VAÍA, José de Sousa Pereira de Sampaio
Foi 2.º Visconde de Santa Marta. Neto de José de Sousa Pereira Guedes Vaía de Sampaio, senhor da Casa de Santa Marta de Penaguião, é filho de Manuel Gregório de Sousa Pereira de Sampaio (29-11-1776 – 21-10-1844), 1.º Visconde de Santa Marta, que teve grande importância na resistência armada de Trás-os-Montes contra a Invasão Francesa.
José de Sousa Pereira de Sampaio Vaía, Marechal de Campo, Comendador das Ordens de Avis e da Torre e Espada, Cavaleiro da Legião de Honra de França, condecorado com a medalha de Guerra Peninsular, nasceu em Vila Pouca de Aguiar e morreu em Santa Marta de Penaguião a 13-02-1847. Quando se deu, em 1808, a sublevação da província de Trás-os-Montes contra os franceses que ocupavam Portugal, foi um dos primeiros a alistar-se nas forças que defendiam a independência nacional. Serviu como alferes nos Batalhões de Caçadores nº 3 e 4 durante a Guerra Peninsular, sendo condecorado pelos seus feitos.
Em 1817, ofereceu-se para tomar parte na expedição a Pernambuco, comandada pelo general Luís do Rego, fazendo parte com o posto de major da divisão dos Voluntários Leais de El Rei. Combateu na campanha de Montevideu. Quando voltou ao reino foi colocado no Estado Maior, como coronel graduado. A revolução de 1820 encontrou-o nesta situação, e como José de Sousa se manifestasse a favor dos princípios da Junta Suprema do Porto, teve notável intervenção nos acontecimentos ocorridos em Lisboa em 11-11-1820. Passados tempos, e em face da evolução dos sucessos políticos, na qualidade de brigadeiro graduado e comandante do regimento nº 23, levantou o movimento da Vilafrancada, que teve por resultado a queda do regime parlamentar.
Depois do triunfo do movimento absolutista, e do regresso de D. João VI à capital, no meio das tropas comandadas pelo infante D. Miguel, foi o brigadeiro José de Sousa objeto de particular benevolência deste príncipe, sendo nomeado subchefe do Estado Maior Geral e feito Visconde de Santa Marta, em sucessão de seu pai. Em 1828, comandava as divisões ligeiras de Trás-os-Montes e Minho, na ocasião em que se deu a revolta do Porto. Comandava a 4.ª divisão, no Porto, quando em 1832 se deu o desembarque dos liberais do Mindelo, e as autoridades miguelistas, que não contavam com tal sucesso, não tomaram providências contra tal eventualidade. Em face das notícias, o general, na manhã de 08-07-1832, mandou recolher os dinheiros dos cofres públicos da Companhia Vinícola do Douro. Destacou a 3.ª brigada para a costa junto a Vila do Conde, sob o comando do brigadeiro José Cardoso Meneses, e foi ele próprio com outra fração das forças disponíveis, milicianos de Braga e 60 dragões de Chaves, guarnecer outra zona litoral, mais a Sul, a praia do Lavre, acima de Leça.
Atacadas essas forças pelos atiradores de D. Pedro e cortadas as comunicações entre os dois generais absolutistas, teve o Visconde de Santa Marta de retroceder sobre Matosinhos e recolher pela noite ao Porto, com 13.000 homens. Ali resolveu evacuar a cidade. As forças recuaram para Grijó e depois para Oliveira de Azeméis, onde se realizou a concentração das várias forças que defendiam a causa de D. Miguel, pois Cardoso Meneses tinha feito uma marcha exaustiva, rodeando o Porto. Avançaram as tropas até Vila Nova de Gaia e uma parte delas passou a 20-08-1832 para a margem norte do Douro, tendo-se estas últimas batido contra os liberais em Valongo e Ponte Ferreira. Num esforço combinado com o general Póvoas, conseguiu então fechar o cerco do Porto. A rivalidade entre estes dois chefes miguelistas frustrou todo o plano e impediu uma vitória decisiva na ação de Ponte Ferreira. O Visconde de Santa Marta não se apercebeu da confusão que pôs em debandada as forças liberais para o Porto e retirou-se por seu lado para Oliveira de Azeméis. Mais tarde, conseguiu ocupar Penafiel e não prosseguiu na ação perante a propositada inércia do general Póvoas.
A fim de anular os efeitos desta rivalidade, o governo miguelista nomeou o general Gaspar Teixeira para o lugar de comandante-chefe do exército, porém, este general não foi mais feliz e veio pouco depois a ser substituído pelo Visconde de Santa Marta, que estabeleceu o seu quartel-general em Águas Santas. Operou novamente o cerco do Porto, mas limitou-se a esperar que os sitiados se rendessem à míngua, em vez de desenvolver o ataque à cidade. O governo miguelista demitiu-o, por este facto, em 21-02-1833, e fê-lo substituir pelo conde de S. Lourenço, que nenhum êxito conseguiu. Ainda antes do fim da luta, abandonou o partido de D. Miguel e apresentou-se a D. Pedro, retirando-se para a sua casa de Trás-os-Montes, onde viveu obscuramente os anos que mediaram até à sua morte. Morreu solteiro e sem geração (in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira).
A Casa de Santa Marta a que se refere o texto seria, muito provavelmente, o edifício que foi restaurado e é atualmente a Câmara de Santa Marta de Penaguião, que foi adquirido aos anteriores proprietários pela Família Rola.