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REGO, Francisco Rodrigues

Nasceu em Constantim, Vila Real, aos sete de junho de mil oitocentos e oitenta e seis, filho de António Rodrigues Rego e de Genoveva Rodrigues, honrados e pequenos lavradores. Ali, foi baptizado aos vinte e sete de junho de mil oitocentos e oitenta e seis. Concluído o curso Teológico no Seminário Conciliar de Braga, bem consciente do que fez, recebeu a Ordenação Sacerdotal aos dezanove de setembro de mil novecentos e oito. Em obediência ao Arcebispo Primaz, presidiu à Capelania de Nossa Senhora do Carmo, em Vila Real, até ao final de mil novecentos e catorze. Seguidamente, paroquiou a sua terra natal, desde mil novecentos e quinze, até ao ano do seu passamento em 16.7.1971. Com as graças recebidas no Sacramento da Ordem e o exemplo de São Frutuoso, esforçou-se sempre por cumprir, viver a missão sagrada do Pároco: evangelizar, santificar, orientar, alimentar, curar todas as ovelhas do rebanho. Recebia uma alegria especial quando alguma das suas ovelhas ascendia ao sacerdócio. Devido à falta de sacerdotes, o Bispo lhe pediu para pastorear a freguesia de Folhadela de 1930 a 1937 e anos depois a extensa freguesia de Valnogueiras de 1933 a 1958, vinte e cinco anos, sem automóvel, a pé e de cavalo, com o tempo que fazia, sol ou chuva, com geadas e neve fria. Com muita fé e querer, e amor na missão a cumprir. Durante quatro anos, só paroquiou as três freguesias. Só em mil novecentos e cinquenta e oito, depois de já ter deixado Folhadela, a de Valnogueiras recebeu pároco próprio. Raras as famílias dessas paróquias que não tenham recebido dele alguma ajuda especial. Dispôs de uma generosa oferta em dinheiro ao Bispo da Diocese para as obras do Seminário. No seu testamento, doou um bom passal para a futura residência paroquial dos futuros párocos da sua terra, e uma escola primária em bom granito ao Estado. Desenvolveu muito a música que aprendeu no Seminário. Com gosto e facilidade, ensinava aos fiéis as músicas sacras que se cantavam nos actos litúrgicos, e fazia questão de que fosse todo o povo a rezar e cantar. A sua privilegiada voz alta, melodiosa, ultrapassava a de todos. Além das novenas do Natal, presidia com o terço, leitura apropriada, e a Benção do Santíssimo Sacramento, nos meses de março, em honra de São José; em maio venerávamos Nossa Senhora de Fátima; em junho, ao Sagrado Coração de Jesus; em outubro, a Nossa Senhora do Rosário; no tríduo de novembro, pelas almas do Purgatório. E todos os domingos e dias santos, lá estava o sino a chamar os mais devotos para a recitação do terço, benção do Santíssimo e cânticos apropriados. Era muito devoto de Nossa Senhora do Carmo, que se celebra a dezasseis de julho. Deus o chamou nesse dia! O Sr. Re. Rego, como o chamavam, terá sido um padre, um Pároco exemplar? Com certeza que o foi, embora com pequenos defeitos. Aproximou-se bem do modelo dos Párocos, Re. João Maria Vianney, o Santo Cura de Ars, em França, e do seu antecessor São Frutuoso Gonçalves. Lê-se nos Evangelhos: nenhum profeta é bem recebido na sua terra natal. Ele conseguiu razoavelmente ser bem aceite na sua longa paroquiação, tanto na sua terra natal, como nas vizinhas de Folhadela e Valnogueiras. Anos depois, o povo escreveu uma pequena memória da sua vida sacerdotal: Pároco de Constantim durante cinquenta e seis anos!

Fernando Martins Pinto

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