RAMALHO, António Monteiro
Nasceu em Trás os Montes em 1859. O Dicionário Histórico e Biográfico de Artistas e Técnicos Portugueses (1959), de Arsénio Sampaio Andrade, consagra-lhe quase duas páginas e escreve que “foi discípulo de Tomás da Anunciação e de Silva Porto. E em Paris teve por discípulos Cabanel, Henri Regnault, Bastien Lepage, Cormon, Benjamim Constant e François Flameng.
Esteve na cidade do Porto, onde exerceu, no começo da sua vida, a modesta profissão de marçano, mas o patrão, pessoa rude e pouco simpática, agastava-se de vez em quando com o mocito por este se entreter a desenhar nos papéis que encontrava sobre o balcão. O petiz, porém, teimoso e perspicaz, resolveu, a pretexto de qualquer assunto, despedir-se, abandonando aquela vida, e seguiu, depois, para Lisboa, por ser a terra predilecta dos seus sonhos”. Aí tentou, a todo o custo, ingressar nas Belas Artes. E passou por dificuldades várias, até que “por milagre lhe apareceu o mestre pintor António Carvalho da Silva Porto, que regressara do estrangeiro coroado de fama.
Trazendo novos sistemas sobre as artes plásticas, fez progressos em Portugal. E o seu nome começou a ter repercussão em todo o país e no estrangeiro. Silva Porto aproxima-se de Monteiro Ramalho e dá-lhe todo o apoio na arte de pintar. Concluído o curso de Belas Artes que obteve com alta classificação, desloca-se para Paris, onde recebeu lições de grandes mestres. Daí manda à Academia do Porto o seu primeiro trabalho chez mon voisin; e, tempos depois, em 1882, foi a Roma com bolsa de estudos concedida pelo governo português. Deixou uma obra vasta e notável.
De regresso a Portugal fez retratos, dedicando-se à paisagem e a outros assuntos campestres. Além de pintor distinto, também foi um hábil decorador, como ainda atestam os trabalhos que ficaram a ornamentar o Teatro Garcia de Resende, em Évora; Cervejaria Jansen, em Lisboa; Palácio Souto Maior, na Figueira da Foz; Hotel de Buçaco; Bolsa do Porto; antiga vivenda da Rainha D. Maria Pia, em Cascais; Casa dos Patudos, em Alpiarça; Claustro de Celas, freguesia do distrito de Bragança; Foz do Douro; Batalha do Buçaco (museu militar); Escultor Alberto Nunes (Museu de Arte Contemporânea); Lanterneiro; Campo de Flores; À Beira Mar; Uma nesga em Paris; vitrais da capela do Sanatório de Santana, na Parede (linha de Cascais); Um canto do claustro; Retrato de Criança; Retrato de Senhora; Estudante; O Serão: Flores; Praia da Boa Nova; Capela do Corpo Santo; e ainda muitos outros trabalhos de alto valor artístico que, pela sua beleza e originalidade, perpetuam o nome brilhante de António Monteiro Ramalho. Este pintor foi tão forte no óleo como na aguarela e no desenho.”