Solidão
Naquela casa duriense, de lavrador meio abastado, vive um casal sénior. A sua filha caçula casou num solarengo domingo
de setembro e foi viver para o Minho.
Quando, à noitinha, olharam um para o outro, choraram copiosamente !…
Os dias passaram a ser tristonhos e as noites silenciosas mas, que remédio, foram-se habituando à monotonia.
De vez em quando, nalgumas celebrações e romarias, a alegria e o bulício regressavam àquele lar mas até esses momentos foram rareando por causa dos empregos, do crecimento dos netos e dos compromissos.
…E eles cada vez mais velhotes na pacatez da solidão. Apelavam, abertamente, à comparência dos filhos mas havia sempre uma desculpa.
A luz dos seus olhos foi esmorecendo. Cada vez mais melancólicos e doentes. Aquela casa nunca mais foi o que era!
António Manuel Silva Alves



