ESTEVES, Ilídio Aires
Mais conhecido por Capitão Ilídio, nasceu em Vila Flor, em 1897, filho do ferreiro Ernesto Álvaro Esteves. Fez a instrução primária em Vila Flor e a l.a Grande Guerra, leva o para o Corpo Expedicionário Português, com o posto de Furriel.
Com o armistício, faz a ascensão no Exército até chegar a Capitão. Prestou serviço no Regimento de Infantaria n.° 30 (Bragança), na Escola Prática de Infantaria (Mafra), no Distrito de Recrutamento e Reserva n.° 10 (Mirandela), no Regimento de Infantaria de Chaves e no Regimento de Infantaria n.° 9 (Braga), de onde foi mobilizado para os Açores, devido à 2.a Grande Guerra. O Capitão Ilídio foi Comandante da Secção da GNR de Mirandela e da GNR de Bragança. Mas os rebentamentos na l.a Grande Guerra, afectam lhe muito a audição e passa a reserva.
Comandou em Mirandela o núcleo da Legião Portuguesa e da Defesa Civil do Território. Foi Administrador e depois Presidente da Câmara Municipal de Mirandela entre 1948 e 1959, marcando este período municipal, em que se destaca a construção de escolas primárias, estradas municipais, água às aldeias e a obra mais marcante, o Hospital Distrital de Mirandela. Em 1959 é lhe feita uma grande homenagem no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários. Fez ainda parte do Aeroclube de Mirandela, da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas Mirandelenses, dos Bombeiros Voluntários, do Sport Clube de Mirandela. Foi durante vários anos Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mirandela conseguindo que o Hospital se afirmasse como Regional.
Foi condecorado com a medalha de prata da legião, a medalha da l.a Grande Guerra, medalha de ouro dos Bombeiros e Cavaleiro da Ordem Militar de Aviz. Foi um republicano convicto e tomou parte nas penosas marchas e nas lutas contra os monárquicos em 1919, sob o comando do Major Carlos Augusto Vergueiro. Casou em 1922, com Maria Cristina Esteves (natural de Dadim Chaves), teve um filho Ilídio António Esteves (Engenheiro). Faleceu, após doença prolongada, em Lisboa, sendo o cortejo fúnebre acompanhado para Mirandela por muitas personalidades nacionais, regionais e locais.
Figura austera, com um apurado sentido de justiça. Era incapaz de interceder por um ladrão, mas era sensível a casos irreflectidos ou de injustiça. Senhor de um apreciável património em Mirandela, na Serra Pelada (Vale Madeiro) e em Chelas. Criado em Tempos difíceis era muito poupado. Foi o último senhor das famosas Barcas de Chelas que arrendava anualmente aos barqueiros de Chelas.
Jorge Lage