DOMINGUES, Francisco dos Reis
Mais conhecido por “Tiu Lérias de Yaradela”. Nascido em 06 de Janeiro de 1909 na Freguesia de Paradela, Concelho de Miranda do Douro, onde cresceu e sempre viveu. Aprendeu a ler e a escrever por vontade própria sem nunca ter frequentado a escola. Tinha por hábito a leitura, um grande poder de memorizar e um enorme sentido de humor. Foi Presidente da Junta de Freguesia de Paradela durante 20 anos. Poeta popular e divulgador da cultura mirandesa. Foi condecorado por estudar e divulgar a História e Etnografia de Miranda do Douro, em Lisboa nos Paços do Governo da República em audiência especial aos 11 de Março de 1972 pelo Exmo. Senhor Presidente da República, Grão Mestre das Ordens Portuguesas, o qual lhe confere a medalha de ouro da Ordem do Infante D. Henrique (Alvará de 11 de Março de 1972, publicado no Diário da República nº 92, 11ª Série de 19/04/1972, Expedido pela Chancelaria das Ordens Portuguesas, aos 19 de Abril de 1972). Impulsionador e activista do Grupo de Danças e Cantares de Paradela. Traduziu o Novo Testamento para Mirandês. Elaborou o mesmo também em verso. Fez algumas vezes as Honras de Boas Vindas ao Presidente da República em Miranda do Douro, com quem se correspondia regularmente a título particular e de amizade. Fez o discurso de boas-vindas a altas individualidades aquando da homenagem prestada ao Piloto Aviador José Luís Cabreiro, seu sobrinho, seu afilhado, falecido em combate em Moçambique. Participou em alguns discos editados. Montando latas de variadas formas e tamanhos, construiu algumas guitarras, das quais um exemplar está em posse da família, outra que se encontra exposta no Museu da Arte Antiga em Lisboa e sabe-se da existência de mais algumas que foi oferecendo e se encontram na posse de particulares. Dedicava-se também a fazer outros instrumentos musicais (castanholas, flautas pastoris, etc). Foi figurante em alguns filmes realizados em Paradela. De entre estes destaca-se “O Veredas”, para o qual compôs a música de fundo. Recebeu em sua casa centenas, se não milhares de pessoas que diariamente o procuravam para ouvir as suas histórias, lendas e canções que interpretava ao toque da famosa guitarra, mais conhecida por “Guitarro Macho”, como ele próprio a apresentava. Elaborou durante toda a vida os versos que eram cantados nas tradicionais festas em honra dos Santos, casamentos, etc. em Paradela e arredores. Faleceu no dia 6 de Março de 1993, aos 84 anos de idade, deixando para trás uma vida dedicada ao próximo, cheia de alegria e boa disposição, que soube manifestar e com que sempre presenteou todos os que o procuraram.
Domingos Raposo