados. Conta a lenda, que há muitas centenas de anos a imagem da Senhora das Neves estava numa capelinha no sítio de Sampaio, perto da ribeira. Misteriosamente a imagem desapareceu dessa capela e foi encontrada no Lugar do Outeiro, junto a Cela. A população admirada e sem compreender o que havia acontecido, trasladou de novo a imagem para a sua capelinha. Mas, passado algum tempo, tornou a desaparecer a imagem do seu altar e voltou ao Outeiro. Então a população decidiu erigir uma igreja para a Senhora das Neves nesse mesmo local. Nos arredores da aldeia existe uma grande fraga no lugar de Pena d’Águia. Conta a lenda que as águias costumavam fazer o ninho no cimo dessa rocha. Um jovem da terra quando foi pedir a noiva em casamento ao pai desta, como era tradição, aquele impôs ao rapaz, como condição para satisfazer o pedido, que subisse ao alto da rocha e lhe trouxesse uma pena de águia. O rapaz com todos os sacrifícios conseguiu satisfazer o homem, que lhe concedeu a mão da filha, e o lugar passou a designar se, por este facto, Pena d’Águia. O ilustre Abade de Baçal advoga a teoria de que o topónimo geográfico Cela poderá ter alguma afinidade com o texto epigráfico Coelernos que figura, como um dos dez povos enumerados na coluna da ponte de Trajano em Chaves. Outra teoria, esta de Pinho Leal, na sua monumental obra Portugal Antigo e Moderno, refere que a designação de Cela poderá ter origem no antigo costume de uma mulher se emparedar, enclausurar se. Para isso fazia um casebre, metia se nele e aí vivia. Para desenvolvimento cultural e apoio ao lazer foi fundada na aldeia o Grupo Cultural e Recreativo de Cela.

Ribeira do Pinheiro, Ribeira de Sampaio e Ribeira de Avelãs são três pequenas povoações situadas nas margens da ribeira de S. Lourenço, ricas em azenhas e moinhos que outrora laboravam consecutivamente de dia e mesmo de noite, movidos pela água da ribeira que corre em plano muito inclinado e, consequentemente a grande velocidade, sendo uma potente fonte de energia. Hoje, os cerca de cinquenta moinhos, que se localizam ao longo do percurso da ribeira, muito arruinados, vão sendo reconstruídos para pequenas e pitorescas casinhas de turismo rural. A atravessar a ribeira existe uma ponte muito antiga, provavelmente medieval. São lugares de grande beleza e tranquilidade, encaixados entre duas encostas da serra do Brunheiro.

Tresmundes, pequena aldeia situada a uma altitude de 792 metro. Possui uma capela cuja padroeira é a Senhora do Rosário e onde figura também São Bamabé, de representação também muito invulgar. A designação Tresmundes era nome próprio de pessoa na Idade Média, por isso a aldeia deve ter adquirido por essa via o seu próprio nome. bem como a sua antiguidade. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 3 alunos.

Cimo de Vila da Castanheira, é uma freguesia de 15,96 km2 de área com 606 habitantes e 731 eleitores; é constituída pelas aldeias de Cimo de Vila e de Dadim. O Presidente da Junta é José Bruno Pereira. O Padre António Guerreiro Guerra é o pároco da Freguesia e desempenha também o cargo de Professor de Educação Moral e Religiosa Católica da Escola Secundária Fernão de Magalhães de Chaves. A aldeia tem uma escola do primeiro ciclo do ensino básico frequentada por 15 alunos, o Ensino Básico Mediatizado por 7 e o Jardim Infantil por 11 crianças. Encontra se, em fase de construção, um Centro Comunitário sob a dependência da Santa Casa da Misericórdia. Esta freguesia é a mais antiga da região. O topónimo significa “villa do cume”. As produções resumem se a batata em abundância e centeio. A Igreja Matriz é um templo românico possivelmente do século XIII, de muros feitos de silhares simétricos com siglas, rematados pela cornija em que ressaltam os cachorros ou modilhões. Interiormente era revestida de pinturas a fresco que com a exposição às intempéries se foram degradando. Tem por orago São João Baptista. Junto da igreja eleva se uma torre quadrangular, que serve de sineira e que, em tempos passados, por ocasião de guerras e lutas, foi sem dúvida usada como local de refúgio e defesa. A aldeia constituiu no passado um centro de extrema importância pois foi Comenda da Ordem Militar de Cristo. Quando o Município de Monforte gozava da sua autonomia, era nesta igreja de S. João da Castanheira que se celebrava a solenidade do Corpo de Deus, pegando então às varas do pálio os vereadores de Monforte de Rio Livre. Também acompanhavam o préstito de honra o alcaide, capitão mor, sargento mor e capitães de Ordenança. Num morro, em posição oposta a esta igreja, no local onde existiu um castro, assenta a capela barroca da devoção a S. Sebastião. Bem perto, no local denominado de Fonte da Moura, a servir de bebedouro para animais, está uma sepultura antropomórfica, de forma trapezoidal, cavada na rocha. Associada a esta região conta se a lenda do Carvalho da Missa.
Diz ela que quem cortasse um ramo desse secular carvalho, seria atingido pelas “maleitas”, como castigo. O carvalho desapareceu mas a lenda ainda perdura.

Dadim é uma pequena aldeia, muito pitoresca, pela localização e casinhas de granito, destacando se entre elas a sua capelinha de devoção a Santa Bárbara. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 4 alunos. Está em fase de construção um Centro Comunitário sob a dependência da Santa Casa da Misericórdia. A estas aldeias da serra de
Monforte estão associadas duas famílias importantes, os Coelhos e os Sarmentos. Estes últimos descendem do Doutor Francisco de Castro Lobão, advogado, formado em 181859.

Curalha, freguesia com a área de 9,13 km2 e 517 habitantes e 549 eleitores; constituída pela própria povoação de Curalha. É Presidente da Freguesia João Carneiro. O Padre Augusto de Moura é o pároco da Freguesia, anexa à de Valdanta e desempenhou o cargo de professor de Português da Escola Nadir Afonso de Chaves. É uma aldeia que, pelas características climáticas, produz frutas em abundância, azeite, vinho, batata e centeio. Tem relevante interesse turístico pela sua antiga história, cujas memórias ainda perduram no presente. Diz a lenda que o termo Curalha poderia ter sido atribuído à aldeia por ser o nome de uma “rica dona” que aí viveu nos tempos remotos da fundação do lugar. Essa sua antiguidade está bem patente nas ruínas do castro que se aninha à sombra de um centenário pinheiro manso, muito copado, que se avista de posições bem longínquas. Este castro também é vulgarmente designado por castelo. São ainda visíveis partes de muralhas, ruínas de casas e algumas pedras fincadas. Vários materiais aqui recolhidos estão expostos no Museu da Região Flaviense. Está implantado numa colina rochosa, com cerca de quatrocentos metros de altitude. A seus pés corre o rio Tâmega que abastecia de água os habitantes do castro, que aí desenvolveram as suas actividades, num específico estilo de vida castrejo, provavelmente desde o século VII ou VIII a.C. até ao século II III. As sociedades indígenas castrejas, primeiro celtizadas, a seguir romanizadas e depois cristianizadas, constituíram a base nuclear em que entroncou sólida e firme a nacionalidade e a cultura portuguesa. Associado a cada castro existe sempre uma ou mais lendas. Este também tem uma. Diz ela que, deste castro partiria um túnel cuja boca de saída era uma gruta profunda situada em Bóbeda, na margem esquerda do Tâmega. Esta mitológica gruta é impenetrável não havendo mesmo quem tente essa ousadia, porquanto, numa curta distância, desce abruptamente, enterrando se numa profundidade terrosa que existe debaixo daquele curso de água, onde corre o rio subterrâneo Candallogo, nas profundidades, entre fragas e penhas. O povoado, distando cerca de um quilómetro do castro, situado em declive, de um e outro lado da estrada nacional, possui uma igreja muito simples, da devoção a Santo André. Em frente da igreja, abrigada no vão de uma casa apoia se uma cruz, de grande interesse artístico pela configuração bífida dos seus braços. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 22 alunos. As actividades culturais são desempenhadas pela sua Associação Recreativa e Cultural.

Eiras, freguesia com a área de 4,88 km2 e uma população de 560 habitantes e 522 eleitores; é constituída pelas povoações de Eiras, Castelo e S. Lourenço. É Presidente da Junta Fernando Alberto Barreira de Moura. O Padre Luís António Guedes de Freitas Saavedra é pároco da Freguesia. anexa à de Santa Maria Madalena. A freguesia de Eiras, também referenciada como de Santa Maria de Moreiras do Vale, acha se, em parte, assente donairosamente na rica veiga de Chaves, na margem esquerda do rio Tâmega; São Lourenço, a sua povoação mais importante, reclina se num dos contrafortes da serra do Brunheiro, já a uma apreciável altitude e entre colinas e outeiros, semeados de blocos de granito, carvalheiras e soutos extensos. Esta freguesia confina com Faiões e Chaves. Os seus terrenos férteis situados na veiga, produzem abundantemente todos os géneros agrícolas da região, sendo de destacar as culturas de cereais, batata, legumes, frutas e bons vinhos de mesa, sobretudo o afamado vinho da Pipa. São famosas, pela qualidade e abundância, as cerejas de S. Lourenço. O topónimo geográfico provém, possivelmente, dos eirados ou eiras aqui situadas, locais estes destinados às operações de tratamento e recolha de cereais. No largo da entrada da aldeia encontra se um belo e raro cruzeiro, com as extremidades rematadas em flor de lis, dos mais antigos da região, datado de 1650, muito parecido com o cruzeiro da Porta da Glória da Catedral de Santiago. Pensa se que este local integrava um dos percursos das peregrinações a Santiago de Compostela. A Igreja Matriz, românica, tendo como padroeira a Senhora da Expectação ou seja a Senhora do O, situa se no lugar da Pipa. Junto ao cruzeiro estende se a Quinta da Senhora da Conceição, onde ainda, muito degradada, persiste uma capelinha adornada com uma bela janela manuelina e uma decoração interior de pintura a fresco. O fundador da Quinta foi governador da Praça de Chaves, Francisco de Morais Madureira Lobo Liz e Prado do qual houve uma filha, Dona Rita Lobo Liz e Prado, mãe do último morgado da referida Quinta das Eiras e da Casa da Santa Cabeça de Chaves, cuja pedra de armas se encontra no Museu da Região Flaviense. Outra figura notável desta aldeia foi Manuel de Morais Madureira. Considera se que aquele belo cruzeiro, que nas extremidades da haste e dos braços, apresenta as bem configuradas flores de lis, poderá ter sido edificado por esta nobre família esculturando nele um dos símbolos das suas armas.
Madureira, Manuel de Morais, irmão de Rita Lobo Liz e Prado, desempenhou as funções de Capitão de Cavalos e Ajudante de Campo de D. Miguel de Bragança. Depois da convenção de Evoramonte, onde D. Miguel foi destinado ao exílio, este fidalgo acompanhou o rei no seu destino, tendo morrido nesse mesmo exílio. Era de família muito abastada, pois além da Quinta já referida possuía os Casais de Edral, no concelho de Vinhais e Vimioso e os Prazos de Ervões no concelho de Valpaços e de Nogueira de Barroso no concelho de Boticas.
Era também desta nobre família o último abade que residiu dentro das muralhas do Castelo de Monforte e foi este sacerdote quem mandou construir a elegante capela da Senhora da Conceição, já referida. O abandono da rica Abadia de Monforte ficou a deverse ao mau carácter demonstrado pelo infante D. Francisco de Bragança, filho de D. Pedro II e irmão de D. João V, que era o senhor daquelas terras por direito do Infantado. Quando visitou aquele castelo e foi amorosamente presenteado pelos vereadores do município, com um cesto de figos, ele atirou os ao presenteador, por considerar uma insignificância. Perante este gesto muito pouco abonador do carácter do Infante, tanto o abade como o governador da fortaleza, que era André da Cunha Melo, abandonaram os seus postos e cargos, regressando o abade a Eiras e o governador às suas terras de Moncorvol.

Castelo, pequeno povoado, nasceu e cresceu à sombra de um castro. O seu topónimo advém lhe dessa antiquíssima fortificação e lugar de refúgio, que porventura teve o seu princípio já nos remotos tempos pré históricos. Junto a ele dorme um longo sono um megalito arredondado, forma dada pela erosão dos tempos. onde se observam insculturas que poderão representar que aquele conjunto granítico foi outrora um altar pagão. A parte alta do povoado é formada por dois picos, separados por uma estreita garganta, localizandose no cimo de um desses cabeços a branca capelinha de Santiago, heróico patrono dos cavaleiros da cruz contra os sarracenos. É muito credível que as invasões árabes tenham tido nesta envolvente da importante via romana a sua influência, havendo topónimos que as recordam como seja a designação de Rajado e o Penedo do Califa.

São Lourenço, está situado também junto de um povoado pré histórico, numa plataforma que se espraia até ao Penedo do Califa. Noutro local do termo desta aldeia, denominado Penacova, existiu uma vasta caverna formada de penedias, que possuía bancos de pedra, pias e outros objectos graníticos, numa superfície pavimentada com mais de cinquenta metros quadrados. Esta caverna foi depois destruída. Por esta povoação também passava a via romana, que se dirigia até Pinetran. A nascente de S. Lourenço ainda existe uma ponte romana com um arco, e trechos da calçada romana. É a povoação mais importante da freguesia, possuidora de campos férteis e de abundantes águas. Diz se, lendariamente, que esta aldeia, situada junto do agregado pré histórico, o castro já referido, teria sido fundada por dois irmãos, chamando se um deles Pedro Carriço. Sempre que Chaves foi palco de acontecimentos históricos, S. Lourenço desempenhou um papel relevante, dada a sua posição estratégico militar. A capela, de devoção a Santiago, possui um característico campanário galaico tranmontano e no dintel da porta principal está gravada a data de 1860, data provável de uma remodelação. O templo actual, interiormente muito simples, tem coro, púlpito, pia baptismal, três altares, tribuna e sacristia. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 10 alunos e o Jardim Infantil por 7 crianças. Possui uma associação de cultura e âmbito, também, socio ambiental designada por Acção Jovem Para a Paz. Em termos turísticos é muito interessante admirar, do Miradouro de S. Lourenço, a cidade, o rio, a veiga até ao sopé dos montes que a rodeiam.

Ervededo, freguesia com a área de 21,63 km2, uma população de 741 habitantes e 945 eleitores; é constituída pelas povoações de Couto de Ervededo, Agrela e Torre do Couto. É Presidente da Junta Álvaro José Madureira Pereira. O Padre Albino Lage Dias é o pároco da Freguesia e também Capelão da Casa de Santa Marta de Chaves.
Esta freguesia tem uma história muito importante e antiga. Remonta pelo menos à estada dos romanos nos domínios da península. Era a antiga Ervedetuni. Em 1132 foi feita a doação sob a forma de Couto ao arcebispado de Braga, confirmado pelo então infante Afonso Henriques. Tornou a ser palco da importante história desta região por ocasião das lutas entre o rei D. Afonso II e as suas irmãs. A sua definição geográfica data de 1228, constante dum documento de Afonso X, como uma reduzida faixa de terreno que englobava a área da povoação do Couto, Torre e Bustelo, situada entre a serra do Laspedo e o Condado Portucalense, por um lado, a fronteira da Galiza por outro e, a noroeste a serra da Panadeira: de permeio corria o ribeiro da Manganhosa. Apesar de ser de reduzidas dimensões obteve foral de concelho em 1232, assinado por D. Francisco Godinho, relevante arcebispo bracarense. Era pois, até à sua extinção, e integração no concelho de Chaves, em 1853, um dos concelhos mais antigos da região, como foi referido já no início deste trabalho. A freguesia de Ervededo, criada em 1836, produz centeio, trigo, vinho, azeite, batata e frutas. Foi uma das primeiras regiões onde se plantaram amoreiras com vista ao desenvolvimento da criação do bicho da seda, como o prova o foral que em 1233 deu, em Chaves, o arcebispo de Braga D. Silvestre Godinho, aos moradores do Couto. A aldeia do Couto assumiu o patronímio eclesiástico do couto dos arcebispos. O Couto, enquanto esteve sob a jurisdição de Braga, sempre se chamou Ervededo, a designação Couto érecente e tem a ver com a freguesia de Ervededo. A sua história também está ligada àcultura visigótica atestada pela estação arqueológica que existe nas proximidades da aldeia e do S. Caetano. É importante referir este facto, por serem bastante raros os vestígios daquela civilização`. Encontram se vestígios das casas senhoriais, das grandezas de outros tempos, revelados no portal da entrada da Casa da família Barros com a cruz enquadrada entre dois belos pináculos piramidais e na linda fonte, ostentando uma polícroma pedra de armas. A igreja paroquial é de traça barroca, característica dos séculos XVII e XVIII. Na década de 50 foi construída uma torre sineira, anexa ao corpo da igreja, com forma prismática e um artístico remate em ameias. É seu patrono S. Martinho, soldado romano do século V. Perto do Couto, existe a bela capela de Tairiz ou de Paimogo, que apresenta na frontaria um antigo arco fechado e o brasão nacional ainda com características monárquicas. O Senhor de Paimogo foi transferido para a igreja de Calvão e aqui lhe foi realizada, durante anos, a tradicional festa anual, tradição essa hoje extinta. Perto deste templo, na encosta da serra da Panadeira e na área geográfica do antigo mosteiro do Oso de que nos fala a lenda de Maria Mantela, situa se o complexo religioso do S. Caetano, tanto da devoção de toda região, constituído pela capelinha primitiva, uma segunda capela mais imponente, construída em 1871, e um conjunto residencial para habitação do pároco e de algum servidor do santuário. S. Caetano foi um monge teatino do século XVI que passou à história como pregador excepcional da igreja católica, na cruzada da contra reforma. A romaria realizase no domingo imediato a 7 de Agosto. A primitiva capela abriga sete imagens do santo que os seus devotos transportam ao colo, descrevendo em redor da capelinha, as voltas prometidas de joelhos ou de pé. Além disso, possui um fontanário de água muito apreciada pelas suas virtualidades. Todo este espaço foi ocupado desde a longeva antiguidade, como o atestam o vizinho castro das Coroas, e o tesouro romano de 3 800 moedas datadas do século li ao IV A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 12 alunos e o Ensino Básico Mediatizado por 10. Possui uma associação que tem por designação Grupo de Cavaquinhos do Couto de Ervededo, com sede no Centro Social.

Agrela, é uma pequena aldeia cuja história sobe à Idade Média, e que no início não passaria de um pequeno campo designado Ager. Foi integrada no concelho e freguesia de Ervededo em 1836. Entre esta aldeia e a do Couto corre o já referido ribeiro da Manganhosa. Ao lado da margem esquerda deste riacho passava a estrada real, atravessando o na tosca ponte de Santiago, que serviu de travessia a grande número de peregrinos que percorriam os medievais Caminhos de Santiago. Acima ficava o já referido mosteiro de S. Paio de Oso, da Ordem de Cister, construído provavelmente no século XI, que estava situado no caminho dos peregrinos, era centro de apoio espiritual e material dos mesmos. Deste mosteiro nada resta para além do fontanário e de uma epígrafe situada no exterior de uma casa referindo que “acabou o Oso”. Isto teria acontecido por volta do século XVI, quando os beneditinos começaram a trocar o campo pelos centros urbanos`. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 9 alunos e o Jardim de Infância por 10.

Torre, aldeia que deve o seu nome à sua localização altaneira, era o celeiro do arcebispado de Braga. Possui um belo cruzeiro, fronteiro à capela de S. Sebastião, rodeado de casas de estrutura muito rudimentar. O grande número de pedras com siglas mostram a existência de uma ou mais importantes construções medievais. Certo é que por perto passavam as velhas muralhas, destruídas em 1641. Aqui se situa a casa que foi a última sede camarária transformada hoje em sede da Banda Musical da Torre de Ervededo, de grande prestígio na região. No alto da aldeia destaca se a capela do Senhor da Ajuda e mais adiante situava se a antiga colegiada feminina beneditina da Clériga, pertencente à ordem de Cister, que terá sido extinta no século XVI e, de cujo esplendor nos falam a plataforma amuralhada. que teria servido de abrigo aos peregrinos de Santiago de Compostela. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 8 alunos.

Faiões, aldeia com a área de 8,75 km2, 880 habitantes e 741 eleitores que, por si só, constitui freguesia civil autónoma. É Presidente da Junta Maurício José Mesquita Rodrigues. Esta aldeia, eclesiasticamente, pertence à paróquia de Santo Estêvão. Leite de Vasconcelos é de opinião que o nome da aldeia possa provir de um genitivo germânico de grande antiguidade. Outros historiadores opinam que Faião era o aumentativo de faia. Seja qual for a origem ela perde se na antiguidade dos tempos passados. Foi nos princípios da monarquia portuguesa Couto dos arcebispos de Braga, talvez em 1213, quando foi prelado bracarense, Estevão Soares da Silva, adversário de Afonso II, partidário das infantas suas irmãs. É bem provável que Afonso IX, rei de Leão, após a tomada do castelo de Santo Êstevão, tivesse feito essa oferta para captar as simpatias e passar a ter do seu lado tão grandes e nobres senhores. Foi por Faiões que outrora passou a via romana, vendo se ainda vestígios no seu pavimento. Mais antigo ainda é o castro situado nas cumeadas da Montanha do Corgo, sobranceiras a Faiões. Apareceram também, ao longo dos tempos, objectos característicos do período neolítico. Este povoado revela assim que teria ultrapassado os tempos para além da história. Esses objectos foram encontrados quando os agricultores, na sua labuta diária foram revolvendo as férteis terras que produzem, em abundância, todos os frutos próprios da região. Na veiga, perto da aldeia, ao lado da denominada Carreira da Pedra, onde foi encontrada, em Maio de 1975, a estátua menir de Faiões, cujos contornos definem a figura humana, conta a tradição que existe uma cidade submersa e que na lagoa, nos tempos de tempestade, aparecem restos de navios”. Possui o povoado, várias casas solarengas e a igreja de devoção a S. Martinho. É desta localidade o notável benemérito Dr. António Luiz de Morais Sarmento`, que mandou construir uma excelente escola e um bairro social para operários`. De Faiões foi o último enforcado, José Calças, justiçado no Largo do Tabulado de Chaves, pelo último carrasco, Luís Negro, de Capeludos de Aguiar. Poucos dias depois de ser executado, foi abolida a pena de morte em Portugal, sendo este triste facto histórico que chamou a atenção do mundo civilizado para a lei que então vigorava e possivelmente foi determinante para a extinção da pena de morte neste país. Sobre este facto romanceou Camilo num dos seus muitos livros. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 20 alunos e o Jardim Infantil por 13 crianças. Possui para finalidades culturais o seu Centro Desportivo e Cultural.

Lamadarcos, é uma freguesia com a área de 13,83 km2, 422 habitantes e 544 eleitores, constituída pelas povoações de Lamadarcos e Vila Frade. É Presidente da Junta de Freguesia David Salgueiro Fernandes. O Padre Manuel Martins é o pároco da Freguesia, anexa à de Santo Estêvão. A aldeia está situada a nordeste do vale de Chaves, na margem esquerda do rio Tâmega, já nas faldas da serra da Cota, a uma altitude compreendida entre 390 a 530 metros, confrontando com as terras da Galiza. Possui abundantes águas e por isso belos prados e veigas que, fertilmente, produzem cereais, legumes, frutas, vinho e batata. O topónimo Lamadarcos tem sido fonte de estudo de diversos investigadores, sendo a mais convincente, até pelo esgotamento de encontrar provas para as outras hipóteses, aquela que o define como Lama de Arcos, arcos estes pertencentes a uma ponte que existiria sobre o ribeiro do Rosmaninho. A ponte ou pontilhão de arcos desapareceu com as possíveis intempéries, mas o topónimo permaneceu”. Durante as demoradas guerras da Restauração, a parte desta aldeia, pertencente a Espanha, foi destruída e incendiada em 1641, pelas tropas portuguesas comandadas por Luiz Gomes de Figueiredo, brioso militar irmão de Rui de Figueiredo, Fronteiro mor e Governador das Armas de Trás os Montes, nobre fidalgo e um dos heróicos conjurados que, em 1 de Dezembro de 1640, proclamaram a independência de Portugal. Antes de 1864 a aldeia permaneceu dividida em duas partes, uma espanhola, outra portuguesa. A linha de fronteira passava no seu interior, atrevendo se mesmo a atravessar e dividir as casas: numa delas a cozinha era espanhola e a sala de jantar portuguesa; o bom bacalhau espanhol entrava pela cozinha e depois de cozinhado passava à sala onde os portugueses o comiam. Cada parte da aldeia tinha as suas estruturas próprias. Em 1864, foi celebrado um convénio sobre rectificação de fronteiras e, em troca do Couto de Rubiaz, toda esta aldeia passou ao domínio português, entre outras que também eram divididas pela delimitação até aí em vigor. Possui ainda as duas igrejas. Uma delas, a que se encontrava no território espanhol, a igreja da Senhora dos Remédios, mostra uma bela traça, chamando a atenção o seu campanário lanceolado, a rosácea aberta sobre a portada principal e a capela mor, com um altar de pedra bem lavrado e de interessantes colunas serpeantes e outros motivos ornamentais. A imagem da padroeira, diz a voz do povo, que na data da sua inclusão em território português foi transferida pelos espanhóis para Feces de Acima. A igreja depois de um século ao abandono, foi restaurada em 1930 e decorada com estatuária. A matriz portuguesa, como é designada por este povo raiano, possui uma arquitectura muito simples. A padroeira é a Senhora da Conceição, que está representada numa bela imagem neo barroca que ostenta a seus pés o escudo de Portugal. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 3 alunos.

Vila Frade, a aldeia situa se na encosta da serra da Cota, a cerca de 400 metros de altitude, rodeada de searas e belos bosques de variadas árvores. À entrada da povoação, encontra se a capela de Santa Marta dotada de uma galilé. Um dos suportes desta galilé, é um marco miliário, consagrado ao imperador romano Marco Aurélio Carino cuja inscrição foi registada por arqueólogos muito acreditados. Perto desta capela passava a via romana das Minas. Possui a aldeia a sua i reja paroquial toda em granito, com uma torre sineira de dois sinos, de estilo galaico transmontano, encimada por uma cruz latina e enquadrada entres dois pináculos rematados por esferas. Nesta igreja está a primitiva imagem barroca de Santa Marta, padroeira de Vila Frade. A Casa Grande, como o povo lhe chama, de bela traça, pertencente ao ilustre Capitão Vila Frade, é ladeada por um interessante pombal ainda muito conservado e a fazer memória de tempos de opulência. Era detentor de alargados bens em Verin, Valpaços e Mirandela`. Também é de destacar a interessante e grandiosa Quinta de Santa Júlia, com uma casa colocada entre o arvoredo, que pertence a Júlio Montalvão Machado, brilhante historiador e médico oftalmologista. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 2 alunos.

Loivos, freguesia com a área de 11,20 km2 tem uma população de 629 habitantes e 727 eleitores; é constituída pelas povoações de Loivos e Seixo. O Presidente da Junta é José de Carvalho Rocha. O Padre Alberto da Fontoura Aguieiras é pároco da Freguesia. É uma região agrícola de grande importância pela fecundidade do seu solo, que com produtos variados, legumes, cebola, frutas, azeite, cereais, vinho e batata, continua a abastecer os mercados limítrofes. A dominar a povoação, a nordeste, ergue se o monte do Crasto, que conserva restos de muralhas da antiga fortificação romana. No entanto, o povoamento deverá ser bem mais antigo, atestado pelos inúmeros objectos pré históricos encontrados na envolvente da povoação. A sua rua principal ladeada de casas antigas, algumas delas em acentuada decadência conduz à igreja paroquial. Foi reconstruída e renovada, pois no arco da porta a data inscrita é de 1381 e as suas características de estilo não estão enquadrados nesses recuados tempos. O seu orago é São Geraldo. Foi anexa à Reitoria de Santa Maria de Moreiras, Comenda da Ordem de Cristo e de que foi comendador o Duque do Cadaval. Era natural desta freguesia o brigadeiro Vicente Luiz Vaz Ferreira, um dos comandantes da expedição ao Brasil, por ocasião da guerra do Uruguai. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 25 alunos. Possui um equipamento de assistência social denominado Fundação Abrigo Berta Montalvão e, em fase de construção, um Centro Comunitário dependente da Santa Casa da Misericórdia. Esta aldeia é também afamada pela sua Banda Musical.

Seixo, aldeia situada no sopé da serra de Santa Bárbara que foi ocupada pelas tropas liberais, quando em 1823, se travou a histórica batalha de Santa Bárbara, na qual, o 2° Conde de Amarante, depois Marquês de Chaves`, venceu as forças liberais do general D. Luís Rego, aprisionando nela o comandante da guarda avançada, o brigadeiro Pamplona Moniz . A aldeia é atravessada por um ribeiro que vai depois engrossar a ribeira de Oura. Também possui a sua Casa Grande, uma importante construção onde viveu um cirurgião mor. Um outro largo portal encimado por um belo ornato enquadrado entre dois pináculos, é memória expressiva da antiga grandeza. Depois destaca se ainda a capelinha da Senhora das Candeias. A festa celebra se anualmente em 2 de Fevereiro iniciando se com a bênção das velas, ou cmzdelas, na Capela da Casa Grande, seguindo a procissão para a capela da Senhora das Candeias, onde acaba de se organizar para de seguida dar a volta à povoação'”. A festa das Candeias também é designada por festa da Candelária e também da Senhora da Luz. O povo com a sua sabedoria feita de tradição criou e, transmite de geração em geração, as quadras:

Quando a Candeia chora,
Está o Inverno fora,
Se a Candeia ri
Está o Inverno para vir.

Se a Senhora da Luz chorar
Está o Inverno a acabar,
Se a Senhora da Luz rir,
Está o Inverno para vir.

Madalena, Freguesia situada na zona urbana da cidade, na margem esquerda do Tâmega, com uma área de 5 km2 é povoada por 2 023 habitantes e 3 440 eleitores. O Presidente da Junta é Fernando dos Santos, psicólogo e consultor em Gestão de Recursos Humanos. O Padre Luís António Guedes de Freitas Saavedra é o pároco da freguesia. Além dos equipamentos já descritos, quando se tratou da cidade de Chaves, no início deste trabalho, possui também 2 escolas do primeiro ciclo do ensino básico, com o número de alunos que a seguir se descriminam: Escola Chaves 3 com 85 alunos distribuídos por 4 turmas e Escola Chaves 4 com 44 alunos distribuídos por 3 turmas. Para além destas escolas tem um Jardim de Infância, no lugar do Caneiro, frequentado por 36 crianças.

Mairos, freguesia e aldeia com a área de 13,77 km2, 345 habitantes e 424 eleitores, éuma das mais importantes do concelho de Chaves. O Presidente da Junta é António Fontoura Carneiro. O Padre Delmino Rodrigues Fontoura é o pároco que também desempenha as funções de Vice Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Chaves e Boticas. Esta mesma Santa Casa dotou Mairos com um Centro Comunitário. Os seus habitantes vivem, na generalidade, da agricultura e da pecuária gado leiteiro; no presente é a maior produtora de leite do concelho. O topónimo tem sido motivo de investigação e aceita se que poderá provir do nome de um encarregado geral romano chamado Marius, que teria sido o prospector, explorador e controlador de uma vasta área metalífera. Depois, por hipertese, isto é transposição de sons entre sílabas do mesmo termo, Marius transformou se em Mairos. Por este apontamento, já se pode inferir que também esta aldeia é muito antiga e rica de testemunhos dessa condição. Está situada na encosta da serra da Cota a cerca de 800 metros de altitude, com um dilatado termo muito montanhoso. O ponto mais alto da Cota é de 1084 metros e situa se já na Galiza; o mais baixo é a nível de 550 metros onde se localiza a estação pré histórica da Soutilha, nos Buracos Feios ou de Jac mi Jorge, interessantes cavernas com pinturas pré históricas, onde segundo a lenda viveu uma mulher em conúbio com o diabo, durante sete anos. Como se constata, a envolvente de Mairos é um verdadeiro museu, por isso, continua a proceder se à citação de outros monumentos arqueológicos. A Cividade da Tróia, onde se vêem as muralhas e as entradas, bem como as silhuetas das casas, umas circulares e outras quadradas; os santuários rupestres da Moeda, Tripe e Outeiro de Salto; a Pala, constituída por megalitos que formam um abrigo onde poderão recolher se pelo menos trinta cabeças de gado ovino ou caprino. Poderá ter sido uma anta natural que serviu para inumação e culto dos mortos. Foi atravessada pela invasão dos bárbaros e a reconquista cristã, que aqui deixaram vestígios bem visíveis da sua passagem arrasadora. Constituída a nacionalidade portuguesa, Mairos e outras aldeias vizinhas, nem sempre estiveram dentro dos limites de Portugal; os habitantes umas vezes foram vassalos dos alcaides do Castelo de Santo Estêvão e outras vezes súbditos dos monarcas de Leão, até que, por fim no reinado de D. Dinis, ficaram na dependência do Castelo de Monforte. Só mais tarde consegue a sua autonomia como freguesia independente escolhendo para padroeira a Senhora da Expectação. Considerada a posição fronteiriça desta povoação raiana, facilmente se reconhece que ela devia ter desempenhado, também, papel importante na defesa da independência nacional. E, de facto em 1641, os dados históricos revelam como soube, heroicamente, repelir as porfiadas investidas dos espanhóis. Dentro do povoado, éimportante referir a existência dum invulgar cruzeiro de Santa Apolónia e um belo Peto. A igreja paroquial é de arquitectura muito simples, de uma só nave, com dois altares laterais e capela mor. De destacar é a artística tribuna, em estilo barroco, com as suas bonitas e antigas imagens. Possui ainda a capela da Senhora do Rosário e, entre o casario de diversas épocas e diferente imponência, situa se a velha casa que serviu de residência ao ilustre Abade Baçal, o Reitor Francisco Manuel Alves, notável arqueólogo que escreveu obras imensas e variadas sobre a história, arqueologia, etnologia e outros ramos do saber humano.
Foi exactamente em Mairos que o erudito investigador iniciou os seus estudos e trabalhos.
A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 15 alunos, o Ensino Básico Mediatizado por 4 e o Jardim Infantil por 13 crianças.

Moreiras, freguesia com a área de 11,61 km2, uma população de 309 habitantes e 399 eleitores, é constituída pelas povoações de Moreiras, Almorfe, France e Torre de Moreiras. O Presidente da Junta é Manuel Fernandes. O Padre António Joaquim Mateus é pároco da Freguesia e professor de Educação Moral e Religiosa Católica na Escola Nadir Afonso. A escola da aldeia do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 7 alunos. Como é uma freguesia situada na serra do Brunheiro, à altitude que, em média ronda os 800 metros, produz essencialmente centeio, batata e castanha. Na aldeia com monumentos muito reveladores da sua antiguidade destaca se a igreja de Santa Maria. Tem como orago a Senhora dos Favores, cuja festa se realiza a 15 de Agosto e é da tradição, que a igreja foi mandada construir por um dos filhos de Maria Mantela. Pertenceu inicialmente à Ordem Militar de S. João de Jerusalém ou do Hospital e, mais tarde, foi Comenda da Ordem de Cristo”. Provavelmente do século XIV, as suas características são predominantemente românicas, na gramática da cachorrada e vãos laterais, sobretudo na porta que se encontra voltada a norte, cujo tímpano é vazado por uma cruz característica da Ordem dos Templários. A fachada principal sofreu assinaláveis transformações, presumivelmente após uma derrocada e presumivelmente ainda, como consequência do terramoto de 1755. O pórtico sul, durante muitos anos encoberto, foi desobstruído no âmbito do trabalho de restauro que ocorreu entre 1982 e 1994, sob a orientação do pároco Padre António Joaquim Mateus, em que também foram, interiormente, descobertas umas pinturas a fresco. Lá permanecem duas aras romanas, vestígios desses antepassados que ocuparam toda esta região durante largos anos. Encostada ao adro desta igreja está a residência paroquial. Em frente ergue se um artístico cruzeiro barroco. E logo de imediato pode admirar se uma casa com uma grandiosa chaminé, muito ornamentada, e uma pátio à boa maneira de um proprietário rural abastado, verdadeira preciosidade da arquitectura rural. Ainda permanece de pé a frontaria, muito arruinada, do solar dos Falcões, com a pedra de armas. No centro da aldeia situa se um interessante conjunto arquitectónico constituído por um tanque, uma fonte coberta, um artístico cruzeiro e uma sepultura antropomórfica utilizada como bebedouro de animais.

Almorfe, aldeia cujo topónimo é de origem árabe, inicialmente “Almofre” nome de uma peça da armadura dos cavaleiros. Diz a tradição que os habitantes desta aldeia teriam de contribuir para a aquisição do almofie do seu senhor. É uma pequena aldeia perdida na serra do Brunheiro, bastante despovoada e reduzido número de habitações no seu aglomerado, enquadrado entre manchas de carvalhos e pinheiros alternados com diminutas áreas de pastagem.

France, é um topónimo de origem francesa. É um apelido muito comum de nobres franceses, muitos dos quais acompanharam D. Henrique de Borgonha, quando casou com D. Teresa, e se espalharam, por toda a região, conquistando terras aos mouros. Muitos desses nobres cavaleiros deixaram os seus nomes ou apelidos ligados às terras que valorosamente haviam conquistado. A marcar os sinais de cristianização possui a cruz do Senhor dos Milagres, um cruzeiro muito simples e a capelinha barroca do Divino Espírito Santo com uma comum torre sineira galaico portuguesa, sobre um frontão triangular quebrado, a encimar o pórtico. A romaria realiza se, anualmente, no dia de Pentecostes. É também de referir a existência de um imponente chafariz, datado de 1880″. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 5 alunos.

Torre de Moreiras, última aldeia desta freguesia onde outrora se ergueu o Castelo de Gouveia ou Torre de Gouveia, monumento muito referido em documentos históricos relativos ao julgado de Montenegro e que, conjuntamente com os Municípios de Lampaça e Bragança, constituíam as três circunscrições administrativas e militares em que se encontrava dividido todo o noroeste da província transmontana. Foi essa torre ou casa forte que deu o nome a esta pequena aldeias’. Num dos seus extremos, ergue se a capela da Senhora do Rosário onde é de destacar a beleza do tecto revestido de caixotões, as duas arquitraves do retábulo renascentista, as colunas fasciculadas, e a interessante configuração do sacrário. As paredes mostram dois rudimentares frescos. A festa anual à padroeira ocorre dia 7 de Outubro de cada ano. Na envolvente da aldeia é possível encontrar memórias da civilização castreja, descendo até às Crastas, também designadas por Outeiro ou Fraga dos Mouros.

Nogueira da Montanha, é uma freguesia com a área de 16,43 km2, 693 habitantes e 944 eleitores, constituída pelas povoações de Nogueira da Montanha, Alanhosa, Amoínha Velha, Capeludos, Carvela, Gondar, Maços, Sandamil, Santa Marinha, Santiago e Sobrado. O Presidente da Junta de Freguesia é José Chaves. O Padre António Joaquim Mateus é pároco da Freguesia, anexa à de Moreiras. Possui duas escolas do ensino básico, uma é frequentada por 1 único aluno e a outra por 2 alunos e o Ensino Básico Mediatizado é frequentado por 3 alunos. Também possui um Centro Comunitário, da responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia. O lugar está situado na serra do Brunheiro, a 800 metros de altitude, produzindo as culturas próprias da montanha: batata de semente, centeio e castanha. Logo àentrada situa se a grandiosa igreja paroquial de devoção a S. Miguel Arcanjo. Em 1848 este belo templo foi ampliado o que lhe terá retirado as sua primitivas características românicas. Ainda é contudo classificado como imóvel de interesse público. O interior é decorado extensamente com pinturas a fresco, representando sete estações da via sacra. O altar mor de matriz renascentista suporta também uma decoração barroca, na configuração da sua talha. No centro, da aldeia concentram se estrategicamente o coreto, o chafariz, o tanque e o bebedouro, rodeados por um conjunto habitacional bastante degradado e desertificado. Perto deste local situa se a capela de Santo António com uma decoração exterior em alto relevo, muito interessante. É festejado o Santo no seu dia 13 de Junho. Festeja se o arcanjo S. Miguel em 29 de Setembro e a Santa Bárbara em Agosto. Além dos templos possui ainda um outro cruzeiro de fuste alongado e cilíndrico, encimado por uma pequena cruz, apoiada sobre uma esfera granítica.

Alanhosa, o nome desta aldeia, nos séculos passados era Lenhosa, como referem documentos escritos. Possivelmente o topónimo está relacionado com a produção de lenhas, dados os 840 metros de altitude a que se encontra, com condições climáticas de temperaturas reduzidas e por isso onde a vegetação mais abundante é aquela em que as folhas se reduzem a espinhos ou filamentos como a urze, o mato e algum pinheiro. Porém, embora pobre em produtos da terra é rica na paisagem que logo imediatamente se desfruta, naquelas serranias envolventes. A via de acesso à aldeia resume se a um estradão sinuoso no extremo do qual se encontra o povoado e evidenciando se o campanário da capela de Santa Catarina, que ressalta acima dos telhados do velhinho núcleo de habitações. O templo foi construído em 1888 a expensa de J. L. F. da Costa, nome insculpido na frontaria. A padroeira éfestejada no dia 25 de Novembro”.

Amoínha ou Amoínha Velha, aldeia da mesma freguesia, cujo topónimo é de origem árabes. Em plano mais elevado, a uma altitude de 853 metros é muito desertificada, quer pelas condições de clima quer pelas condições agrícolas e de isolamento. Ainda tem escola em funcionamento frequentada por 4 alunos. A capela de S. Bernardino é um templo muito simples quer em estilo quer em dimensões. Possui um campanário galaico português, também muito simples. Grande, é a devoção ao padroeiro, S. Bernardino, que ocupa o lugar de honra na tribuna. Segundo a crença, o santo é provido de virtudes que permitem esconjurar os maus espíritos a todos os possessos do demónio. Para realizar a cura encosta se ao corpo do paciente, uma correia benzida e a maldição desaparece. As festividades em honra deste santo ocorrem em 20 de Maio de cada ano e os romeiros, em elevado número, acorrem nesse dia, de todos os lados, até de Espanha, na ânsia de se livrarem das maldições alheias. Os peregrinos além de se acolherem aos favores de S. Bernardino também vão rezar ao Senhor da Ajuda que se eleva no cimo de um cruzeiro.

Capeludos, povoado muito pequeno situado bem perto de Nogueira da Montanha e da Amoínha, tem um casario muito rudimentar, pouco habitado e quase sem acessos. A sua designação provem lhe de tempos antigos em que as pessoas se abrigavam, das intempéries, com capelos e produziam estes tipos de cobertura 16. É uma aldeia que com a modernidade dos tempos tem tendência a ficar deserta. A escola do ensino básica é frequentada por 6 alunos.

Carvela, é uma aldeia da freguesia, situada a 874 metros de altitude, é zona de pastos e carvalheiras, por isso a sua maior importância reside na criação de gados. A escola do ensino básico do primeiro ciclo é frequentada por 3 alunos e o Ensino Básico Mediatizado por 3. O velho casario do interior dá sinais de abandono, e as ruas encontram se, normalmente, desertas. O tipicismo da Rua de Baixo permanece com uma tradicional oficina de ferrador, profissão em vias de extinção. Aí ainda continuam a ser ferrados os poucos solípedes que por esta região existem. Nos arredores do povoado encontra se a capela de Pardelhas, de razoáveis dimensões, dedicada à devoção da Senhora da Natividade. Está envolvida por um extenso adro, onde está implantado um coreto hexagonal, para as bandas filarmónicas se exibirem na festividade que se celebra em 8 de Setembro, festa esta realizada em conjunto com a aldeia de Maços. Nesse perímetro foram encontrados restos de cerâmicas romanas, testemunhos bem evidentes de que terá sido povoada, pelo menos, desde essa longeva civilização. Bela, bela é a paisagem que do alto se avista, espraiandose serra abaixo até às margens do Tâmega.

Gondar, a sua designação é, também de origem árabe, outra memória que esse povo legou a esta alta região. Situa se a 824 metros de altitude e no seu acesso, à beira do caminho, destaca se a pequena capela da Senhora da Conceição e na outra extremidade do povoado eleva se um cruzeiro coberto. A cerca de quilómetro e meio de distância são visíveis vestígios da civilização castreja no denominado Castelo dos Mouros. Àcerca desse castro, conta a lenda que uma cabra desapareceu nos fossetes, através de uma galeria, perceptíveis no local, para depois aparecer em pleno castro de Vila Nova, do concelho de Valpaços, com os chifres cobertos de ouro.

Maços tem por topónimo um termo que poderia designar um foro que esta população teria que pagar ao senhor dela ou ao rei 17. Situa se à altitude de 855 metros, por isso com idênticas características a outras aldeias altas da mesma freguesia. O agregado habitacional debruça se sobre o empedrado do caminho. A capela é da devoção a Santo Amaro que a população festeja a 15 de Janeiro. É uma capelinha barroca onde da antiguidade se destaca a torre sineira galaico portuguesa, mais elevada que os dois pináculos graníticos que a enquadram. A escola do ensino básico é frequentada por 2 alunos.

Sandamil, tem como topónimo um nome próprio de homem da Idade Média. Pequeníssima aldeia, situada muito perto de Amoínha Velha e de Santa Marinha, perdida no meio da serra, áspera de clima e vegetação, é pois, muito desertificada. Praticamente não tem acessos, a não ser uns caminhitos que quebram o seu isolamento, ligando a às aldeias mais próximas.

Santa Marinha, aldeia serrana situada à altitude de 844 metros onde, no núcleo central do povoado muito abandonado, se destaca a capela do Santo Amaro. De pobres características barrocas, tem epigrafada, sobre a padieira da porta, a data de 1748. Deve ainda ser evidenciada, pelo significado que tem, a existência de duas sepulturas antropomórficas cavadas na rocha que poderão remontar ao século X ou XI.

Santiago do Monte, situa se também na parte alta da serra do Brunheiro, a uma altitude de 809 metros. Apresenta um aglomerado habitacional com ruas desertas e totalmente desabitado. À entrada da aldeia ergue se uma escultura, muito desgastada pela erosão dos tempos e desmaiadas as suas cores, representando o Senhor do Bom Caminho. A Capela é da devoção ao Apóstolo Santiago, que é festejado em 25 de Julho de cada ano. A poente da aldeia, mesmo nas cumeadas da serra, persistem evidentes vestígios da cultura castreja proto históricaqs. As Crastas, assim designado, popularmente, o ambiente castrejo, é um conjunto fortificado onde se observam vestígios de dois muralhados de cercados castrejos e de uma sepultura antropomórfica. Deste local, classificado de Interesse Público, foram retirados para o Museu da Região Flaviense, uns interessantes cornos de vaca e o selim de um cavalo, em granito, além de cerâmica variada. Associado a este castro abundam as lendas de tesouros enterrados debaixo da pedras fincadas, afanosamente procurados pelos “caça tesouros”, mas nunca encontrados realmente. A sueste da aldeia destaca se uma razoável extensão de terra de cultivo.

Sobrado, é uma aldeia que se situa entre Amoínha a Velha e Nogueira da Montanha. É tão pequena, que se resume a algumas casitas, perdidas nas serranias e, até possivelmente, todas desabitadas. O próprio topónimo, revela a sua pequenez pois sobrado significa “casa não térrea” e, sendo assim, refere se a uma só casa na sua origem”.

Oucidres, freguesia com a área de 14,55 km2, uma população de 234 habitantes e 296 eleitores; constituída pelas aldeias de Oucidres, Vila Nova e Vilar de Izeu. O Presidente da Junta é Gabriel Teixeira. O Padre Adalberto Fernando Paiva é pároco da Freguesia. Assenta a aldeia nos cumeados da montanha, a cerca de três quilómetros do castelo de Monforte e tem como produções principais a batata, o centeio, castanha e pastos. O topónimo de Oucidres aventa o Padre João Vaz de Amorim que poderá proceder de um nome próprio de indivíduo. A aldeia, situada no alto da serra, domina todo o vale aprazível de Tinhela e estende se de nascente para poente até aos confins de S. João da Castanheira. Foi cabeça de Comenda da Ordem de Cristo e do Padroado Real. Possui uma imponente Igreja Matriz, da devoção a Santo André. Tem uma só nave e três altares em belíssima talha barroca com lindas colunas salomónicas e arcadas muito trabalhadas. A raiz da construção deverá ter sido românica, sofrendo posteriores transformações, uma das quais em 1698 conforme consta de uma epígrafe no muro da capela mor. Ao longo do arruamento da aldeia, de um e outro lado, situa se o casario, onde sobressaem alguns edifícios, em granito, de rígida arquitectura. Um deles, a casa que pertenceu a Jacinto Morais, pai do Dr. João Morais, médico de Chaves já falecido, foi adaptada a Casa de Turismo de Habitação Rural, pelos descendestes da família. É uma bela unidade turística com equipamentos de muito interesse. No centro da aldeia ergue se a bela Capela do Larouco, de um só altar e com a frontaria ocupada por uma galilé. A padroeira é a Senhora do Rosário. É nesta capelinha que se guardam umas santas relíquias que o povo diz terem grandes virtudes contra a doença da raiva ou hidrofobia. A designação Larouco poderá indiciar a cristianização desta divindade pagã. Possui ainda uma pitoresca fonte de mergulho. No espaço das terras de cultura elevase uma pequena eminência a que o povo dá o nome de Alto da Torre o que poderá indicar que ali poderia ter existido uma fortaleza medieval. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 3 alunos.

Vilar de Izeu, pequeno povoado com uma capelinha da devoção a São Tomé. Conta a lenda que este Santo e Santo André eram irmãos, e que um dia, este último, muito aborrecido com a preguiça dos habitantes da sua freguesia, resolveu abandonar o altar para ir procurar outra freguesia melhor. Quando chegou ao sítio das Almas, no caminho para Vilar de Izeu, encontrou Santo André, que tinha procedido de igual forma e pelos mesmos motivos. Conversaram um com o outro e concluíram que o melhor era mesmo continuar nos seus templos, a missionar e lutar contra a preguiça, porque afinal os paroquianos sofriam todos do mesmo mal. Decidiram conservar se nos seus postos onde permanecem até aos dias de hoje.

Vila Nova, aldeia mais recente, com casario rústico, onde se destaca pelo tipicismo uma eira rodeada de casas de um só piso, com os adequados equipamentos de recolha dos cereais.

Oura, freguesia com a área de 11,93 km2, uma população de 650 habitantes e 696 eleitores; é constituída pelas povoações de Oura e Vila Verde de Oura. O Presidente da Junta é Raul Fernandes Salvador. O Padre Joaquim Silveira é pároco da Freguesia, anexa à de Vidago. Em tempos, a freguesia esteve anexa à Reitoria de Santa Maria de Moreiras. Passou a freguesia independente, com o título de Reitoria, anexada ao concelho de Vila Pouca de Aguiar, em 31 de Dezembro de 1853. Regressou ao concelho de Chaves em 24 de Outubro de 1855. Na área desta freguesia existem as nascentes de águas minerais de Areal, Fonte Maria e Salus, águas ricas com propriedades minero medicinais, amplamente conhecidas. Os seus terrenos são muito férteis, produzindo nomeadamente vinho, batata, milho, fruta, feijão e todos os tipos de hortaliças. A aldeia é uma das povoações mais antigas de Ribeira de Oura situando se entre o Monte Meão, o início do Reigaz e o vale percorrido pela ribeira de Oura. O seu topónimo é considerado como proveniente do nome de uma senhora com este nome, natural desta povoação. O casario situado ao longo das ruas estreitas, mostra casas de pedra em ruínas pertencentes a antigos e abastados morgados. Éaqui que se conserva o belo solar da ilustre família Antas Morais Puga e Magalhães, representada em 1950 pelo Dr. António Firmo Azeredo Antas, senador da República. Esta família, originária do Minho, estendeu se a Montalegre e depois a Santiago de Oura. O solar encontra se em recuperação e estende se desde as casa dos caseiros à imponente casa solarenga com a capela anexa. Na fachada destaca se a pedra de armas, que datará da segunda metade do século XVIII. A igreja matriz de Oura, de linhas barrocas, com uma torre sineira galaico.portuguesa de dois sinos, tem por orago São Tiago. É de referenciar ainda o ancestral pelourinho em granito, artisticamente trabalhado e encimado por uma imagem de Cristo. Está situado junto à antiga capela da aldeia, no denominado Largo do Cruzeiro. Perto da aldeia e a ligar as duas margens da ribeira existe uma ponte que uns dizem ser romana e outros dizem ser medieval; a verdade é que se trata de uma interessante ponte de um arco e tabuleiro com corcova, toda de granito. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 28 alunos. Para ocupação de lazer criaram a associação dos Veteranos do Grupo Desportivo de Ribeira de Oura.

Vila Verde de Oura, reclinada no fértil vale. estende se ao longo da margem direita da Ribeira de Oura. A fundação desta povoação deve remontar aos séculos XI ou XII, reconstruída possivelmente sobre um dos antigos “Tilares” por aqui existentes. O topónimo deve ter a ver com a verdura que os abundantes prados exibem. No aglomerado habitacional, disposto à volta de um reticulado de ruas e ruelas, destaca se um solar bastante descaracterizado, embora ainda exiba a sua pedra de armas, e a capela cujo orago é São Frutuoso. Refere a tradição que nesta aldeia passaria uma via romana, depois denominada Estrada Real e possuiria uma estalagem para dar apoio aos peregrinos que por aqui passavam em direcção a Santiago de Compostela. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 11 alunos.

Outeiro Seco, conjuntamente com a recentemente desanexada freguesia de Santa Cruz, ocupava a área de 16,15 km2 e possuía 3 436 habitantes até Julho de 2001, razão porque ainda não há dados posteriores à desanexação, que se realizou depois da actualização do censo populacional. Actualmente é uma freguesia constituída exclusivamente pela povoação de Outeiro Seco. Em Dezembro de 2001, o número de eleitores era 683. O Presidente da Junta é Altino Alves Pereira do Rio professor da Escola Dr. Júlio Martins. O Padre José Guerra Banha é pároco da freguesia anexa à de Soutelo. A aldeia produz centeio, milho, vinho e frutas. Outeiro Seco possui características que fazem pensarem povoamentos muito antigos, possivelmente pré histórico até. Na época do Império Romano, a cidade de Aguae Flaviae poderia estender se até esta área. São inúmeros os vestígios romanos, entre eles refere se uma ara dedicada por Caio Fusc«s ao deus Hermes Eidevoro, oferecida pelo êxito do espectáculo de gladiadores, possivelmente do século II. Esta ara está depositada na capela da Senhora do Rosário. Os habitantes da freguesia, cultivam uma lenda referente a essa ara. Diz ela que a dita pedra apareceu em tempos idos, no cimo das águas que inundaram Outeiro Seco por força de uma forte trovoada. A pedra foi recolhida e passou a ser, para além do seu valor histórico, também um escudo protector contra os malefícios das trovoadas. Ainda permanecem alguns, muito poucos vestígios da cultura castreja no castro de Santa Ana. Pode referir se dentre eles o altar rupestre, sobre o qual foi construída a capelinha de devoção a Santa Ana. Conta a lenda que a bela imagem de Santa Ana apareceu em cima do altar rupestre, mole de rochas embutidas, hoje, no pequeno santuário. A população conduziu, processional mente, a imagem para a Igreja românica que lhe fica em frente. Porém, a imagem misteriosamente, voltou para a fraga, com a face voltada para o pôr do Sol. Vieram romeiros, a imagem era recolocada na Igreja, toda enfeitada de flores, mas sempre voltava à fraga. Então a população construiu lhe uma capelinha nesse local que tomou o nome de Monte de Santa Ana. Hoje, como ontem, nas procissões de 8 de Setembro, dia da festa da Senhora da Azinheira, ela desfila no seu andor, oferta das mães de Outeiro Seco que a tomaram como patronal`. Em frente ao castro localiza se a afamada e importante Igreja da Senhora da Azinheira, belo monumento românico do século XII, decorada interiormente, nas duas paredes laterais, com belos frescos renascentistas. Na envolvente do centro urbano há lagares e sepulturas rupestres, tudo falando da importância e antiguidade desta povoação. Dentro da localidade, está situada uma casa com figuras gravadas que parecem ser um burro, uma pomba, bolas e duas chaves e umas rosetas. Junto da casa, onde funcionou, em tempos passados o Julgado de Paz, há uma mesa de pedra acerca da qual o povo verseja como segue:

Adeus ó pedra de mesa,
Do Bairrinho do Pontão,
Onde se faziam audiências,
Donde se concedeu algo de perdão.

A Igreja paroquial de construção em estilo barroco é da devoção a S. Miguel e possui um belo retábulo também barroco em talha dourada. Na outra extremidade da povoação está a capelinha da Senhora da Portela, do século XVII ou XVIII, onde está sepultado o Capitão de Cavalos José Álvares Ferreira, primeiro proprietário do Solar dos Álvares Ferreira que se encontra em plena ruína. Tem uma interessante pedra de armas e capela. Este solar foi residência do notável arqueólogo e numismata Padre Dr. José Liberal Sampaio`”. O solar e a quinta foram adquiridos pela Câmara Municipal de Chaves com a intenção de aí ser instalado o Pólo da UTAD de Chaves. Ainda não foi construído tal equipamento mas existe já um protocolo para a sua instalação e um outro para a construção das novas instalações da Escola de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado. A escola do primeiro ciclo do ensino básico éfrequentada por 12 alunos e o Jardim de Infância por 15. Para promover as capacidades culturais dos residentes foi fundada a Casa da Cultura de Outeiro Seco.

Paradela de Monforte, aldeia que constitui ela própria uma freguesia, tem a área de 8,53 km2, uma população de 319 habitantes e 346 eleitores. O Presidente da Junta é José Manuel Agrelo Pires. O Padre Delmino Rodrigues Fontoura é pároco da Freguesia, anexa à de Mairos. Situa se a uma altitude de cerca de 650 metros e até 31 de Dezembro de 1853, pertenceu ao concelho de Monforte de Rio Livre. Eclesiasticamente, esteve incluída na diocese de Miranda do Douro, depois na de Bragança e só em 1922 passou a pertencer àentão criada diocese de Vila Real. O topónimo pode referir se a um tributo ou um foro, a que se dava o nome de Parada, foro esse que o povo pagava aos senhores da terra, quando nela apareciam e que consistia em certa quantidade de mantimentos ou dinheiro, para mantença ou aposentadoria deles e da comitiva. Era um dos foros pagos entre os séculos XII a XV, pelo que a aldeia terá no mínimo essa antiguidade. É banhada pelo ribeiro do Torneiro que é atravessado pela Ponte de S. Martinho. Na parte antiga da aldeia está situada a interessante capela da Senhora do Rosário dotada de uma galilé. Tem como remate uma artística cruz latina e na sua base está inscrita a data de 1730. No centro da aldeia erguese a Igreja Paroquial, em estilo barroco, bem simples, com uma bela pia baptismal manuelina; tem por padroeira a Senhora das Neves cuja festividade se celebra em 5 de Agosto e éconhecida pela festa dos casados. É tradição, cada casal cuidar um ano da manutenção da Igreja, o homem servindo de sacristão e a mulher zelando a limpeza e asseio das instalações. Decorrido o ano, o casal organiza uma festa que inclui a elaboração de um ramo enfeitado com variados produtos da região, entre eles um frango, uma cabaça de vinho, um cacho de uvas, uma melancia e as chaves da Igreja. Realizam se algumas cerimónias religiosas, e este ramo é entregue ao casal destinado a desempenhar as funções de mordomo no ano seguinte. A festa termina com um baile, à porta do novo casal. Junto à Igreja existe uma grande e boa casa senhorial agrícola que pertence à distinta família Morais Sarmento. Na citada casa nasceu o ilustre transmontano, lente e reitor da Universidade de Coimbra, António Luís de Morais Sarmento95. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 17 alunos, o Ensino Básico Mediatizado por 4 e o Jardim Infantil por 11 crianças.

Póvoa de Agrações, freguesia com a área de 7,93 km2, uma população de 293 habitantes e 427 eleitores. É constituída pelas povoações de Póvoa de Agrações, Agrações, Dorna, Fernandinho e Pereiro. O Presidente da Junta é Eduardo Augusto Fraga Cruz, que simultaneamente desempenha as funções de Vice Provedor na Santa Casa da Misericórdia de Chaves. A sua principal produção é a castanha, dada a sua localização, nas encostas da serra da Padrela que a separa das terras de Aguiar. Pertence ao denominado “país da castanha”. No seu espaço rural são vastos os soutos de castanheiros e nogueirais entremeados com algumas manchas de pinheiros. A aldeia é muito antiga com uma situação junto a um povoado castrejo. Foi uma das pobras de que falam as Inquirições de D. Afonso III, que eram verdadeiros lugares de refúgio e de defesa na Reconquista Cristã. Possui uma bonita Igreja barroca com um frontão triangular, um óculo, dois trabalhados pináculos e como remate uma artística torre sineira galaico transmontana. O orago da freguesia é São Bartolomeu, que se celebra no seu dia.

Agrações é aldeia onde predomina a cultura da castanha e são de admirar alguns exemplares de seculares castanheiros. O aglomerado de casas que se observa no povoado éservido por uma rua estreitinha que conduz a um largo onde se situa a capelinha e, dominando este espaço, eleva se um altaneiro, copado e secular castanheiro. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 5 alunos. Da envolvente da aldeia vislumbrase um belo panorama que se estende até à serra do Leiranco, já do concelho de Boticas.

Dorna, localiza se nas encostas da serra da Padrela, semeada de penedias, algumas delas com vestígios de arte rupestre. Possui uma capela moderna e uma antiga, em ruínas. O casario habitado é moderno, as casas mais antigas encontram se abandonadas e consequentemente degradadas. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 7 alunos e o Ensino Básico Mediatizado por 4.

Fernandinho, é um topónimo derivado do nome próprio Fernandinus da Idade Média. É hoje uma aldeia muito desertificada que possui a sua pequena capela.

Pereiro de Agrações, é uma povoação da freguesia com um aglomerado populacional de casas antigas em escuro granito e a sua capela barroca de belas linhas arquitectónicas. É um lugar muito isolado e, por isso, muito desertificado.

Redondelo, freguesia situada na margem de uma ribeira que é afluente do Tâmega. Tem a área de 19,37 km2 uma população de 601 habitantes e 638 eleitores, é constituída pelas povoações de Redondelo, Casas Novas, Pastoria e São Domingos. O Presidente da Junta é José Joaquim Pires Fernandes. O Padre Domingos Gonçalves Guerra é pároco da Freguesia, anexa à de Anelhe. É uma região com uma veiga muito fértil que produz todo o tipo de culturas, especialmente vinho e frutas. Era nesta povoação que se recebiam os dízimos e foros do Cabido da Sé da Arquidiocese de Braga, procedentes das outras freguesias sobre as quais o mesmo Cabido tinha jurisdição. Na encosta da colina que ladeia o povoado, existiu um castro que era abastecido de água pelo rio Tâmega. Além disso também foram encontradas sepulturas antropomórficas cavadas no xisto. No largo de entrada na aldeia ergue se um interessante cruzeiro e mais no centro do aglomerado habitacional destaca se uma interessante Igreja com um campanário coberto de um telhado de quatro águas. O orago é S. Vicente colocado num retábulo do altar, magnificamente trabalhado em talha dourada, com características da transição entre os estilos renascença e barroco. Em frente situa se uma magnífica casa senhorial rural que pertenceu à nobre família Miranda e Bragança, e possui equipamentos adequados á agricultura, únicos na região. Está a sofrer adequadas transformações para constituir mais uma típica Unidade de Turismo de Habitação Rural. Nas cercanias desta localidade existem duas minas de volfrâmio, a da Campina e a da Tosquiada, que estiveram muito activas e produziram bastante riqueza na região, no decurso da Segunda Guerra Mundial.

Casas Novas, está situada sobre uma pequena colina, sendo aldeia de nobres edifícios e de nobres tradições. Era belíssimo o solar da Viscondessa do Rosário, do início do século XIX, hoje em franca degradação. É belíssimo o solar dos Vilhenas, um conjunto habitacional com uma artística pedra de armas, e anexa, uma capela da invocação da Senhora da Piedade. As armas que constam do belo brasão situado sobre o portão principal, foram concedidas, em 1752, a Manuel Álvares Calvão, 1° Morgado de Casas Novas, Capitão de Infantaria Auxiliar, Escrivão da Câmara de Chaves e Juiz Almoxarife da Comenda de Moreiras, que instituiu o vínculo com capela de invocação à referida Senhora da Piedade. O Morgado está sepultado na capela do solar. Foi celebrada, nos arredores de Casas Novas, a assinatura da Convenção de Chaves que deu por finda a Revolta dos Marechais, em 20 de Setembro de 1837. Numa das extremidades da aldeia situa se uma interessante capelinha, com uma galilé, da invocação de S. Bernardino de Sena. Conta se que foi mandada construir pela povoação, como agradecimento àquele santo, pela protecção que devotou às colheitas, quando lhe foram encomendadas, e que não foram destruídas pelos temporais como acontecia anualmente. Possui um belo edifício de escola do primeiro ciclo do ensino básico, do tipo Adães Bermudes, frequentada por 9 alunos e que foi construída por donativo de Luiz Teixeira de Moraes em 1894, natural da aldeia e emigrante no Brasil. O Jardim Infantil, que também possui, é frequentado por 15 crianças.

Pastoria, aldeia com veiga muito fértil e com povoamento do período eneolítico, possivelmente do III ou II milénio a.C, nos alcandorados montes da serra, que se ergue a poente da aldeia. É hoje uma importante estação arqueológica denominada Castro do Muro. Quando vieram os romanos fizeram a sua ocupação, encontrando se no local, onde está situado, vestígios das várias civilizações que o habitaram. O povoado do presente, evidencia, na arquitectura de muitas das suas casas, traços da distinção dum passado antigo de certo poder económico. Na história encontram se referências a cidadãos ligados a esta aldeia que se tornaram notáveis. É o caso de António Teixeira de Barros Araújo Lozada, tenente de cavalaria, fidalgo e cavaleiro da Casa Real, 9° Administrador do Morgadio de Nossa Senhora do Ginzo de Curalha, figura de relevo na luta contra as Invasões Francesas. É interessante referir que numa das casa, situadas no lugar do Cabo, existem duas inscrições epigráficas de bela e estranha simbologia interpretada como judaica, que poderá indicar que aí funcionou uma antiquíssima sinagoga, possivelmente do grupo dos edomitas. No pequeno largo da aldeia, de passado muito mais recente, situa se a pequena capela da devoção a S. Martinho, onde se destaca a beleza escultural da pia baptismal. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 11 alunos.

São Domingos, aglomerado muito minúsculo de duas ou três casas, onde mais evidente é a capela da devoção a S. Domingos, rodeada de outros pequenos santuários. Esta aldeia delimita o concelho de Chaves; para além dela entra se nos domínios de Boticas.
<nome>Roriz, é uma aldeia que constitui freguesia autónoma, com uma área de 7,23 km2, a população de 211 habitantes e 338 eleitores. O Presidente da Junta é Antero Luís Ginja. O Padre António Guerreiro Guerra é pároco da Freguesia, anexa à de Cimo de Vila da Castanheira. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 4 alunos e o Ensino Básico Mediatizado por 3. Para ocupação de tempos livres e fomento cultural, os habitantes da aldeia fundaram a Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Roriz. O topónimo Roriz, provirá de Rodericus, ou de uma Vila Roderici, existente em 968; em 1258 já a designação da aldeia era Roriz9ó. Situa se na vertente oriental da serra de Monforte. Os seus campos, que, em socalcos, descem pela encosta, estão bem irrigados e produzem legumes, cereais e batatas em abundância. Também é relevante a pecuária e a sua produção de leite e carne de boa qualidade. O casario da povoação, onde ainda remanescem memórias de casas importantes, dispõe se em anfiteatro e é dominado pelo campanário da Igreja cuja padroeira é a Senhora da Conceição. Na década de 1980 foi criado o Centro Social Paroquial e, nas suas fundações, apareceram bonitas pedras trabalhadas. Esta aldeia foi arrasada pelos espanhóis durante as lutas da Restauração. Conta se que só ficaram de pé, duas casas; em retaliação os homens de Roriz juntaram se a outros de outras localidades e foram combater rijamente, os espanhóis, na Cota de Mairos, vencendo os; a partir desse momento o alto onde ocorreram os acontecimentos passou a designar se por Alto da Escocha. No lugar da aldeia denominado de Castelim, há vestígios da civilização castreja e diz o povo que aí viveram os mouros. A cerca de três quilómetros existe o denominado Castelo do Mau Vizinho, que também poderá ter sido um castro romanizado, situado na freguesia da Castanheira, na margem do rio Mouce, afluente do rio Rabaçal. É um morro natural de140 metros de altura em relação ao leito do rio. O cume do alto do morro, em que se notam restos de muralhas, arte rupestre, com escadas, fossetes e muros, só é acessível pela margem direita do rio. É um local mítico que foi e é inspirador de muitas lenidas. Uma delas diz respeito à razão do seu nome. Diz a voz do povo que aí viveu um mouro, homem sem escrúpulos e por isso por todos considerado “Mau Vizinho”9”. Tão relevante é este castelo roqueiro, para o património da região, que foi declarado de interesse público em 1983. Existiram nos arredores da aldeia minas de estanho, que depois de exploradas foram abandonadas como tantas outras da região flaviense.

Samaiões é uma freguesia com a área de 7,63 km2, 1 341 habitantes e 714 eleitores. É constituída pelas povoações de Samaiões, Isei, Outeiro Jusão e Raio X. O Presidente da Junta é Carlos Luís Oliveira da F. Lopes. O Padre Heitor Bartolomeu Morais é o pároco da Freguesia. As aldeias produzem batata, vinho e azeite. O topónimo de Samaiões estará ligado à cultura céltica, à festividade do Sannhain, uma das quatro que esses povos celebravam. A aldeia situa se numa planura e possui no seu centro a barroca Igreja paroquial dedicada à Senhora da Expectação também designada por Senhora do O, e relevante riqueza interior. Foi aqui pároco, desde 1906 a 1934, o arqueólogo e historiador Padre Silvino da Nóbrega91, autor de assinaláveis remodelações realizadas nesta Igreja. Outra capelinha a referir é a da devoção a S. Caetano, com o seu retábulo bonito mas degradado, que faz parte da Quinta de S. Caetano propriedade dos herdeiros da família Magalhães Sampaio Rodrigues. Ostenta o brasão da família e uma epígrafe de 1678. A capelinha do Senhor dos Aflitos, situada nos arredores, é local de grande devoção, realizando se todos os anos no mês de Maio uma grande romaria a este templo99. Samaiões é região de grandes quintas e casas e, a mais importante e bonita, é a Casa de Samaiões, solar com pedra de armas e capela da invocação da Senhora da Conceição do Ginzo e uma grande quinta com os convenientes equipamentos rurais. Era, até há bem pouco tempo, da nobre família de Francisco de Barros Teixeira Homem, estando hoje adaptada a Hotel de Turismo Rural. A Casa de Samaiões hospedou durante largos períodos o pintor Alves Cardoso que se notabilizou pintando costumes e trechos da região flaviense. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 7 alunos. No lugar do Eiró está situada a sede da Associação Recreativa e Desportiva de Samaiões.

Isei, aldeia cujo topónimo poderá estar relacionado com o da deusa egípcia Isis. Nesta região foi encontrada uma ara votiva a essa deusa; é uma das peças mais importantes do Museu da Região Flaviense. Situa se na serra do Brunheiro, a uma altitude de 520 metros, proporcionando vistas admiráveis sobre as aldeias da veia e a cidade de Chaves, coroadas de serras, a perder de vista. Aqui havia uma interessante produção artesanal de cestaria; quase todas as casas possuíam o seu local de fabrico de cestos de verga. Ainda hoje, esta aldeia, possui belas casas agrícolas onde se distinguem a Quinta Carmona, do General Leonel de Lima Carmona, primo do General Oscar Carmona, que se situa junto à capelinha de S. Brás, padroeiro da aldeia. O Largo das Capelas é rodeado por duas casas senhoriais, cada uma delas com sua capela. Uma é a Quinta do Lúcio que se estende até ao Senhor dos Aflitos, a outra é a casa solarenga dos Taveiras, com um belo brasão, que se alonga até Sesmil e cuja capela é dedicada à Senhora da Conceição.

Outeiro Jusão, segundo Viterbo, o termo Jusão, significava antigamente “de baixo”, por isso dizer se Outeiro Jusão era o mesmo que dizer se Outeiro de Baixo. Situa se esta aldeia às portas da cidade sobre uma colinazinha, na margem esquerda do rio Tâmega. Pensa se que o seu povoamento remonta, pelo menos, à ocupação romana da região porquanto, nessa zona, quando se procedeu a grandes escavações para construir as novas casas que hoje existem apareceram vestígios abundantes e muito belos, de prováveis construções de ricos patrícios romanos, entre eles, uma pedra que perpetua o nome de Claudios Flavios. É a terra natal de Araújo Costa que foi proprietário de uma das casas comerciais mais importantes de S. Paulo. Tem uma Associação Desportiva e Cultural para ocupação dos tempos livres dos habitantes. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 14 alunos e o Jardim Infantil por 17 crianças.
Raio X, é um bairro integrado na estrutura periférica citadina.

Sanfins da Castanheira, é constituída pelas povoações de Sanfins, Mosteiro, Parada, Polide e Santa Cruz com uma área de 16,23 km2, uma população de 308 habitantes e 480 eleitores. O Ensino Básico Mediatizado é frequentado por 3 alunos. É Presidente da Junta de Freguesia Carolino Augusto Aguieiras Pinheiro. O Padre António Guerreiro Guerra é o pároco da Freguesia, anexa à de Cimo de Vila da Castanheira. Foi uma das freguesias mais importantes do arciprestado de Monforte. O onomástico Sanfins provém do orago da freáuesia que é São Pedro Fins. Em toda a envolvente da freguesia foram encontrados vestígios de povoamento remotos, até da Pré História. Existem também nesta área sepulturas e sarcófagos da Idade Média. A esta freguesia esteve ligada a ilustre família Pereira do Lago, cujo solar se situava em Cabanelas do concelho de Mirandela. Dela são representantes os Sarmentos, Moraes Soares e outras famílias nobres da região flaviense, descendentes da Casa de Santa Catarina de Chaves e da Casa dos Ciprestes de Santa Valha.

Mosteiro, é uma pequena aldeia cujo topónimo o povo diz corresponder à existência de um morgadio criado em 1702 por Francisco de Sá Pereira, com fins religiosos, o Morgadio do Mosteiro. Além de, nos arredores terem aparecido pedras trabalhadas, colunas e capitéis que evidenciam ter havido aqui edifícios importantes, ainda existe hoje, nessa aldeia, uma casa de granito tlavrado que mostra, no contexto ruinoso em que se encontra, uma artística e imponente chaminé e uma janela de belo estilo. A capela que se situa em frente a este edifício mostra também, através do seu interessante frontão, uma rica arquitectura.

Parada, é um lugar cujo topónimo poderá estar associado a um foro, como já foi referido quando se estudou a aldeia de Paradela. Apresenta na sua periferia sepulturas cavadas na rocha, situando se uma delas próxima da capela de Santa Bárbara. Perto encontram se vestígios de uma cultura castreja que aqui construiu as suas estruturas e muralhas de defesa, na margem do rio Mente, afluente do rio Rabaçal.

Polide, é um pequeno lugar onde aparecem vestígios de boas construções, associados a outros com características próprias da civilização romana. Também esse povo veio influenciar e verter os usos e costumes neste povoado.

Santa Cruz da Castanheira, como toda a região, foi local habitado desde tempos remotos. Aqui apareceram a nascente da Igreja cinco sepulturas de pedra, sob um castanheiro, que foram impiedosamente destruídas. É possível mesmo que esse local tivesse sido uma necrópole da Idade Média. A Igreja é de provável estilo renascença, construída no século XVI. É da tradição que D. Nuno Álvares Pereira tivesse estado instalado neste lugar quando se deslocou de Bragança para Chaves em 1385, pelo que passou a ser padroeira da aldeia a Senhora da Orada e lhe tivesse sido erigido um templo. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 9 alunos.

Sanjurge, é uma freguesia com a área de 12,95 km2, população de 371 habitantes e 376 eleitores, constituída pelas povoações de Sanjurge e Seara. É Presidente da Junta Alexandre Crespo Dias. O Padre João Martins Calheno é pároco da Freguesia, anexa à de Bustelo. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 7 alunos. Encontra se, em fase de construção, o Centro Comunitário de Santa Clara, resultado de um protocolo entre a Santa Casa da Misericórdia e a Junta de Freguesia. A aldeia situa se numa veiga, muito perto de Chaves. É muito fértil, sendo as produções mais significativas batata, centeio, milho e frutas. O topónimo da povoação considera se proveniente duma ilustre família espanhola que, em tempos, foi senhora donatária do seu termo ou aro. No largo da aldeia está situado um solar construído na dinastia filipina, da família Cunhas, Machados, Garcias, Sousa Mourão e Macedos. Pertencia também ao conjunto a artística capela de S. Miguel em belo estilo renascença. A igreja paroquial é românica, possivelmente do século XIII ou XIV, e tem como padroeira Santa Clara. A capela da Senhora do Rosário que se situa na outra extremidade da aldeia, mostra uma pintura a fresco que representa também a mesma imagem da Senhora do Rosário que se encontra no pequeno altar. Num dos becos da aldeia existe um oratório com uma imagem da Senhora da Conceição, talhada em granito. Conta a lenda que de noite, de vez em quando, há uma luz que vem da Senhora da Aparecida até junto da Senhora da Conceição. Outra lenda conta que se alguém tirar dali a Senhora da Conceição, ela volta, sem se saber como, para o seu oratório. Na envolvente da aldeia há diversos penedos com insculturas rupestres.

Seara, pequeno povoado que se situa numa encruzilhada de caminhos, já na periferia da cidade de Chaves, onde existe um número reduzido de casas e alguma indústria de madeira e moagem. Como sinal de cristandade possui unicamente um moderno e interessante cruzeiro.

Santa Cruz/Trindade, é uma freguesia criada pela Lei n ° 18 E/2001 de 3 de Julho, integrada na cidade de Chaves, constituída pelos Bairros de Santa Cruz e Trindade, anteriormente pertencente à freguesia de Outeiro Seco. Tem 1 353 eleitores. É Presidente da Junta António Castanheira Gonçalves. A paróquia é designada da Sagrada Família e tem como pároco o Padre José Guerra Banha e está anexa à de Soutelo. A freguesia é limitada, a este, pelo rio Tâmega; a norte pela freguesia de Outeiro Seco; a poente pela freguesia de Sanjurge e a sul pela freguesia de Santa Maria Maior. Grande parte das propriedades desta localidade teriam pertencido a um conde de ascendência francesa. A antiga e pequena capela foi substituída por uma maior e mais moderna que dificilmente encaixa no espaço do larguinho onde se situa. É de assinalar a casa senhorial de Eduardo Calvão de Morais Sarmento Pires, do século XVIII, recentemente restaurada de acordo com as linhas primitivas. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 47 alunos e o Jardim de Infância por 23. Na localidade funciona uma instituição cultural que se designa Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Santa Cruz.

Santa Leocádia, esta freguesia ocupa uma área de 15,30 km2, possui 417 habitantes e 576 eleitores. É Presidente da Junta Manuel João Santos Ramos. O Padre António Joaquim Mateus é pároco da Freguesia, anexa a Moreiras. É constituída pelas povoações de Santa Leocádia. Adães, Carrega], Fornelos, Matosinhos, Santa Ovaia e Vale de Galo. Freguesia situada na encosta da serra do Brunheiro, a altitude assinalável, produz batata, cereais e frutas. Importante nesta aldeia é a sua Igreja paroquial de matriz românica de que ainda se encontra bem conservada a cachorrada, uma bela fresta com dois colunelos e um trabalhado arco de volta inteira. Interiormente são magníficos os frescos que a revestem, bem restaurados recentemente. A padroeira é a Senhora da Assunção. A paisagem é magnífica nos seus diferentes tipos de vegetação e campos de montanha atravessados aqui e ali por linhas de água.

Adães, aldeia antiga de tradição aristocrática donde era natural Isabel Teixeira que casou com Jácome Teixeira, descendente da família Vahia, amigo e principal escudeiro do 1° Duque de Bragança. Apresenta dois núcleos habitacionais, um mais moderno outro mais antigo, conservando as ruas estreitas, onde ainda se observam as casas solarengas, algumas recuperadas para Turismo de Habitação Rural. A igreja é da devoção a Santa Bárbara. Nesta freguesia é tradição realizar se de sete em sete anos a Procissão da Penitência que percorre a via desde Santa Leocádia até Matosinhos. Nela, figura um penitente que caminha com os braços ao alto, voltado de costas, na direcção do andor do Senhor dos Passos. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 5 alunos e o Ensino Básico Mediatizado por 9 alunos. Possui um Centro de Convívio para agregação e ocupação de lazer dos habitantes.

Carregal, é um pequeno povoado cujo topónimo deriva do nome do arbusto vulgarmente denominado carrasco. Foi possivelmente a abundância deste tipo de vegetação, própria de climas de montanha, que sugeriu esta designação.

Fornelos. pequena aldeia que tem como principal atractivo a sua capelinha com um frontão triangular encimado por uma pedra trabalhada que se assemelha a uma flor e érematada por dois pináculos muito elegantes e harmónicos, como sentinelas vigilantes da torre sineira. No subsolo da aldeia têm aparecido abundantes fragmentos de tijolos e telhas como vestígios arqueológicos.

Matosinhos, aldeia situada no cimo da serra, possui interessantes habitações com varandas viradas ao sol, casas solarengas adaptadas a Turismo de Habitação Rural e a sua capela. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 6 alunos.
Santa Ovaia, pequeno lugar que retira o seu nome da santa padroeira da sua capelinha.
Vale de Galo, outro pequeno povoado cujo topónimo provém do nome de um indivíduo. A capela conta entre os seus santos o São Galo.

Santa Maria Maior, uma das freguesias da cidade já caracterizada, que se situa na margem direita do Tâmega com a área de 6,50 km2, 12 215 habitantes e 10 820 eleitores. É Presidente da Junta de Freguesia João Carlos Alves Neves. O Padre Helder Amadeu Baptista Sá, Abade e Arcipreste do Alto Tâmega, é pároco da Freguesia, desempenhando também funções de professor de Ética na Escola de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado. Os equipamentos e atributos da área que a freguesia envolve, foram já apresentados no início deste trabalho’°’, quando se fez a descrição da cidade de Chaves. Além dos referidos, tem em funcionamento quatro escolas do primeiro ciclo do ensino básico designadas e frequentadas pelo número de alunos que ordenadamente se expressam: Chaves 1 com 231 alunos; Chaves 2 Estação com 174 alunos; Chaves 5 com 42 alunos; Chaves 6 Cinochaves com 162 alunos e o Jardim de Infância com 95 crianças. Tem ainda um outro Jardim Infantil em Casas dos Montes frequentado por 13 crianças.

Santo António de Monforte, freguesia outrora denominada por Curral de Vacas, tem uma área de 10,31 km2, uma população de 508 habitantes e 512 eleitores. É Presidente da Junta de Freguesia António dos Anjos Martins. Não constitui paróquia. eclesiasticamente pertence à freguesia de Águas Frias. É constituída pelas povoações de Santo António de Monforte e Nogueirinhas. Produz essencialmente batata e centeio, dedica se à pecuária e à exploração leiteira. O topónimo inicial deverá estar ligado à abundante criação de gado bovino, que desde sempre se verificou nesta aldeia, embora haja outras teorias mais elaboradas. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 29 alunos distribuídos por 2 turmas e o Jardim Infantil por 6 crianças. Situa se esta freguesia na encosta da serra da Cota. O centro da aldeia ocupa parte da vertente do planalto da Vreia, à altitude de cerca de 600 metros, constituindo um belo miradouro sobre a grande bacia do vale do Tâmega. No Largo do Cruzeiro está situado a sede da Junta de Freguesia, o lavadouro público, a velha fonte, o forno comunitário, saudosas memórias do passado. Há ainda a destacar um interessante cruzeiro e a capela da Senhora do Rosário. Bem perto, localiza se a bonita Igreja paroquial com um torre sineira galaico transmontana de dois sinos. No seu interior conserva se uma ara votiva ao deus Larouco, assinalando mais uma vez a certeza de que a zona foi povoada desde tempos muito recuados. O padroeiro é Santo António que éfestejado a 13 de Junho de cada ano. Entre esta aldeia e Paradela de Monforte, existe no lugar conhecido por Castro, a Fonte Santa cujas águas brotam entre fragas e nunca secam, mesmo no pino do Verão, por isso o povo lhe atribui virtudes curativas. Este lugar érodeado pela Lama do Cachão, ribeiro de Arcossó, pela Corga e Quintas. A Pitorca, também designada de Fraga da Moura, possui a sua lenda. Conta se que sobre essa fraga, diariamente, se penteava uma linda moura com um pente de ouro.

Nogueirinhas, pequeno povoado que se situa na encosta do Monte de Santa Luzia, rodeada de outeiros coroados de penedos sobrepostos. A seus pés, corre rumorosamente um ribeiro, cujas margens são delineadas pelo arvoredo e onde foi construída recentemente uma barragem para irrigação dos terrenos agrícolas e que serve também de zona de lazer. A aldeia está quase desabitada, restando a viver, no aglomerado, tão somente, três casais. A padroeira é Santa Luzia, cuja imagem ocupa o lugar principal no altar da modesta capela.

Santo Estêvão, aldeia com área de 10,61 km2, 631 habitantes e 671 eleitores, que constitui freguesia autónoma. O Presidente da Junta de Freguesia é Ademar de Sena Rodrigues. O Padre Manuel Martins é o pároco da Freguesia. Situa se na veiga do Tâmega e consequentemente é muito fértil, solo adequada a muitos tipos de produção. Foi uma vila medieval de muita importância pois, a primeira capital do julgado de Montenegro. O seu foral poderá ter sido concedido a 15 de Maio de 1258, por D. Afonso III e no seu Castelo, que ainda hoje apresenta uma bonita alcáçova ameada, casou o referido rei com D. Beatriz, filha de Afonso X de Leão. Do seu castelo voltou a falar se em 1666, durante as Guerras da Restauração, em que a sua heróica guarnição foi barbaramente trucidada pelos soldados do general Pantoja. Após tão trágico sucesso, a antiga fortaleza foi votada ao abandono, sendo posteriormente adaptada, a residência paroquial. Foi depois declarado monumento nacional e sujeito a obras de restauro que lhe devolveram alguma da sua antiga fidalguia. Junto do castelo situa se a Igreja Matriz, templo espaçoso e elegante de uma só nave. Adjunto, no Bairro do Paço, pode ainda observar se a pedra de armas da nobre Casa do Paço com a sua capela da devoção a S. João. Foi propriedade da família Morais Campilho’°5. A designação de Paço é demonstração de nobreza da família, nome que só era atribuído a solares de grandes fidalgos. Nesta aldeia há ainda outras casas que, pelo seu aspecto, demonstram bem a aristocracia que as habitou. Camilo Castelo Branco, no livro “O Esqueleto” encena parte do enredo nesta aldeia, fazendo do último morgado de Faiões o seu Rafael Cogominho. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 20 alunos e o Jardim Infantil por 10 crianças. Para complementar as actividades dos cidadãos foram aí fundados o Grupo de Folclore da Vila Medieval de Santo Estêvão, a Associação Cultural e Desportiva e o Centro de Bem Estar e Social.

São Julião, freguesia com a área de 15,29 km2, 293 habitantes e 320 eleitores, é constituída pelas aldeias de S. Julião, Limãos e Mosteiró de Baixo. É Presidente da Junta de Freguesia Albano Manuel dos Santos Matias. O Padre Fernando Rodrigues é pároco da Freguesia, anexa à de Vilar de Nantes. Os terrenos são essencialmente de natureza granítica e altitude considerável, porém têm abundância de água e por isso são férteis. Produzem centeio, milho, trigo, batata, toda a espécie de legumes e variadas frutas, com especial destaque para a castanha. A povoação de S. Julião possui extensos baldios que se estendem de leste a sueste. pelas encostas e lombadas da serra, confrontando com as freguesias de Friões e Alvarelhos. e com as povoações de Sá. Oucidres, Vila Nova e S. Lourenço. Na serra de S. Julião. também designada por serra dos Palheiros, na margem da ribeira das Avelelas, há um local a que chamam Estanheira, por ter sido jazida de umas importantes minas de estanho, às quais se refere uma doação de 1314, no tempo do rei D. Dinis, feita a Mendo Martins. O casario da aldeia, que assenta na curva de um outeiro prolongamento da serra do Brunheiro, pertenceu ao antigo julgado de Montenegro, tendo gozado de grande importância. Porém hoje, do seu passado, guarda apenas as tradições fidalgas e a sua Igreja Matriz, um templo românico, que data dos princípios da nacionalidade, com uma traça arquitectónica que suportou os atentados do tempo e mesmo do homem. A sua fachada principal foi reconstruída em 1885. Diz se que teria ficado muito danificada em consequência do terramoto de 1755. A parte que resistiu ao abalo ainda é importante e de real valor artístico. São de apreciar os modilhões da cornija, a pintura a fresco que apresenta e algumas alfaias e paramentos religiosos de grande valor artístico. Interiormente possui uma só nave, a qual, no seu conjunto com a abside e dois altares laterais, representa uma cruz, formato de igreja mais usado nos séculos XI e XII em toda a cristandade. É uma cópia das grandes basílicas romanas. O altar principal e o seu retábulo são lavrados em talha simples do segundo período da renascença. No tecto da capela mor, está pintado o apóstolo S: Pedro no acto que se seguiu à negação. Foi Comenda da Ordem de Cristo e o seu padroeiro é S. Julião, bispo de Toledo, que foi coevo dos reis Vamba e Ervígio, soberanos godos. É celebrado em 11 de Março. Pelo termo desta freguesia passava uma antiga via romana, continuação da já citada calçada de S. Lourenço. As vias romanas apresentavam, à superfície, a forma abaulada ou convexa, eram construções assaz dispendiosas mas muito resistentes e duradouras, como se observa ainda nos dias de hoje. Na igreja há um marco miliário romano dedicado ao “Imperador Caio Traja»o Décio”; marcava a milha sexta da calçada romana. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 6 alunos.
Limãos é uma pequena aldeia que se encontra encravada no concelho de Valpaços. bem perto das povoações de Vilarandelo e de Sá, embora pertencente ao concelho de Cha\es. Possui vastos e bons lameiros e terrenos de cultura, não lhe faltando também variadas árvores de fruto, principalmente o castanheiro. O topónimo poderá provir de limais, arcaísmo este que significava terra pantanosa e coberta de limos. No entanto há outra opinião, que diz ter esta povoação a sua origem numa colónia constituída por indivíduos
provenientes da Galiza, da região de Límia.

Mosteiró uma aldeia, muito pequena, tem uma designação com o mesmo significado que Mosteirol, pequeno mosteiro. Tratava se de uma casa religiosa que equivaleria a um morgadio fundado com fim religioso. Nos arredores de S. Julião há duas aldeias designadas por Mosteiró de Baixo uma e por Mosteiró de Cima outra, esta já do concelho de Valpaços. A povoação de Mosteiró de Baixo está situada entre carvalheiras e soutos frondosos, na vertente ocidental da serra do Brunheiro. Tem uma capela da devoção a S. Bernardino de Sena.
<nome>São Pedro de Agostém, freguesia com a área de 25,64 km2, a população de 1 498 habitantes e 1 410 eleitores, é constituída pelas povoações de Agostém, Bóbeda, Escariz. Lagarelhos, Paradela de Veiga, Pereira de Veiga, Peto, Sesmil, Ventuzelos e Vila Nova de Veiga. É Presidente da Junta de Freguesia José Fernando Carvalho Montanha. O Padre Ladislau José de Sousa e Silva é o pároco da Freguesia. As suas produções mais relevantes são o vinho, fruta, cereais, batata e castanha. A freguesia está possivelmente povoada desde o século VIII, altura em que pelas famílias do célebre bispo Oduário, teria então sido fundada a igreja de S. Pedro, orago da freguesia. Foi Couto dos bispos de Braga, doado em 28 de Julho de 1133 por D. Afondo Henriques ao arcebispo D. Paio Mendes. D João I, acompanhado de Nuno Álvares Pereira e todos os seus mais dedicados cavaleiro, passou nesta povoação o Natal do ano de 1385. Tratava então o rei de Portugal de tomar Chaves que teimava em permanecer sob o domínio de Castela. As casas solarengas que esta aldeia exibe, são várias e bem conservadas, sendo de destacar entre elas a casa solarenga dos Maias, pertença de uma condessa que casou com o General Zeferino de Arrochela Vieira da Maia. Nos arredores da aldeia há a capela da Senhora da Saúde. um templo barroco com a sua torre sineira galaico portuguesa. Aqui se realiza uma grandiosa romaria que ocorre na segunda feira a seguir à festa do Espírito Santo de cada ano. Aí se comiam deliciosas merendas bem à maneira transmontana. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 6 alunos.
Agostém, é uma pequena aldeia que permanece pitoresca. guardando os seus usos e costumes, ao longo de todos estes tempos, sem se deixar macular com os modernismos que muitas vezes desfeiam o tipicismo próprio de cada povoado. Lá se encontra uma capelinha dedicada ao Divino Espírito Santo, que é festejado sete semanas depois da Páscoa. Como tradição conta se a lenda da Clementina. Tendo ela filhos pequenos foi surpreendida por alguém que lhe vendou os olhos e a levou a dar de mamar a uma criança que nunca soube quem era nem o local onde estivera.

Bóbeda, é um topónimo associado ao de Bobadela e consequentemente poderá ter origem árabe. É uma povoação com algumas casas de matriz aristocrática, exuberantes da sua opulência de outrora. Entre elas destaca se a Casa do Cruzeiro com pedra de armas e capela de devoção à Senhora da Conceição. Pertence aos descendentes da família de Inácio Pizarro de Morais Sarmento. Esta família habita Bóbeda desde o início do Século XVIII; é oriunda de Trujillo, cidade situada na Estremadura Espanhola, descendeste de cavaleiros que participaram na Reconquista Cristã e também na Conquista do México e do Perú, no século XVI. Nos arredores desta aldeia, junto do Tâmega, teriam existido umas minas romanas e, no local da exploração, a caverna é tão profunda que ninguém ousa invadi Ia.
Conta a lenda que seria este local a boca de saída do túnel que fazia a ligação com o já tratado Castro de Curalha. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 10 alunos. A associação que aí funciona é designada por Associação Cultural e Recreativa de Bóbeda.

Escariz, topónimo de origem franco germânica, é uma pequena aldeia com algumas casas desabitadas. Tem uma capelinha da devoção a Santa Catarina.

Lagarelhos, tira o seu nome dos pequenos lagares, cavados em blocos de granito, cuja finalidade constitui ainda hoje um certo enigma. Pequenos lagares como este encontramse também em Panóias e Bouçoais, não duvidando os arqueólogos em referir que são monumentos pré históricos, característicos de campos sagrados. A aldeia, situada nas encostas da serra do Brunheiro, vizinha do lugar conhecido por Peto, porque na encruzilhada para a aldeia havia um peto de esmolas do qual só existe uma pedra.
Paradela de Veiga, é uma designação que provém do foro que os moradores pagavam ao rei ou aos seus senhores quando a visitavam com a sua comitiva. Seria possivelmente dessa época a denominada casa senhorial de Paradela. Possui duas pedras de armas, sendo uma delas a que adornava a Casa de Curalha, também da nobre família de Francisco de Barros, da Casa de Samaiões. Esta casa, actualmente, pertence a Maria Leonor de Barros, distinta professora do Ensino Secundário. Tem uma capelinha de devoção a S. Ciríaco, advogado dos animais.

Pereira de Veiga, situada nos arrabaldes de Chaves, distando quatro quilómetros da cidade, possui uma capela barroca cuja padroeira é a Senhora da Conceição. É de grande produção a parte do vale que constitui a sua área.
Sesmil ou Sesmir. é nome de rico homem da época da Reconquista Cristã. Teria havido neste local um povoamento muito anterior ao século XII. No Bairro do Fundo do Povo situa se a capela de Santa Ana cuja solenidade se celebra a 26 de Julho. Noutros tempos o orago era Santo André. mas os crentes tomaram a decisão de o substituir por Santa Ana. Na aldeia existe ainda uma bonita casa senhorial com capela anexa, embora degradada. A capela é dedicada a S. João Baptista. Diz se que teria pertencido á Ordem do Hospital e que teria, em tempos idos, sido mesmo um convento. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 2 alunos.

Ventuzelos, é uma aldeia de construções muito antigas que guardam algumas memórias da sua anterior opulência, nas cornijas, nas fachadas dos portais, nas cruzes que as encimam. A sua capela tem por orago Santo Amaro que é festejado em 15 de Janeiro de cada ano. Neste local, situado na encosta do monte de Santa Bárbara, em 1809, durante as Invasões Francesas, esteve acampado o General Silveira, de onde depois partiu com as suas tropas para reconquistar Chaves. Mais tarde em Março de 1823, foi também palco das lutas entre miguelistas e liberais; o 2° Conde de Amarante, depois Marquês de Chaves, combateu a divisão liberal comandada pelo general Luís do Rego, tendo esta divisão sido obrigada a abandonar o campo de batalha como vencida. No alto do monte a 775 metros de altitude, ainda hoje se ergue a capelinha de Santa Bárbara, junto a um castro do qual poucos vestígios existem. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 3 alunos.

Vila Nova de Veiga, é um povoado que está praticamente encostado à cidade de Chaves e foi palco de grandes episódios e lutas durante toda a história do povo português. Foi nesta aldeia que o Rei D. João I acampou, em 1385, e se deliciou com a maravilhosa paisagem que na sua frente se desenrolava, desde o azul do rio aos verdes campos, semeados de flores amarelas. Estão lá situadas a Quinta da Cruz e a Quinta do Rebentão. Esta, foi adquirida pela Câmara Municipal de Chaves para construção de equipamentos desportivos e de lazer. O Parque de Campismo de Chaves está aí instalado e, quase concluído um complexo de piscinas. A designação de Rebentão terá como possível origem o esgotamento dos bois que puxavam os carros pela íngreme vereda que a servia. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 14 alunos. Possui também uma Associação Desportiva e Cultural.

São Vicente da Raia, freguesia com a área de 36,00 km2, 312 habitantes e 419 eleitores, é constituída pelas povoações de São Vicente da Raia, Aveleda, Oijais e Segirei. Estão situadas na vertente oriental da serra de Mairos. É Presidente da Junta Antenor dos Anjos. O Padre Delmino Rodrigues Fontoura é o pároco da Freguesia, anexa à de Mairos. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 2 alunos e o Ensino Básico Mediatizado por 6. Todas as aldeias apresentam um aspecto pitoresco, agreste e serrano, fazendo fronteira com a Galiza, escondidas umas entre matas profundas, outras rodeadas por largos campos de cultura. Terão desempenhado importante papel de sentinela nas lutas travadas ao longo dos tempos para preservar a independência e integridade de Portugal. As produções desta região constam de mel, cera, centeio, castanha e criação de gado. Em épocas passadas eram produtoras de carvão cujas cargas vendiam na cidade a particulares e ao Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Chaves. O seu povoamento remonta ao século IX, quando o Bispo Conde Oduário levou a efeito essa tarefa. Esse primeiro povoamento ocupou o antigo castro denominado de Cerca, actualmente destruído. Está a cerca de 800 metros de altitude, no planalto do monte Sopilho; nos seus arredores predomina o xisto, considerando se a porta de entrada para as xistosas Terras da Lomba que se estendem até Bragança. No fundo da serra corre o rio Mouce, ladeado de moinhos que se encontram desactivados e em ruínas. Na aldeia pode ver se a capela da Senhora do Rosário com a sua galilé coroada com uma cruz latina ladeada de elegantes pináculos. A Igreja paroquial, em estilo barroco muito simples tem uma interessante torre sineira do tipo galaico transmontano. A padroeira é a Senhora da Natividade que a freguesia festeja a 8 de Setembro. Além da imagem da padroeira, São Vicente que teria dado o nome à freguesia, está situado também no neo clássico altar mor da Igreja.

Aveleda, tem por topónimo o nome que era atribuído às sacerdotisas do culto endovélico segundo uns autores; outros referem que provém de avelã e de facto é um local onde proliferam as avelaneiras”‘. Situa se a 500 metros de altitude. ao lado de uma pequena e fértil veiga irrigada pelo ribeiro de Vale Madeiro, afluente do Mente. O casario, na generalidade, é construído com a pedra xistosa existente na região. Tem uma capelinha devotada a São Tomé que é festejado em 2 de Dezembro. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 4 alunos.

Orjais, situa se à altitude média de 700 metros. possui uma designação que segundo alguns autores, entre os quais o Padre João Vaz de Amorim, deriva de um apelido espanhol. Num pequeno planalto, no lugar da Barraca, há uma pequena ermida e ao lado uma capela da invocação do Senhor dos Milagres, construída em 1982 por influência e esforço do pároco da freguesia Padre Delmino Fontoura. A sua festividade, que reúne muitos emigrantes acontece em 1 de Agosto de cada ano. Na aldeia entre o casario antigo arruinado e outro moderníssimo mas modesto, destaca se a capelinha de linhas simples que tem por padroeira Santa Luzia cujo dia festivo se celebra a 13 de Dezembro. Merece uma referência muito especial, pelo mistério de que se rodeia, uma casinha em xisto e granito que apresenta na padieira um conjunto de caracteres que sugerem ser em escrita judaica, podendo ter aí funcionado uma sinagoga, quando os judeus viviam nesta região. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 1 só aluno.

Segirei, tem por topónimo um apelido de família espanhola. Esta aldeia situa se na encosta da serra da Trave, a 550 metros de altitude e muito perto de uma produtiva veiga atravessada pelo ribeiro da Cidadelha, afluente do Mente. Na capela da localidade festejase como padroeiro S. Gonçalo. O termo desta povoação confina com o Castelo da Cidadelha e tem a debruá la o rio Mente com uma interessante praia fluvial. Nas cercanias da aldeia têm sido encontrados valiosos vestígios romanos que atestam o seu antigo povoamento. No dizer da lenda popular. as ruínas do castelo são habitadas por uma moura encantada que guarda grandes tesouros; na manhã de S. João costuma tecer num tear de ouro e estender às orvalhadas ricas barrelas de linho.

Seara Velha, aldeia com a área de 11,83 km2, 189 habitantes e 217 eleitores, e só por si constitui a freguesia. É Presidente da Junta Fernando António Martins Santos. O Padre António Diogo Martins é pároco da Freguesia, anexa à de Calvão. As produções mais abundantes continuam a ser a batata, centeio e hortaliças e criação de gado. Povoação que possui relíquias proto históricas e da romanização tais como o Castro de Cunhas, as Muradelhas e a vila romana de Susana. Muito perto da aldeia passava a via militar de Braga a Chaves e também, posteriormente era rota das peregrinações a Santiago A Igreja é da devoção a Santiago e apresenta, na vetusta fachada, uma escultura em granito representando Santiago cavalgando o seu cavalo. Ainda possui um forno do povo que rememora os costumes comunitários da região. O artesão Manuel Carneiro é um excelente artista que dedica a sua criatividade a produzir interessantes peças esculturais. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 4 alunos.

Selhariz, ocupa uma área de 8,55 km2, tem uma população de 310 habitantes e 330 eleitores. A freguesia é constituída pelas povoações de Selhariz, Fornos, Valverde e Vila Real ou Vila Rei. É Presidente da Junta Francisco Gonçalves Macedo. O Padre Alberto da Fontoura Aguieiras é o pároco da Freguesia. anexa à de Loivos. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 5 alunos. Esta região produz essencialmente vinho e milho. A aldeia de Selhariz retira o nome de Sallaricirs, rico homem que casou com D. Oura. Toda a região desta freguesia. envolvida por castros, é considerada como de povoamento de raízes pré históricas ou, pelo menos, proto históricas. A criação do actual agregado populacional é provavelmente do século IX e também atribuído às famílias do já referido Bispo Oduário. Existe um documento no Mosteiro de Celanova na Galiza que dá força de verdade a esta hipótese, onde é referido que em 872 Afonso III das Astúrias povoou e conservou vilas, nos limites de Chaves. Algumas das suas casas mostram a aristocracia de antigos habitantes com o seu brasão de armas. Uma delas da família Sousa Machado, proveniente de Vila Pouca de Aguiar. Anexa ao que resta da histórica torre medieval ergue se uma residência de boa traça onde nasceu uma trineta do 1° Visconde de Santa Marta de Penaguião que foi transformada em interessante unidade de Turismo de Habitação Rural. Ao lado, está situada a Igreja paroquial cuja padroeira é a Senhora da Expectação.

Fornos, cujo nome terá recolhido desses equipamentos que serviram para cozer telha, tijolo ou mesmo pão. Tem no largo da aldeia uma enorme fraga arredondada onde está desenhado uma espécie de !idas, análogo ao que se encontra no penedo da Ovelha, em Alfarela de Jales, atribuído aos romanos. No alto da aldeia está a capela barroca, muito simples, da Senhora da Anunciação.

Valverde. aldeia situada entre verdejantes campos. Do aglomerado urbano destaca se uma grandiosa casa rural de granito, em ruínas, com uma interessante chaminé, artisticamente elaborada. Ainda restam, de antigos equipamentos comunitários, um lagar de azeite e ruínas de um bucólico moinho”. Nesta aldeia nasceu o tenente coronel António Vítor Macedo, o primeiro militar que em terras transmontanas, proclamou e defendeu a liberdade constitucional. A capelinha é dedicada a Santo Amaro, advogado dos ossos, que é festejado a 15 de Janeiro de cada ano. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 5 alunos.
Vila Rei, está situada em terras que foram reguengas e daí o seu topónimo”. A aldeia é hoje tão somente um conjunto desabitado de ruínas de casas antigas.

Soutelinho da Raia, aldeia com a área de 5,97 km2, 182 habitantes e 255 eleitores, constitui freguesia autónoma. É Presidente da Junta António Fernando Palhete da Silva. O Padre António Lourenço Fontes é pároco da Freguesia. anexa à de Vilar de Perdizes. Implantada no alto da serra da Panadeira, produz centeio, batata e castanha. Como o nome revela, situa se na zona fronteiriça de Portugal e Espanha. E também como se infere, o topónimo terá o significado de pequeno souto. É uma das aldeias mais típicas e conservadoras de património do concelho de Chaves, com as suas construções em granito, o forno, as fontes de mergulho… Possui uma capela, com galilé aberta, de devoção ao Senhor dos Desamparados, que é festejado no mês de Junho; outra capela devotada ao Senhor dos Aflitos e a Igreja barroca, dos séculos XVII ou XVIII, que tem por padroeira Santa Bárbara. No termo desta povoação foi assassinado o tenente coronel António Vítor Macedo pelos seus adversários políticos no dia imediato ao combate de Valpaços em 1846, travado entre Sá da Bandeira e as tropas da rainha D. Maria II. Para ocupação dos tempos livres foi criado um Centro Cultural e Desportivo.

Soutelo, freguesia com a área de 8,99 km2, 384 habitantes e 442 eleitores, é constituída pelas povoações de Soutelo e Noval. É Presidente da Junta de Freguesia Domingos da Cruz Rodrigues. O Padre José Guerra Banha é o pároco da Freguesia. As aldeias estão situadas na encosta da serra com terrenos muito férteis que produzem batata, centeio. fruta e vinho. Possui algumas riquezas arqueológicas, arte rupestre no Penedo da Cobra, possível memória do culto ofiolatra, culto ou adoração das serpentes. Perto da aldeia passava uma calçada romana. Entre o casario, muito pouco evidente, encontra se uma casa que denominam de Paço. Seria igual a muitas outras não fora o facto de, embutido numa das paredes, exibir o brasão das Cinco Chaves que, pelo menos na tradição e em alguns escritos, está ligado à história de Chaves e que poderia remontar à fundação da nacionalidade. Foi uma aldeia famosa pelo artesanato de cobertores e mantas de lã que produzia, e que agora se encontra em franca regressão. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 14 alunps e o Jardim Infantil por 8 crianças.
Noval, povoado muito pequeno onde se releva como mais importante a bela casa senhorial da Quinta da Família Pereira. Anteriormente pertenceu à família do erudito Padre Adolfo Magalhães. Tem uma capelinha de devoção ao Divino Espírito Santo. Da antiguidade romana há uma epígrafe na rocha sita no lugar do Cavalo do Mouro. E. de época não determinada, existem duas sepulturas antropomórficas cavadas numa rocha.

Travancas, freguesia com a área de 12.73 km2, 522 habitantes e 651 eleitores, é formada pelas povoações de Travancas, Argemil e São Comélio. É Presidente da Junta de Freguesia Gustavo Batista. O Padre Delmino Rodrigues Fontoura é o pároco da Freguesia, anexa àde Mairos. Assentam, as aldeias que a compõem, na vertente oriental da serra de Mairos e produzem centeio, milho, batata e castanha. Travancas localiza se muito perto da cumeada da serra, à altitude de 900 metros, num extenso planalto de aspecto agreste. É a aldeia, que se situa à maior altitude, na região. O Abade Baçal diz mesmo que o seu topónimo deriva da palavra trabanca, termo espanhol que significa obstáculo ou coisa impeditiva de trânsito. É da mesma origem o termo atravancar. Possivelmente este povoado do alto da serra impediria o avanço de invasores; seria ponto estratégico da antiga arte militar e talvez local onde, em tempos passados, se travaram sangrentas batalhas entre mouros e cristãos`. A noroeste da povoação, até há poucos anos, era possível observar vestígios de fossos ou trincheiras, que teriam sido abertos por ocasião da guerra da independência. O povoamento primitivo era no local de Palheiros. A sua Igreja paroquial, da devoção a S. Bartolomeu, de linhas muito simples, tem gravado no dintel a data de 1811, que poderá situar a época do último restauro e acrescento. A festa ao padroeiro celebra se a 24 de Fevereiro. Entre as construções rurais em granito destaca se uma interessante casa senhorial rural. O termo desta aldeia confina com a Galiza e era caminho de contrabando, havendo por esse motivo, na fronteira, um Posto da Guarda Fiscal. Perto do povoado eleva se a capela do Senhor dos Aflitos, num largo muito próprio para a realização dos festejos que acontecem no primeiro domingo de Setembro. Possui um pequeno Centro de Saúde, construído na década de 1970. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 3 alunos. Para apoio da cultura e do lazer existe o Centro Cultural, Recreativo e Desportivo.

Argemil da Raia, situa se também na serra de Mairos fazendo parte do extenso planalto que abrange as terras da Castanheira e a pedra Bolideira, a uma altitude média de 850 metros. Tem uma pequena capela cujo orago é São Miguel Arcanjo que se festeja a 8 de Maio de cada ano. A escola do ensino básico do primeiro ciclo é frequentada por 11 alunos e o Jardim de Infância por 8. É aldeia muito antiga que possui casas rústicas muito interessantes. Ao que parece o povoamento reporta se à permanência dos suevos e o seu topónimo deriveraria de Algemir ou Algennirus. Salienta se, entre todas, a casa pertencente aos herdeiros de Ângelo Tenreiro, professor em Mairos em 1890. Deveria ter sido mandada construir pelo seu pai, o vigário da Paróquia de Travancas, Padre Domingos Manuel Alves da Rocha Raposo Tenreiro, nos finais do século XVIII ou princípios do Século XIX.

São Cornélio, uma pequena povoação situada no mesmo planalto à altitude média de 850 metros. Até 31 de Dezembro de 1853 pertenceu ao extinto concelho de Monforte de Rio Livre e eclesiasticamente à diocese de Miranda do Douro e depois a Bragança até 1922, data em que foi criada a diocese de Vila Real. A escola do ensino básico do primeiro ciclo é frequentada por 4 alunos. Entre o casario rústico é de destacar a fonte e o forno do povo comunitário que ainda continua a funcionar, apesar da industrialização crescente do fabrico do pão. A capela é da devoção a S. Cornélio. Tudo leva a crer que o seu povoamento remonte ao século IX. sob o nome e invocação deste santo que foi papa, condenado à morte em 14 de Setembro do ano 252. Além da capelinha, possui também uma recente Igreja, toda pintada de branco, com um bastante elevado campanário, onde sobressai o avermelhado da porta e do telhado. Como no termo desta localidade apareceram alguns objectos pré históricos, leva a inferir que teria sido povoado durante a civilização castreja 121.

Tronco, é uma aldeia com a área de 8,18 km2, 324 habitantes e 370 eleitores, e que só por si constitui freguesia. É Presidente da Junta de Freguesia Manuel António Capela Pinheiro. O Padre Domingos Barrias é o pároco da Freguesia, anexa à de Lebução. O povoado está situado já na vertente do Tua, no pendor da encosta entre carvalheiras e abundantes soutos. É lugar ainda alto donde se avistam larguíssimos horizontes que se perdem de vista nas montanhas de Nogueira, Bornes e Santa Comba. Os terrenos produzem centeio, batata, legumes, hortaliças e castanha que exporta em abundância. A criação de gados, principalmente lanígero e vacum, constitui outra das suas principais fontes de riqueza. O seu topónimo deriva da palavra Tronco, lugar de suplício dos condenados; talvez pelo cárcere ou prisão que aí existia destinado aos condenados da região de Monforte de Rio Livre. Na Igreja Matriz de raízes românicas destaca se o campanário. Tem por orago o apóstolo Santiago. A sua envolvente é banhada pelo ribeiro da Pulga, numa das margens do qual foi encontrado um lagar cavado na rocha. Nos arredores da aldeia apareceu uma ara romana dedicada a Júpiter e uma lápide funerária dedicada aos deuses Manes; foram ambas depositadas no Museu Soares dos Reis no Porto ‘z’. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 9 alunos e o Ensino Básico Mediatizado por 5. Tem, em construção, um Centro Comunitário sob a dependência da Santa Casa da Misericórdia.

Valdanta, freguesia com a área de 9,84 km2, uma população de 1 193 habitantes e 943 eleitores, é formada pelas povoações de Valdanta, Abobeleira, Cando e Granjinha. É Presidente da Junta de Freguesia Ana Maria Chaves Romão Moura. O Padre Augusto de Moura é pároco da Freguesia. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 21 alunos distribuídos por 2 turmas e o Jardim Infantil por 12 crianças. As aldeias da freguesia produzem, abundantemente, batata, centeio e milho, além de variadas hortaliças. Em Valdanta destaca se, pela sua imponência, a igreja paroquial, contendo um belo campanário lateral e uma pedra epigrafada embutida na parede. Como é um aglomerado urbano situado muito perto da cidade, a sua construção foi sendo modernizada, restando reduzido número de edifícios com traçado antigo. Toda a região que ocupa esta freguesia poderá considerar se uma estação pré histórica, tantos são os vestígios dessa época, que foram encontrados. Mas, a maior importância é lhe conferida, sobretudo, pela estação rupestre, situada muito perto do povoado, no local denominado de Outeiro Machado. É um interessante aglomerado de rochas, com inúmeras insculturas, principalmente na maior de todas, onde abundam centenas de petroglifos com os mais variados e estranhos formatos. Entre eles distinguem se os que têm formato em cruz e em ascia, o machado que deu o nome ao Outeiro. É costume da aldeia o canto dos Reis de S. Sebastião, originado numa promessa centenária, colectiva, para que a peste cessasse de dizimar a população. Nasceu nesta aldeia o notável missionário padre José J. Barrigas, vigário geral de Singapura.

Abobeleira é de grande importância para os estudiosos da romanização pois possui uma barragem dessa época que tem sido motivo de investigação de muitos arqueólogos e historiadores, tentando descobrir qual a função principal desse equipamento. Há quem defenda a tese de que serviria para abastecer de água a Aquae Flaviae, isto é a cidade de Chaves do tempo dos romanos: enquanto que outros historiadores consideram que se destinaria àlavagem do ouro proveniente das minas de Outeiro Machado ou Bachocas. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 5 alunos.

Cando por este pequeno povoado passaria uma das grandes vias romanas que de Bracara Augusta seguiria até Asturicam. Como documentos históricos, possui também esta pequena aldeia pedras com insculturas rupestres e um lagar com lagareta, também cavados na rocha. Bonito, bonito é o interior da capela da Senhora da Lapa, do século XVII com um tecto em caixotões ricamente pintados com cenas bíblicas. É nesta aldeia que funciona o Clube Flaviense de Caça e Pesca Desportiva.

Granjinha foi uma vila romana, quando essa civilização dominou esta região. Poderá imaginar se o conjunto arquitectural que nessa época aí existiria se forem analisados os achados que na sua área se encontraram constituídos por aras, mosaicos, capitéis, tijolos, cerâmicas. uma lápide com uma inscrição dedicada aos deuses Lares 12′, estelas funerárias e tantos outros vestígios de romanização que se encontram no Museu da Região Flaviense. A marca da mitologia também aí se encontra figurada pela denominada Fonte da Moura. Possui esta pequena aldeia uma das mais interessantes capelinhas românicas ou mesmo visigótica. O altar da capela assenta sobre uma ara romana dedicada à Tutela do Município dos Aquifarienses.

Vidago, é uma vila e freguesia com área de 8,21 km2, 1 179 habitantes e 1 153 eleitores. É Presidente da Junta de Freguesia Eduardo Júlio Alves Brás. O Padre Joaquim Silveira éPároco da Freguesia. É o agregado populacional mais importante da Ribeira de Oura e do concelho de Chaves. Tem uma posição geográfica privilegiada num vale muito fértil e panorâmico, conhecido sobretudo pelas excelentes propriedades das suas águas mineromedicinais bebidas e conhecidas mundialmente. Conta a voz do povo que já os romanos as conheciam e exploravam analogamente ao que faziam em todos os locais termais. Porém. depois da sua partida e das invasões sucessivas, não mais foram faladas; ficaram como que adormecidas até que no último quartel do século XIX, foram de novo descobertas casualmente por um lavrador que bebia dessa fonte e se sentiu curado dos males do estômago de que sofria. Foram primeiro propriedade da Câmara Municipal de Chaves que depois as vendeu e passaram a pertencer à Empresa de Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas, tendo depois andado de dono em dono, pertencendo actualmente à Sociedade Jerónimo Martins. Quando refloresceram as termas foi construído o Grande Hotel onde o rei D. Luís fez o tratamento de águas nos anos de 1875, 1876 e 1877. Em 1882 foi encontrada nova fonte de água mineral, a fonte de Campilho, que passou a ser explorada a partir de 1897 por Cândido Sotto Mavor quando adquiriu a Quinta onde ela brotava. Foi o desenvolvimento termal de Vidago e Pedras Salgadas do concelho de Vila Pouca de Aguiar que criaram a necessidade da construção da via do Caminho de Ferro. O ramal de Vila Real a Pedras Salgadas foi inaugurado pelo rei D. Carlos em 1907. À estação de Vidago chegou o primeiro combóio em 1910. Com a procura de tratamento pelas águas minero medicinais cada vez maior, a localidade progrediu grandemente, construindo se excelentes equipamentos de alojamento entre os quais se destaca o magnífico Palace Hotel de Vidago que continua, depois de restaurado, com a grandiosidade dos seus tempos áureos. Também foram construídos interessantes edifícios em estilo arte nova na exploração das fontes e para serviços dos utentes. Esses edifícios estão semeados no grande parque, entre as centenárias árvores, bordando o excelente campo de golfe. Em Vidago foi fundada em 1913, a primeira Escola Agrícola Profissional de todo o Trás os Montes graças à benemerência de Bonifácio Alves Teixeira. Vidago era terra de fidalguia e possui alguns solares e interessantes casas solarengas que se debruçam sobre o velho Largo do Olmo ou suas cercanias. Entre todos destaca se o Solar dos Machados com a sua pedra de armas ainda muito bem conservada e que se situa na rua General Sousa Machado.
Elevando se sobre o casario, divisa se um excelente miradouro situado no alto do Coto onde se localiza também uma capelinha e uma torre. Outra capelinha é a de S. Simão construída em 1800 no interior do aglomerado habitacional. Posteriormente, em 1941 foi inaugurada a nova e imponente Igreja neo românica, construída com as dádivas dos paroquianos e a comparticipação de D. Maria do Carmo Fragoso Carmona, esposa do então Presidente da República, Marechal óscar Carmona. Possui a vila uma Instituição Bancária, Farmácia, Posto de Correio e uma Associação de Bombeiros, entre outras estruturas. Para assistência social à terceira idade e educação pré escolar, funciona nesta vila o Lar da Senhora da Conceição, valência da Santa Casa de Misericórdia de Chaves e Boticas. Para promoção cultural e recreativa dos residentes foram fundados o Clube da Caça e Pesca, o Clube de Golfe e uma Casa da Cultura. A escola do primeiro ciclo do ensino básico éfrequentada por 58 alunos, a escola EB2,3 por 264 e o Jardim Infantil por 33 crianças.

Vila Verde da Raia, aldeia com a área de 9,54 km2, 859 habitantes e 780 eleitores, constitui ela própria uma freguesia. É Presidente da Junta João Chaves Branco. Pertence, eclesiasticamente, à paróquia de Santo Estêvão. Situa se muito perto da fronteira na estrada nacional que liga Chaves a Espanha. Em virtude dessa excelente localização evoluiu consideravelmente na área do comércio, o que se reflecte na existência de um conjunto de casas modernas com apresentação e qualidade. Como a sua altitude ronda os 400 metros e como os seus campos se situam na veiga que de Chaves se estende até Verin, sendo atravessada pelo ribeiro de Arcossó, afluente do Tâmega. é muito fértil, produzindo tudo o que é próprio da região do Alto Tâmega. Bem perto desta aldeia foi construído, no rio Tâmega, o Açude de Irrigação Agrícola que se tornou um lugar de lazer, frondoso e muito aprazível. Existem também nos arredores algumas pequenas indústrias de móveis e de tratamento de granitos e mármores para utilização na construção civil. Esta aldeia possui vestígios de ter sido povoamento antigo, como seja uma pedra com uma inscultura de bucrâneo, elemento associado à cultura egípcia do culto ao deus Serapis, entre outros achados da mesma época. Possui casas senhoriais rurais e a Igreja paroquial cuja padroeira é a Senhora das Neves, imagem de roca, e a servir de pia de água benta está uma ara romana. A capelinha do Senhor dos Aflitos, no termo desta aldeia ficou na história porque foi no seu sino que os couceiristas tocaram a rebate no dia 8 de Julho de 1912, no combate travado entre monárquicos e republicanos. Tem um belo chafariz construído em 1894 e um artístico cruzeiro dedicado ao Senhor dos Milagres. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 28 alunos distribuídos por 2 turmas e o Jardim Infantil por 13 crianças. A população mostra grande interesse pelas actividades desportivas e culturais e, para as satisfazer, possui o Centro de Cultura e Desporto e a Associação Desportiva e Cultural que se dedicam essencialmente a promover o futebol, e ainda a Banda Musical de Vila Verde da Raia, de muita fama e popularidade”‘. Nasceu nesta aldeia Manuel Branco Teixeira, Engenheiro Técnico Agrário que desempenhou durante vários anos o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Chaves.

Vilar de Nantes, freguesia com a área de 7,33 km2, uma população de 2 096 habitantes e 1 309 eleitores, é constituída pelas povoações de Vilar de Nantes, Nantes e Vale da Zirma. É Presidente da Junta Belmiro Alves. O Padre Heitor Bartolomeu Morais é pároco da Freguesia. Toda esta região está situada no sopé da serra do Brunheiro, é uma região fértil, sendo de grande importância agrícola, dado que produz na generalidade todo o tipo de culturas da região. A aldeia é muito conhecida pelo fabrico artesanal de púcaros de barro. Esta indústria provém da tradição romana”‘ que nesta região é marcante. Os terrenos fornecem a matéria prima em abundância, o barro, para que os oleiros, ainda existentes, fabriquem interessantes objectos. Tempos houve em que no Bairro de Cima, cada casa era uma olaria. Outra actividade artesanal que aqui ainda persiste é a cestaria em vime, confeccionada com fitas de castanheiro ou salgueiro. Possui a aldeia, algumas casas de granito que mostram a importância de outros tempos; uma delas, bem modesta e arruinada, éconsiderada por historiadores de grande nome, como tendo pertencido aos avós de Camões’1s. A freguesia tem por orago S. Salvador. Retrata a sua Igreja Matriz a antiguidade que a caracteriza dado que pertenceu ao Padroado da Casa de Bragança. Pode observar se ainda a capelinha do século XVII, da devoção ao Divino Espírito Santo, cuja representação está patente numa interessante pintura mural polícroma, abrigada pela elegante galilé. A meio da encosta da serra do Brunheiro ergue se, isolada, a capela da Senhora da Bandeira”6. No primeiro domingo de Junho realiza se urna festa anual ao Senhor da Esperança. Tem uma escola inaugurada em Outubro de 1935, cuja construção foi custeada pelo benemérito José Gomes, emigrante no Brasil, onde funciona o primeiro ciclo do ensino básico com 25 alunos distribuídos por 2 turmas. Outra escola do mesmo nível de ensino é frequentada por 6 alunos também distribuídos por 2 turmas e o Jardim Infantil por 12 crianças. Como equipamentos de assistência social foi fundado o Patronato de S. José, obra de assistência social para jovens e também o moderno Lar de Santa Isabel para apoio à terceira idade, valência da Santa Casa da Misericórdia de Chaves e Boticas. Também possui uma instituição cultural que se designa Associação Cultural Desportiva de Solidariedade Social e Melhoramentos do Bairro Traslar.

Nantes, situada nas faldas da Serra do Brunheiro possui duas belas casas senhoriais rurais, uma muito bem restaurada outra em franca desagregação; dela pouco mais existe que as suas bem trabalhadas paredes. Nos anos 1667 e 1668 foi erigido, nesta aldeia pelas qualidades saudáveis do seu clima, o Hospício de Convalescença dos frades do Convento de S. Francisco de Chaves, com uma capela consagrada à Senhora do Socorro, um artístico fontanário enquadrado entre belos ornatos e uma fonte de mergulho, muito interessante também. A capelinha da aldeia é da devoção a Santa Ana que se festeja, cada ano, no último domingo de Julho. Esta capela, recentemente restaurada, já havia sofrido outro restauro em 1884, sob a orientação de D. António de Medeiros, ilustre prelado que nasceu em Vilar de Nantes. As actividades culturais são realizadas através da Associação Cultural Recreativa e Desportiva da Juventude de Nantes.
<nome>Vale da Zirma, é um lugar cuja tradição ostenta que teria sido um povoado lusoromano. Hoje é um muito pequeno lugar onde só se destaca uma bela casa solarenga, que o tempo vai degradando.

Vilarelho da Raia, freguesia com a área de 15,65 km2, 633 habitantes e 796 eleitores, é constituída pelas povoações de Vilarelho da Raia, Cambedo, Vila Meã e Vilarinho da Raia. É Presidente da Junta de Freguesia, Manuel Sanches dos Santos. O Padre Valdemar Pereira Correia é pároco da Freguesia e também desempenha a função de professor de Educação Moral e Religiosa Católica da Escola Nadir Afonso. As espécies vegetais predominantes são: pinheiro, carvalho, cereais e vinha. A aldeia é povoada desde a romanização como o seu topónimo sugere, existindo nos arredores numerosos vestígios dessa cultura destacando se entre eles uma sepultura, uma ara dedicada a Aipiter Optimo e cerâmica muito variada. Esta povoação raiana como as suas anexas desempenhou um papel muito importante na defesa da região e do país sempre que foi invadida. Esta povoação foi muito sacrificada durante a Guerra da Restauração, saqueada, assaltada e incendiada. mas sempre lutadora e fiel à bandeira portuguesa. No centro da aldeia ergue se a Igreja paroquial, reconstruída em 1698 depois de um incêndio, como consequência das lutas na Guerra da Restauração. Tem por patrono Santiago e. perto dela. eleva se um artístico cruzeiro, também de linhas barrocas. Depois também grave. foi a segunda Invasão Francesa, comandada por Soult, que conseguiu entrar exactamente por aqui. O seu aglomerado habitacional mostra bem os longos anos de tradicionalismo rural no tipo de construção das suas habitações com varandas expostas ao sol e pátios com entradas carrais para alojamento e protecção de todas as alfaias agrícolas. No povoado existem ainda a capela do Senhor das Almas que é muito simples com a sua galilé igualmente simples e a capela da Senhora das Neves que foi edificada em 1711 e depois, deslocada em 1990, para dar lugar à construção de um parque infantil e um campo de ténis. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 8 alunos; o Ensino Básico Mediatizado é frequentado por 7 alunos e o Jardim de Infância por 8 crianças. A Santa Casa da Misericórdia de Chaves e Boticas instalou aí um Centro Comunitário de assistência social. Esta aldeia tem evidenciado sempre grande interesse em actividades histórico culturais possuindo um belo equipamento com importante Museu e sede do Centro Social Cultural e Desportivo. Como zona de fronteira possuía um Posto da Guarda Fiscal, depois transformado num acolhedor Jardim de Infância, quando as fronteiras se abriram aos outros países europeus. Nos arredores da aldeia, na Fonte da Facha, brotam umas águas minero medicinais de grande valor terapêutico. Foram objecto de estudo científico e motivo de empenho na sua exploração para desenvolvimento da região onde se situam. Contudo, por motivos vários de ordem económicofinanceira, continuam desaproveitadas.
Cambedo, significa “casa celta no alto do atonte”, pequeno povoado com algumas casas agrícolas, em granito, em estado de degradação. Aldeia radicada na cultura castreja, situase nas faldas da serra, no alto da qual resiste o maior e mais importante castro da região, o mítico Castro Vamba, do mesmo nome da serra em que se situa. Até 1864, a aldeia era atravessada pela linha de fronteira que dividia o casario em duas partes, uma que pertencia ao território português, outra que era espanhola. A unificação da aldeia e a sua total integração em Portugal ocorreu com o tratado de rectificação de fronteiras. A aldeia ficou tristemente célebre, pelos acontecimentos ocorridos em 1946, no rescaldo da Guerra Civil de Espanha. Alguns opositores ao regime, perseguidos, refugiaram se nesta aldeia onde foram encontrados e sitiados pelas tropas portuguesas que, depois de um grande tiroteio, foram obrigados a render se. os que estavam ainda vivos. Tem uma capelinha da invocação de São Gonçalo de Amarante, situada exactamente onde anteriormente existia o marco divisório da aldeia. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 2 alunos. Produz pimentos de grande fama na região.

Vila Meã, também esta aldeia tem por topónimo um termo que encontra as raízes primárias no termo villa, possível sinónimo de casa de campo da civilização romana. Vila Meã foi um curato no princípio do século XVIII e paróquia, possuindo ainda como memória a casa que teria servido de residência paroquial. É uma casa senhorial, sem pedra de armas, mas com um belo relógio de sol. também em granito. A Igreja restaurada, que foi matriz, é da devoção a Santa Comba de Bande. A concha. escultura granítica, que a ornamenta sugere que este seria ponto de passagem dos peregrinos de Santiago de Compostela.

Vilarinho da Raia, pequeno povoado muito desertificado que confina com a Galiza, onde os residentes possuem terrenos para lá da linha de fronteira. Desta aldeia divisa se a altaneira serra da Cota de Mairos. De relevante tem uma Igreja da devoção a S. Pedro. Era uma capela que a população restaurou e aumentou. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 2 alunos.

Vilarinho das Paranheiras, aldeia que só por si constitui freguesia, tem a área de 3,80 km2, 219 habitantes e 233 eleitores. É Presidente da Junta de Freguesia Augusto Jaime Martins Cruz. O Padre Domingos Gonçalves Guerra é pároco da Freguesia, anexa à de Anelhe. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 11 alunos. Das freguesias do concelho é a que produz mais vinho e de excelente qualidade. Tem uma interessante Igreja barroca de devoção a S. Francisco, onde se destaca entre todas as imagens a de Santa Senhorinha, rara e interessante porque o seu nome está ligado às lendas da Ponte da Misarela situada no concelho de Montalegre. Possuía interessantes casas graníticas que se encontram em degradação ostentando uma ou outra frontões ou janelas artísticas. A localidade viveu de forma muito intensa, os difíceis momentos das Invasões Francesas, pois foi por estas terras que os guardas avançados dos soldados invasores atravessaram para a margem direita do rio Tâmega, com a finalidade de se reunirem ao grosso do exército napoleónico que se encontrava nos arredores das Alturas de Barroso. Nesta aldeia de Vilarinho das Paranheiras nasceu o frade franciscano Afonso Domingues Diegues, escritor e grande orador, que missionou e evangelizou as populações do México. Outro ilustre transmontano, o Padre João Vaz de Amorim deixou o seu nome ligado a esta freguesia onde nasceu. A sua residência, muito arruinada, ostenta no portal da entrada, uma lápide evocativa da grandeza deste homem'”, sendo, entre tantos outros trabalhos, autor das notas monográficas publicadas no Almanaque de Chaves de 1950 que vem sido citado como obra de consulta na elaboração deste trabalho. Fora da aldeia ainda sobrevive, com muita dificuldade, a linda e abandonada Estação do Caminho de Ferro.

Vilas Boas, freguesia com uma área de 6,97 km2, 215 habitantes e 233 eleitores, éconstituída pelas povoações de Vilas Boas e Pereira de Selão. É Presidente da Junta de Freguesia Augusto Clemente Rodrigues. O Padre Joaquim Silveira é pároco da Freguesia. anexa à de Vidago. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 6 alunos. Está situada na margem direita da ribeira de Avelãs, afluente do Tâmega. Constam entre as produções mais relevantes: batata, centeio e cereais. O povoamento do monte de Santa Bárbara, pertencente à freguesia, segundo Argote, será no mínimo, do tempo do domínio romano, constatado pelas construções existentes e pelas muitas moedas romanas encontradas. Foi, na primeira década do século XX, a povoação do concelho de Chaves com o menor grau de analfabetismo e, consequentemente, dela partiram vários indivíduos que se notabilizaram em diversas áreas, sobretudo como oficiais do exército 141. As casas apresentam uma traça reveladora da importância desta aldeia relativamente a outras que lhe são próximas. Hoje, ainda apresentam um aspecto conservado, evidenciando quase tão somente a patine do tempo que lhes atribui maior beleza. Entre o casario situa se uma interessante fonte de mergulho conhecida pela Fonte de Chousas que, durante longos anos, matou a sede à população. A igreja de estilo barroco muito simples, construída em 1790, tem por orago São Gonçalo. No mês de Maio, a aldeia festeja anualmente a Santa Bárbara.

Pereira de Selão, é um topónimo derivado de Sillus, um nome pessoal de origem germânica e daí teria surgido villa Sillani. Esta aldeia mostra nas suas casas senhoriais, a imponência que outrora a caracterizou; apresentam ainda traços estilísticos e ornatos que merecem admiração. Diz a tradição que num local perto duma das casas da aldeia estiveram acampadas, em 1809, as tropas do Marechal Soult e que aí mataram e comeram uma junta de bois. Para roubarem os animais fizeram tochas de pano embebidas em azeite que, acesas, lhes iluminaram o caminho e lhes ajudaram a atingir o objectivo. As suas três fontes de mergulho que marcam usos e costumes de ainda poucos anos atrás, evidenciam a abundância de nascentes de água, nessa localidade. No Largo de S. Martinho está situada a capela da Senhora das Neves, com a sua torre sineira galaico transmontana. Perto do termo da aldeia pode observar se uma interessante estação de arte rupestre, ligada ao culto da fecundidade, no lugar designado por Bubane. junto do ribeiro do mesmo nome”‘. Pereira de Selão é terra natal do célebre capitão Ruivo, brioso militar da famosa Legião Portuguesa, que combateu em Wagran e Moscovo. Foi um dos amigos do inditoso general Gomes Freire de Andrade’16. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 5 alunos.

Vilela Seca, aldeia e freguesia com a área de 13.29 km2, tem uma população de 322 habitantes e 423 eleitores. É Presidente da Junta de Freguesia Jaime Alcântara Martins. O Padre João Martins Calheno é pároco da Freguesia. anexa à de Bustelo. Tem como produções mais notórias o centeio e a batata. Vilela é um topónimo que significa vila pequena, cuja origem remonta à romanização. O povo atribui lhe a designação de Seca, pela escassez de água. A par de habitações muito rudimentares, a aldeia evidencia um outro conjunto de casas aristocráticas. Algumas delas situadas dentro de quintas com belas espécies florais. Na entrada do cemitério ergue se um artístico cruzeiro barroco datado de 1779, cuja cruz mostra numa face Cristo Crucificado e na outra a Senhora da Piedade. Diz se que o escultor foi o mesmo que esculpiu o bonito cruzeiro de Tamaguelos, aldeia espanhola vizinha. Possui uma Igreja antiga de devoção à Senhora da Assunção, encravada entre o casario e uma outra moderna de linhas clássicas com um imponente campanário. Era desta localidade o major Luís Borges Júnior, pai do ilustre historiador José Guilherme Calvão Borges”s. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 4 alunos. Possui também uma instituição cultural denominada Associação Recreativa e Cultural de Vilela Seca.

Vilela do Tâmega, freguesia com a área de 8,57 km2, 448 habitantes e 439 eleitores, constituída pelas povoações de Vilela do Tâmega, Moure e Redial. É Presidente da Junta de Freguesia Octávio Gomes Lage. O Padre Ladislau José de Sousa e Silva é pároco da Freguesia, anexa à de S. Pedro de Agostém. Região muito fértil, produzindo abundantemente vinho, batata, frutas, milho e centeio. Existiu, nesta localidade, uma grande quantidade de moinhos, na margem esquerda do Tâmega, que moíam não só os cereais que aí eram colhidos, i nas também grande parte da produção de várias aldeias limítrofes. Porém, com a modernização, as intempéries e a construção da barragem da Peneda, muitos foram submersos e outros degradados, sendo poucos os que persistem activos, moendo ritmicamente como era seu antigo costume. O aglomerado habitacional, povoado de casas graníticas, situa se na encosta de uma colina da serra de Santa Bárbara. No alto eleva se elegantemente a igreja paroquial, da devoção à Senhora da Conceição, em estilo barroco, com dupla torre sineira galaico transmontana. Possui também no interior da aldeia uma capelinha da invocação da Senhora das Dores. Esta povoação também foi bem martirizada por ocasião das Invasões Francesas, em 1809, e das lutas civis em 1823, dada a sua proximidade à Serra de Santa Bárbara, local onde se travaram algumas importantes batalhas. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentado por 10 alunos e o Jardim Infantil por 13 crianças. Para ocupação de tempos livres e promoção da cultura dos habitantes, estes fundaram um Clube Cultural e Recreativo e um Grupo de Música Tradicional.

Moure, aldeia com reduzido número de habitações onde o mato, as giestas e outras vegetações oportunistas vão invadindo o que resta dos edifícios abandonados e também, da igualmente abandonada e bela Estação do Caminho de Ferro. Esta estação durante dez anos, de 1911 a 1921, foi a estação mais próxima de Chaves. Nesta desertificada aldeia existem as ruínas do Solar da Família Barreto, no lugar da Relva e também vestígios de sepulturas antropomórficas. O rio Tâmega irriga o seu território e nele foi construída a Barragem da Peneda, em 1904, para produção da energia eléctrica necessária a Chaves.

Redial, pequena aldeia que integraria os Caminhos de Santiago, com um passado bastante obscuro, adquiriu o topónimo provavelmente derivado de Rodes ou Rodeal. Entre o degradado casario sobressai, também em ruínas, o solar dos herdeiros de Agostinho Pizarro, com o seu belo brasão e relógio de sol. A capelinha barroca tem como característica mais destacada a singela torre sineira. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 2 alunos. Nasceu nesta aldeia o ilustre transmontano Doutor Eduardo José Coelho.
Maria Isabel Viçoso Licenciada em Ciências Matemáticas, Professora do Ensino Secundário

In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães – Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt

Preço: 30 euros

(C) 2005 Notícias do Douro

Artigos Relacionados

Veja Também
Fechar
Botão Voltar ao Topo

Adblock Detectado

Por favor desative o Ad Blocker neste site