Sociedade

Polícias que exploram imigrantes “fragilizam mas não abalam” instituições

O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) considerou hoje que a presença de elementos da GNR e PSP numa rede que explorava imigrantes “fragiliza, mas não abala” as instituições públicas.

“É evidente que fragiliza as organizações, na medida em que, quando o Estado vê funcionários seus em redes criminosas, acaba por prejudicar a sua imagem”, mas “uma árvore não compromete a floresta”, afirmou Francisco Rodrigues à Lusa, sobre a detenção de 10 elementos da GNR e um da PSP numa rede de auxílio à imigração ilegal e de exploração de imigrantes.
Em qualquer organização, “seja pública ou privada, há maçãs podres”, mas “as instituições são grandes demais para se verem verdadeiramente afetadas por estes casos”, afirmou o dirigente do OSCOT.
GNR e PSP são estruturas “muito dignas e têm uma grande importância para o Estado e sociedade”, pelo que este caso “fragiliza, mas não abala as instituições”, acrescentou.
A existência destes casos exige ainda assim uma “atenção permanente” por parte das hierarquias, que devem atuar de modo exemplar na investigação dos casos.
Depois, “quando e se for provada a prática de crimes que comprometam o Estado e as instituições, estas pessoas têm de ser afastadas, para dar o exemplo à sociedade e para mostrar que as organizações estão atentas a este tipo de fenómenos”, disse ainda Francisco Rodrigues.
Dezassete pessoas, entre os quais dez militares da GNR e um elemento da PSP, foram detidas numa operação da Polícia Judiciária (PJ) que desmantelou uma organização criminosa que controlava centenas de trabalhadores em Beja, Portalegre, Figueira da Foz e Porto.
Em causa na investigação estão crimes de auxílio à imigração ilegal, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
Segundo as autoridades, a organização criminosa controlava centenas de trabalhadores estrangeiros, a maioria em situação irregular em Portugal.
Fonte policial revelou à agência Lusa que, no total, foram detidas 17 pessoas – as abrangidas pelos mandados de detenção -, ou seja, os 10 militares da GNR, em Beja, um agente da PSP, e seis civis.
“Nem todas as detenções foram na zona de Beja”, acrescentou a mesma fonte, indicando ainda que a maioria dos trabalhadores imigrantes vítimas da rede “é de origem indostânica”.
De acordo com a PJ, “através de empresas de trabalho temporário, criadas para o efeito, [a rede] aproveitava-se da vulnerabilidade dos mesmos, explorando-os, cobrando alojamentos e alimentação e mantendo-os sob coação através de ameaças, havendo mesmo vários episódios de ofensas à integridade física”.
A mesma fonte policial contactada pela Lusa relatou que “o grupo criminoso, constituído maioritariamente por cidadãos portugueses, explorou os imigrantes, a maioria em situação ilegal em Portugal, e forjou documentos para trabalharem em Portugal”.

POR LUSA

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