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Homenagens à memória de Padre Max e Maria de Lurdes

Na próxima quinta-feira, dia 2 de abril, assinalam-se 50 anos do brutal assassinato do Padre Max e da estudante Maria de Lurdes assassinados num atentado bombista, engendrado pela extrema-direita, na Cumeira.

Não podemos esquecer e por isso, para assinalar a data, a Associação UDP fará uma romagem ao cemitério de Santa Iria, em Vila Real, às 12 horas, e um grupo de amigos do Padre Max e da Maria de Lurdes organizam, na Casa da Firoozeh, na rua 31 de janeiro, em Vila Real, uma sessão evocativa. A conversa contará com a presença de amigos, ex-alunos e com o Luís Fazenda, professor, antigo secretário-geral da UDP, fundador do Bloco de Esquerda, foi vice-presidente da Assembleia da República e impulsionador de uma carta tributo à memória de Max e Lurdes e José Machado Castro, advogado, natural do Porto, foi dirigente da UDP, ex-preso político e integrante do movimento “Não Apaguem a Memória”.
No dia 2 de abril de 1976, foram assassinados num atentado à bomba o padre Max e a estudante Maria de Lurdes. Um atentado do grupo de extrema-direita MDLP pelo qual os autores nunca foram condenados.
O Padre Maximino Barbosa de Sousa tinha 33 anos e era candidato independente da UDP (União Democrática Popular) nas listas das legislativas pelo círculo de Vila Real. Maria de Lurdes Correia, de 19 anos, fazia parte da União de Estudantes pela Democracia Popular e era ativa na alfabetização dos trabalhadores da agricultura. A bomba que explodiu no carro em que ambos seguiam representou um atentado contra as suas vidas e contra a própria Constituição da República Portuguesa, que acabava de ser aprovada.
Houve vários processos judiciais e nenhuma condenação. O primeiro processo sobre o crime foi arquivado em 1977 por falta de provas. O processo foi reaberto duas vezes, em 1989 e em 1996, pelo Tribunal da Relação do Porto. No processo de 1989 tinham sido acusados, da autoria moral, o cónego de Braga Eduardo Melo, o empresário Rui Castro Lopo, e o ex-membro do Conselho da Revolução Canto e Castro e, como autores materiais, Carlos Paixão, Alfredo Vitorino, Valter dos Santos e Alcides Pereira. Em 1996 apenas foram acusados os autores materiais e também não foi conseguida a condenação. O Supremo Tribunal de Justiça anulou esse acórdão e foi marcado novo processo. A 21 de janeiro de 1999, o Tribunal de Vila Real reconheceu que o MDLP era responsável pelo crime, porém absolveu os arguidos por falta de provas definitivas.
O exemplo do Padre Max e de Lurdes Correia continua a inspirar muita gente que luta por uma sociedade mais justa e contra a extrema-direita. Como dizemos na UDP, há 50 anos, ‘não vos mataram, semearam-vos’. A máxima do Padre Max ‘servir o povo sem nunca se servir dele’ é uma lição fundamental para os dias de hoje.

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