TABOADA, José António
Nasceu em Montalegre, em 07/01/1920. Faleceu na Ilha da Madeira, em junho do ano 2000. Foi Presidente da Câmara de Porto Santo durante vinte anos. Colaborou em diversos jornais e esteve ligado à fundação de várias associações, como a Casa de Barroso, no Porto, e a Casa Regional dos Transmontanos e Alto Durienses do Porto, entre outras.
O filho, Ene. Francisco Taboada, descreveu assim a vida do pai nos jornais de Barroso, após a sua morte:
“Nascido em Montalegre, José António Taboada exerceu desde muito jovem o cargo de ajudante de notário na sua terra natal. Nessas funções, desde cedo calcorreou a pé, a cavalo ou de bicicleta, os meios de transporte disponíveis na primeira metade do século que agora terminou. Filho mais velho de uma família numerosa e pouco abastada, ajudou a criar os irmãos mais novos, já que muito cedo perdera o pai. Dotado de um enorme sentido humano e de uma grande paixão pela escrita, ávido pela leitura, cedo começou a dedicar-se à literatura e à colaboração em várias publicações da época.
No início dos anos sessenta, em 1962, surge-lhe a oportunidade de ocupar e exercer as funções de Notário da Ilha de Porto Santo, no Arquipélago da Madeira. Cedo, a administração pública reconheceu as suas capacidades intelectuais, e dois anos depois é convidado para Presidente da Câmara Municipal de Porto Santo, cargo que exerce durante 14 anos. Descobre então outra grande paixão da sua vida: a política. Reconhecido pela grande obra feita na Ilha, José António Taboada é reconduzido nas funções de primeira figura política e pública do Concelho, mesmo após a Revolução dos Cravos em 1974, exercendo essas funções até à sua aposentação.
A partir daí, deixa a política ativa e volta às paixões da leitura e da escrita. Dotado de uma cultura geral invejável, escreve e colabora com jornais nacionais e regionais. Escreve regularmente para jornais do Barroso e participa na fundação do Notícias da Madeira, jornal diário editado no Funchal. Divide o resto da sua vida entre dois amores: a Madeira e a sua terra natal. Montalegre, as suas gentes, as suas aldeias e costumes nunca deixaram de estar no seu coração. Sempre que podia, dava uma fugida ao Barroso e vivia intensamente as feiras do fumeiro, as checas de bois e todas as manifestações socioculturais do seu Barroso. Ajudou-me a reforçar a paixão que eu próprio tenho por Montalegre e pelo Barroso, que é também a minha terra natal, contando-me factos passados da sua história e enchendo a minha casa de toda a literatura disponível sobre o nosso concelho.
Lembro-me de recentemente ter lido Terra Fria, por sua influência. Passado em Padronelos, o romance deu-me a visão de um tempo que eu já não conheci, mas que facilmente imaginei pela excelente narrativa de Ferreira de Castro. De trato simples, de conversa fácil, José António Taboada não perdia um bom momento de convívio. Bom conversador, tinha sempre uma história para contar e cativava a atenção de quantos o rodeavam. Homem de bem, sem grandes ambições materiais, tinha um enorme gosto pela vida, com uma atitude extremamente positiva perante as dificuldades e uma grande serenidade quanto ao futuro. Conquistava facilmente a simpatia e amizade de quantos o conheciam e, apesar da sua idade, era impressionante a forma como se relacionava com os jovens e como se enquadrava perfeitamente em qualquer ambiente e forma de estar dos nossos tempos.
O seu desaparecimento foi sentido, e a sua atividade política e social foi reconhecida pelas mais altas entidades políticas da Região Autónoma da Madeira, entre as quais a Assembleia Legislativa Regional, o seu Presidente, deputados e a própria Presidência do Governo. Com oitenta anos, sofrendo de uma doença grave e prolongada, leu e escreveu até ao limite das suas forças, mantendo uma lucidez perfeita até ao seu último dia de vida. Impressionante foi a forma como resistiu à doença com toda a força e dignidade. Não admira. Era um Transmontano. De quem eu vou ter muitas saudades.”
Francisco Taboada