TEIXEIRA, Manuel
Nasceu em 15 de abril de 1912, em Freixo de Espada à Cinta. Optou pela vida religiosa (ver Vol. 1) e, com apenas 12 anos, partiu para Macau, onde continuou a sua missão religiosa até setembro de 1999. Nessa data, a Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, em parceria com as restantes forças vivas do concelho, prestou-lhe uma homenagem, expondo na Cave do Mercado Municipal uma exposição sobre sua vida e obra.
O Semanário Transmontano, por meio de Virgínia do Carmo, publicou em 3 de setembro de 1999 um comentário, destacando sua trajetória. A bordo do navio D’Artagnan, partiu para Macau e frequentou o Seminário de São José. Ao longo dos primeiros 20 anos de sua ausência de Portugal, foi assistente diocesano da Juventude Independente Católica Feminina (JID), procurador Interino dos Bens das Missões Portuguesas de Singapura e Malaca, e procurador dos Bens das Missões Portuguesas na China.
Em 1946, regressou a Portugal com uma licença graciosa. Em 1948, já com cerca de 20 livros editados sobre a história de Macau, partiu novamente para Singapura como Superior e Vigário Geral das Missões Portuguesas de Singapura e Malaca. Em Singapura, organizou várias instituições religiosas, fundou duas publicações periódicas e editou mais uma dezena de livros. Em 1952, foi condecorado pelo seu conterrâneo Comandante Sarmento Rodrigues, então Ministro do Ultramar, com o Oficialato da Ordem do Império Colonial.
Em 1989, recebeu a Comenda da Ordem Militar de Santiago e Espada, das mãos do Presidente da República Mário Soares. No mesmo ano, foi proclamado membro da Academia de História e, quatro anos antes, recebeu o título de “Figura do Ano” em Macau, onde é reconhecido como cidadão benemérito.
Após retornar a Macau, entre 1976 e 1980, foi Diretor dos Arquivos de Macau e do Boletim do Instituto Luís de Camões, além de ter exercido funções de docente em várias escolas até 1970.
Em 1959, fundou a Obra do Pão dos Pobres de Santo António, em Freixo de Espada à Cinta, legando-lhe uma casa e uma quinta.
Monsenhor Manuel Teixeira, a residir ainda em Macau, é membro da Associação Internacional de Historiadores da Ásia, da Academia Portuguesa de História e da Academia Portuguesa da Marinha. Em 1994, sofreu problemas de saúde devido a uma paralisia cerebral periférica, mas, após dez meses de internamento, continuou a exercer suas funções eclesiásticas.
Em uma de suas entrevistas, respondeu à pergunta “como gostaria de ser recordado”: “O homem é pó, a fama é fumo e o fim cinza… só os livros permanecerão e essa é a minha consolação”. Os seus amigos o descrevem como um homem simples, que viveu durante muitos anos em salas humildemente mobiladas no Seminário de São José, em Macau, rodeado pelos muitos livros que escreveu.
Em março de 1999, o Semanário Transmontano realizou um trabalho jornalístico com Monsenhor Manuel Teixeira em Macau, destacando sua condição de cidadão transmontano e sua contribuição em um suplemento dedicado ao território, editado em 14 de maio de 1999.