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ÁLVARES, Baltasar

Filósofo e teólogo jesuíta (n. Chaves, 1560 m. Coimbra, 12-2-1630).
Após o ingresso no noviciado da Companhia, em Coimbra, a 1 11 1578, cursou Filosofia e iniciou Teologia (1585), que concluiu em Évora. Desde 1587 até 1590 ensinou Latim no Colégio de Santo Antão de Lisboa. Leccionou Filosofia durante oito anos lectivos na Universidade de Évora (1590-1594) e no Colégio das artes de Coimbra (1594-1598), e Teologia durante doze anos, no Colégio de Jesus de Coimbra (1599-1602) e depois em Évora. onde ocupou as cátedras de Tércia (1602-1604), de Véspera (1604-1607) e de Prima (1607-1610 e 1612-1613). Nesta última cidade, foi cancelário da Universidade de 1610 a 1615 e de 1620 a 1622.
Por diligência do inquisidor geral, D. Ferrão Martins Mascarenhas, foi designado, em 1613, “revedor dos livros” da Inquisição, organizando, nesse cargo, o lndex auctorum dammatae memoriae (impresso em Lisboa em 1624), que representa, entre nós, o ponto de chegada do processo que gradualmente abriu as portas aos índices expurgatórios, complementares dos proibitórios. Pertence ainda a Baltasar Álvares a revisão e a preparação para a imprensa das obras póstumas de Francisco Suárez (m. 1617), de que foram publicados oito vols., entre 1619 e 1628, com alguns prefácios e dedicatórias da sua autoria. Quanto à produção filosófica, destaca se a redacção do Tratado da Alma Separada, editado anonimamente pela primeira vez em Coimbra, em 1698, e constituindo a parte final da obra de Manuel de Góis Comentários aos três livros da alma, de Aristóteles, que se integra no célebre curso filosófico conimbricense, realizado na fase do apogeu da nossa segunda escolástica.
No referido tratado (em seis disputiones, com o total de 96 pp.) evidenciam-se duas doutrinas fundamentais, de natureza metafísica e gnosiológica, inspiradas em São Tomás: 1) a alma humana é definida como a forma do corpo e simultaneamente como uma substância que possui o ser independentemente dele (ela é per se subsistens), justificando se desse modo a sua imortalidade (d.I, a 1 3); mas, porque é forma, o estado de separação, após a morte, não lhe éco natural, o que explica a apetência para se unir ao mesmo corpo que antes informara; isto quer dizer que a alma separada conserva a sua individualidade, podendo assim, no dia da ressurreição final, retomar a matéria nas dimensões determinadas que lhes eram próprias (d.Il, a 1 4).
O fundamento desta doutrina é, pois, o princípio de individuação tomista como materia signata, em oposição a Duns Escoto (que B.A. expressamente desaprova), segundo o qual a alma tem a sua singularidade independentemente da composição com a matéria; por este motivo, a sua união com o corpo após a ressurreição não pode demonstrar se como resultado de uma apetência natural, mas é apenas uma verdade de fé; 2) é ainda de procedência tomista a doutrina sobre o modo de conhecimento da alma separada, bem diferente, de uma concepção platónica ou platonizante, para a qual a separação da alma do corpo constitui uma libertação que lhe permite intuir sem véus o intelegível, que antes apenas conhecera confusamente. Ao contrário, segundo B.A, dado que a alma, pela sua natureza, existe para se unir ao corpo e, enquanto unida, constrói o objecto do conhecimento a partir das imagens sensíveis, no estado de separação o seu modo de conhecer é, consequentemente antinatural; quer isto dizer que, sem uma intervenção sobrenatural de Deus, infundindo na alma as espécies intelegíveis, o seu conhecimento, nesse estado, seria mais pobre que aquele que possui na existência terrena (d.lll, a 1 5).

OBRAS: Diversos tratados teológicos, manuscritos (10 códices na Bibl. Nac. de Lisboa e na Bibl. da Ajuda); Conclusiones (sobre filos. natu¬ral, lógica e ética), Évora, 1594 e 1596; Tractatus de anima separata, in Comm. Coll. Conimbr. In ires libros de anima Aristotelis, Coimbra, 1598 (mais 13 edições, pelo menos, em Colónia, Lião e Veneza); Index auctorum dammatae memoriae, tum etiam librorum Qui vel simpliciter vel ad expergationem usque prohibentur vel expurgati permittunter, Lisboa, 1624.

BIBL.: A Franco, Imagem da virtude em o noviciado (…) de Coimbra, t.lI., Coimbra. 1719: Ano Santo da Companhia de Jesus em Portugal.
Porto, 1931; F. Stegmúller, Filosofia e Teologia nas Universidades de Coimbra e É~ ora no Sécu¬lo XVI, Coimbra, 1959; J. Pereira Gomes. Os Professores de Filosofia da Uni,ersidade de Èvora, 1960; D. Barbosa Machado. Biblioteca Lusitana, t.l, Coimbra, 1965.

A. Coxito Logos, Enciclopédia Luso Brasileira de Filosofia Verbo. I vol.

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