🎖️ Ilustres

VELOSO, Agostinho Pinto

Escritor, ensaísta, jesuíta português (n. Favaios, Alijó, 20 de novembro de 1894 – m. Lisboa, 22 de fevereiro de 1970). A sua presença ativa na vida cultural portuguesa deu-se sobretudo nos últimos 30 anos da sua existência e estendeu-se a múltiplas perspectivas, sendo, no entanto, de particular relevância a sua atuação no campo filosófico. De empregado do comércio, passou para o seminário do Porto em 1914, sendo ordenado sacerdote em 1922. Dedicou-se depois à vida paroquial, começando nessa altura a sua atividade literária em traduções e adaptações de obras formativas, além de se envolver no jornalismo.
Em 1937, entrou na Companhia de Jesus, dedicando em seguida seis anos à formação ascética e frequentando o Instituto de Filosofia Beato Miguel de Carvalho, em Braga, onde renovou seus estudos filosóficos. Em 1943, passou a fazer parte do corpo redatorial da revista Brotéria, onde se manteve até à sua morte. Nessa revista, publicou cerca de 200 artigos e ensaios, abordando principalmente apologética, crítica literária, artística e filosófica, com um estilo vivo e camiliano, cheio de interesse.
No seu livro Os Problemas do Pensamento à Luz do Pensamento de Deus (1955), o autor comunica aos outros a sua experiência e saber para a solução dos problemas humanos. No entanto, a sua obra mais importante é Nas Encruzilhadas do Pensamento, em forma de diálogo, originalmente concebida para dois volumes: I. Sob o Signo de Descartes (1956) e II. Sob o Signo de Husserl (1956). Nesses volumes, o autor discute os problemas gerados pelas influências de Descartes e Husserl no pensamento contemporâneo. Como solução pessoal a esses problemas, resolveu juntar um terceiro volume: III. Sob o Signo de S. Tomás (1957), onde Agostinho Veloso apela para a filosofia escolástica e, principalmente, para São Tomás. Ele afirma: “A obra de S. Tomás é imensa e nem todos se atrevem a ela. Pelo contrário, este volume é pequeno.”
O Homem em Face da Dor (1961) analisa as perspectivas e consequências do problema do mal na linha cristã de Santo Agostinho.
Finalmente, nos livros O Comunismo Visto por Dentro – A Negação Comunista (1963) e O Comunismo Visto por Dentro – A Afirmação Cristã (1963), o autor escreve: “Na primeira parte, procurei expor, ao alcance de todos, a origem, a estrutura e as contradições internas do mito marxista… Na segunda parte, exporei os fundamentos da esperança cristã” (p. 16).
A sua obra é notável principalmente pelo seu aspecto filosófico, mas quem deseja ampliar o estudo das suas posições deve também considerar outros aspectos da sua atividade, pois em todos eles está presente a sua faceta de apologeta.

Assinatura: L. Craveiro da Silva
Fonte: Logos. Enciclopédia Luso Brasileira de Filosofia, 5.º volume

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Veja Também
Fechar
Botão Voltar ao Topo

Adblock Detectado

Por favor desative o Ad Blocker neste site