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CARDONA, Manuel Ribeiro

Nasceu em 9 de Maio de 1899, em Paredes, Cever, Santa Marta de Penaguião, filho de Augusto Ribeiro Cardona e Maria Emília Bonito. Estudou em Vila Real, no Colégio de Nossa Senhora do Rosário, de Monsenhor Jerónimo Amaral, e no Liceu Camilo Castelo Branco, após o que se transferiu para o Porto, onde se licenciou em Matemáticas. Terminado o curso, iniciou uma longa e profícua carreira pedagógica, que o fez passar sucessivamente pelos liceus de Gil Vicente, em Lisboa, Alexandre Herculano, no Porto, Emídio Garcia, em Bragança, e finalmente, a partir do ano letivo de 1926-27 e até à sua aposentação em 1957, Camilo Castelo Branco, em Vila Real. (De notar que a sua paixão pelo ensino e o seu gosto pela convivência com os jovens eram tais que, mesmo depois de aposentado, continuou a lecionar, agora no Colégio Moderno de São José, ainda durante seis anos).
Casou em 21 de Setembro de 1927 com Dona Maria Luísa Boura Rebelo, de Sanfins, Alijó, de quem teve dois filhos: Joaquim Augusto e Manuel, o primeiro médico nos EUA, o segundo advogado em Vila Real. Paralelamente com a atividade de professor, o Dr. Manuel Cardona dedicou-se ao jornalismo e à literatura, inclinações que se manifestaram precocemente, já que, ainda estudante, foi diretor do Jornal “A Nortada”, órgão da Federação Acadêmica do Porto. Em Bragança, onde exerceu o magistério durante três anos (1923-26), relacionou-se com o círculo de intelectuais que rodeava o erudito Abade de Baçal e escreveu para a imprensa local.
Já em Vila Real, foi um dos colaboradores mais regulares de “O Povo do Norte”, dirigido por Adelino Samardã, para o qual assegurava colaboração, pelo menos desde os seus tempos do Porto e Bragança. Neste jornal, podia dar expansão às suas ideias republicanas, que professou durante toda a vida, mesmo em condições políticas adversas, numa época em que, nas palavras de Nuno Botelho, era “perigoso” o “exercício da cidadania” (O Comércio do Porto, 28.70.1989). Colaborou também em “A Centelha”, em “Aqui Vila Real” e em diversas outras publicações.
Outra das suas paixões foi a poesia. Em 1923 publicou na Livraria Nacional e Estrangeira – Editora, do Porto, um livro intitulado “Cantares da Serra”, constituído por duas partes bem distintas: lírica amorosa (por vezes assumidamente sensual) e lírica bucólica, com alguns laivos de poesia social. Foi o único livro que publicou em vida, mas os seus filhos empreenderam em 1984 a edição de um livro póstumo, “Cartilha do Meu Menino” (quadras de edificação moral escritas entre 1948 e 1950, dedicadas a seu filho Manuel), que foi apresentado ao público em 10 de Novembro de 1984, numa sessão adequadamente realizada no Liceu Camilo Castelo Branco, em que usaram da palavra A.M. Pires Cabral, Eurico Figueiredo e Elísio Amaral Neves.
Para além disso, o Dr. Manuel Cardona era constantemente solicitado a escrever versos e outros textos para sessões culturais, atos sociais, comemorações de efemérides, intercâmbios com outras cidades, etc. No espólio que deixou, existem numerosos textos inéditos (sobretudo poemas e também, pelo menos, uma peça de teatro), que bem merecem publicação.
Grande pedagogo, faleceu em 25 de Agosto de 1980, em Paranhos, Porto. Está sepultado no Cemitério de Santa Iria, em Vila Real. Em 26 de Novembro de 1984, a Câmara Municipal de Vila Real, sobre proposta do então Vereador e atual Presidente, Dr. Manuel Martins, seu antigo aluno, deliberou atribuir o seu nome a uma rua da cidade — justamente uma rua que ele percorria frequentemente nos seus passeios a pé, quando ia visitar o Dr. Celestino de Azevedo, que morava na Quinta da Carreira, para dois dedos de conversa sobre filosofia, poesia e política.

In História ao café, n.º 78, de 17/05/2001

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