SÁ, Belmiro Benevenuto de Matos e
Nasceu em Vila Flor, por volta de 1850.
Sem grande cultura, cedo se foi até ao Porto, onde trabalhou como marceneiro e onde aprendeu a tocar corneta de chaves e harmónio. Quando tinha vinte anos voltou a Vila Flor e aí casou, abrindo uma loja no centro da vila. Por essa altura fez duas escrivaninhas para mostrar, na vila, a arte de marceneiro que aprendera no Porto. Uma dessas escrivaninhas foi destinada a secretária do Juiz e a outra para a mesa de trabalho do Presidente da Câmara. Esta foi. entretanto posta à venda, em 1915 e comprou a o Dr. António Alexandre de Matos, conforme refere no seu livro: Trás-os-Montes (1941). E aí escreve que essa escrivaninha tinha a seguinte legenda que o Belmiro lhe colocara: Belmiro a fez em 1869. Belmiro deu nas vistas e veio a ser um cidadão influente, sobretudo na política.
Sempre que havia reuniões importantes em Bragança e mesmo em Lisboa, lá era ele convocado, para dar o seu parecer. Chegou a ser o Administrador do Concelho. Sempre que ía a Lisboa pedir benefícios para o seu concelho levava “atrás de si meio vagão de pipos de vinho, vasilhas de azeite, cestos de uvas e outras frutas, sacos de melões e de castanhas, cartuchos de amêndoas enconfeitadas, tudo com que bem e convenientemente presenteasse as altas pessoas das suas relações de amizade ou políticas”. Com este procedimento, diz a nossa fonte, o Belmiro tinha sempre acesso aos Ministérios e lugares de influência, porque começava por gratificar os contínuos e ele era recebido em primeiro lugar, com resultados positivos para a sua Câmara.
Foi assim que, a seu pedido, foi criada, por decreto de 20 de Setembro de 1890, a comarca de Vila Flor.
Era do partido Regenerador. Só foi derrotado, com a Implantação da República, em 1910. Mesmo assim, teve direito a ver o seu nome numa Rua de Vila Flor.