AGUIAR, Gaspar Pinto de Magalhães
Nasceu na Casa da Sobreira, na freguesia de Toutosa, em Marco de Canaveses, a 16 de Outubro de 1831, filho de António Pinto Ribeiro de Magalhães Aguiar, senhor da mesma Casa, e de sua mulher, D. Delfina Emília Teixeira de Barros, senhora da Casa de Folforinho, na freguesia de Castelões de Recezinhos, junto a Penafiel. Se bem que os tempos fossem bem conturbados, o certo é que, geograficamente, a casa paterna encontrava-se longe dos campos de luta e contenda, pelo que a infância deste titular deve ter sido calma e sossegada. O poder económico dos pais era grande, proprietários de terras vastas e férteis e também nada lhes faltou, às privações que muito atravessaram nesses tempos.
Gaspar Aguiar formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e, regressando à sua terra natal, foi administrador de Marco de Canaveses, onde era grande proprietário, como já disse. Casou em Penafiel, em 1868, com D. Benilde Augusta de Vasconcellos Brandão e Mello, senhora da Casa de Quinta, em São Lourenço do Douro (Marco de Canaveses), filha herdeira de Alexandre de Vasconcellos Brandão e Mello e de sua mulher, D. Guiomar Cândida de Magalhães Monteiro Brandão e Mello. Foi agraciado primeiramente com a comenda de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, por Decreto assinado pelo Rei D. Luís I, a 23 de Novembro de 1886, e este concede-lhe o título de Visconde da Sobreira.
O Visconde teve apenas três filhas, das quais a primogénita foi D. Maria Cândida Pinto Brandão de Aguiar (1870-1940), que herdou a Casa da Sobreira, onde encontrará a morte, solteira e sem geração. A representação da Casa caiu assim em sua irmã, D. Maria Emília Pinto Brandão de Aguiar (1875-1953), filha segunda dos 1.os Viscondes. Casou com Adriano Soares Nunes de Moura, bacharel em Direito, senhor da Casa da Igreja em Paredes de Viadores, no concelho de Marco de Canaveses, onde foi presidente da Câmara Municipal, e tiveram geração. Destes foi herdeira da Casa e da representação do título, depois da morte de um irmão ainda, em vida de sua mãe, D. Maria da Assunção Brandão Aguiar Nunes de Moura, que casou, a 4 de Junho de 1923, com seu primo José Luís Travassos Valdez de Moura Borges, que nasceu em 21 de Junho de 1893 e morreu em Leça da Palmeira a 1 de Janeiro de 1956, habilitado com o antigo Curso Superior do Comércio, gerente da filial do banco Borges & Irmão em Matosinhos e distinto genealogista. Deste último foi herdeiro da Casa da Sobreira, e presuntivo herdeiro do título de Visconde da Sobreira.
António de Moura Borges, que nasceu em Lisboa a 9 de Outubro de 1925. As armas que este titular usava e transmitiu aos seus descendentes são um escudo esquartelado (dividido em quatro), tendo no 1° e 4° quartéis as armas dos Pinto (de prata, com cinco crescentes ou meias luas de vermelho, postas em sautor) e no 2° e 3° quartéis as armas dos Aguiar (de ouro, com uma águia estendida de vermelho, bicada e sancada de negro), tudo sobrepujado com uma coroa de Visconde.”
Eduardo Proença Mamede