SAMPAIO, Manuel Gregório de Sousa Pereira de
Nasceu em Vila Pouca de Aguiar, a 29 de Novembro de 1766, filho natural legitimado, por Carta Régia de 17 de Março de 1774, de José de Sousa Pereira Guedes Vahia de Sampaio, senhor da Casa de Santa Marta de Penaguião e mestre de campo do Terço de Chaves. Foi fidalgo cavaleiro da Casa Real, comendador da Ordem de Cristo, capitão de Cavalaria de 1ª plana da Corte, deputado da Companhia do Alto Douro, etc. Durante a guerra com os Franceses, levantou, armando-o, fardando-o e sustentando-o à sua custa, um corpo de Voluntários transmontanos de Infantaria. Por tamanhos atos de patriotismo abnegado, o Rei D. João VI, regressando do Brasil, concedeu-lhe o título de Visconde de Santa Marta, por Decreto assinado a 3 de Julho de 1823.
Entretanto, Manuel Pereira de Sampaio casou, a 8 de Setembro de 1790, com D. Amónia Vitorina Teixeira de Magalhães e Lacerda e de sua mulher D. Ara Teresa Pereira Pinto de Azevedo Sottomayor, que lhe deu descendência. Foi 2º Visconde de Santa Marta, José de Sousa Pereira de Sampaio Vahia, que nasceu em Vila Pouca de Aguiar, a 3 de Junho de 1790, filho dos 1º Viscondes, e morreu na mesma vila, solteiro e sem geração, a 13 de Fevereiro de 1847.
Quando da sublevação da província de Trás os Montes ao invasor francês, assentou praça como cadete no Batalhão de Caçadores 3, a 10 de Junho de 1808, logo promovido a alferes em 21 de Julho seguinte, a tenente a 1º de Janeiro de 1810 e a capitão em 15 de Dezembro do mesmo ano. Serviu tão brilhantemente durante as campanhas da Guerra Peninsular, que foi promovido a major em 11 de Junho de 1813 e a tenente coronel a 30 de Outubro de 1816.
Ofereceu-se para tomar parte na expedição a Pernambuco, comandada pelo general Luís do Rego, e foi graduado coronel, a 26 de Outubro de 1817, com o comando do Batalhão de Caçadores Leais de EI Rei, com o qual se bateu na campanha de Montevideu. Quando regressou a Portugal foi colocado no Estado Maior como coronel graduado. Os membros da Junta Governativa do Porto, quando da revolução de 1820, não o acharam elemento hostil e foi nomeado ajudante general do Exército
Face aos acontecimentos políticos de então e na qualidade de brigadeiro graduado e comandante do Regimento nº 23, levantou o movimento da “Vila Francada”, que teve como resultado a queda do regime parlamentar. Assim que entrou em Vila Franca de Xira, José de Sampaio Vahia começou aos gritos de “Viva o Rei Absoluto”. Do Príncipe D. Miguel recebeu muitas atenções, que o nomeou marechal de campo graduado.
Porém, logo começaram as intrigas a surgirem de todos os lados e encontramo-lo em 1824, preso, incomunicável no Castelo de S. Jorge, vindo a ser transferido, a 1 de Maio de 1824, para a fortaleza de S. Julião da Barra. Só veio a ser solto após o exílio de D. Miguel I, em 1828, ano em que aparece a comandar as divisões ligeiras de Trás os Montes e Minho; por ocasião do desembarque no Mindelo, era comandante da 4ª Divisão, no Porto, mandando logo reunir o dinheiro dos cofres públicos e da real Companhia Vinícola para que os inimigos não se apossassem dele. Os liberais conquistam a cidade e o seu erro foi o de montar cerco, forçando a rendição pela míngua. O caso surtiu o efeito desejado e o próprio D. Miguel e os seus ministros não lhe perdoaram o facto, demitindo-o a 21 de Fevereiro de 1833, pondo no seu lugar o Conde de S. Lourenço, que nenhum êxito conseguiu, como se sabe.
O 2º Visconde de Santa Marta, título renovador por Decreto de 23 de Novembro de 1831 (D. Miguel I), regressa então à casa paterna, não sem antes ter ido a D. Pedro prestar vassalagem e vivendo o mais obscuramente possível, desiludido com o mundo, tendo encontrado a morte a 13 de Fevereiro de 1847.**
Eduardo Proença Mamede