FLOR, Marquês de Vale
Chamou se José Luís Constantino, nasceu em Murça, em 19.3.1855 e morreu em 20.7.1932, na Alemanha.
Em 1871 emigrou para S. Tomé, empregando se numa casa comercial de João Maria Constantino. Em 1874 mudou se para a agricultura. Em 1877 passou a explorar uma fazenda e em 1882 comprou a roça Boa Vista. Tornou se o maior e mais opulento agricultor de S. Tomé e Príncipe. Essa riqueza provinha do café vendido aos ingleses. Aprendeu a falar o francês, inglês e alemão. Comprou a Mala Real e desenvolveu a Companhia Nacional de Navegação. Aí mesmo chegou a Presidente da Câmara (S. Tomé). Também foi eleito deputado.
Em 1890 D. Carlos agraciou o com o título de Visconde. Mais tarde receberia o de conde. O título de marquês foi lhe concedido pelo rei (D. Carlos) em 1907. D. Manuel II nomeou o par do Reino, em Setembro de 1910. Em sinal de gratidão o Marquês de Vale Flor queria recebê-lo no seu palacete de Murça, em 9 de Outubro de 1910. Só que aconteceu o 5 de Outubro. E a visita ficou adiada para sempre. Em Junho de 1911 foi acusado pelo jornal O Mundo, de estar comprometido numa conspiração contra o regime republicano. Foi um Murcense atento e generoso.
A Câmara Municipal, deliberou, em 17.10.1917 atribuir o seu nome a metade duma rua. Casou com D. Maria do Carmo Ferreira Pinto Constantino que em 1953 instituiu o Prémio Jenny Vale Flor e José Luís Vale Flor, em homenagem a dois filhos que tivera com esses nomes e que morreram precocemente. A mesma Senhora fundou ainda o Instituto Marquês de Vale Flor destinado a apoiar estudos e trabalhos científicos sobre as províncias ultramarinas portuguesas, desde que esses trabalhos versassem assuntos relacionados com as populações indígenas.