🎖️ Ilustres

JUNQUEIRO, Abílio Manuel de Guerra

Nasceu em Freixo de Espada à Cinta, em 15.9.1850 e morreu em Lisboa, em 7.7.1923. Depois de fazer os estudos preparatórios no Porto, matriculou se, aí, em Teologia, porque sentira uma certa tendência para a vida eclesiástica. Acabou por obter o bacharelato em Direito, em 1873, pela Universidade do Porto, convivendo com uma geração de notáveis: Antero de Quental, Eça de Queirós, Alberto Sampaio, Oliveira Martins, Martins Sarmento, João Penha, Gonçalves Crispo e muitos outros. Igualmente fez parte do Grupo dos Vencidos da Vida a que pertenceram aqueles e ainda Ramalho Ortigão.
No ano da sua formatura ocorreu em Espanha (1873) a implantação da República, facto que mexeu grandemente com as mentalidades em Portugal. Guerra Junqueiro começou por afeiçoar se à política, sendo nomeado em 1875 secretário geral do Governo Civil de Angra do Heroísmo e, tempos depois, secretário geral do Governo em Viana do Castelo, onde viria a casar se. Em 1878 foi eleito progressista, pelo círculo de Macedo de Cavaleiros e em 1880 e, de novo em 1887, voltou a ser eleito, mas pelo círculo de Viana do Castelo.
Em 1890 insistiu na candidatura e foi eleito pelo círculo da África do Sul mas ao ser substituído na legislatura seguinte, desgostoso com as malandrices partidárias, retirou se da política, regressou à sua Terra Transmontana, entregando se à administração das suas terras, ao trabalho literário e ao coleccionismo de antiguidades. Entre 1890 e 1896 publica Finis Patriae e Pátria, atacando violentamente a Monarquia e aderindo ao partido Republicano. Depois da implantação da República foi nomeado Ministro de Portugal na Suíça (1911 1914). Mas foi sobretudo como autor que Guerra Junqueiro deixou a sua marca.
Duas Páginas dos 14 anos (1864) foi a sua estreia. Seguiram se: Vozes sem eco (1867), Baptismo de Amor (1868), A morte de D.João (1974) Musa em Férias (1880), A Velhice do Padre Eterno (1885), Os Simples, (1892), Finis Patriae (1890), Pátria (1896), Oração ao Pão (1903), Oração à Luz (1904) e Poesias Dispersas (1920). Além disso colaborou em várias publicações da época, nomeadamente na Revista Viagem à Roda da Parvónia, sob o pseudónimo de Gil Vaz. Normalmente os seus artigos eram ilustrados com desenhos de Rafael Bordalo Pinheiro. Sampaio Bruno considerou Guerra Junqueiro o maior poeta da contemporaneidade. Manuen Laranjeira escreveu na Ilustração Transmontana “que desde Camões, ninguém como ele encarnou poeticamente a fé heroica e a simplicidade épica da raça portuguesa”.
Foi muito atacado pelas suas convicções religiosas e políticas. Mas no fim da vida arrependeu se, como declara em Prosas Dispersas: “Eu tenho sido, devo declará lo, muito injusto com a Igreja. A Velhice do Padre Eterno é um livro da mocidade. Não o escreveria hoje…”.

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