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ARRIBAS, Ângelo

Nasceu a 15 de Maio de 1936, em Freixiosa, freguesia de Vila Chã da Braciosa, Concelho de Miranda do Douro. Passou a infância a guardar cabras. Aos sete anos fez a primeira gaita com a pele de um rato e palhas de centeio. Aos 12 anos tocou pela primeira vez, num paga vinho, flauta e tamboril. Por essa altura, fez uma ponteira de pau de figueira, onde se experimentou na arte de gaiteiro. Talhado para a música, aproveitava o tempo tocando em latas que encontrava, o que o exercitou para tocar também a caixa (de guerra). Aos 15 anos fez a 3ª classe num Curso de Adultos e aos 20 fez a 4ª na tropa.
Dos 16 aos 20 anos, trabalhou em empreitadas nas barragens de Miranda e Bemposta e acompanhou já o Grupo de Pauliteiros de Duas Igrejas do Padre Mourinho, onde tocava caixa e flauta. Depois de cumprir o serviço militar, volta a trabalhar nas barragens mas desta feita como servente de mesa e na cozinha. A partir de 1974, durante 27 anos, trabalha como despenseiro na Pousada da EDP de Picote.
Em 1985, dedica-se a tocar gaita de foles, o que lhe tem permitido tocar com o seu Grupo “L Son de Ias Arribas”, respondendo a solicitações variadas, e actuar com alguns Grupos de Pauliteiros em festivais e acontecimentos importantes (casamento do Duque de Bragança, inauguração do Centro Cultural de Belém,…) e conhecer muitas terras como já aconteceu em Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Arábia Saudita, Tailândia, Macau, etc.
É autor de um CD com músicas tradicionais de gaita e flauta pastoril, monitor e construtor de instrumentos tradicionais mirandeses (gaitas de fole, flautas, caixas, bombos, tamboris, adufes, castanholas). Como monitor, leccionou já 4 Cursos de Gaita de Foles: 1 no Sul de França para músicos portugueses e franceses; 1 na Associação Cultural de Palaçoulo em 1999-2000; 1 na Associação Cultural de Cércio em 2000-2001 e 1 no Centro de Música Tradicional “Sons da Terra” de Sendim em 2002. Como construtor, tem participado em muitas feiras de artesanato e notado procura pelas suas peças.
Hoje sente-se cheio de orgulho, não só por ter ensinado vários jovens a tocar a gaita de foles mas também, e principalmente, por ter transmitido esse gosto aos netos, Dinis de 12 anos e Ana de 20, que já dedilham o instrumento com classe.

Domingos Raposo

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