SAMPAIO, José Rodrigues Liberal
Nasceu a 29 de Julho de 1846 na povoação de Antigo de Arcos, freguesia de Serraquinhos, concelho de Montalegre. Aos 7 anos de idade dirigiu-se para Vilar de Perdizes, do mesmo concelho, para aí aprender com o professor régio Bento Pires Esteves, o melhor que havia nas redondezas. Dali seguiu para o Seminário de Braga, onde se ordenou, sendo colocado em Outeiro Seco, freguesia muito conhecida por causa da sua Igreja Românica dos fins do séc. XII e frescos do séc. XVI. Dedicou se à numismática e à arqueologia. Aí conseguiu organizar um pequeno museu, fruto do seu entusiasmo e saber de tantos anos.
Em 1878 começou, ele próprio, a dar aulas na povoação, face à escassez de professores. Leccionou História, Filosofia, Português e Latim, possibilitando com as suas aulas a que muitos e bons transmontanos viessem a singrar na vida pública do país. Já com 40 anos de idade, ou seja, em 1886 decidiu frequentar a Universidade de Direito e Teologia, em Coimbra. Obteve o curso de Direito com alta classificação.
Regressa a Chaves, abre banca de advogado e transforma-se no mais afamado jurista da região. Dotado de grande capacidade oratória, conciliava o seu saber jurídico com o saber teológico. E isso depressa o tornou figura da vida nacional, ao lado de Leite de Vasconcelos, José Maria Rodrigues, Martins Capela, Abade de Baçal, Mendes Correia, etc. Manteve colaboração em vários jornais, a saber: A Palavra, (1882), A Aurora do Tâmega (1885), Defensor de Chaves, O Intransigente (1906), O Primeiro de Janeiro (1909), A Voz das Beiras, (1910), A Folha (1911), O Concelho de Chaves (1911), Oito de Julho (1913), A Harmonia (1914), Ecos de Chaves (1917), Era Nova (1929), Jornal de Chaves (1933) e Comércio de Chaves (1936).
Foi nomeado Pregador Régio por alvará de El Rei D. Luís. E a rainha D. Maria Pia, galardoou o com um precioso anel. Era um monárquico fervoroso, pelo que aquando da implantação da República foi acusado de conspirar contra o regime nascente. Esse facto fez com que se refugiasse em Espanha, mais propriamente em Verin e Feces de Abajo, entre 1911 e 1912.
Faleceu a 29 de Setembro de 1935, na sua casa de Outeiro Seco, numa altura em que preparava o livro: Panorama da Verdade, ou vistas sobre vários assuntos religiosos, morais, políticos e literários. Mesmo assim deixou impressos: Sermão da Imaculada Conceição (Tip. Reis Leitão, Coimbra, 1887), Sermão das Almas (manuscrito).