Exposição «Castas Portuguesas» revela aguarelas inéditas de Emílio de Oliveira Pimentel

Foi inaugurada no passado dia 25 de setembro, no Museu do Douro, a exposição «Castas Portuguesas – As aguarelas de Emílio de Oliveira Pimentel (1844 – 1880)», que ficará patente até 24 de novembro de 2026.
A exposição dá a conhecer um conjunto de aguarelas originais e inéditas dedicadas às castas portuguesas de videira (Vitis vinifera), da autoria de Emílio de Oliveira Pimentel. Pertencente ao Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, esta coleção distingue-se pelo detalhe e rigor com que representa uvas, cachos e folhas das diferentes castas.
Com cerca de 150 anos, estas aguarelas foram recentemente descobertas nos arquivos da Universidade de Coimbra e são agora, pela primeira vez, expostas ao público na sua totalidade.
Nascido em Lisboa, a 4 de abril de 1844, Emílio de Oliveira Pimentel era filho de Júlio Máximo de Oliveira Pimentel, 2.º Visconde de Vila Maior, e de Sofia de Roure Auffdiener. Agrónomo de formação e exímio desenhador, colaborou em diferentes trabalhos de caráter científico e editorial, contando-se entre a sua produção ilustrações para obras de Ramalho Ortigão e desenhos para O Douro Ilustrado, da autoria do seu pai.
Estas ilustrações terão resultado, em grande medida, da colaboração técnica prestada ao Visconde de Vila Maior, autor de numerosas obras dedicadas à viticultura e à enologia. A precisão do traço e o domínio da luminosidade aplicada às uvas, cachos e folhagem revelam a mestria técnica de Emílio Pimentel e a estreita relação entre arte, ciência e conhecimento vitícola presente no seu trabalho.
Nunca publicadas, estas aguarelas constituem um testemunho particularmente relevante da representação científica da vinha portuguesa no século XIX. A exposição proporciona, assim, uma rara oportunidade para observar de perto o desenho meticuloso de Emílio de Oliveira Pimentel e a sua capacidade de registar as características das diferentes castas.
O percurso expositivo é complementado por materiais históricos e científicos, entre os quais documentação manuscrita do Visconde de Vila Maior e modelos tridimensionais de flores e sementes de videira, datados do final do século XIX e utilizados nas aulas de Botânica da Universidade de Coimbra.




