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CALDEIRÃO, José Osório Culmieiro de Moraes da Veiga Cabral

Nasceu em Murça, em 20 de novembro de 1765. Foi fidalgo cavaleiro da Casa Real por sucessão, comendador da Ordem de Cristo, senhor do morgado de S. Vicente de Vinhais, do de Souto de Penedono, do de Ferreirim e do prazo de Paúlos, os três últimos por linha materna. Foi major de Cavalaria e, em 13 de junho de 1828, nomeado coronel comandante do Batalhão de Voluntários Realistas de Vila Real, em atenção aos seus princípios solidamente absolutistas. Casou com D. Francisca Amónia de Figueiredo Sarmento, que nasceu em 1770, filha do senhor da Casa de Vila Boa de Arufe, Sebastião Jorge de Figueiredo Sarmento, cavaleiro da Ordem de Cristo, e de sua mulher D. Mariana de Gouvêa Vasconcellos. O título de 1º Barão de Paúlos foi-lhe concedido em duas vidas por Decreto de 13 de dezembro de 1823, pelo Rei D. João VI. Desconhece-se a data da sua morte, mas sabe-se que, em 1821, mudou de residência de Vinhais para Paúlos. Presume-se, contudo, que não tenha assistido à Guerra Civil. Foi 2º Barão António Culmieiro de Moraes, que nasceu em 1789, filho primogénito dos 1ºs Barões. Assentou praça de cadete a 1 de novembro de 1804 e foi promovido a alferes a 5 de dezembro de 1810, a tenente em 26 de maio de 1813, a capitão em 18 de dezembro de 1820 e a major em 13 de abril de 1823. Ardente partidário de D. Miguel como seu pai, serviu no exército realista e foi graduado em tenente coronel a 28 de novembro de 1828 e com efetividade no posto a 10 de julho de 1829. Assumiu o comando interino do Regimento de Cavalaria de Elvas em 2 de setembro de 1831 e efetivo desde a sua promoção a coronel em 23 de janeiro de 1833. Ainda atingiu o posto de brigadeiro a 2 de janeiro de 1834, mas, segundo os itens da Convenção de Évora Monte, teve que baixar ao posto de major. Casou com D. Maria Joaquina da Silva, de quem teve um filho varão, que morreu solteiro e sem geração, e duas filhas, casando a primogénita, D. Maria do Carmo Osório Culmieiro da Veiga Cabral Caldeirão, com o 1º Marquês de Chaves, tendo sido os pais do 2º Marquês, como referi quando abordei estes titulares, e recaindo assim este título nessa Casa. O 2º Barão de Paúlos usou o título com autorização do Rei D. Miguel I e não consta que tenha esboçado o mínimo gesto para se reabilitar a ele durante o governo liberal.
Cabe aqui uma pequena memória ao único Visconde de Paradinha do Outeiro, António José de Miranda, que nasceu em Paradinha, termo da antiga vila do Outeiro (outros autores chamam Castelãos, no concelho de Macedo de Cavaleiros) a 21 de março de 1812. Filho de Manuel Gonçalves de Miranda e de sua mulher D. Joana Maria Rosa Pereira de Sousa, era seu pai par do Reino, foi ministro de Estado honorário, conselheiro de Estado efetivo e comendador da Torre e Espada. Combateu como voluntário nas tropas liberais e ganhou também ele a Torre e Espada pelo seu valoroso comportamento na batalha da Asseiceira. Era bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra e foi par do Reino por sucessão. Acérrimo partidário de Costa Cabral, manteve com grande esforço e perspicaz inteligência o distrito de Bragança submisso ao poder central dos Cabrais durante o perturbado período da “Guerra da Maria da Fonte”. Em 1847, foi governador civil de Bragança e o título de Visconde da Paradinha de Outeiro foi-lhe concedido pela Rainha D. Maria II, por Decreto assinado e datado de 3 de maio de 1848. Depois do Movimento da Regeneração, em 1851, abandonou de todo a política e retirou-se para a casa que o vira nascer, ocupando-se das suas propriedades e bens. Morreu solteiro e sem geração em março de 1888.

Por Eduardo Proença Mamede In Mensageiro de Bragança, 26.10.2001

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