PINTO, Carlos Vieira
Nasceu em Chaves, em Janeiro de 1935. A. Espirito Santo, médico flaviense e pintor, escreve no Notícias de Chaves de 27.7.2001, uma breve nota biográfica deste seu colega de profissão, a partir de um livro que dele leu chamado “Crónica de um cirurgião de guerra”. Dele escreve: É médico de especialidade geral e regista já na sua carreira de escritor vários prémios como o de Cesare Pavese pelo seu livro “Um rio de vinho, um rio de sangue”, o de Fialho de Almeida com o romance “Crónica de um enigma”, o de Abel Salazar com a obra “A contribuição da medicina militar na medicina portuguesa”, entre outros. O acaso trouxe-me à minha curiosidade de ler o último romance de Vieira Pinto “Ponto sem nó” que tem por figura central o capitão médico Afonso Domingos, que mais nos parece ser o próprio autor, pois foi destacado para a guerra colonial, mais propriamente para Luanda, transferido depois para o Luso, mais tarde para Cabinda e finalmente de novo para Luanda, antes do seu regresso a Portugal. Nesta sua “crónica de um cirurgião de guerra” conta como o capitão Afonso Domingos manteve sempre uma postura firme perante os superiores quando procurava com uma ação louvável, modificar tudo o que estava mal nos diversos hospitais onde exercia o seu trabalho, não retirando uma vírgula que fosse, quando respondia ao Brigadeiro ou General, indiferente a qualquer processo disciplinar que lhe intentassem mover. Foi sempre intransigente com a sua maneira de ser, simples, cumprindo a missão que lhe fora destinada, o que acabou no final por lhe merecer um louvor! Estimado por todos, soube impor-se em toda uma ação de trabalho extraordinário num período crucial de uma guerra que muitos não queriam, da qual muitos vieram feridos, amputados de pernas em plena mocidade – um trabalho médico que ficou “como um dos mais honrosos pedaços da nossa história e uma razão do orgulho de ser português” (palavras do autor do Ponto sem nó). Este romance, a história de Afonso Domingos, lê-se com um interesse crescente da primeira à última página, até porque está escrito numa linguagem acessível, ao correr da pena. Chaves pode também orgulhar-se deste seu romancista, poeta e contista. É já vasta a sua obra podendo ainda citar-se Prazer em conhecê-lo, Minhas senhoras e meus senhores, 50 poemas de amor, angústia e morte. Registe-se que Vieira Pinto trabalhou na rádio Cabinda, teve na TVI a seu cargo o programa Rica saúde e mantém hoje na TV Cabo, semanalmente, o E se eu vos contasse?. Dele disse Sttau Monteiro que “é um homem cheio de vida, que sabe rir, homem alegre, que enfrenta a vida com um sorriso, traga ela o que trouxer”. Aos flavienses aconselho a que tomem conhecimento das obras referidas. Como eu gostei, vão gostar também de ler Carlos Vieira Pinto que, saliento ainda, é Presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos e Vice-presidente de Honra da União Mundial de Escritores. Não tenho memória de ter lido em qualquer semanário flaviense uma referência que fosse a este escritor natural de Chaves e, por isso, o motivo deste apontamento simples, de chamada de atenção para uma obra literária já extensa e que irá certamente continuar pois Vieira Pinto terá muita coisa para nos contar, ele que é contista, muita poesia para nos dizer, ele que é poeta de fina água, outro romance, ele que é romancista. Considere: um filho da cidade do Tâmega com uma obra já notável. Leia.
A. Espirito Santo