🎖️ Ilustres

RODRIGUES, António Augusto Gonçalves

Nasceu em Bragança, em 22 01 1906. Faleceu em 28 07 1999, na sua residência em Lisboa, ficando sepultado em S. Martinho do Porto. Em 1929 licenciou-se em Filologia Germânica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Dele se falou no 1º volume deste Dicionário. Mas merece mais. E aqui fica o retrato feito por seu filho: António J.G. Rodrigues e publicado na edição de Mensageiro de Bragança de 06 08 1999: “Entre 1930 e 1933, foi bolseiro nas Universidades de Bona e Londres, depois convidado para docente na Faculdade de Letras de Coimbra, desde 1933, Leitor de Português em Oxford (1934-1937 e 1940-1941), bem como em Londres (1938-1940 e 1943-1945). Em Londres organizou os serviços da BBC para Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, tendo sido o seu primeiro locutor. Doutorou-se, em 1951, sendo convidado para Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde ensinou com especial gosto pela Literatura Inglesa Medieval e Moderna, exercendo os cargos de Director (1952-1956) e de Vice Reitor (1956-1962), sendo jubilado em 1976. Ao longo da sua passagem pela Faculdade, manifestou particular empenho na graduação académica de jovens assistentes, que a seu tempo se doutoraram, vindo a ocupar lugares cimeiros em diversas instituições científicas e universitárias. Aderindo desde jovem à Causa Monárquica, aceitou cargos políticos. Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa (1951-1956). Deputado e Vice Presidente da Assembleia Nacional (1961-1965). Fundou o Instituto Superior de Línguas e Administração em Lisboa, em 1962, onde permaneceu como professor, director e administrador até 1998. O ISLA estendeu-se posteriormente a Santarém, Vila Nova de Gaia, Bragança e Leiria. Autor de um grande número de artigos em periódicos e obras de consulta, traduziu ensaios e ficção narrativa inglesa. Merecem especial referência, de entre a obra publicada de A.A. Gonçalves Rodrigues, “Novalis Medievalismo Romântico”, Coimbra, 1929; “Mariana Alcoforado. História e Crítica de uma Fraude Literária”, Coimbra, 1935 e 1843; “D. Francisco Manuel de Melo e o Descobrimento da Madeira”, Lisboa, 1935; “A Novelística estrangeira em Versão Portuguesa no Período Pré Romântico”. Coimbra, 1951; “O Protestante Lusitano”, Coimbra, 1951 (tese de doutoramento); “A Língua Portuguesa em Inglaterra nos Séculos XVII e XVIII”, Coimbra, 1951; “Camões e a Sua Vera Efígie”, Lisboa, 1968; “Medievalismo e Modernidade na Tragédia Shakespeareana”, Lisboa, 1965. A sua obra de investigação maior é “A Tradução em Portugal”, fruto de meio século de pesquisa sobre as traduções impressas em língua portuguesa, excluindo o Brasil, do século XVI aos nossos dias. Concebida para oito volumes, estão já impressos os quatro primeiros (Lisboa, 1992/92/93/94) estando prestes a sair o quinto volume”. Francisco Videira Pires, na mesma edição daquele semanário escreveu uma nota sobre o Fundador do ISLA, à qual chamou: “Gonçalves Rodrigues: um mestre inesquecível”. A dada altura escreve: “um dia enquadrou-se no corpo docente do ISLA, em Lisboa, com provas de distinção que guardo no coração para sempre. À minha resistência de que praticamente nada sabia disso, logo me atalhou que, tratando-se dum ramo sociológico muito recente, ninguém no país estava preparado para lecionar. Mas que mandasse vir todos os livros que desejasse, à conta da Escola. E foi. Com sebenta logo no primeiro curso. E um esgotamento sério também. Razões de sobra para o escolher como padrinho do meu doutoramento”. Verdade é que o ISLA cresceu e foi utilíssimo ao país e a milhares de jovens que obtiveram formação superior nos muitos cursos e estabelecimentos de ensino que desde 1962 passaram a funcionar”. Actualmente existem Escolas do ISLA em Santarém, Vila Nova de Gaia, Bragança e Leiria, para além de Lisboa. A Escola de Bragança abriu em 4 de Novembro de 1985, é dirigida pelo Dr. António Manuel Martins e tem um corpo docente bastante qualificado. Mensageiro de Bragança, dedicou 3 páginas a este ilustre Transmontano, Pai do ISLA, na sua edição de 6 de Agosto de 1999, a propósito do seu falecimento.

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