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AFONSO, Manuel João Antunes

Nasceu na vila de Sendim, concelho de Miranda do Douro, a 22/02/1922. Aos cinco anos começou a guardar as vacas e os vitelos, porque os pais e um criado tinham que trabalhar. Aos onze anos, entrou, por especial favor, num curso noturno de 3ª Classe para adultos. No ano seguinte, ao frequentar a 4ª Classe de dia, foi aluno e professor ao mesmo tempo, coadjuvando o seu professor Dino Cruz. Em seguida, fez exame de admissão no Seminário de Bragança e entrou para o mesmo.
Em 1947, foi ordenado sacerdote e ficou ligado ao ensino do Português, Literatura, Grego e História da Igreja em Portugal no Seminário de Bragança. Decorridos três anos, depois de desempenhar as funções de pároco por um ano em Miranda do Douro, assumiu o cargo de Diretor do Colégio de S. João de Brito de Bragança. Em 1951, desempenhou nova tarefa paroquial, desta vez em Poiares de Freixo de Espada à Cinta, onde, deparando-se com uma Igreja a desmoronar-se, conseguiu, não se poupando a esforços, edificar uma nova.
Falhadas as promessas que obteve do Estado, viu-se obrigado, para angariar os fundos necessários, a emigrar durante ano e meio para a Califórnia. Regressado da Califórnia, D. Abílio Vaz das Neves, Bispo de Bragança, nomeou-o Pároco de Torre de Moncorvo, onde construiu uma obra fundamental, o “Centro Paroquial”. Concluído este, acordou com o Bispo D. Manuel de Jesus Pereira para o dispensar a fim de continuar os seus estudos universitários.
Frequentou, então, a Faculdade de Filosofia de Braga e fez 12 cadeiras no primeiro ano. De Braga seguiu para Lisboa, onde completou a Filosofia e a Psicologia, matriculando-se depois na Faculdade de Direito (Clássica). Feitos os respetivos estágios nessas Faculdades, passou a ensinar Filosofia durante o dia e a frequentar as aulas de Direito à noite. Terminado o estágio de Advocacia, passou a dar as aulas de Filosofia à noite no Liceu de Camões como professor efetivo.
Mas se como professor foi excelente, como advogado tem sido filântropo, pegando em causas de pessoas sem recursos. Altruísta e amigo da terra natal, ofereceu a sua casa na vila de Sendim à Junta de Freguesia para “Casa da Cultura” (nela funciona hoje o Centro de Música Tradicional “Sons da Terra”) e os vitrais que a Igreja possui e muito a enriquecem: 3 grandes na Capela Mor (Bom Pastor, S. Pedro e S. Paulo) e 6 no corpo do templo (Nossa Senhora e S. José e os 4 Evangelistas: S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João).”

Domingos Raposo

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