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GOMES, Francisco da Costa (n. 1914)

O Marechal Costa Gomes nasceu em Trás-os-Montes tendo optado pela carreira militar após obter sólida formação matemática universitária.
Integrou a primeira geração de oficiais que, no início dos anos cinquenta, recebeu formação na Nato, parte dos quais irão adoptar posições críticas quanto ao regime ou até conspirar contra ele. A sua carreira pública e mais notória coincide com a sua nomeação. por Oliveira Salazar, para subsecretário de Estado do Exército, lugar que ocupou de 1958 na remodelação ministerial que se seguiu às eleições presidenciais a que se candidata Humberto Delgado até 1961. A sua exoneração deveu-se ao seu profundo envolvimento na “Abrilada”, tentativa de golpe militar para derrubar Salazar dirigido pelo Ministro da Defesa, Júlio Botelho Moniz e que envolvia também, entre outros, o general Albuquerque de Freitas, chefe do Estado Maior da Força Aérea e o coronel Almeida Fernandes, Ministro do Exército. Após esta exoneração foi chefiar um Distrito de Recrutamento e Mobilização.
As suas qualidades militares aliadas a uma inteligência profunda a que não faltava um grande sentido de equilíbrio político, conduziram a que fosse nomeado Comandante da Região Militar de Moçambique, cargo que ocupou entre 1967 e 1969. As dificuldades experimentadas por Marcelo Caetano no teatro de operações de Angola levaram à sua nomeação como comandante chefe da R.M. de Angola, entre 1970 e 1972, cargo que exerceu de tal modo que conseguiu reduzir significativamente a actividade guerrilheira, mormente na frente leste, então denominada pelo MPLA.
Nomeado, após o seu regresso de Angola, chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, foi exonerado em Março de 1974 por se ter recusado “comandar” os oficiais generais que foram prestar vassalagem ao então chefe do Governo, Marcelo Caetano. As posições de Costa Gomes foram sempre favoráveis a uma negociação política para solucionar o problema das guerras coloniais como escreveu em artigo do Diário Popular, logo em 1961 e como demonstra a habilidade com que manobrou para que o livro do general António de Spinola, Portugal e o Futuro, fosse publicado, em Fevereiro de 1974 após ter sido um dos grandes apoios do movimento dos capitães substitui Spínola na chefia do Estado. Com a primeira eleição presidencial por sufrágio directo, em Junho de 1976, passou à reserva nesse mesmo ano.
A sua participação no Conselho Mundial da Paz, claramente subsidiário da URSS e as suas hesitações aparentes no denominado “Verão Quente de 1975” projectaram uma imagem negativa do general Costa Gomes em certos sectores da opinião pública. A verdade é que a Nato nunca deixou de ouvi-lo e hoje muitos autores pensam ter sido este oficial general decisivo para evitar enfrentamentos violentos em 1974 e 1975.
O Conselho da Revolução, extinto com a revisão constitucional de 1982, promoveu o a marechal.

César de Oliveira In Dicionário de História do Estado Novo

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