🎖️ Ilustres

PEREIRA, José Augusto da Costa

Nasceu em Vilar de Ferreiros, Mondim de Basto, em 6 de dezembro de 1938. Aos 14 anos, por sua conta e risco, decidiu deslocar-se para Vila Real; ali viveu algum tempo e aprendeu o ofício de barbeiro, arte que adotou como principal atividade profissional e exerceu, primeiramente, em Vila Nova de Famalicão, Nine, São Mamede do Coronado e, depois de 1961, em Lisboa.
Em 1968 (2 de setembro), foi admitido como funcionário nas Oficinas Gerais de Material de Engenharia para desempenhar a sua atividade na barbearia do 2.º Escalão, aberta à família militar na Calçada da Ajuda, onde se manteve até 6 de abril de 1981. Nessa data, foi transferido para desempenhar funções idênticas na Escola Superior de Saúde Militar, em Campo de Ourique, que por essa altura havia sido criada.
Munido apenas dos dotes naturais com que nasceu e dos princípios morais e cívicos que regem e caracterizam o homem transmontano, entrou na universidade prática da vida, onde se tornou aluno caloiro e procurou modelar a sua personalidade. Da terra e região, levou somente a saudade e, como relíquia valiosa, uma 2.ª Classe conseguida já fora da idade, em Fermil de Basto. O gosto de ler e a facilidade com que memoriza datas e acontecimentos históricos permitiram-lhe não só granjear cultura como também a simpatia e admiração dos amigos com quem priva mais de perto.
Foi isso que precisamente se verificou quando, no final da década de 50, o saudoso colunista celoricense José Lopes, então a lecionar numa escola primária de São Mamede do Coronado, o descortinou entre os alunos que preparava para exame da 4.ª classe (feito em Santo Tirso, a 29 de março de 1960) e, em boa hora, resolveu incutir-lhe a ideia de se tornar assinante e colaborador do extinto Notícias de Basto. A 25 de junho de 1960, surgiu na 2.ª página do mencionado jornal o seu primeiro artigo, marcando o início de uma já longa carreira de generosa labuta em prol da Imprensa Não Diária e do jornalismo puro e são.
Outra das facetas curiosas deste transmontano de Basto, que na juventude lhe granjeou certa popularidade, prende-se com seu espontâneo interesse pelo estudo e prática de artes mágicas. Fascinado com um espetáculo de hipnotismo e ilusionismo que viu no Salão Paroquial de São Mamede, dado pelo Padre Jorge Martins (então pároco de L’nhão), bastou um para que jamais descansasse enquanto não conseguiu arranjar maneira de penetrar nos segredos da magia teatral. Não tardou muito. Por mercê e gentileza do saudoso mestre Dr. Martins Oliveira, eis-o daí a pouco feito sócio titular da ex-Academia Portuguesa de Ilusionismo (Porto).
Com o pseudónimo de JAUCOP, nome com o de Teu Milo também subscreveu vários artigos, atuou em inúmeros espetáculos de beneficência e participou em diversos congressos e festivais de magia. Em 1964, classificou-se em 2.º lugar de Magia Geral, num concurso da SIJ (Secção de Ilusionismo dos Josés). De diálogo e relacionamento fácil, depressa conseguiu enquadrar-se no meio onde acontecia surgir. O seu envolvimento no campo sócio-cultural dá bem conta disso, ao mostrá-lo associado, e muitas vezes dirigente, nas mais diversificadas associações, tais como: Belém Club, Juventude Operária Católica, Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, de Lisboa, Os Josés de Portugal, Associação Portuguesa de Ilusionismo, Sociedade de Língua Portuguesa, Novo Horizonte, etc.
Procurando gerir o tempo e aproveitá-lo em benefício da sua formação humana, inscreveu-se no Externato Latino Coelho, onde, depois de habilitado, fez, em 1973, o Ciclo Preparatório na Escola Preparatória Francisco de Arruda, e, a seguir, em 28 de julho de 1975, no Liceu D. João de Castro, as disciplinas de Português, Francês, História e Geografia (do antigo 5.º ano).
O amor à sua terra natal e uma tenaz dedicação ao jornalismo regional tornaram-no conhecido e aceite no mundo das letras como correspondente e colaborador assíduo de vários jornais. Ecos de Belém, Notícias de Chaves, A Ordem, O Mensageiro de Leiria, O Montemorense, A Voz de Trás-os-Montes, Notícias do Bombarral, Terras de Basto, Monte Farinha e Povo de Basto são alguns desses jornais onde generosamente mais se tem distinguido como cronista social e publicista que, para além da reportagem, privilegia a vertente histórico-etnográfica.
Em 1983, editou um opúsculo intitulado “A Região de Basto e as Ferrarias entre Tâmega e Douro”, que rapidamente se esgotou. Para assinalar o quadragésimo aniversário da sua carreira jornalística, cuja data ocorreu a 25 de junho de 2000, publicou em edição especial “Vilar de Ferreiros – na história, no espaço e na etnografia”, uma curiosa monografia sobre a sua terra natal.
Mercê do seu profissionalismo e comportamento no ambiente de trabalho, vários são os louvores oficiais que lhe têm sido conferidos: por Portaria de 9 de março de 1998, foi condecorado com a Medalha de D. Afonso Henriques – Patrono do Exército, 4.ª classe, pelo Chefe do Estado Maior do Exército. Embora transmontano residente em Lisboa, por casamento, está também ligado à terra do Lis (Bajouca – Leiria).”

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