🎖️ Ilustres

REBELO, António Teixeira

Nasceu na freguesia da Cumieira em 1748 e morreu em Lisboa a 05/10/1825.
“Depois de estudar Gramática Latina e Filosofia, alistou-se, em 27/11/1761, como voluntário, no Regimento de Artilharia de Valença, que então se organizara. Tendo-se matriculado na Academia de Marinha, onde sempre e em todos os anos do seu curso obteve plena aprovação, foi em 1784 promovido a 2.º tenente para o Regimento de Artilharia de Faro, do qual passou para o Regimento da Corte. Nessa época, ainda jovem, começou a traduzir do inglês o Tratado de Artilharia de João Muller, que se imprimiu em 1793, em dois tomos, com estampas, e passou a ser adoptado pela Academia Militar, podendo essa versão considerar-se uma obra original, pelas correções e aditamentos que Teixeira lhe introduziu.
No Regimento da Corte, ganhou, por oposição, todos os postos até ao de major. Em 1792, foi nomeado comandante da artilharia das forças que, em auxílio do exercício espanhol, partiram para a campanha do Rossilhão, onde se notabilizou não apenas sob o ponto de vista militar, mas também no campo administrativo e disciplinar, organizando os serviços médicos de apoio aos feridos e doentes e reprimindo a desordem e indisciplina.
Terminado o período da campanha, regressou a Lisboa, e ao ser nomeado coronel, em 1796, tomou o comando do parque de artilharia, que nesse ano deveria acompanhar o exército de observação do Alentejo. Depois de dezoito meses nesse comando, foi chamado para dirigir a reedificação das praças de Abrantes e de Cascais, e de todos os fortes marítimos até ao Cabo da Roca (…).
Quando em 1801 se tratou de preparar o nosso exército para resistir a uma agressão da Espanha, tomou a seu cargo o estabelecimento dos parques volantes e de reserva, a construção e organização de um depósito geral de munições e a instrução de companhias de artilharia montada, arma até então desconhecida em Portugal.
Em 1802, foi promovido a coronel efectivo, e, fazendo parte da Academia Real da Marinha, foi em 1803 encarregado de organizar a instrução para a manobra das peças de todas as qualidades e calibres, e nomeado membro da Comissão do Código Penal Militar. Em 1806, foi escolhido para dar o parecer sobre a nossa pólvora, sobre o alcance das peças e resistência dos reparos da nova construção; em 1807 foi promovido a brigadeiro e, em 1808, desempenhou várias comissões importantes relativas à arma de artilharia.
O seu principal título de glória foi, porém, a criação do Colégio Militar, em 1803, com o título Colégio de Educação, para ser frequentado pelos filhos dos militares aquartelados no Forte da Feitoria, junto a S. Julião da Barra e nesta fortaleza. Desde então, até morrer, empregou toda a sua actividade no desenvolvimento deste estabelecimento. Depois das invasões francesas, foi, em 1821, promovido a marechal de campo e, sendo chamado a ocupar o cargo de Ministro e Secretário de Estado dos Negócios de Guerra, esteve na gerência desta pasta desde 01/02/1821 até 08/09 do mesmo ano. Eram os “vintistas” que o chamavam a colaborar. O seu único pensamento era, porém, o Colégio Militar e, por isso, deixou a direção do Ministério para voltar a dirigir a instituição que criara. Conseguiu, em 1824, um ano antes da sua morte, que fosse publicado um decreto precisando melhor as características da escola de preparação para o oficialato e desenvolvendo o seu ensino.
Em homenagem à sua memória, foi colocado, no ano seguinte ao seu falecimento, um retrato numa das salas do Colégio (…). O marechal Teixeira Rebelo era sócio da Sociedade Real Marítima Militar e Geográfica, onde apresentou os seguintes trabalhos:
Memória sobre a Necessidade de Levantar Cartas Topográficas e Formar Memórias em que se dê conta em detalhados terrenos relativamente aos Movimentos Militares;
Memória em que se dá uma ligeira ideia das Serras, Cordilheiras e Terrenos Irregulares e se arbitra a sua classificação e nomes.
À mesma Sociedade, além destes trabalhos, apresentou também o Tratado de Artilharia de Muller, já citado, e elaborou a Instrução Geral, ou Escola de Serviço Braçal da Arma de Artilharia, mandada organizar por ordem de Sua Majestade em 1819.
É ainda de notar que o marechal Teixeira Rebelo poderia ter acompanhado a família real para o Rio de Janeiro, quando Junot invadiu Portugal. Preferiu ficar no seu posto, mas a história nada regista quanto à sua ação durante a ocupação francesa. Depois das invasões, recebeu o título de fidalgo da Casa Real, a comenda de Avis e a Carta de Conselho.
Jaz na Igreja do Corpo Santo, em Lisboa, e o seu busto ergue-se no átrio do Colégio Militar, onde foi inaugurado nas comemorações do centenário da sua fundação (1903) e onde recebe sempre as honras militares devidas, prestadas pelo Batalhão Colegial, todas as vezes que entra ou sai do Colégio.”

(De “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”).

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