CORDEIRO DE SOUSA, Luciano Baptista
Jornalista, crítico, político e historiador (n. Mirandela, 1844 m. Lisboa, 1890).
Concluiu o Curso Superior de Letras em 1867, vindo a exercer o cargo de professor de Literatura e de Filos. no Real Colégio Militar, entre 1871 e 1874, e a fundar a Sociedade de Geografia (1875), da qual foi secretário perpétuo.
A sua bibliografia abarca muitas dezenas de títulos e reveste se de um carácter multifacetado, pois abrange temas económicos e políticos, literatura e arte, questões de política colonial, para além de uma série de importantes estudos no âmbito da história dos Descobrimentos.
Assume relevância filosófica e reflexão que empreendeu em torno dos problemas da arte (Da Arte Nacional, 1876; Da Literatura conto Revelação Social, s/d) e de ciência (Ciência e Consciência, 1871). Para Luciano Cordeiro, a arte mais não é do que “a expressão do Ideal pelo sensível”, entendendo pelo termo “expressão” a necessidade de uma “harmonia entre a Ideia e a exterioridade sensível”. Quer isso dizer que a crítica literária e a crítica do fenómeno artístico em geral têm de levar em conta a “subordinação fatal” do indivíduo à acção do meio em que nasce, vive e se desenvolve, acção que se consubstancia tanto no condicionamento físico químico, como, sobretudo, histórico e sociológico.
É neste último domínio que enquadra a influência, para si, marcante, da Tradição, levando o a defender a existência de uma arte nacional. A defesa dos valores nacionais foi, aliás, uma das linhasde força marcantes da sua actividade inte¬«lectual, nomeadamente no tocante à crítica do iberismo e à exaltação dos Descobrimentos marítimos do séc. XVI. No tocante à ciência, L.C. tem clara consciência de que “o ciclo actual da história é o da civilização positiva”.
O mundo em que se situa rege se, nas suas palavras, pela “lei suprema das evoluções contínuas” e pela crença no “progresso indefinido” das sociedades. Assim sendo, é a ciência “positiva” que se assume em principal factor dinâmico da evolução histórica e social no seu tempo. No entanto, o ideal de “positividade” que deveria presidir ao método científico não é por si só suficiente para expressar a “epopeia majestosa” do séc. XIX, razão por que reclama a activa intervenção da consciência (“o sentimento do bom e do justo”). Assim, em discurso proferido perante os alunos do real Colégio Militar, em 1871, defenderá que as armas e os exércitos se assumem como fundamentais, mas que é na conjugação entre a ciência e a consciência neste caso nacional que reside a chave da política de defesa das nações modernas, da grandiosidade dos povos, da sua força e da sua coesão.
BIBL.: a relação exaustiva das suas obras encontra se em J.M. Cordeiro de Sousa, Luciano Cordeiro; v. também: Mendes dos Remédios História da Literatura Portuguesa, Coimbra, 1930; Fidelino de Figueiredo, História da Literatura Portuguesa (séculos X11 XX), Lisboa. 1936.
Pedro Calafate Logos. Enciclopédia Luso Brasileira de Filosofia, 5 volume.