TEIXEIRA, Bonifácio Alves
Nasceu na freguesia de S. Tomé de Arcossó, concelho de Chaves, em 1846.
Cedo emigrou para o Brasil, onde permaneceu até 1885. Aí (no Rio de Janeiro) herdou uma boa fortuna de seu tio Nicolau Alves Teixeira. Essa fortuna permitiu-lhe viajar pela América do Norte, Europa e África.
De regresso a Portugal, suicidou se em Vidago, onde se radicara. Deixou uma carta na qual conta a sua vida e os pormenores do seu tresloucado acto, que teve como origem uma doença incurável que há muito o perseguia. Na carta que deixou esclarece que foi solteiro, sem filhos e que distribui os seus haveres, pela forma que determina. Uma boa parte destinou a aos pobres de Vidago, de “ambos os sexos, honrados, velhos, impossibilitados de trabalhar, cegos e inválidos”. Mais deixou escrito que o seu corpo fosse queimado, para o que deveriam arranjar dois carros de lenha, bem regada de petróleo, deitando as cinzas à terra. Tudo isso se a lei não proibir. Mas com tudo isso e com o terreno da campa, não gastar mais do que cem mil réis”. Determinou ainda que com o dinheiro da venda da casa que possuía em Vidago fossem construídas duas escolas, uma para rapazes e outra para raparigas. A carta testamentária constitui um verdadeiro documento histórico e literário.
Manuel Joaquim Pereira, transcreve a integralmente no seu livro: Cem anos de História e progresso de um Povo pp. 96/103. O benemérito transmontano determinou que essa carta fosse publicada em dois jornais, um do Porto e outro de Lisboa. E Manuel Joaquim Pereira transcreveu a de “O Mundo” que se publicava no Porto. O suicídio aconteceu nos últimos dias de Julho de 1909.