SERRA, Pedro Maria da Rocha Cunha e
Nasceu em Vila Real, em 07/09/1919. Realizou na mesma cidade o curso do liceu que concluiu em 1938. Desde o ano letivo de 1938/1939 até o de 1942/1943, frequentou a Secção de Filologia Clássica da Faculdade de Letras de Lisboa e concluiu o exame de Licenciatura no dia 28 de julho de 1943. No ano letivo de 1943/1944, terminou o curso de Ciências Pedagógicas da mesma Faculdade. Foi admitido ao Estágio Pedagógico no Liceu Nacional de Pedro Nunes. Tendo feito em 1946 Exame de Estado para o exercício do Magistério Secundário liceal do 1.º grupo. No ano letivo de 1946/1947, fez serviço no Liceu de Vila Real e, desde o ano letivo de 1947/1948 até o de 1964/1965, esteve colocado como professor efetivo do Liceu de Aveiro; mas desde o ano letivo de 1957/1958 até o de 1960/1961 esteve em Madrid, em missão de estudo, por proposta do Professor Doutor Paiva Boléo. Evidente lhe parecia que, para alargar o campo de investigação da toponímia à qual consagrara já alguns ensaios, era indispensável o conhecimento da língua árabe e das relações entre o árabe e os romanços peninsulares. Na Facultad de Filosofía y Letras de Madrid, frequentou e fez exame das seguintes cadeiras: Árabe II (Prof. Terés), Lengua árabe y su dialectología (Prof. Terés), Historia del Islam (Dra. Rafaela Castrillo), Instituciones y cultura islámicas (Prof. Pareja) e Árabe III (Prof. Granja). Frequentou com regularidade o Instituto Asín e, no ano letivo de 1959/1960, teve ensejo de assistir às lições de um curso monográfico regido pelo Professor Amald Steiger. Neste mesmo ano letivo, começou a preparar a sua tese de doutoramento, a que deu o título de Contribución topoantroponímica para el estudio del poblamiento del noroeste peninsular; no ano letivo seguinte, 1960/1961, obteve aprovação nos cursos monográficos para doutoramento: Introducción a la estilística, Formas vulgares y romances en los documentos latinos de los siglos XI y XII, Las miniaturas de las dos Biblias de León e Literatura arábiga.
Em consequência de alterações que nessa data foram introduzidas na lei reguladora dos doutoramentos em Espanha, teve que inesperadamente preparar-se para fazer exame de licenciatura em Filologia Clássica, para o qual apresentou a dissertação (em dactilografado) Sarracenus e la documentación latina medieval francesa y sus reflejos en la onomástica; nesse exame, realizado em 27 de junho de 1961, obteve a classificação de aprovado. A prova de doutoramento realizou-se em 4 de julho de 1961, tendo-lhe sido conferida a classificação de notável. Por despacho de 25 de agosto de 1965 (publicado na 2.ª série do Diário do Governo de 8 de setembro de 1965), foi admitido como incumbido de regência da cadeira de Língua Árabe na Faculdade de Letras de Lisboa; tomou posse do cargo em 13 de setembro de 1965. Nesta situação, pôde mais metodicamente se consagrar ao estudo do árabe e prosseguir com suas investigações de toponímia. Desde a data da posse, proferiu duas conferências: uma, em 26 de janeiro de 1966, sobre o povoamento do noroeste peninsular, onde resumiu as conclusões de sua tese de doutoramento que foi publicada, depois de revista, pelo Centro de Estudos Filológicos (Bibliografia: n.º 36); outra, em 14 de maio de 1967, em que deu um panorama do labor científico de David Lopes (Bibliografia, n.º 33).
No ano letivo de 1966/1967 e graças a uma doação extremamente generosa da Fundação Calouste Gulbenkian à Faculdade de Letras, começou a ser feita a aquisição de livros para organização de uma biblioteca especializada. Nada mais justo do que recordar o empenho, que a então Diretora da Faculdade, Doutora Virânia Rau, pôs na organização do que viria a chamar-se Biblioteca Calouste Gulbenkian, integrada no Instituto David Lopes (Língua Árabe e Cultura Islâmica); quando da inauguração da biblioteca, em 14 de maio de 1968, organizou uma exposição bibliográfica dedicada à obra e à pessoa de David Lopes. No mesmo ano de 1968, de 23 de julho a 23 de outubro, fez um estágio em Tetuão (Instituto Muley El Hasan), onde procurou estudar textos de geógrafos e ao mesmo tempo ultimar a preparação de uma Antologia de textos árabes que tencionava dar a lume. É também membro do Comité International de Sciences Onomastiques (CISO), com sede em Lovaina, em cujo órgão, revista Onomastica, tem colaborado com informação bibliográfica. Faz parte também, desde sua fundação, da Union Européenne d’Arabisants et d’Islamistes (Madrid). Por despacho ministerial de 9 de março de 1974, foi-lhe concedida a equiparação do doutoramento que em 1961 obteve em Madrid. Aposentou-se em 1988, passando a consultor dos CTT em 1989. Foi agraciado com a Medalha de Mérito dos CTT, Classe Ouro. Na sua atividade técnica, desenvolveu ações em numerosos países europeus e também em Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Na Ordem dos Engenheiros, teve uma participação muito ativa e bastante alargada. Assim, começou por ser membro da Secção Cultural de Engenharia Eletrotécnica e membro da Comissão Administrativa da Secção Regional de Lisboa. Presidiu à Secção Regional de Lisboa de 1969 a 1974. Foi Delegado da Ordem dos Engenheiros às Corporações da Indústria e dos Transportes e Turismo de 1970 a 1974. Fez parte da Comissão Organizadora do Congresso do Ensino de Engenharia, que decorreu no IST em 1962. Finalmente, exerceu as funções de Bastonário da Ordem de 1 de fevereiro de 1974 a 23 de julho de 1976. De 1974 a 1988, foi Presidente do Conselho Geral da Caixa de Previdência dos Engenheiros. No período de 1978 a 1985, foi Vereador da Câmara Municipal de Lisboa e de 1985 a 1989, membro da respetiva Assembleia Municipal. É membro Emérito da Academia de Engenharia desde 1996. Em 1982, fez o elogio do Eng.º José Ferreira Pinto Basto, quando da atribuição da Medalha de Ouro dos CTT. Foi Presidente da Direção do Conselho Português para a Paz e Cooperação.
BIBL.: Notas de toponímica: Medalha Sorda, Malhadas, etc. (revista Labor, 1951, vol. XV, p. 217-232); Estudos Toponímicos (RPF, 1951, vol. IV, p. 186-194); Estudos Toponímicos (RPF 1952, vol. V, p. 283-296); Estudos Toponímicos (RPF 1954, vol. VI, p. 201-234); A Teixeira da Mota – Influência portuguesa na toponímia costeira da África Ocidental; Idem – Topónimos de origens portuguesa na costa ocidental de África desde o Cabo Bojador ao Cabo de Santa Catarina (RPF 1954, vol. VI, p. 305-308); Estudos Toponímicos (BF, 1954-1955, t. XV, p. 240-284); Notas de toponímica: topoantroponímicos recentes (revista Labor, 1956, vol. XXI, p. 193-216); Da Hagionímia e da hagiotoponímia portuguesa (RPF 1959, vol. VIII, p. 39-59); Olof Bratto – Vanthroponymie et la diplomatique (RPF 1957, vol. VIII, p. 339-341); Luís Chaves – Estudos de toponímia portuguesa. A toponímia das águas (RPF 1957, vol. VIII, p. 331-336); A respeito de uma obra notável (revista Labor, 1958, vol. XXIII, p. 143-147); Maria de Lourdes Rodrigues – Antroponímia romana da Lusitânia (RPF, 1958-1959, vol. IX, p. 346-348); Olof Bratto – Filipe, Henrique e outros nomes próprios em Portugal e na Europa (ib., p. 348-349); Gonzalo Diéz Melcón – Apellidos castellano-leoneses (ib., p. 383-384); Alves Ferreira, Custódio de Morais, Joaquim da Silveira e Américo Girão, O mais antigo mapa de Portugal (1561) (ib., p. 385-386); Joseph M. Piel – Zwei portugiesisch-galicische Etymologien (ib., p. 432-433); Estudos toponímicos (BF, 1959, t. XVII, p. 54-65); Topónimos do distrito de Aveiro (ADA, 1960, vol. XXVI, p. 190-203); Estudos toponímicos (RPF 1960, vol. X, p. 69-92); José Manuel González – Toponímia de uma paróquia asturiana (Santa Eulalia de Valduno) (ib., p. 298-300); Contribución topoantroponímica al estudio del poblamiento del noroeste peninsular (extracto de la tesis doctoral). Madrid, 1961, pp. 20 (mapa desd.); Salvador Dias Arnaut – Região do Rabaçal. A terra e o homem (RPF 1962-1963, vol. XII, p. 251); José David Lucas Baptista – Nomes de lugar do concelho de Manteigas. Subsídios para o seu estudo (ib., p. 251-252); Hermann Lautensach – Maurische Zuge im geographischen Bild der Iberischen Halbinsel (ib., p. 253-254); Estudos toponímicos (BF, 1963, t. XXI, p. 99-116); Karl Michaelsson – Le livre de la taille de Paris l’an 1296 Id Le livre de la taille de Paris l’an 1297 (RPF, 1964-1965, vol. XIII, p. 428-432); A propósito do “monte” alentejano (revista Labor, 1965, vol. XXIX, p. 201-205); História e povoamento (ib., p. 245-249); Topoantroponímicos recentes e correlatos em (ib., p. 366-378); Três alíneas de onomástica (revista Labor, 1966, vol. XXXI, p. 123-129); Topónimos do distrito de Aveiro (ADA, 1966, vol. XXXII, p. 36-44); David Lopes: ensaio bio-bibliográfico (Revista da Faculdade de Letras de Lisboa, 1967, n.º 11 da III Série, p. 83-117); David Lopes (revista Labor, 1967, vol. XXXI, p. 447-452); Topónimos do distrito de Aveiro (ADA, 1967, vol. XXXIII, p. 39-56); Contribuição topoantroponímica para o estudo do povoamento do noroeste peninsular (n.º 16 das Publicações do Centro de Estudos Filológicos). Lisboa, 1967, pp. 158. Sobre este trabalho, exprimiram opinião Orlando Ribeiro, revista Finisterra, Lisboa, 1968, vol. III, p. 115-116, Francisco Cantera, revista Sefàrad, Madrid-Barcelona, 1968, vol. XXVIII, p. 135-136, Jean Lemartinel, revista Bulletin Hispanique, Bordeaux, 1960, vol. 71.º, p. 675-676, Wilhelm Giese, revista Zeitschrift für Romanische Philologie, Tübingen, 1969, vol. 85.º, p. 313-314, J.R.F.O, Revista de Dialectología y Tradiciones Populares, Madrid, 1969, t. XXV, p. 169, e Diego Catalán, Linguística Ibero-Românica (crítica retrospectiva). Madrid, 1974, t. 1, p. 239.