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PAIVA, Maria Valentina Soares dos Santos

Valentina Paiva, por que é mais conhecida, nasceu em Moncorvo, a 15 de fevereiro de 1926. Com nove anos de idade deu entrada no Colégio das Franciscanas de Lamego, em regime de internato, onde concluiu o Curso Geral dos liceus e preparou-se também para o Curso Complementar. Por razões estranhas à sua vontade, não pôde ir a exame. Por intermédio daquele Colégio, frequentou outras atividades extraescolares como Civilidade, Religião, Ética, Música, Desenho Artístico, etc., e participou em vários espetáculos teatrais para um público interno, despertando-lhe o gosto pela escrita em prosa e verso. Aos 14 anos publicou o seu primeiro soneto na Voz de Lamego. Com cerca de 19 anos, regressou à sua terra natal. Como não pôde continuar os estudos oficiais, foi formando-se, à volta de gente letrada e com os livros que lhe forneciam as bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Em Lisboa, onde acompanhou o seu filho e a sua filha, enquanto estudaram na Faculdade de Direito, continuou aquela formação autodidata, frequentando o Cinema, o Teatro, as Galerias de Arte, as Bibliotecas e os Monumentos. Aos 40 anos, ainda fez um Curso de Relações Públicas. Porém, como gostava de ser professora, entrou na Alliance Française de Lisboa, ao nível do 4º ano, em virtude de ter uma boa preparação em Francês. Depois que os filhos terminaram o curso de Direito, Valentina Paiva mudou para o Porto. Aqui, inscreveu-se a seguir no Curso Superior da Língua Francesa, sob a orientação da Universidade de Toulouse, França. Ainda pôde iniciar no Porto a sua tão ambicionada profissão docente, ensinando Francês. Mudando de novo a residência para Trás-os-Montes, foi depois Professora na Escola Preparatória de Freixo de Espada à Cinta, onde chegou também a ser representante do Sindicato dos Professores depois de 1974. Mais tarde, deixou o Ensino e foi residir para Bragança, onde se mantém ainda, em companhia do seu atual marido. Ela e o marido (Manuel Mirandela) foram membros fundadores da “Asociación Caminos de Cervantes Y Safarad”, com membros de um grupo internacional de catedráticos e estudiosos do Judaísmo. Participou, em seguida, nas “Jornadas de Estudo” que esta associação realizou em Julho de 1992, na Puebla de Sanabria, Espanha. Sob proposta de Manuel Mirandela foi organizado o II Congresso Internacional “Los Caminos de Cervantes Y Sefarad” em Bragança, onde ambos participaram, com outros congressistas, no mês de Julho de 1994. Depois têm participado noutros que se seguiram por iniciativa daquela associação. Em Novembro de 2000, Valentina Paiva fez também parte de uma equipa de espanhóis no Congresso “Caminhos Culturais” em Santiago de Compostela, onde apresentou um trabalho intitulado Caminhos Meridionais de Santiago e Miguel de Cervantes Saavedra. Em 1995, já havia criado o programa “Ao Canto do Espelho” na Rádio “R.B.A.” de Bragança. Neste programa entrevistou, entre outros, o Dr. Álvaro Cunhal, cuja entrevista mereceu o 1º prémio atribuído pela Rádio Renascença, ao melhor programa radiofónico regional daquele ano. Entretanto, tem sido também colaboradora da imprensa escrita, como o jornal A Voz do Nordeste de Bragança ou A Sineta de Izeda. Naquele jornal brigantino tem escrito algumas crónicas: “Conversas à Lareira” e “Um Caminho nos Caminhos de Santiago”. Com as crónicas “Conversas à Lareira”, publicou um livro com o mesmo título, que foi apresentado, no Arquivo Distrital de Bragança em 28/07/2001. A Biblioteca da Universidade de Santiago de Compostela, em virtude das crónicas “Um Caminho nos Caminhos de Santiago” que ainda publica na Voz do Nordeste, incluiu Valentina Paiva, na lista de autores com mérito na Internet. Brevemente estas crónicas serão também publicadas num próximo livro da autoria desta ilustre transmontana.

António Cravo

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