REIGOTA, Levi dos Santos
Nasceu na freguesia da Gafanha da Boa Hora, do concelho de Vagos, em 15 de Abril de 1899. Faleceu na Vila de Mesão Frio, em 20 de Outubro de 1999. Em Setembro de 1925, iniciou um Curso Profissional dos Serviços Florestais, na Escola Profissional do Engenho, concelho da Marinha Grande. Terminada o curso, com a classificação de 16 valores, é colocado na Administração Florestal de Aveiro, onde exerceu a sua atividade até 11 de Março de 1935, data em que deixa os serviços desta Administração por ter sido transferido para Bragança, onde chegou, acompanhado apenas de quatro funcionários, para montar os Serviços Florestais naquela região, nomeadamente, nas serras de Montesinho e Nogueira.
No arranjo de instalações e montagem de serviços, foi muito apoiado pelo então Governador Civil Coronel Salvador Teixeira. Em breve, foi muito bem recebido pela população e serviços oficiais. A atividade desenvolvida durante os primeiros dois anos mereceu notícia em jornais, dado o número de árvores plantadas nos perímetros referidos, casas construídas para guardas, quilómetros de estradas, etc. Várias vezes visitou o Abade de Baçal, conhecedor da zona onde incidiu a sua obra, colhendo informações muito valiosas que aproveitou para o planeamento dos serviços a executar.
Em Fevereiro de 1948, deixa a Administração Florestal de Bragança, por, a seu pedido, ter sido transferido para Viana do Castelo, com o desejo de se aproximar da sua única filha, que tinha a estudar no Porto, na Faculdade de Farmácia. Foi com muita saudade que deixou as pessoas de Bragança, onde se sentiu tratado como um filho da terra. Em Viana do Castelo exerceu a sua atividade desde 22 de Fevereiro de 1948 até 30 de Julho de 1965, altura em que se aposentou. Foi homenageado por superiores e colegas.
No decurso deste período foi destacado, em serviço, para os Açores, onde impulsionou, grandemente, os Serviços Florestais, nomeadamente, nas ilhas de S. Miguel e Santa Maria, durante os meses de Setembro a Dezembro de 1948. Em 30 de Maio de 1960, desloca-se, expressamente, à Marinha Grande para receber uma medalha das mãos do Presidente da República Américo Tomás. Após a sua aposentação, na vila de Mesão Frio, onde passou a residir, dedicou-se ao ramo da Farmácia de Oficina, numa farmácia de sua filha, onde exerceu, eficientemente, a atividade de Ajudante Técnico, ainda por muitos anos.
Faleceu com 100 anos de idade. Trabalhou muito, pois assim é que se sentia feliz, felicidade acrescida por se sentir amado, por a sua mulher até aos 95 anos, pela sua filha e genro, pelos seus netos, que viu crescer, assistindo à licenciatura de ambos e ao casamento e ainda pelos seus 4 bisnetos, tendo o contentamento de estar presente na licenciatura, em Engenharia, do mais velho. Apreciava, sobremaneira, com muito interesse, a vida de todos os seus familiares. No dia do seu último aniversário, proferiu, ainda, umas palavras de agradecimento, deixando transparecer bem o seu enorme prazer pela festa que lhe foi feita, rodeado de pessoas muito queridas.
Alfeu Baptista