LINHA DO CORGO: A HORA DA UNIÃO
CRÓNICA DA SEMANA
(A Linha do Corgo é fundamental para a região.
É hora da Comunidades Intermunicipais do Douro e das Terras de Trás-os-Montes se juntarem, e aproveitarem a ocasião para tomar conta do processo)
A Linha do Corgo, de quando em vez, volta à baila ressuscitando um falatório político que já nos cansa.
Desta vez o assunto voltou a ser discutido no Parlamento, do qual resultaram muitas questões e uma recomendação que, para além de ser inútil por não ter força de Lei, tem em contrapartida a utilidade política de continuar a alimentar as esperanças dos durienses e transmontanos.
Vamos, primeiro, fazer um pequeno historial do que foi esta ferrovia que funcionou durante 84 anos, e do seu desmantelamento irresponsável.
Inaugurada já com a Monarquia acossada, em 1906, deu à luz o troço entre a Régua e Vila Real. Em 1921 chegava definitivamente a Chaves.
Depois, foi o que se sabe: com o 25 de Abril a democracia deslocou-se para o litoral e foi logo tomada de assalto pela capital, porque o resto era (e é) paisagem. Em 2009, com o pretexto de execução de obras, o troço Vila Real- Chaves foi encerrado. E assim, o que seria um encerramento temporário, tornou-se definitivo. O encerramento total viria a verificar-se um ano depois (2010), sendo extinto o troço Vila Real-Régua.
E assim, nunca existindo (até hoje) da parte do Poder Central uma estratégia consistente e devidamente planificada de combate à desertificação do interior, com o objectivo de equilibrar demograficamente o país, os jovens partiam das populações interiorizadas, os que ficaram começaram a envelhecer, enfim, uma história que toda a gente conhece e que teve o seu início ainda no Estado Novo que, também, nunca encarou este problema como devia.
Era um círculo vicioso: diminuía a população e diminuíam também as infra-estruturas e equipamentos.
Estamos, portanto, perante um problema velho, mas não tão velho como a Linha do Corgo.
Entretanto, as questões que foram recentemente levantadas na Assembleia da República são vastas e de uma complexidade que transcende a debilidade técnica/académica da maioria dos deputados. De facto, o Projecto de Resolução aprovado foi favorável à reabilitação da ferrovia em causa, mas, como Resolução, tem o valor de um cheque em branco.
E como se o assunto já não contivesse complexidade que bastasse, o Parlamento ainda lhe juntou mais problemas, tais como: o financiamento, a metodologia a seguir, a atribuição da responsabilidade dos projectos, a comparação com a rodovia, se devia acabar em Chaves ou Bragança, a sua utilidade só para fins turísticos, e, para além de outros tantos, até o impacto ambiental da Linha veio à baila.
Conclui-se, muito seriamente, que a Linha é para esquecer.
Mas como esta discussão decorreu em Julho deste ano, e agora que foram retomados os trabalhos da AR, seria bom que os responsáveis transmontanos-durienses acordassem e avançassem com uma resposta fundamentada ao Parlamento e aproveitarem a oportunidade para pressionar.
Como?
No meu modesto entender, creio que deveria ser efectuada, para já, uma reunião conjunta entre a Comunidade Intermunicipal do Douro (CIMDouro) e a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTR), da qual sairia uma resolução conjunta e, posteriormente, mas com brevidade, tomassem o processo nas mãos suprindo as dúvidas dos senhores deputados.
Caso assim não procedam, acreditem que o processo volta ao local donde sempre esteve: a gaveta bolorenta do Ministério.

Francisco Gouveia, Engº



