MELLO, Ruy António Marinho de Almeida de Sampaio e
Diretor do Aeroporto de Lisboa, Engenheiro Inspector Superior de Obras Públicas e Administrador de Empresas, nasceu a 19.12.1915, sendo filho de António Maria Homem da Silveira de Sampaio de Almeida e Mello e de sua mulher D. Zamira Teixeira Marinho da Cunha. Nascido em Amarante, passou a primeira infância no Alto Douro, onde seu pai, implicado na tentativa restauracionista conhecida pelo nome de “Monarquia do Norte”, se refugiara e fixara residência após o colapso deste movimento.
Concluído o ensino secundário com elevadas classificações, matriculou-se no Instituto Superior Técnico, vindo a diplomar-se em Engenharia Civil no ano de 1939. Assistente das cadeiras de Cálculo Integral e Mecânica Racional, afirmou-se como o estudante mais laureado do seu curso, durante o qual obteve os prémios “Alfredo Bensaúde”, “Mira Fernandes” e “Fonseca Benevides”. Em 1949, contraiu casamento com D. Maria Teresa de Bettencourt Theotonio Pereira (filha de Luís Theotonio Pereira, antigo Deputado, Procurador e Presidente do Conselho de Administração da Companhia de Seguros Fidelidade), de quem teve vários filhos, nos quais se continua hoje a sua descendência.
Engenheiro da Direção Geral dos Caminhos de Ferro (1º classificado em concurso público), da Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (1º classificado em concurso público), da Exposição Histórica do Mundo Português, do Estádio Nacional, da Cidade Universitária de Coimbra, foi ainda consultor da Caixa Geral de Depósitos e de diversos organismos corporativos. No setor privado, desempenhou as funções de Presidente da Sociedade Nacional de Fomento Imobiliário, Administrador da Socel – Sociedade Industrial de Celuloses e perito do Banco Nacional Ultramarino e da Companhia de Seguros Fidelidade.
Louvado pelos Ministros das Obras Públicas Eng. Duarte Pacheco e Eng. José Frederico Ulrich, transitou, ainda na década de 40, para a Direção Geral da Aeronáutica Civil, ao serviço da qual empreendeu várias deslocações ao Estrangeiro. Em 1961, no coroamento da relevante carreira técnica atrás caracterizada, foi nomeado Diretor do Aeroporto de Lisboa, cargo que desempenhou de forma “altamente eficiente, inteligente e dedicada”, conforme louvor autógrafo do Ministro da tutela, Eng. Carlos Ribeiro. Convidado para Presidente da WEAA (Western European Airport Association), organismo internacional com sede em Paris – função que declinou – ascendeu em 1973 à categoria de Engenheiro Inspector Superior de Obras Públicas.
Com o advento da Revolução de 25 de Abril de 1974, foi submetido a processo de saneamento e condenado a pena de prisão maior por posse ilegal de arma, vendo-se então forçado a procurar refúgio no Brasil, onde residiu até 1979. De regresso a Portugal, dedicou-se à administração das suas propriedades no Alto Douro (concelhos de Mêda e Vila Nova de Foz Côa), onde praticou diversos atos de benemerência pública, notadamente a doação à freguesia de Fonte Longa do terreno que permitiu o abastecimento de água potável à população local. Já antes, havia doado à mesma freguesia o espaço físico onde se encontra erguida a respetiva escola oficial, que hoje ostenta o seu nome.
Vítima de doença de caráter evolutivo que a Revolução de 1974 despoletou e agravou, mercê das perseguições e injustiças que o obrigou a enfrentar, veio a falecer, retirado do mundo, a 27.12.1998. Possuía condecorações inglesas e brasileiras (medalhas de Santos Dumont e Mérito Aeronáutico).