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MORAIS, Inácio de

Nasceu em Bragança e esteve em Paris, de onde veio, em 1546.
Foi mestre dos infantes D. Duarte (filho de D. João III) e de D. António (filho do infante D. Luís). Leccionou Latim na Universidade de Coimbra. Foi Grão mestre em Artes e era formado em Jurisprudência. Escreveu várias obras: Ciceronis Proemium Rhet. 4.°; Conimbricoe Encomium (1554), In quodam dialécticos (1562).
A Enciclopédia Verbo, escreve dele o seguinte: Obte¬ve em Paris o grau de mestre em Artes (1530); passou também algum tempo em Lovaina. Embora leigo, exerceu a sua actividade de professor de Humanidades em vários conventos, como o de Belém (1535); o Mosteiro de Penhalonga (1536), onde foi professor de D. Duarte, filho bastardo de D. João III; continuou a ensinar D. Duarte no Mosteiro de Santa Marinha da Costa, em Guimarães (1537). Em 1541, era mestre da “segunda regra” de Latim, no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, quando aí funcionava a Faculdade de Artes da Universidade, regressando no ano lectivo de 1542-1543 a Santa Marinha da Costa, para ensinar D. António, filho bastardo do infante D. Luís, irmão do rei. Inácio de Morais foi sempre muito dedicado ao futuro Prior do Crato e efémero rei de Portugal. Em 22.10.1546, tomou posse do lugar de professor de Humanidades na Universidade de Coimbra.
Em 1548 começou a frequentar a Faculdade de Leis.
Em 8.11.1550, pronunciou em nome da Universidade, na presença de D. João III e da família real, a oração lat. de saudação ao monarca que se encontrava de visita a Coimbra. Em 25.7.1554, bacharelou se em Direito. A Universidade volta a encarregá-lo de fazer o elogio de D. João III, em 1557, quando este faleceu. Os 2º discursos têm interesse para o conhecimento do ambiente cultural da época, o 1.°, e da figura do rei, o 2.°. Como poeta lit., foi um dos que usaram frequentemente a palavra Lvsiades antes e depois do poema de Camões. Os seus versos estão ligados às vicissitudes da família real, mas pertence-lhe um elogio de Coimbra, traduzido (mal) por Rocha Brito. Foi a Inácio de Morais que Pedro Sanches dedicou os seus Carmina de Peotis Lusitanis (B.N.L., ms, F.G. 6368) também chamados “Epístola ad Ignatium de Moraes” (António dos Reis, Corpus flustrium Poetarum Lusitanorum, I, Lx., 1745; pp. 11 31).
ALGUMAS OBRAS: Ignatii Moralis oratio panegyrica ad inuietíssimum Lusitaniae Regem diuu loannem tertium nomine totius Academiae Conimbricensis, atque in eius dem socolis habita (…), s. 1 n.d. (C., 15501; (…) oratio funebris in interitum Serenissimi regis loannis ad paires conscriptos Conimbricensis Academiae, C., 1557; (…) In interitum Principis loannis, ibid., 1554; Conim¬bricae Encomium (…), ibid., 1554. Mais poesias de Inácio Morais no ms. F.G. 6368 da B.N.L.; e em António dos Reis, C.I.P.L., vol. I.

BIBL.: Barbosa Machado; Inácio de Morais, Conimbricae Encomium (…). Revisão e pref. de M. Brandão, C., 1938; Luís de Matos, Les Portugais à L’Université de Paris entre 1500 et 1550, ibid., 1950; A. Costa Ramalho, “A Palavra Lusíadas”, em Humanitas, XXVII XXVIII, ibid., 1975 1976, pp. 3 15; id, A Conversão Maravilhosa do Português D. Gil um diálogo latino quase ignorada da autoria de André Resende, separata da Revista da Universidade de Coimbra, XXV11 (1979); Albino Pedrosa Campos (… ) A Obra Desconhecida de Inácio de Morais, ibid., 1960 (dissertação de licenciatura, dactilografada).

A. Costa Ramalho, in Enc. Verbo.

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