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PRAÇA, José Joaquim Lopes

Lopes Praça, jurista, professor universitário e historiador da Filosofia em Portugal, nasceu em Castedo, Alijó, a 1º de janeiro de 1844, e faleceu em Montemor-o-Novo, a 3 de janeiro de 1920. Após completar os preparatórios de Humanidades, ingressou no Seminário Arquiepiscopal de Braga, onde concluiu o curso de Teologia em 1862. Em seguida, matriculou-se nas Faculdades de Direito e de Teologia da Universidade de Coimbra, optando por Direito, e obteve a licenciatura em 1869.
Foi nomeado professor para a sua terra natal e, posteriormente, reingressou nos estudos universitários com o objetivo de preencher uma vaga na Faculdade de Direito. Em 1870, apresentou uma tese, mas não conseguiu a desejada nomeação, retornando a Montemor, onde começou a fomentar os estudos históricos locais. Mais tarde, obteve colocação no Liceu Central de Lisboa, mas sua verdadeira ambição era uma carreira universitária.
Em 1881, Lopes Praça concorreu a uma das três vagas na Faculdade de Direito de Coimbra, defendendo a tese O Catolicismo e as Nações Católicas, sendo nomeado professor substituto da 15.ª cadeira. Durante sua carreira, foi perceptor e mestre de Filosofia do príncipe D. Luís e do Infante D. Manuel. No entanto, o regicídio de 1908 foi um golpe profundo para ele, que se retirou completamente da vida pública, limitando-se a manter correspondência com alguns amigos, como Ferreira Deusdado e Tiago Sinibaldi. Esse período marcou sua transição do krausismo para o neotomismo, uma mudança que ele documentou em cartas.
Lopes Praça se destacou principalmente como especialista em Direito Constitucional e historiador da Filosofia. No campo da Filosofia do Direito, inicialmente influenciado por Kant, ele preferiu o pensamento de Krause, e, em Estudos sobre a Carta (1878), elogiou a difusão das teses krausistas, aprendidas através dos discípulos belgas Ahrens e Tiberghien, e radicadas em Portugal pelo magistério de Vicente Ferrer Neto Paiva. Reconhecido como um dos primeiros constitucionalistas portugueses, Lopes Praça aderiu ao jusnaturalismo de Ferrer e José Dias Ferreira, e prometeu um estudo sobre esses autores, que ficou apenas no planejamento.
Sua obra mais significativa é a História da Filosofia em Portugal (1868), na qual ele apresenta uma análise comparativa da Filosofia em Portugal e na Europa, abrangendo o período da Escolástica medieval até o século XVIII, através da obra eclética de Silvestre Pinheiro Ferreira. Lopes Praça não propôs uma “filosofia portuguesa” específica, preferindo o conceito de “filosofia em Portugal”, ao enfatizar a universalidade da Filosofia. A sua pesquisa, que mesclava filosofia e história, foi importante para o desenvolvimento dos estudos biográficos e históricos-culturais da Filosofia em Portugal.

Obras principais:
– História da Filosofia em Portugal, Coimbra, 1868 (2.ª ed. com introdução, notas e bibliografia de E. Gomes, Lisboa, 1988)
– Documentos Comprobativos à História da Filosofia em Portugal, Coimbra, 1868
– Teses de Direito, Coimbra, 1869
– Estudos sobre o Código Civil I, Coimbra, 1870
– A Mulher e a Vida, Coimbra, 1872
– O Catolicismo e as Nações Católicas. Da Liberdade da Igreja Portuguesa, Coimbra, 1881

Bibliografia:
– Fortunato de Almeida, “Lopes Praça”, in Revista de História, vol. X
– Joaquim de Carvalho, Evolução da Historiografia Filosófica em Portugal até Fins do Século XIX, Coimbra, 1946
– Pinharanda Gomes, “Introdução à Vida e Obra de Lopes Praça”, in Lopes Praça, História da Filosofia em Portugal (1988), p. 13-48

Pinharanda Gomes, Logos, Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia, 4.º volume

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