MIRANDA, Inocêncio António de
Nasceu em 1761, em Paçó de Rio Frio, concelho de Bragança e faleceu em 1836, em Grijó de Vale Benfeito, termo da antiga Vila de Chacim. Seguiu a carreira eclesiástica e, depois de ordenado, seguiu o ensino da gramática latina, na vila de Algoso, nessa altura, contígua, à vila de Miranda do Douro. Mas o seu nome sobressaiu, desde que começou a ser conhecido pelo Abade de Medrões, quando já residia em Lisboa, como preceptor do Marquês da Fronteira.
Foi deputado às cortes, em 1822. Era audacioso e de talento brilhante. Deixava se enlevar pelos ideais da sua Pátria. Também foi um polémico defensor de questões tradicionalistas, tendo travado alguns renhidos combates ideológicos. Um dos seus contendores foi o Ambrósio às direitas pseudónimo do religioso da Ordem de Santo Agostinho, D. Aureliano do Nascimento que morreu em 1834. Nessa polémica entrou também o Prior Mor de Cristo, contra o p.e Miranda. E também outro conhecido clérigo: José Agostinho de Macedo, se travou de razões com o Abade de Medrões. Ficaram conhecidas as Apologias do Abade de Rebordãos contra as invectivas e calúnias do Sr. Abade de Medrões. Onde o espírito polemista do p .e António Miranda vem ao de cima é na Defesa da Verdade.
Mas escreveu outras: O Cidadão Lusitano, breve compêndio em que se demonstram os frutos da constituição e os deveres do cidadão constitucional para com Deus, para com o Rei, para com a Pátria e para com todos os seus concidadãos. Diálogo entre um liberal e um servil o Abade Roberto e D. Júlio. O livro teve duas edições que depressa esgotaram. Foi deputado às Cortes Gerais, foi um talentoso argumentador, um vulto que marcou a sua época. Teve um sobrinho com o seu próprio nome que foi Prior na Freguesia de Santa Maria, em Bragança, entre 1834 e 1864.
Escreveu (o sobrinho) Regras e Preceitos que foi impresso, em Bragança, em 1848.