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MONTESINOS, António de

Nome corrente do judeu de Vila Flor, Aarão Levi (fal. 1647).
Emigrara para o Brasil, em busca de fortuna, tendo estabelecido relações com a comunidade judio portuguesa de Amsterdão, que era, nos meados do século XVIII, o centro coordenador da expansão sionista na América. Nessa época, o doutrinador sionista era o teólogo madeirense Menasseh Bem Israel, interlocutor do Padre António Vieira na questão judaica e nas políticas de transferência do apoio dos judeus portugueses da Holanda para o Reino.
Regressado do Brasil, Montesinos expôs na Sinagoga portuguesa Talmud Torah (18-06-1644) um relato da sua vida, sublinhando, das suas muitas aventuras, o achamento de uma tribo de índios do interior brasileiro, facto em si trivial, não se dera o caso de, segundo o relator, essa tribo falar uma língua que incluía hebraísmos e uma prática religiosa parecida com o judaísmo, incluindo a circuncisão.
O teólogo Menasseh registou o relato. A seu ver, essa tribo índia devia ser uma das dez tribos perdidas de Israel, pelo que o seu descobrimento permitia duas esperanças: a próxima união do povo judaico num Estado, e a justificação sionista para os seus interesses no Brasil. A unificação judaica estaria próxima, a crer nos sinais relatados pelo judeu de Vila Flor.
O seu testemunho foi tão aceite, que na obra Esperança de Israel (Spes Israelis, 1650) Menasseh incorpora a narrativa (Capítulo I, l.a parte) destinada a animar a esperança judaica na dispersão.
Releva de um interesse muito amplo, pois constitui uma das bases do sionismo posterior ao século XVII, dada a magistralidade de Menasseh nesse contexto.

BIBL.: Menasseh Bem Israel, Spes Israealis. Amesterdão, 1650; P Gomes, A Filosofia Hebraico Portuguesa. Porto. 1981, pp. 312 315.

Pinharanda Gomes

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