MELLO, Vasco Marinho de Almeida Homem de Sampaio e
Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal Administrativo, Presidente da Junta Nacional da Cortiça, Delegado do Procurador da República e do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, nasceu a 6.12.1912, sendo filho de António Maria Homem da Silveira de Sampaio de Almeida e Mello e de sua mulher D. Zamira Teixeira Marinho da Cunha. Embora nascido e baptizado em Lisboa (pelo cónego Ayres Pacheco, reputado orador sacro), passou a primeira infância no Alto Douro onde seu pai, implicado na revolta restauracionista da “Monarquia do Norte”, se refugiara e fixara residência após o colapso deste movimento.
Em Outubro de 1930, matriculou-se na Faculdade de Direito de Coimbra e de seguida transferiu-se para a de Lisboa, tendo sido aluno, entre outros, dos professores José Gabriel Pinto Coelho, Paulo Merêa, Rocha Saraiva e Lobo de Ávila Lima. Por sugestão do Prof. Abel de Andrade, lente da cadeira de Direito Criminal, defendeu tese de Licenciatura em torno da pena de Degredo, a qual foi mais tarde publicada em letra de imprensa nas colunas do “Boletim dos Institutos de Criminologia”. Diplomado em Ciências Jurídicas com a classificação de 16 valores (1935), foi secretário de seu tio, Cons. Miguel Homem de Azevedo Queiroz de Sampaio e Mello, futuro Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, após o que prestou provas para Delegado do Procurador da República, obtendo no respectivo concurso a marca de “Muito Bom”. Em comissão de serviço, exerceu durante vários anos e com larga jurisdição as funções de Delegado do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência de Coimbra.
Remonta a 1941 o seu casamento canónico com D. Margarida Maria Gabriela da Graça Corrêa de Lacerda e Seixas, filha do Dr. Joaquim António de Seixas, senhor de casa dos Negrais (Vale de Cambra). Convidado para cargo de Governador Civil de Viseu, declinou tal convite, preferindo submeter-se a provas para Juiz de Direito, nas quais alcançou a classificação de “Muito Bom” e público louvor do Prof. Paulo Cunha, membro da banca examinadora. No exercício da magistratura, foi juiz dos tribunais do Trabalho de Coimbra, Setúbal e Lisboa, além de magistrado adjunto do Inspector Judiciário dos mesmos tribunais.
Em 1954, sendo Ministro da Economia o Dr. Ulisses Cortês, foi nomeado Presidente da Junta Nacional da Cortiça. Desempenhou papel notável nesta função, quer empreendendo deslocações ao estrangeiro com o objetivo de solucionar os graves problemas económico-financeiros com que se debatia o setor, quer autorizando a exportação direta da matéria-prima corticeira para o Canadá e para a União Soviética – país com o qual Portugal não mantinha ao tempo relações diplomáticas – ato de que resultaram grandes benefícios para a economia nacional. Exonerado, a seu pedido, de Presidente da Junta Nacional da Cortiça (1957), ascendeu nesse mesmo ano à categoria de Juiz do Tribunal de Segunda Instância das Contribuições e Impostos e em 1965 à de Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal Administrativo, onde ocupou a vaga do Cons. Motta Veiga, então Ministro de Estado adjunto da Presidência do Conselho.
Aposentado em 1976 – não sem que antes, no rescaldo da Revolução de 25 de Abril de 1974, tivesse sofrido penalidades de índole funcional – tem-se dedicado à administração da grande casa agrícola de que é proprietário no concelho de Mêda (Alto Douro), em cujo modelo de gestão introduziu benfeitorias assinaláveis. De realçar é ainda o apoio que desde há muito vem dispensando às causas da Igreja (clero regular e secular) e da Autarquia, bem como às camadas mais pobres e desfavorecidas da população local.