PEREIRA, Carlos Emídio
Nasceu em Vidago, concelho de Chaves, a 19 de Janeiro de 1917, fez os estudos em Chaves até 1931, ano em que concluiu o Curso de Comércio na Escola Industrial e Comercial Júlio Martins.
Nos anos 1937 e 1938 escreveu dois romances, Sonhos Desfeitos e Máscara Azul, que ainda se mantêm inéditos. Entretanto, em 1927 iniciara a atividade musical na Banda Municipal de Chaves “Os Canários”, banda onde já tocavam o pai e os irmãos António Maria e João Baptista. Entre 1939 e 1979 dirigiu alternadamente as duas bandas da cidade (em 1939 assume a regência da Banda “Os Canários”, onde se mantém até 1948; de 1948 a 1964 dirige a Banda Municipal Flaviense “Os Pardais”; de 1964 a 1976 regressa à Banda “Os Canários”; de 1976 a 1979 regressa à Banda “Os Pardais”, cessando aí a ativa regência de bandas).
A partir de 1940 fundou diversos grupos de música, o “Jazz Flávia”, o “Alegria Jazz”, a “Orquestra Lusitana”, culminando com a formação, em 1960, do quarteto “Calypso”. Em 1943, com textos de Carlos Branco, Tiago Gomes e Hernâni Carvalho, escreveu as músicas para a opereta Sonho de Zíngaro. Em 1944, com textos de José Quintanilha Dias, escreveu música para a opereta Seja o que Deus Quiser. Em 1945, musicou textos de Quintanilha Dias para a opereta No País dos Sonhos.
Em 1946 entrou para a função pública, como funcionário do Liceu Nacional de Chaves, passando em 1948 a exercer funções na Escola Industrial e Comercial de Chaves até 1987, ano da aposentação. Em 1949, com letra do Padre Adolfo Magalhães, escreveu a Marcha do Vidago. Nesse ano de 1949, viu ainda eleita por voto popular a Marcha de Chaves, com letra de Maria Nelson. Em 1974, com poema de Barroso da Fonte, escreveu a Marcha do Desportivo de Chaves. A propósito das comemorações dos XIX Séculos de Chaves, escreveu a marcha para banda XIX Séculos.
A 11 de Junho de 1988, por iniciativa da Rádio Radiante Rádio de Chaves, foi alvo de homenagem pública, data em que recebeu da Câmara Municipal de Chaves a Medalha de Prata do Município. Em 1999, a Câmara Municipal de Chaves deliberou atribuir o nome de “Maestro Carlos Pereira” a um arruamento da cidade. Ao longo dos anos, escreveu dezenas de músicas para grupos corais, orquestras e bandas. Musicou ainda poemas de diversos autores flavienses. Da sua produção musical, estão registados cerca de 80 títulos na Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses.
Após doença, faleceu a 10 de Abril de 1994 em Chaves.