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NUNES, Filipe

Não se sabe ao certo quando nasceu e quando morreu Filipe Nunes.
Sabe-se apenas que nasceu em Vila Real, filho de Belchior Martins e Guiomar Nunes. E sabe-se também que a 4 de Novembro de 1591, já em idade madura, terá procurado o isolamento tranquilo e inspirados do Convento dos Dominicanos, em Lisboa, onde professou, tendo nessa altura mudado o nome para Filipe das Chagas. Estes elementos biográficos colhem se nas páginas 11/12 do livro: Arte da Pintura: Simetria e Perspectiva que o próprio escreveu e que foi impresso em Lisboa, em 1615.
Este mesmo livro teve uma 2.a edição em 1767, com outro título: Arte da Pintura (correcta, emendada e acrescentada com o seu index) a cargo de João Baptista Alvares, impressa em Lisboa, em 8.° de XIII 116 pgs.
Lê-se na mesma fonte que esta 2.a edição teve maior êxito que a I.a, o que levou Leontina Ventura, em 1982, a reeditar o livro, através da Editorial Paisagem (Porto), em edição facilitada e com um estudo introdutório dela própria. Segundo esse estudo a l.a edição fora impressa em Lisboa, por iniciativa de Pedro Craesbeeck no já referido ano de 1615.
Escreve se nessa introdução que “ao envelhecer Filipe Nunes se torna pedagogo, sentindo se através daquele prólogo que está consciente da sua acção no campo da pedagogia.
E lê-se também que este livro sobre a Arte da Pintura surge como testamento do Autor ou como prova do seu mestrado (que ele inicia pela definição dos seus “herdeiros”).
Afirma-se neste estudo de Leontina Ventura: “pela obra que nos deixou poderemos afirmar que Filipe Nunes era dotado de gostos ecléticos que o levaram a interessar se por formas variadas da cultura filosófica, literária e artística, que era amante cultor não só das letras, mas também das artes nobres. E terá sido na clausura de S. Domingos, em Lisboa, que se terá dado inteiramente à literatura, à arte e à eloquência. O retiro espiritual não o prejudicou, pois foi desde então que escreveu todas as suas obras”.
Ainda segundo a mesma fonte terá sido das pessoas mais cultas da sua época. E talvez por isso Filipe III o escolheu para seu colaborador régio.

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